---------------------------------------------------------------------------------------------------

---------------------------------------------------------------------------------------------------
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Zona Jovem de outros tempos



Ontem voltei a um lugar que é também uma parte de mim. Há 14 anos que não ia à praia a Melides. Tenho lá ido, claro, vi as transformações, mas fazer praia, nunca mais fiz desde que o meu mais velho nasceu. Ainda recordo as ondas enormes, as loucuras dentro e fora da praia. Nem sei bem porquê, lembrei-me desta música . Aquela era a nossa danger zone. Éramos autênticos aviões a experimentar os nossos limites. Uma dog fight contra nós próprios à descoberta da nossa identidade. Tempos irrepetíveis e que nos ensinaram muito, a base do que tivemos, cada um, que aprender depois. 
Dói-me, como deve doer a todos, o que nos fizeram à praia. Não falo das barracas que hoje seriam um atentado à natureza e à paisagem, mas enquanto as praias da zona prosperaram a olhos vistos, Melides parou no tempo e na nostalgia. Parece que já nem as ondas querem ser um grito de liberdade, a rebeldia que caracterizava o lugar e que aprofundou muitos laços de amizade que duram até aos dias de hoje, como se tivesse sido ontem a última noitada. O que foi, não volta a ser, mas Melides merece investimento e recuperação, merece ser colocada no futuro, para que os nossos filhos possam saber que gerações de Grandolenses se fizeram ao mundo, por ali e que muito mais do que a fama que lhe ficou, de lugar de escaramuças, o que realmente sobrou daquele tempo foram as amizades e as recordações conjuntas, as gargalhadas e o que passámos, juntos. Na vida é isso o que mais importa,  o que fica, o que nos sobra por cima de tudo o resto, por isso, continuo a achar que Melides merece mais! 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

À beira mar



Têm sido uns dias calmos, tão calmos que sinceramente já nem estava habituada a isto. Numa tarde acabei de ler o livro que andava há meses a tentar ler.
Todos os alentejanos do litoral deviam ler este livro. Foi um livro que me transportou para uma memória que, acredito, seja comum a todos nós, nascidos nestas terras. Sines, aqui chamada de São Torpes, a Esplanada Alentejana nos seus tempos áureos, uma praia que a evolução destruiu e uma terra que mudou e se transformou tanto nos últimos 40 anos. Para além do romance, que vale a pena, este é um tratado histórico sobre uma das estâncias de Verão Alentejanas, sobre a nossa vida, sobre o que mudou por fora mas se arrastou por gerações e ainda chega aos nossos dias. Esta memória colectiva que põe a mulher independente num papel estranho perante a sociedade e a transforma ao longo dos anos, moldando-lhe o futuro, os comportamentos, fazendo-a esquecer, por vezes, os verdadeiros motivos da sua luta. Gostei bastante, tanto que fiquei com curiosidade de ver o filme e fiquei com vontade de repetir livros do mesmo autor. Para além de ser engraçado ler uma história a acontecer em lugares que conhecemos tão bem.

Passo já de seguida para o Oussia, que fui de propósito comprar à feira do livro e que vem com dedicatória para o Afonso. Já li todos os livros do Armando e gostei sempre. Ele escreve na ficção científica, imaginação, uma área pouco explorada pelos portugueses e escreve sempre bem. Diria que é algo verdadeiramente novo na nossa literatura.


Continuamos preocupados, claro! Mas o tempo e a paciência é a única formula mágica de cura que conheço para certos problemas. Não há outra forma senão esta de esperarmos o melhor e acreditar que há-de vir.

Boa noite e bons sonhos =)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sem título



O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...




domingo, 1 de maio de 2016

Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar





Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito -  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  
Beijinhos e obrigada  



E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar :D 




Para a mãe segura

Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010







sexta-feira, 1 de abril de 2016

Memórias do futuro

Já acabei de o ler. Um livro suficientemente pequeno para se ler num ápice e suficientemente grande para nos fazer reflectir. A vida de um homem, de uma família, numa perspectiva temporal e emocional. Fez-me reflectir - gosto disso num livro - que memórias terei eu guardado, daqui a uns anos? e os meus, que memórias guardarão de mim? Como sentirei eu o percurso que criei ao longo dos anos ?
 
