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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

É para o menino e para a menina ...


... E estão no fim, as férias. Amanhã vou calçar uns sapatos novos ao meu " Manuel Nuno" ( um Toyota Yaris xx-MN-xx ) para ficar calçado para o Inverno e rebento os últimos cartuxos das férias grandes deste ano. Não sem antes me ter alegrado com a beleza natural que é nossa, este alentejo litoral que faz a fronteira da Europa com o Atlântico e de onde fiz questão de não sair ( para quê??!!) e de me entristecer com o facto de o Portugal para Inglês ver estar a chegar à nossa costa. No inicio deste mês, se não me engano, a taxa de IVA na restauração desceu para os 13%. Infelizmente essa descida, ainda não a verifiquei no preço final dos serviços prestados. O que tenho verificado, isso sim, é que, por moda, os portugueses pagam valores exorbitantes por serviços e refeições que não merecem nem um terço daquele preço. A sério, eu não entendo os portugueses, será que a decoração ou paisagem vale assim tanto dinheiro? É que por vezes, basta virar à direita em vez de à esquerda e encontra-se o mesmo serviço e a mesma qualidade por metade do preço.  Mas enfim, quem sou eu para criticar. Sei no entanto que o meu dinheiro não serve para ser encher barrigas alheias ! 

Vemo-nos por aí, numa praia qualquer, que o bom disto tudo é que, enquanto for Verão, mesmo a trabalhar, posso sempre desfrutar desta grande maravilha que é a nossa! 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Zona Jovem de outros tempos



Ontem voltei a um lugar que é também uma parte de mim. Há 14 anos que não ia à praia a Melides. Tenho lá ido, claro, vi as transformações, mas fazer praia, nunca mais fiz desde que o meu mais velho nasceu. Ainda recordo as ondas enormes, as loucuras dentro e fora da praia. Nem sei bem porquê, lembrei-me desta música . Aquela era a nossa danger zone. Éramos autênticos aviões a experimentar os nossos limites. Uma dog fight contra nós próprios à descoberta da nossa identidade. Tempos irrepetíveis e que nos ensinaram muito, a base do que tivemos, cada um, que aprender depois. 
Dói-me, como deve doer a todos, o que nos fizeram à praia. Não falo das barracas que hoje seriam um atentado à natureza e à paisagem, mas enquanto as praias da zona prosperaram a olhos vistos, Melides parou no tempo e na nostalgia. Parece que já nem as ondas querem ser um grito de liberdade, a rebeldia que caracterizava o lugar e que aprofundou muitos laços de amizade que duram até aos dias de hoje, como se tivesse sido ontem a última noitada. O que foi, não volta a ser, mas Melides merece investimento e recuperação, merece ser colocada no futuro, para que os nossos filhos possam saber que gerações de Grandolenses se fizeram ao mundo, por ali e que muito mais do que a fama que lhe ficou, de lugar de escaramuças, o que realmente sobrou daquele tempo foram as amizades e as recordações conjuntas, as gargalhadas e o que passámos, juntos. Na vida é isso o que mais importa,  o que fica, o que nos sobra por cima de tudo o resto, por isso, continuo a achar que Melides merece mais! 

sábado, 30 de julho de 2016

Sintonizada comigo!



O festival já tem 17 anos mas, na verdade, nunca tinha lá ido. Talvez porque o seu começo foi já depois de ter iniciado a minha vida activa, como enfermeira ( a respeito disso, parabéns a todos os do Grande XI curso da ESEBB porque fazemos hoje 18 anos de curso! ) e estava longe. Quando regressei ao Alentejo, comecei a perceber que as noites de FMM eram sempre demasiado"animadas" para o gosto de quem trabalha num serviço de urgência. Apesar de algumas colegas me dizerem: vai! vais adorar. Tem mesmo a tua cara - nunca me decidi a lá ir, achava que talvez já fosse "demais" para mim. Há certas festas que já não aguento ! Decidi-me a ir ontem, a convite de uma amiga com um ritmo de vida muito semelhante ao meu. Fui e adorei! E não é que aquilo tem mesmo a minha cara?!!! Há coisas para as quais algumas palavras não chegam. Deixo-vos um video de publicidade do ano passado, que me parece capta muito mais a essência da coisa do que os spot`s publicitários deste ano. É ver e ficar com água na boca para lá voltar, todos os anos!










quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ideias felizes

Muito se fala em Portugal e nos países europeus da quebra na taxa da natalidade. Existem muitos motivos para isso é já na altura do meu curso abordamos esse problema. A verdade é que as mulheres têm hoje perspectivas de vida muito diferentes das que tinham à algumas gerações atrás. Para além disso, os recursos sociais são cada vez menos e mais dispendiosos o que leva a que depois do primeiro filho qualquer casal pense muito bem antes de ter outro filho. Vai muito da perspectiva de vida de cada um, dos planos que formulou para o futuro e até dos sonhos que tem. Criar filhos, educa-los, dar-lhes a atenção e carinho necessários é difícil para qualquer mulher que concomitantemente queira ter uma carreira. Imaginem então para uma mulher solteira ( divorciada/viúva) que tem planos e projectos para sua vida. Não só é difícil como é quase uma tarefa hercúlea...sendo que são precisos muitos mais do que os 12 trabalhos de Hércules e alguma sorte. Em Portugal significa trabalhar/ gerir/ programar quase 24 horas por dia com direito a sensação de cansaço quase contínuo que a bem ou a mal somos obrigadas a ter que aprender a saber lidar com tudo isso.
O que mais me chateia no meio de tudo são os pressupostos de que temos que aguentar. Aguentar e, se possível, fazer pouco barulho. Acredito ser esse o motivo que leva muitas mulheres a manterem casamentos e uniões que não as faz felizes. Acredito também que é esse o motivo porque muitos homens se sentem presos nos seus casamentos.
Uma questão de sobrevivência, portanto. Partindo deste princípio, que pode estar errado, admito que alguns problemas sociais se resolveriam com um maior apoio à maternidade/paternidade, admitindo também que nem sempre são as mães os melhores cuidadores. Parto do genérico para chegar ao particular. Das boas opções de apoio é sem dúvida a do nosso município que tomou a resolução de apoiar todos os meninos do 1° ciclo com a compra dos livros escolares. Para mim é uma ajuda fantástica e extremamente útil, muito mais útil do que a isenção de dos meninos no serviço nacional de saúde, sabendo nós que o serviço não tem capacidade de resposta para doença aguda, apenas para o seguimento regular. Muitas vezes se se pensassem nas medidas que se tomam - benefícios versus custos - muito do show off eleitoral seria dispensável e estaríamos de facto a aumentar a qualidade de vida de todos nós. Porque produtividade, lá está, pressupõe algum tipo de qualidade para não voltarmos ao tempo da escravatura.

domingo, 24 de julho de 2016

Saudável acima de tudo

Durante as férias nunca sei muito bem a quantas ando ( bem na verdade eu nunca sei muito bem a quantas ando, nem mesmo quando estou a trabalhar, por causa dos turnos) . A numeração mensal não é difícil, porque para saber que turno faço, tenho que saber a quantos estamos, mas os dias da semana são sempre um enigma para mim. Hoje sei que é Domingo porque é o dia da Ultra Maratona Atlântica e os miúdos foram com a tia assistir à chegada em Tróia, pelo que tenho tido o dia inteiro só para mim. Praia ao Domingo não é o meu exercício favorito, estou mal habituada, e detesto praias a abarrotar de gente e, ou tenho boa companhia ou então prefiro nem ir. Têm estado dias muito quentes este fim de semana e cá em casa não há piscina ( essa infelizmente é amovível e ficou na casa dos netos) assim o engenho e o calor fizeram-me arranjar uma geringonça com a mangueira para tomar o duche no quintal e manter a temperatura a níveis médios ( sendo que a esta hora ainda estão uns módicos 32º dentro de casa)  Hoje prevêm-se banhos no quintal até mais ou menos às 10h da noite. Mas o calor, para além de obviamente... calor, traz também os raios Ultra violetas e eu sinceramente embora só goste de praia com calor não gosto dela às horas de maior exposição. Além disso andam por aqui uns sinais a mudar de forma e consistência o que me vai dar que fazer depois das férias: ir mostrá-los ao dermatologista. Entretanto ela, que detesta "besuntisses" é cremes e mais cremes, porque tem que ser. Entre "besuntisses" e aspecto de velha, prefiro as "besuntisses"( ainda ando a curtir o facto de me terem dado 20 e tal anos - é verdade que o sr ia ser operado aos olhos, mas isso não interessa nada!!!!) . Ainda por causa desta coisa dos sinais ( e dos meus gatos, conversa e mais conversa foi coisa que não faltou ontem) falaram-me nesta publicidade e vim à procura dela. Realmente a criatividade é uma coisa extraordinária e esta está mesmo muito boa : um alerta em jeito de mimo.





E agora vou refrescar-me na mangueira para depois ir comprar leite de soja que quero experimentar a minha iogurteira nova.Estou a apostar, em grande, na vida saudável!



sexta-feira, 22 de julho de 2016

A mais bela sintonia

Hoje foi um dia extraordinariamente feliz. Não só porque estive rodeada de 5 crianças ( perdão, 4 crianças e 1 adolescente) em fases de desenvolvimento completamente diferentes que interagem de uma forma absolutamente incrível, mas também porque finalmente, hoje, consegui dar por terminada a árdua tarefa de me desenvencilhar do resultado da má gestão do que foi o pior negócio da minha vida. Está feito! Já ninguém pode telefonar-me a dizer: paga o que deves! Está pago, caramba!!!!

Há pouco, antes de vir para aqui escrever, estive lá fora a ouvir as ondas. O pinheiro junto à casa está enorme. Fomos nós que o plantámos e é incrível a forma como cresceu nos últimos anos. Sinto-me aqui como peixe dentro de água. O mar a rugir lá ao fundo e o vento a passear-se por entre os cabelos do pinheiro criam a mais bela sinfonia que eu conheço e aquela que melhor define o que senti quando me sentei no banco da soleira - felicidade.

