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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ainda a lutar contra a falta de energia

...depois há aqueles dias em que a maldita ataca e eu perco a vontade a força e a coragem. Só me apetece a minha casa e as minhas coisas. Para aqui andei, aos "trambolhões", entre o sofá, o livro, a cama e a cozinha. 
Já há algum tempo que andava com vontade de ter uma máquina de pão. Fui descobrir uma, pouco utilizada, na casa da mãe, que reverteu em favor desta que por aqui "escrevinha" umas coisas. Como não podia deixar de ser, pus-me a inventar. A receita original seria esta , só que eu não tinha metade destes ingredientes, nem sabedoria e paciência para a fazer integralmente e por isso, inventei. Foi fácil: troquei a farinha espelta branca por farinha de trigo integral e a farinha de centeio por farinha de milho, as papas de aveia transformaram-se em 180g de flocos finos de aveia não coloquei o malte de cevada nem as passas que se transformaram em nozes " a olho" . O fermento, embora não vá de encontro à filosofia inicial da autora, foi mesmo fermento quimico ( 25g) que era o que havia cá em casa. Tudo para a maquina do pão e em mais ou menos 4 h o resultado foi este : 



Para primeira vez nem ficou nada mal. O coitado ficou com aspecto de quem já tinha sido comido antes de sair do forno o que significa que para a próxima terei que aumentar as doses. Estava gostoso ( ou não o teria colocado aqui) e com mel ficou uma delícia. Agora, finalmente, posso alternar os meus pequenos almoços e lanches sem ficar com a consciência pesada de que estou a consumir hidratos de carbono a mais. Resta saber se os miúdos vão aprovar estas novas invenções da mãe. Para quem gosta e tem mãos e paciência para a cozinha, é de experimentar estes pães do artigo, que devem ser uma delicia.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ideias felizes

Muito se fala em Portugal e nos países europeus da quebra na taxa da natalidade. Existem muitos motivos para isso é já na altura do meu curso abordamos esse problema. A verdade é que as mulheres têm hoje perspectivas de vida muito diferentes das que tinham à algumas gerações atrás. Para além disso, os recursos sociais são cada vez menos e mais dispendiosos o que leva a que depois do primeiro filho qualquer casal pense muito bem antes de ter outro filho. Vai muito da perspectiva de vida de cada um, dos planos que formulou para o futuro e até dos sonhos que tem. Criar filhos, educa-los, dar-lhes a atenção e carinho necessários é difícil para qualquer mulher que concomitantemente queira ter uma carreira. Imaginem então para uma mulher solteira ( divorciada/viúva) que tem planos e projectos para sua vida. Não só é difícil como é quase uma tarefa hercúlea...sendo que são precisos muitos mais do que os 12 trabalhos de Hércules e alguma sorte. Em Portugal significa trabalhar/ gerir/ programar quase 24 horas por dia com direito a sensação de cansaço quase contínuo que a bem ou a mal somos obrigadas a ter que aprender a saber lidar com tudo isso.
O que mais me chateia no meio de tudo são os pressupostos de que temos que aguentar. Aguentar e, se possível, fazer pouco barulho. Acredito ser esse o motivo que leva muitas mulheres a manterem casamentos e uniões que não as faz felizes. Acredito também que é esse o motivo porque muitos homens se sentem presos nos seus casamentos.
Uma questão de sobrevivência, portanto. Partindo deste princípio, que pode estar errado, admito que alguns problemas sociais se resolveriam com um maior apoio à maternidade/paternidade, admitindo também que nem sempre são as mães os melhores cuidadores. Parto do genérico para chegar ao particular. Das boas opções de apoio é sem dúvida a do nosso município que tomou a resolução de apoiar todos os meninos do 1° ciclo com a compra dos livros escolares. Para mim é uma ajuda fantástica e extremamente útil, muito mais útil do que a isenção de dos meninos no serviço nacional de saúde, sabendo nós que o serviço não tem capacidade de resposta para doença aguda, apenas para o seguimento regular. Muitas vezes se se pensassem nas medidas que se tomam - benefícios versus custos - muito do show off eleitoral seria dispensável e estaríamos de facto a aumentar a qualidade de vida de todos nós. Porque produtividade, lá está, pressupõe algum tipo de qualidade para não voltarmos ao tempo da escravatura.

domingo, 17 de julho de 2016

Quando as palavras não nos bastam

Estou há algum tempo à espera que me venham as palavras certas mas não há palavras certas quando parece estar tudo errado. Sei que muitos querem falar, querem expressar, queriam provavelmente ter-te dito muitas coisas. Nisso, o tempo e a vida ensinaram-me a dizer tudo e sei que sabes tudo o que quero dizer-te. É nestas alturas, e mais uma vez, que questionamos o porquê das coisas. Decido parar, dar-me um ano inteiro para me reconstruir em mim, sei que provavelmente não irias aprovar, como tantas vezes te disse coisas que não gostaste de ouvir, mas isso fica só entre nós. Antes de tudo isto pensava mais uma vez em fuçar as minhas possibilidades todas, esgotar todos os cartuchos à procura de uma coisa que nem tenho certeza de encontrar. A pressa é inimiga da perfeição? Tenhamos calma então! Uma calma que nos é impossível manter quando tudo parece estar errado. Aprendemos cedo de mais, nesta profissão, que há coisas que não têm porquês, são o que são, são como são, mesmo que sejam injustas, ainda assim sermos humanos é isto, revoltarmo-nos por serem assim e não de outra forma e continuar a acreditar que é possível, que há vários possíveis , várias hipóteses.