 
 

terça-feira, 15 de março de 2016

Gostamos bastante de ti

Haverão várias gerações de portugueses que não te deixarão morrer, por longos anos, porque ficarás na nossa memória. São pessoas assim, sem medo de viver e de morrer (porque há de facto muito poucas coisas realmente importantes na vida) que ajudam a tornar melhor a sociedade.

Das melhores peças que vi sobre uma perda tremenda para o nosso país e para a nossa cultura. Saibam os nossos "novos artistas" chegar a este discernimento da vida. Fará falta, neste Portugal em profunda mudança.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.  


quinta-feira, 3 de março de 2016

Histórias de liberdade



Num tempo em que tanto se fala do Alentejo, ler a crónica do Vitor , trouxe-me à memória o meu Alentejo. Sou uma Alentejana atípica, também, uma suposta privilegiada, filha de funcionários públicos, mãe professora, tal como a do Vítor, que durante anos partilharam o mesmo piso da escola primária com salas de aula frente a frente, pai funcionário público, chefe de uma repartição de finanças. Também adoro a minha terra, foi ali que cresci e fiz amigos, característica de quem, bem ou mal, se conhece desde há muito tempo. As pessoas estão lá e são quase sempre as mesmas é inevitável não criar laços, alguns indissolúveis. Saí mais cedo, aos 15 anos, numa fuga para a liberdade. Irónico, que uma terra conectada com a liberdade tivesse sido sentida por mim durante tanto tempo como uma prisão. Talvez ainda o seja, um pouco. Super-protegida, sei exactamente o significado das palavras politicamente incorrecta! Guardo desde muito cedo as histórias contadas, os segredos, a incompreensão das coisas que não podiam ser ditas, nem feitas. Porquê? porque não! Porque não fica bem, porque há assuntos que não são para raparigas, lugares que não são para raparigas, coisas que as meninas não fazem, sobre as quais não se fala para não captar a atenção. Logo eu, que nasci com cromossomas extra para a igualdade e a justiça. Sempre tive a mania que gostava de ser rapaz, agora talvez já se perceba porquê. Tive à minha volta mulheres fortes. Mulheres que, tal como descreve o Henrique Raposo, desde muito cedo tiveram um instinto protector nato, uma força de carácter que lhes reconheço à distância e que tomei como exemplo, com a diferença que nunca perdi esta mania rebelde de dizer o que penso e se não digo, ficam-me a corroer as entranhas até à explosão total. Guardo com carinho a lembrança de uma antiga trabalhadora do meu avô, que foi rendeiro de uma  propriedade, que ao perceber o meu apelido, no hospital, me contou que o meu avô a tinha trazido de propósito ao médico, de carro (um luxo na altura), quando teve um acidente de trabalho, durante a ceifa. Lá estava a cicatriz enorme numa das mãos para o comprovar. Sei também que não eram todos assim, os patrões, e enchi-me de orgulho de a ouvir contar. As perseguições, as delações, a PIDE, os abusos de poder, tudo histórias que povoaram o meu imaginário de infância. E a agressividade latente, nos anos do pós 25 de Abril, que fazia de nós crianças, meras espectadoras sem noção e às vezes vitimas de pequenas vinganças e maledicência. O verão era o meu tempo de liberdade, livre da escola e da necessidade de ser um exemplo: corria descalça pelas dunas e pelos caminhos de areia, como se não houvesse amanhã, em praias que naquele tempo eram praticamente desertas, sem nadadores salvadores, às vezes sem ninguém, só os pescadores e o mar. Da adolescência guardo também na lembrança as sessões históricas de "porradaria" só porque sim, de um Alentejo litoral que agora já vai aprendendo a conviver. O papel da mulher, esse, ainda se mantém  num equilíbrio periclitante entre a decência e a liberdade de expressão, às vezes até a liberdade de pensamento. Como se diz e bem nesta crónica também da sábado, infelizmente (acrescento eu) a liberdade tem um preço. Há quem tenha pago um preço bem alto por ela .