Agora posso finalmente pensar nos próximos objetivos sem ter sempre a mesma sensação de que falta alguma coisa, a sensação horrível de estar a faltar às responsabilidades.

Tendo em conta a dificuldade que senti para orientar as contas, imagino quanto tempo teremos que esperar até este mísero país se levantar do chão, de cabeça erguida, sem precisar de pedir dinheiro emprestado a ninguém para se governar. Gestão apertada e inteligente, sem desvarios nem manias de grandeza e sobretudo fazendo contas a médio e longo prazo e não a pensar só nos próximos meses. Não parece muito possível dada a conjuntura nacional. Por mim, estou safa!

Gosto de pensar que muitas vezes me comporto como hoje, no jogo de matraquilhos. 3 equipas a jogar ao bota fora. Olham para mim com aquele ar de " eu é que não quero ficar na equipa da cota" . Muito a custo lá arranjei um voluntário para ficar comigo, que o fez mais por respeito do que por vontade. " Tens noção que vamos perder? " . " Se calhar não..." Disse-lhe. Foram 4 jogos seguidos sem arradarmos pé do jogo e aquela cara de espanto " como é que tu fazes isso
? "

Se imaginassem as horas de prática e as noites e madrugadas a fio... O melhor de todos os saberes é sem dúvida a prática aliada à teoria da coisa! E eu tenho muita experiência disso.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

À beira mar



Têm sido uns dias calmos, tão calmos que sinceramente já nem estava habituada a isto. Numa tarde acabei de ler o livro que andava há meses a tentar ler.
Todos os alentejanos do litoral deviam ler este livro. Foi um livro que me transportou para uma memória que, acredito, seja comum a todos nós, nascidos nestas terras. Sines, aqui chamada de São Torpes, a Esplanada Alentejana nos seus tempos áureos, uma praia que a evolução destruiu e uma terra que mudou e se transformou tanto nos últimos 40 anos. Para além do romance, que vale a pena, este é um tratado histórico sobre uma das estâncias de Verão Alentejanas, sobre a nossa vida, sobre o que mudou por fora mas se arrastou por gerações e ainda chega aos nossos dias. Esta memória colectiva que põe a mulher independente num papel estranho perante a sociedade e a transforma ao longo dos anos, moldando-lhe o futuro, os comportamentos, fazendo-a esquecer, por vezes, os verdadeiros motivos da sua luta. Gostei bastante, tanto que fiquei com curiosidade de ver o filme e fiquei com vontade de repetir livros do mesmo autor. Para além de ser engraçado ler uma história a acontecer em lugares que conhecemos tão bem.

Passo já de seguida para o Oussia, que fui de propósito comprar à feira do livro e que vem com dedicatória para o Afonso. Já li todos os livros do Armando e gostei sempre. Ele escreve na ficção científica, imaginação, uma área pouco explorada pelos portugueses e escreve sempre bem. Diria que é algo verdadeiramente novo na nossa literatura.


Continuamos preocupados, claro! Mas o tempo e a paciência é a única formula mágica de cura que conheço para certos problemas. Não há outra forma senão esta de esperarmos o melhor e acreditar que há-de vir.

Boa noite e bons sonhos =)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

No rescaldo das lesões

Chego a casa 12 horas depois de ter saído. Cansada. Ainda com a euforia de termos sido campeões, que se sente nos sorrisos, nas conversas, por todo o lado. Foi um jogo emocionante em que pela primeira vez, desde há muito tempo, acreditei, do princípio ao fim.

É bom perceber nas pessoas um rasgo de positivismo depois destes anos desgastantes para tantos.

Aguardo pacientemente os poucos dias que faltam para as minhas férias. Desde 2007 que não tenho 15 dias de férias sem ter que trabalhar em lugar nenhum. Há 9 anos que as férias se resumem a 3 ou 4 dias em que consigo por vezes sair daqui ou que vou alternando com outros tantos de um biscate qualquer que me dá fôlego monetário para as despesas extra. Este ano decidi parar. Não sem antes fazer uma pequena maratona para ter a certeza de que nada me faltará. Habituamo-nos a tudo e este ano vou ter que me habituar a não fazer mais nada do que voltar a estar sossegada durante 15 dias. Primeiro porque para ter os 15 dias significa que não vou poder mexer-me muito e depois porque quando nos habituamos a andar num corropio constante até parar é difícil. Eu desejo muito parar. Voltar aos meus livros, à minha praia, a tudo o que me faz ainda mais feliz. Houve um tempo em que julguei que fazer coisas que me pudessem acrescentar era a única maneira de poder ser feliz. Hoje sei que a melhor forma de ser feliz é poder dar-se ao luxo de parar. Mesmo que não se faça mais nada, simplesmente parar.