Pego no cliché de que o sorriso é o melhor que podes usar e acredito que posso ver-te voltar a sorrir. Porque quando muita coisa parece perdida, a fé e a esperança é tudo o que nos resta e é necessário abraçarmos qualquer coisa para manter a vida a caminhar. A linguagem perde a importância quando sabemos que pouco mais que nada podemos dizer senão coragem, acredita , luta. Vamos cá estar, por ti  mesmo que isso implique apenas e só acreditar. A vida nas suas voltas prega-nos chapadas dolorosas. Há que saber dar-lhes a volta. Pouco mais tenho a dizer, por agora, mas como amanhã não sei se irei cá estar envio-te esta oração para que saibas que penso em ti, torço por ti, espero por ti lá mais à frente, quando como tantas outras vezes, deres a volta por cima deste obstáculo. Acreditemos que é possível dar também, uma nova volta à vida.













terça-feira, 28 de junho de 2016

Sem título



O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...




terça-feira, 14 de junho de 2016

Errare Humanum est

Às vezes acho que a vida me dá uma folga apenas para que possa de novo aguentar os embates. Como se fosse um balão de ar em atmosfera adversa. Como se estivesse constantemente em apneia e me dessem oportunidade de vir a cima de água apenas para respirar, ganhar fôlego e mergulhar outra vez.

Depois de um fim de semana grande, de que não me lembrava já a última vez em que tive um, estou de volta ao activo.

Sempre fui à feira do livro, comprar o livro do Armando e pedir um autógrafo. Aproveitei para levar os miúdos a passear e perceberem onde estive à alguns anos e o que estive a fazer. Percebi, por uma curta conversa com o Armando que a decisão que tomei à algum tempo de esquecer a escrita de livros foi a mais correcta. A minha vida não me permite demasiadas liberdades orçamentais. Tentei não olhar para outros livros, para não cair na tentação de gastar mais dinheiro. O orçamento continua a ser o meu maior desafio mensal.

O torneio em Portimão levou-me ao   Algarve de onde trouxemos uma vitória expressiva e uma intoxicação alimentar ( o arroz de pato, está provado, não combina com o HCPG)  para além de momentos bem passados, conversa boa e de finalmente me ter cheirado a Verão.

Estou de volta à rotina e comigo a dúvida constante sobre se os caminhos que escolho serão os mais corretos porque isto de gerir afectos/razão, quando toca ao nosso sangue, é doloroso e difícil. Nem sempre as opções são as melhores. Como me disseram hoje e ainda estou a pensar nisso de tão acertado que achei: mais vale uma decisão do que não tomar nenhuma.

É isto que me faz continuar. Ainda consigo decidir e mesmo que decida mal, amanhã acordo de manhã ( fresca e fofa como um pão da bimbo) e posso sempre voltar a decidir, mudar caminhos, ver alternativas, arranjar soluções: "Errare Humanum est" ou como se diz em bom português, errar é humano. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O problema das contas mal feitas!

Hoje foi mais uma volta, mais uma corrida no carrocel da vida. Lá fui eu, de " charola" até à capital, acompanhar um doente a um exame complementar de diagnóstico, uma coisa comum, por estes lados . Sinceramente estou desejando que cheguem as minhas tão esperadas 35 horas semanais, de trabalho.

Já aqui disse o que acho sobre esta mania de se colocarem todos os funcionários públicos num mesmo pacote. Infelizmente há quem continue a fazê-lo. E fazem-se contas, confabulando contra os funcionários públicos às vezes sem se perceber muito das contas que se estão a fazer. Volto a um blog de que gosto para exemplificar as más contas. Não vou falar apenas de nós ( enfermeiros) mas de todos aqueles funcionários públicos que, tal como eu, asseguram a sua profissão durante as 24h do dia. Neste grupo posso incluir as forças de segurança ( PSP, GNR, guardas prisionais, etc) e a grande maioria dos profissionais de saúde. Se asseguramos as 24 h apesar das 40h o dia não deixou de as ter, logo o nosso horário diário de horas trabalhadas ficou igual o que significou que, para trabalharmos mais horas, tiveram que nos diminuir as horas de folgas semanais. Por cada mês, um funcionário público a trabalhar por turnos perdeu 3 folgas.