  

domingo, 20 de dezembro de 2015

My Force

Não podia deixar de ir ver. É o meu imaginário de aventuras. O meu Top Gun galáctico onde entram personagens mirabolantes, desertos e planetas gelados, droides (que nasceram muito antes dos nossos androides modernos) com diversas linguagens próprias - tão bom!!! A história é um "renovelar do mesmo novelo", mais do mesmo. Acredito que quem não gostou ou só apreciou não vá gostar. Mas para quem, como eu, sabe a 1ª saga quase de cor, ou até a 2ª ( que serviu para consolar o gosto) até podiam repetir o guião 500 vezes que eu ia gostar na mesma. Lá está, é a tal estória: quem gosta, gosta sempre! May the Force be with you


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

As minhas músicas de Natal

Nem consigo descrever bem o que sinto quando ouço esta música. Seria 95? 96? 97? Noite de Natal e fomos passa-la juntos, bem depois da meia noite familiar. Adrenalina. Há sensações que nos acompanham uma vida inteira. A sensação que se agarra a esta música é inesquecível e é isso que eu adoro na música.



sábado, 12 de dezembro de 2015

Pontos de luz



Tudo na vida se recicla. Pelo menos tudo o que nos é natural. O lixo não tem serventia, mas tantas vezes o que pensamos ser lixo, é afinal tão desejado num outro local qualquer. Lá está, é a perspectiva. Olho para a minha árvore e penso que somos companheiras de viagem há uns bons anos. De viagem, sim, que temos passado por muitos lugares, juntas, sempre nesta época. Reservo lugar para o mais importante, na base. À falta de tempo para mais ilumino-o, juntando-lhe o que mais gosto nesta época: a luz. Este é um tempo de luz, um tempo de esperança, um tempo de pensar que foi o mais frágil e indefeso, aquele que mudou o mundo ou pelo menos a perspectiva que havia dele até então. Continuo a pensar que a mensagem dele fui demasiado inovadora para o seu tempo, tanto que ainda hoje tentamos atingir-lhe, só os principios do que nos veio ensinar e mesmo assim tentando, ainda não conseguimos. A paz, o perdão, o dar a outra face. Enchemo-nos de rituais ( necessários também) que tantas vezes ultrapassam os verdadeiros significados e colamo-nos ao desnecessário que nos impede de andar em frente. 

O Natal chegou ao meu ninho. Já tinha chegado antes, muito antes, quando finalmente senti que algo aqui me pertencia, como se o lugar tivesse estado, sempre, à minha espera. Só agora lhe dei o toque de época. Aguardo as boas novas, como quem sabe que a fé é o melhor alimento, o que nos permite continuar, mesmo após aquele que se julga ser o fim de todas as coisas.


Se um coração é grande, nenhuma ingratidão o fecha, nenhuma indiferença o cansa.” 

                                                                                                                                                                                           Tolstoi



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

The Gift

Não querendo fazer qualquer tipo de publicidade à instituição, faço-a à mensagem.




E aceitarmo-nos todos não seria a tão desejada boa nova?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A vida é bela

Há já algum tempo que não sentia o cansaço como hoje. Medito algumas vezes no que ouvi dizerem-me um outro dia - qualquer coisa como: é no tempo em que podes descansar mais, que te sentes mais cansada, porque podes sentir-te assim. Seja! Também podia dizer que a aposta em abrandar um pouco o ritmo e tentar refriar as constantes mudanças de turno, a que as 40 horas obrigam, e o duplo emprego - um part-time a que as despesas ( ou a crise , se preferirem e não dar aspecto de despesista) - obrigam, me permitiram diminuir a dose de medicação e que isso também tem consequências ( bem me queria parecer que ontem devia ter tomado o comprimidinho milagroso mas , mais uma vez, achei que ia conseguir aguentar) . Ainda assim, e embora não tenha conseguido fazer tudo o que tinha previsto para hoje, já adiantei bastante as tarefas "orgazinacionais" que tinha para completar. Desconfio que já tenho uma máquina de calcular valores aproximados na cabeça, que me permite fazer contas com tabelas de despesas, ganhos , descontos e valores a crédito e a débito a uma velocidade que até a mim me espanta. Já não estava habituada a ter a cabecinha a funcionar tão bem há muito tempo a que se soma a contemplação dos resultados com aquela sensação de dever cumprido. Ah! como é bela a vida. Revisão do carro e da coluna marcadas ou em vias de; pagamentos realizados; nova previsão para o mês com boas perspectivas entre créditos e débitos; a loucura consumista do mês também já perspectivada e daqui para a frente é gestão corrente ( espero eu) . pffff!!!Na verdade olho para trás, para o último ano e penso que talvez tenha corrido melhor do que esperava. Até já consegui, um dia, deitar-me no sofá a ver televisão e imaginem! não me sentir culpada por ter deixado alguma coisa por fazer ( porque não deixei e isso é uma coisa espantosamente nova para mim) . Hoje os planos são experimentar outra vez para ver se consigo...