Fico contente de finalmente ter conseguido chegar aqui, poder parar. À custa de muita luta, muita conta de cabeça, algum (muito) sacrifício e sobretudo à custa deste corpo que já vai outra vez conseguindo dar, sem me pedir constantemente para parar.

Doem-me as pernas mas sei que amanhã estarei melhor. Sinto-me ligeiramente oca por dentro mas sei que se quiser consigo ir ler um livro ou ver uma série já a seguir. Já vou tendo espaços à minha volta que me permitem sentir-me orgulhosa do que consegui atingir. Faltam 5 dias e vou de férias e sinceramente houve um tempo em que achei que este momento não iria chegar.

Houve necessidade de ajustar alguns objetivos para conseguir isto. Espaça-los no tempo, mudar planos, perceber que agora tudo levará mais tempo a atingir. Mas se houve coisa que a vitória de ontem me trouxe foi a capacidade de voltar a acreditar que se quiser muito atingir algo que só dependa de mim, eu vou conseguir atingi-la, demore o tempo que demorar. É que às vezes, aquilo que parece um mal, até vem para nosso bem.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A casa da praia no beco dos salgueiros

É a minha praia de sempre. Houve outras e ainda as há, mas esta faz parte de todas as partes de mim. Quando aqui chegámos ainda nem a estrada para a praia havia chegado. Eram caminhos de areia que fazíamos com a tralha às costas, armados de barracas para o dia inteiro, onde nos escondíamos do sol. Ainda os raios ultravioleta eram uma entidade desconhecida e já os meus pais nos obrigavam a abrigar-nos do sol nas horas de calor. Ainda bem que não havia ainda a moda das "besuntices" porque há certos hábitos de criança que nos ficam para a vida inteira. Tirando a idade da maluquice, em que qualquer hora era hora de praia, desculpa para estar com os amigos, não fiquei adepta da praia nas horas de calor e quando escolho praia para o dia inteiro fica a faltar-me sempre a barraquinha onde me possa esconder pela hora do calor. Contínuo a não ser adepta da "besuntice" mas os ossos do ofício obrigam-me a tomar certos cuidados, de tanta desgraça que tenho visto, e dou pelos meus filhos a terem o cuidado de colocar o creme antes de irmos para a praia, hábito que eu própria lhes incuti, mas que me esqueço muitas vezes de cumprir ( e é vê-la depois do banho a aplicar o creme na tentativa de cumprir as normas da boa saúde na praia) . Sinto-me aqui como me sinto em minha própria casa e desde que a temos, sinto-lhe a falta assim que começa o calor. É uma casa cheia de gente nova, sempre foi. Desde os tempos em que as amigas vinham passar uns dias connosco. Agora enche-se de rapazes e é assim que eu gosto. É assim que me faz sentido. Porque o verão é mesmo isso. Praia, amigos, tempo livre e histórias, muitas histórias para recordar.
A praia está diferente, quase sempre cheia e no roteiro das melhores praias do Alentejo. Deixou de ser o ponto de encontro das amizades, que Verão após Verão se encontravam para matar saudades. Já não se conhece quase todos os ocupantes das toalhas vizinhas, os sombreiros a fazer lembrar qualquer praia de postal retiram-lhe um pouco a personalidade mas trazem os turistas adeptos do postal que vende. Também já temos bolas de Berlim, como em qualquer praia Algarvia e embora a minha celulite não goste disso as papilas gustativas agradecem bastante a inovação. Depois há os bares de praia, o peixe a saber a fresco a olhar o mar e o areal a perder de vista. Mesmo que a praia esteja cheia, por aqui, se se quiser muito, anda-se um pouco mais e quando se dá por isso volta-se à mesma praia da minha infância onde éramos nós e o mar e os que vinham connosco. É isto que é praticamente impossível de replicar em qualquer outro lugar. É isso que faz destas praias únicas!

sábado, 18 de junho de 2016

A tentar despertar consciências

Acordei agora é dei de caras com isto.

É este o meu sonho americano para o meu país e afinal, nada tem de americano.

Daqui, como que a justificar o meu último post.

Vamos lá então ver de novo a selecção...

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma família d'artistas - oh! que artistas

Fui entusiasta desta ideia desde o início, desde o dia em que os responsáveis da Escola de Artes ( então de Sines) agora do Alentejo Litoral vieram apresentar aos pais o seu projecto que pretendiam ser em conjunto com a Escola Básica 2+3 de Grândola ( D. Jorge de Lencastre, para quem não sabe, o sr que nos deu o foral). Não porque quisesse especialmente que o meu filho fosse músico mas porque acho a música muito importante na nossa formação e porque este projecto equivalia ou dará a equivalência ao curso básico de música. É importante saber para poder avaliar e a música ou a qualidade de alguma música que se ouve é tão, como direi, fraquinha que achei uma oportunidade óptima para proporcionar ao meu filho novas experiências.