E por falar em a vida é bela, como tenho saudades de ver um filme assim...


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No Reino de Aquém e Além dor

Costumo dizer que há músicas que nos definem. Há quem tenha uma música favorita, eu tenho muitas. Há, por isso, muitas músicas que me podem definir: depende do estado de espírito, do dia, do que me vai no pensamento; uma fase da vida, ...coisas... ou como diria um colega meu, cenas. Geralmente são as mais antigas, aquelas que passaram mais momentos importantes comigo, ou alguma que marca uma fase inesquecível ou que me lembra alguém. Hoje lembrei-me desta, porque foi com a Florbela que compreendi melhor o que o Alentejo nos pode fazer por dentro. Tenho para mim que ter uma planície aparentemente sem principio nem fim que desagua num oceano, como berço, nos faz acreditar que teremos sempre caminho por e para seguir, sempre, mesmo que pareça difícil o horizonte a alcançar. Deixo-vos os Trovante, para mim uma das melhores bandas portuguesas, num poema extraordinário de Florbela Espanca.



     Porque perdermo-nos por amor a alguma coisa ( pessoa, ideal, sonho, profissão)  é a única verdadeira razão de estarmos vivos

sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dias cinzentos

Os dias cinzentos são sempre os piores e raramente têm muito que ver com os sol. São os dias em que se descobre que os sonhos ficaram todos para trás, que não se faz nada do que se esperava fazer por esta altura e que por muita volta que se dê ao pensamento não se encontra grandes saídas ( viáveis) para se transformar a forma como se ficou. O trabalho não nos leva a lado nenhum e é feito com esforço de escravatura, o tempo não chega para se estar com os filhos como se devia, já para não falar das contas constantes que se fazem para arranjar e rearranjar orçamentos. É nesta altura que me questiono qual foi a curva que fiz para a direcção errada. Por mais voltas que dê ao pensamento não consigo identificar uma ( foram tantas) que acabo por me certificar que é tempo perdido estar constantemente a voltar para trás.
 Até aqui, tudo bem.
Conforma-se e enforma-se e no fundo nem é isso que me preocupa. O que me preocupa é a falta de perspectivas, a falta de oportunidades, a falta de alternativas. Às vezes sinto que a minha vida é como a politica em Portugal: por mais que se queiram arranjar alternativas e soluções há-de vir sempre alguém ou alguma coisa estragar tudo.  Poderão dizer-me que a vida é mesmo assim , que nunca se tem aquilo que se quer, que é difícil...pois, obrigada pela informação, isso eu já sei! A alternativa pelos vistos é habituarmo-nos. Habituamo-nos a trabalhar 240 horas por mês. Habituamo-nos a despender apenas 30 minutos a uma hora por dia aos filhos, habituamo-nos com a ideia de que há muita coisa que nunca iremos ver nem ouvir. E eu habituei-me! Habituei-me que há alguns sonhos que se podem transformar nos piores pesadelos, quando te exigem sucesso.
 Estes são os meus dias cinzentos, depois tenho outros. Nos outros dias, agradeço por poder trabalhar as 240 horas que me permitem ir vivendo e levando os meus filhos onde querem, fazer-lhes alguns "mimos" que todos gostamos de fazer, mantê-los vestidos e calçados e aparentemente saudáveis e felizes. Nos outros dias, agradeço por ter resistido e aguentado 5 anos de uma depressão difícil, de ter aguentado as constantes pressões internas para não resistir ao sofrimento ( sim, uma depressão é, muito mais que se imagina, uma forma de sofrimento) de me ter transformado numa pedra, que não permite que os dias cinzentos que ainda batem à porta, tenham a mesma força e a mesma influência que já chegaram a ter. Nos dias cinzentos, lembro-me que vai passar, que tudo passa, que não preciso mostrar a ninguém que sou feliz, nem preciso ser melhor ou pior. Só preciso ser eu, e aguentar, porque no dia a seguir, se bem calhar, já verei as coisas diferentes, sem ambições, sem grandes sonhos, sem objectivos. Só com a vontade de viver." Esperar o melhor mas estar sempre preparada para o pior". Aprendi que só isto já me basta, como qualquer outro objectivo...