É verdade que nem sempre correu bem. Não primam pela organização e problemas com financiamento levaram algumas crianças a estarem muito tempo sem professores, ou sem aulas. Eu não tenho que me queixar. Tive a sorte de encontrar a Neusa, que esteve nos testes de recrutamento e que, pensei eu sinceramente, iria "chumbar" o meu filho. Entrou. Não é propriamente um entusiasta da música mas a excelente professora tem sabido cativá-lo e lá vai fazendo ao seu ritmo, sempre com as aulas em falta repostas, basta para isso haver alguma boa vontade de ambas as partes.

É verdade que nunca sonhei que escolhesse a percussão, eu que adoro violino, piano, cordas e saxofone. Mas foi o que ele escolheu e para mim isso chega.

Ouvi dizer que não vão continuar a fazer novas turmas e tenho muita pena. Gostaria de poder proporcionar ao Afonso a mesma experiência ainda mais que sempre foi mais " cantador" e dançarino que o irmão. Pelos vistos não vai ser possível e as aulas na escola, sem o projecto com a Escola pública, são a um preço impossível de pensar sequer.

Quando ao fim de 4 anos se vê este resultado dá para reflectir: será que apesar das dificuldades e algumas diferenças de opinião, não é este um óptimo resultado? Aquele que estávamos à espera? Será que não teremos orgulho para o ano de poder dizer que os nossos filhos terão no currículo um diploma de estudo integrado ( artístico) em música?

Deixo -vos o vídeo da audição de hoje, da classe conjunto do professor ....Évora ( peço desculpa, esqueci-me do seu nome 😊 ) com uma música que é da sua autoria.

Espero que gostem tanto como eu!

sábado, 4 de junho de 2016

No poial ao entardecer

Não é a primeira vez que falo neste blog da Ludoteca e do trabalho que fazem com as crianças do concelho. Uma mais valia para os pais que vêm os seus meninos aproveitar o tempo livre com actividades lúdicas e formativas. Os meus sempre frequentaram a ludoteca - o grande enquanto quis e o pequeno, primeiro renitente, depois rendeu-se ao teatro.

É com orgulho que se percebe o enorme trabalho destes profissionais em prol das crianças e é com satisfação que vejo reconhecido pelo público a autora/professora/encenadora das crianças durante as oficinas de teatro.

"No poial ao entardecer" é uma peça escrita pela Mané, a Maria Manuel Costa e apresentada pelos meninos das oficinas de teatro da Ludoteca. É uma peça que fala sobre as importantes relações entre gerações, o conhecimento que se transmite, levando os meninos e o público numa viagem através do Alentejo passado e presente. O cenário principal é um poial, esse lugar maior dos tempos da nossa infância onde, nas tardes e noites de Verão, se contavam histórias a "apanhar fresco". Os avós e os seus netos revisitam a juventude dos primeiros em cenas hilariantes em que se percebe a evolução dos " nossos" tempos.

Agora o poial está em livro e hoje esteve de volta ao palco do cine-granadeiro, onde estará nos próximos 2 dias, em apresentações às várias turmas do ensino básico, dando a conhecer esta arte magnífica que é o teatro. É com orgulho que digo que tive e tenho filhos que foram ensinados a representar pela Mané. É com orgulho que os vejo em palco. É com orgulho que percebo que apesar de estarmos longe dos grandes centros urbanos, conseguimos oferecer às nossas crianças um currículo diversificado onde não faltam oportunidades de evoluir o seu sentido artísticos. Parabéns pelo teu trabalho e pelo teu livro Mané. Obrigada pelo que fazes pelo desenvolvimento pessoal dos nossos filhos! 🎭

domingo, 22 de maio de 2016

Para ser bonito dá sempre muito trabalho

" Caracol, caracol, põe os corninhos ao sol" . Por esta altura do ano, ou talvez antes, lembro-me de cantar muitas vezes esta canção, na esperança de que esse animal ( conhecido pela sua estrondosa velocidade) se retirasse da sua casca e se mostrasse no seu lento ritual de deslocação.

No início do tempo de calor, por aqui, dá-me vontade de começarmos a sair da casca de Inverno, para aproveitar o bom tempo, e esse petisco maravilhoso que é uma bela de uma caracolada com uma imperial. A mim apetecem-me sempre esplanadas com o sol.

A chuva intensa deste ano transformou o meu quintal numa pequena selva, onde os cardos ficaram quase da minha altura ( dava para alimentar um burro a pão de ló ). Foi o suficiente para tomar a decisão de que para o ano não pode ser qualquer chuvada a destruir-me o jardim. Até a horta está uma verdadeira miséria e prevejo muito trabalhinho pela frente . 

O que vale é que por aqui há muitos e bons exemplos de como construir um jardim. Se não os houvesse, o que não faltam são imagens na net de como fazer quase tudo.

Projectado na minha cabeça, foi fazer orçamento, comprar o material necessário e mãos à obra.

Havia já alguns meses que não me lembrava do que era ter dores, embora continue à volta com as sequelas do burnout da profissão, mas carregar 150 quilos de pedra fez voltar à memória e ao corpo a lentidão, a rigidez e a dor.Disse tantas vezes a quantidade de quilos de pedra que às tantas me perguntaram se tinha sido tudo de uma vez ao que respondi que 150 quilos de uma vez, só humanos e geralmente é peso repartido por pelo menos mais uma pessoa. É por isso que com quase 39 anos às vezes me sinto tão crocante como se tivesse 79.

Mazelas à parte, hoje já me senti melhor e continuei o trabalho. Ainda há mato por desbravar, mas está a ficar bonito. Não tão bonito quanto imaginei: geralmente é assim, poucas vezes me satisfaço plenamente com o resultado do meu trabalho ( e este é talvez o meu maior inimigo interno) .

Dá para montar a esplanada, para os jantares em dias de calor ou para o café pela noite dentro. Dá para me rodear de flores como tanto gosto e dá para ter por perto os temperos autóctones que adoro vir apanhar ao quintal enquanto cozinho, já para não falar das alfaces, das couves, dos tomates, das abóboras, dos brócolos, dos chuchus e até das batatas ( que ficam com o tamanho ideal para levar ao forno) tão biológicas que se me descuido ainda tenho que competir com as lagartas e os caracóis aquilo que deu tanto trabalho a produzir.

Brevemente, espero eu, se o trabalho e as inúmeras actividades de fim de ano ( testes incluídos) deixarem, poderei inaugurar o novo fogareiro, a esplanada e a horta renovada para a próxima temporada do sozinhos numa nova casa.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 

Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 

Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa "ciência" ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 

O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode "descambar" se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 

Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos - depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 





Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha "paixão" em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte...    










foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho 






quinta-feira, 3 de março de 2016

Histórias de liberdade



Num tempo em que tanto se fala do Alentejo, ler a crónica do Vitor , trouxe-me à memória o meu Alentejo. Sou uma Alentejana atípica, também, uma suposta privilegiada, filha de funcionários públicos, mãe professora, tal como a do Vítor, que durante anos partilharam o mesmo piso da escola primária com salas de aula frente a frente, pai funcionário público, chefe de uma repartição de finanças. Também adoro a minha terra, foi ali que cresci e fiz amigos, característica de quem, bem ou mal, se conhece desde há muito tempo. As pessoas estão lá e são quase sempre as mesmas é inevitável não criar laços, alguns indissolúveis. Saí mais cedo, aos 15 anos, numa fuga para a liberdade. Irónico, que uma terra conectada com a liberdade tivesse sido sentida por mim durante tanto tempo como uma prisão. Talvez ainda o seja, um pouco. Super-protegida, sei exactamente o significado das palavras politicamente incorrecta! Guardo desde muito cedo as histórias contadas, os segredos, a incompreensão das coisas que não podiam ser ditas, nem feitas. Porquê? porque não! Porque não fica bem, porque há assuntos que não são para raparigas, lugares que não são para raparigas, coisas que as meninas não fazem, sobre as quais não se fala para não captar a atenção. Logo eu, que nasci com cromossomas extra para a igualdade e a justiça. Sempre tive a mania que gostava de ser rapaz, agora talvez já se perceba porquê. Tive à minha volta mulheres fortes. Mulheres que, tal como descreve o Henrique Raposo, desde muito cedo tiveram um instinto protector nato, uma força de carácter que lhes reconheço à distância e que tomei como exemplo, com a diferença que nunca perdi esta mania rebelde de dizer o que penso e se não digo, ficam-me a corroer as entranhas até à explosão total. Guardo com carinho a lembrança de uma antiga trabalhadora do meu avô, que foi rendeiro de uma  propriedade, que ao perceber o meu apelido, no hospital, me contou que o meu avô a tinha trazido de propósito ao médico, de carro (um luxo na altura), quando teve um acidente de trabalho, durante a ceifa. Lá estava a cicatriz enorme numa das mãos para o comprovar. Sei também que não eram todos assim, os patrões, e enchi-me de orgulho de a ouvir contar. As perseguições, as delações, a PIDE, os abusos de poder, tudo histórias que povoaram o meu imaginário de infância. E a agressividade latente, nos anos do pós 25 de Abril, que fazia de nós crianças, meras espectadoras sem noção e às vezes vitimas de pequenas vinganças e maledicência. O verão era o meu tempo de liberdade, livre da escola e da necessidade de ser um exemplo: corria descalça pelas dunas e pelos caminhos de areia, como se não houvesse amanhã, em praias que naquele tempo eram praticamente desertas, sem nadadores salvadores, às vezes sem ninguém, só os pescadores e o mar. Da adolescência guardo também na lembrança as sessões históricas de "porradaria" só porque sim, de um Alentejo litoral que agora já vai aprendendo a conviver. O papel da mulher, esse, ainda se mantém  num equilíbrio periclitante entre a decência e a liberdade de expressão, às vezes até a liberdade de pensamento. Como se diz e bem nesta crónica também da sábado, infelizmente (acrescento eu) a liberdade tem um preço. Há quem tenha pago um preço bem alto por ela .