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Na mão certa




Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.

Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.





sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em tempo de festa

Parei nos 68 a um "cagagésimo" do IMC ideal. Não que tenha parado o caminho para atingir o objectivo a que me propus mas porque decidi soltar um pouco as "amarras". Uma ida à capital que não me permitiu levar a marmita atrás ( e a oferta, nos comes e bebes, acaba por ser sempre a mesma, muito pouco compatível com a minha dieta) e a chegada da feira, ditam a pausa nos próximos dias.

A feira. O marco no calendário de quem nasceu em Grândola e que determina, sem sombra de dúvidas, o fim do tempo de Verão. Mesmo que existam ainda férias para se viver, é certo que os dias não saberão ao mesmo tempo de Verão que até aqui. Já iniciámos a época de diversões ( ninguém consegue aguentar os miúdos depois que o som se começa a propagar pela vila, e eu entendo isso) o que me leva de volta exactamente às mesmas emoções que encontro nos meus filhos, nas suas expressões, naquele nervoso miudinho de querer ver tudo e experimentar tudo, como se a feira se fosse esfumar, diante dos seus olhos a qualquer momento. Eles ainda não sabem, mas eu já sei, que há coisas que se vão repetir incessantemente no tempo até deixarem de ter as mesmas cores, as mesmas vibrações, até deixarem de produzir aquela sensação indiscritível que são os dias de feira enquanto somos miúdos. Os intervalos anuais, que agora lhes parecem um tempo infinito vão começar a encurtar e para além das mostras de artesanato, que vão mostrando o que se faz, e do turismo, que vão mostrando o que se fez, tudo o mais se resume a reencontros, de gente que aproveita estes dias para se reencontrar com a criança que foram outrora ou com os amigos, que para além das distâncias estão sempre perto porque ficam dentro, bem dentro, do coração. Talvez seja por isso que nos dias de feira me lembro quase sempre de quem me faz falta mais perto, e nesses dias faço das tripas coração para os encontrar. Nem que para isso os objectivos mais imediatos fiquem um pouco esquecidos. Afinal, as festas devem fazer parte da vida, sempre, e quando são poucas devem ser aproveitadas no ideal das capacidades.  Que venha, a maior feira festa do Litoral Alentejano, que eu estarei cá à sua espera.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um dia ainda escrevo um livro...

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tubo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada, e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas...

Ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos os originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos).

Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou-me sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro, para o bem de todos, é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...





domingo, 10 de agosto de 2014

A sul mas a oeste

Gostava de ter ido ao Sudoeste. Não que ainda me fascinem aqueles ambientes de pó e confusão,  mas porque estive lá,  no seu nascimento e nos primeiros anos e sou uma saudosista. Em 18 anos muita coisa muda. Eu sei o que mudou na minha vida e gosto de ver as mudanças que vão ocorrendo,  nas coisas e nas pessoas, enquanto a vida se vai fazendo.  O ser humano fascina-me! E é nos aglomerados de pessoas que se pode observar o melhor e também o pior. Assim também se aprende, mais que não seja aprende-se pela observação aquilo que se quer ou não , para a nossa vida.

A música leva-me a qualquer lado ( já se sabe) e sou capaz dos maiores sacrifícios só para ouvir alguém que goste.

Não fui porque neste momento as minhas prioridades são outras e para atingir o objectivo a que me propus tenho que trabalhar e poupar,muito. Estou a falar da minha nova casa, claro! De me desfazer do peso velho, abrir as portas a uma nova oportunidade e construir os meus sonhos.  O fogão já está no lugar, prontinho a debitar receitas o mais naturais e naturistas possíveis. Neste momento mudei o meu foco para a cama dos meninos.  Reaproveitar é a palavra de ordem. Conseguir fazer o que quero com aquilo que já cá tenho. Agora vai ser vê-la a aprender a pintar madeira. A cama preta vai dar lugar a uma cama branca e azul,  assim eu consiga ,com as minhas mãos, transformar o sonho em realidade ( nunca fui boa em trabalhos de mãos ).  Talvez tire umas fotos do antes, do durante e do depois,  para sempre que me der na cabeça  - que não consigo fazer qualquer coisa - me possa lembrar que com paciência e vontade, tudo se faz, mesmo que para isso seja necessário algum sacrifício.