  

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Iluminados

Faltou a luz. Por aqui falta muitas vezes a luz, talvez não tanto como antigamente mas à conta de nos habituarmos já consideramos normal.  Sempre que chove, que faz uma rabanada de vento, ou um pequeno trovão vem saudar como é o hábito da planície, a luz foge-nos dos olhos e por aqui ficamos armados de lanternas, velas e outros apetrechos que quase que posso garantir não faltarão na casa de um alentejano. Pelo menos destes alentejanos que vivem à beira mar.
Não gostando de ser alarmista e sabendo que vivemos num jardim à beira mar plantado, pergunto-me muitas vezes o que aconteceria se houvesse uma tempestade a sério. Estaríamos provavelmente às escuras, a lutar contra a intempérie, levando a braços a herculeana tarefa de salvar o que é nosso. Sendo a electricidade um serviço pago ( e a preço de ouro) não seria no mínimo (dos mínimos) sensato que o prestador dos serviços se justificasse ou reflectisse no seu crédito esta má prestação? Talvez seja só eu, demasiado exigente. Penso nisto muitas vezes mas, no fim, acabo sempre por confiar que nada de muito mau poderá acontecer e, como boa portuguesa, encolho os ombros e penso que, na realidade, até já nem me importo com os cortes da luz. Quem viveu uma vida habituada a não ter luz nestas ocasiões, nem lhe passa pela cabeça que possa haver quem lhe pareça que isso não é normal.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Como salvar uma vida

Tinha preparado um post todo lindinho sobre a  festa de Natal da Ludoteca mas depois a vida tem destas coisas e decidi falar sobre uma coisa que me tem afligido nos últimos dias ( e as festas da Ludoteca - ainda bem - não são coisa rara e posso sempre falar sobre elas depois. Sobre isto talvez se perca o timing perfeito da reflexão) . 

Morreu um jovem em S. José. A morte é uma coisa não rara para quem trabalha em meio hospitalar. O que é mais doloroso é a morte que poderia ter sido evitada. É aqui que começa o " jogo perigoso". À partida, muitas mortes podem hoje ser evitadas. Mas só à partida. São tantos os factores que se cruzam neste jogo entre a vida e a morte que toda e qualquer decisão pode ter consequências fatais. Todos nós, que fazemos da saúde dos outros a nossa forma de "ganhar a vida" carregamos esse peso decisório nos ombros, todos. Temos consciência e temos responsabilidade. Temos até várias consequências na nossa vida pessoal, por demasiadas vezes pormos a vida dos outros à frente da nossa vida.  Esta e tantas outras mortes, talvez menos mediatizadas porque não num hospital de grande envergadura e na capital, foram consequência, não tanto de mau profissionalismo, mas sobretudo de uma má gestão dos poucos recursos que dispomos ( como país, sim, habituem-se, apesar do SNS ser um pequeno diamante, é um diamante que se alimenta de um fraco filão). Os profissionais de saúde não são voluntários, embora se disponibilizem tantas vezes a fazer mais horas do que a jornada prevê. Os profissionais de saúde não são desprovidos de sentimentos, temos é demasiadas tragédias em mãos e sabemos de antemão que a nossa capacidade humana é limitada e por muito que queiramos, não fazemos milagres. Morreu um jovem em São José, porque não havia uma equipa de neurocirurgia para operar. 
Imaginem um neurocirurgião. Alguém que estudou muitos anos, que tem que ter uma capacidade técnica, para além da teórica, muitissímo afinada. Afinal, ele corta num local que nos é vital. Sem cérebro, não somos nada, é o nosso disco rígido, o nosso arquivo, é aquele que comanda tudo o resto, cortar um milimetro a mais ou um milimetro a menos pode ser fatal. Agora imaginem a pressão que alguém sente quando sabe que um erro seu custa uma vida. A mão não pode tremer. Isto implica não poder tomar café, provavelmente não fazer umas boas noitadas com amigos... Muitas restrições para poder ter as suas capacidades no auge. Quanto vale a vida pessoal de alguém? ninguém sabe, mas as sucessivas tutelas dizem-nos que valemos pouco, nós os profissionais que abdicamos da nossa vida, pela melhor vida dos outros. Alguns jornalistas ajudam, porque é muito mais fácil, sempre, imputar a culpa em alguém que não está, mas deveria estar num determinado posto, do que tirar as ilações devidas. Deveria estar sim, mas é também um dever de quem sabe que ele lá deveria estar, saber dar-lhe o valor que ele tem por conseguir salvar vidas. De quem é a tal culpa então? 

Quando se exige algo, deve exigir-se a quem de direito. Não se pode exigir a profissionais que andam cansados, desmotivados e tantas vezes mal valorizados que abdiquem da sua vida pessoal, por um ordenado que não paga o investimento pessoal e monetário que fazem na sua formação, para poder saber ainda mais, ou seja, para salvar mais vidas. 

Tenho vários episódios partilháveis, mas este penso que ilustra bem o que aconteceu ao nosso SNS ( o bem mais precioso que a liberdade nos deu). Deve ter sido por alturas do Verão que é das alturas que  nossa população aumenta mais devido à proximidade da praia. Um casal com 2 filhos de férias perto de Odemira. Chegaram-me à triagem pediátrica exaustos e sem paciência. Um sorriso meu ( sempre, é preciso estar muito cansada e garanto-vos, nos últimos anos tenho estado muito) o melhor desbloqueador de "mau feitio" . Conversamos. Finalmente a pergunta: 2 horas sra enfermeira, demorámos 2 horas a chegar aqui. Fomos ao centro de saúde, como nos indicaram na linha da saúde 24 e de lá disseram-nos que teríamos que vir para aqui porque só aqui há pediatra. Foi difícil chegar aqui, tem pouca sinalização e não conhecemos os caminhos. Mas como é que as pessoas deste lugar fazem para ir ao pediatra? Lá lhes expliquei que ter acesso a um pediatra àquela hora só ali, de resto só consultórios privados em dias específicos e horas determinadas. Ironizei, como sempre: as crianças daqui não ficam doentes, ou se ficarem têm que ter dias específicos para isso. Não estamos habituados sra enfermeira, em Lisboa se quisermos temos uma série de hipóteses hospitalares e ainda os privados. 

Pois! 

E o jogo de vida e de morte, como será? 
Digam-me, é isto culpa dos profissionais? Será? Ter que fazer contas à vida dos outros, constantemente, decidir sob pressão quem é que se consegue salvar, é culpa dos profissionais? Coitados dos muitos que têm que carregar às costas, as culpas de não conseguir ser super-herói para fazer mais e melhor. Esta é que é a grande verdade: se os profissionais de saúde não estiverem capacitados para decidir com condições de segurança,  se o valor da sua dedicação não for reconhecido, quem é que vai abdicar da sua própria vida, da sua própria saúde, para salvar a vida de alguém? É que pessoas a morrer num hospital há todos os dias, todos os dias, e quase todos são família de alguém. Enquanto isso alguém decide como gastar o dinheiro, algures sentado num qualquer cadeirão almofadado. E é aqui que a sociedade tem que ser muito mais interventiva, na escolha de quem decide como gastar o dinheiro, e porque decide assim e não nos profissionais, que se "matam", para poder salvar a vida de alguém.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Audições de Inverno

Escolhi as melhores por entre as muitas que tirei. Foi na quarta-feira aqui na terra. Tenho para mim que estou cada vez pior nisto das fotografias, mas ainda vou a tempo de melhorar ( talvez seja a falta de prática - lá vem de novo atrelada a falta de tempo livre). É a edição que me leva mais tempo e a "pitosguice" não ajuda num ecrã pequeno. De qualquer das formas conta como intenção de homenagear.

Gosto quando aposto numa qualquer decisão e ela sai proveitosa. Porque o que realmente importa, a meu ver, não é a repetição até à perfeição, mas aquilo que se consegue criar, com os instrumentos e os ensinamentos que nos dão. E as amizades que se vão plantando pelo caminho. Estiveram todos fantásticos, miúdos!






sábado, 28 de novembro de 2015

Porque não são só coisas más

Das coisas que mais me aborrecem nesta coisa de ser enfermeira são os horários ( mas só às vezes, para outras coisas estes horários até dão jeito) e o facto de naquelas épocas especiais ou em dias em que a maioria está de descanso e folga  ( vulgo fins-de- semana) nós estamos a trabalhar. Supostamente teríamos direito a 1 fim-de-semana por mês, mas devido à falta de pessoal crónica que ninguém quer assumir ser verdadeira, ficamos com alguns direitos consagrados guardados nas prateleiras à espera que "ninguém desconfie". Assim, geralmente, o meu fim de semana é recortado entre turnos onde vou ajeitando a minha vida pessoal - já estive muito pior, queixo-me agora de barriga mais cheia, que em questão de horários isto já foi um descalabro total. Tanta conversa só para dizer que vão acontecer muitas coisas giras na minha vila, por estes dias, e eu, infelizmente, não vou poder assistir a muitas. Dia 5 vai haver uma aula solidária de Zumba e outra "daquelas modalidades de letras que eu nem desconfio o que será" ( mas deve ser bom e fazer-me pessimamente às costas e optimamente ao humor) eu não vou poder estar presente por que vou estar a trabalhar. Não sou adepta de Zumba ( só porque tenho a mania que gosto de coisas diferentes da  maioria ) mas tendo em conta que os donativos irão reverter em prol da Missão Coragem Associação, que tem como objectivo ajudar todas as mulheres com cancro de Mama, até ia. Sei que vai ser divertido porque é a minha professora de Kombat que dará o Zumba (  e que já não vejo à umas boas semanas porque os horários não estão a ajudar) . Porque a causa é nobre e porque gosto bastante da equipe de monitores ( são monitores ou professores? ) de ambas as modalidades tenho muita pena de não poder ir. Malditos horários!

sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.