É mais ou menos a mesma coisa que o vosso patrão vos dissesse que a partir de determinada altura, porque o resto do país considera que a culpa das más contas é toda vossa, perderiam o direito a um fim de semana e a metade de outro, todos os meses, continuando a ganhar o mesmo. Para além disso teriam de aguentar a pressão contínua de todo o país, que se juntaria contra vós, tentando proteger esse país, ainda assim, o melhor que soubessem e pudessem. Mas melhor do que eu, a sra bastonária da ordem dos enfermeiros consegue explicar o que pretendo dizer-vos.

terça-feira, 31 de maio de 2016

É a vida !

Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.

Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.

Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.

Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto...

Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .

Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.

A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.

Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um.  É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.

Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook,  reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou "deles"? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.

E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Da importância da gentileza

Há muitos anos disseram-me que era parecida com esta sra. Hoje ouvi na rádio uma música ( não foi esta) que pensei que fosse dela e vim procurá - la. Encontrei esta melodia ( com esta letra que me diz tanto) e lembrei-me deste espectáculo que tive a sorte e a felicidade de ir ver, só, ao coliseu. Um espectáculo fortíssimo e inesquecível. Só lá, consegui entender a parecença. Concordei. Para não variar chorei em algumas partes do espectáculo, o impacto da voz e das letras com a melodia é, tantas vezes, tão emocionante para mim que não consigo controlar o que sinto. Tenho saudades desses tempos em que podia ir assistir aos espectáculos que mais gostava ou que me suscitavam interesse, quer fosse sozinha ou com companhia. Mas o mundo gira a vida é um circo e o passado não regressa, só o presente se pode moldar ao nosso jeito. Tenho hoje outras coisas, que substituem essas, nomeadamente a possibilidade de não precisar de ir sozinha assistir a qualquer coisa, mesmo que sejam na sua maioria eventos desportivos. Talvez com o tempo regressem os espectáculos, por agora ainda não são susceptíveis de criar interesse na pequena mancha masculina cá da casa e há artistas que me recuso a ouvir. 
Gentilezas são hoje as grandes diferenças que nos separam e o amor é a única forma de as passarmos aos que nos são queridos, mesmo que por vezes seja muito difícil. O silêncio é um bom contentor de desespero e frustração e a forma mais gentil de mostrar o desagrado. A boa música a melhor forma de tratamento para as coisas do coração. É difícil, sobretudo para mim que tenho esta forma explosiva/reactiva, que nem sempre consigo controlar. Mas tento, todos os dias tento melhorar. Porque contínuo a acreditar no amor, apesar de tudo.

domingo, 22 de maio de 2016

Para ser bonito dá sempre muito trabalho

" Caracol, caracol, põe os corninhos ao sol" . Por esta altura do ano, ou talvez antes, lembro-me de cantar muitas vezes esta canção, na esperança de que esse animal ( conhecido pela sua estrondosa velocidade) se retirasse da sua casca e se mostrasse no seu lento ritual de deslocação.

No início do tempo de calor, por aqui, dá-me vontade de começarmos a sair da casca de Inverno, para aproveitar o bom tempo, e esse petisco maravilhoso que é uma bela de uma caracolada com uma imperial. A mim apetecem-me sempre esplanadas com o sol.

A chuva intensa deste ano transformou o meu quintal numa pequena selva, onde os cardos ficaram quase da minha altura ( dava para alimentar um burro a pão de ló ). Foi o suficiente para tomar a decisão de que para o ano não pode ser qualquer chuvada a destruir-me o jardim. Até a horta está uma verdadeira miséria e prevejo muito trabalhinho pela frente . 

O que vale é que por aqui há muitos e bons exemplos de como construir um jardim. Se não os houvesse, o que não faltam são imagens na net de como fazer quase tudo.

Projectado na minha cabeça, foi fazer orçamento, comprar o material necessário e mãos à obra.

Havia já alguns meses que não me lembrava do que era ter dores, embora continue à volta com as sequelas do burnout da profissão, mas carregar 150 quilos de pedra fez voltar à memória e ao corpo a lentidão, a rigidez e a dor.Disse tantas vezes a quantidade de quilos de pedra que às tantas me perguntaram se tinha sido tudo de uma vez ao que respondi que 150 quilos de uma vez, só humanos e geralmente é peso repartido por pelo menos mais uma pessoa. É por isso que com quase 39 anos às vezes me sinto tão crocante como se tivesse 79.

Mazelas à parte, hoje já me senti melhor e continuei o trabalho. Ainda há mato por desbravar, mas está a ficar bonito. Não tão bonito quanto imaginei: geralmente é assim, poucas vezes me satisfaço plenamente com o resultado do meu trabalho ( e este é talvez o meu maior inimigo interno) .

Dá para montar a esplanada, para os jantares em dias de calor ou para o café pela noite dentro. Dá para me rodear de flores como tanto gosto e dá para ter por perto os temperos autóctones que adoro vir apanhar ao quintal enquanto cozinho, já para não falar das alfaces, das couves, dos tomates, das abóboras, dos brócolos, dos chuchus e até das batatas ( que ficam com o tamanho ideal para levar ao forno) tão biológicas que se me descuido ainda tenho que competir com as lagartas e os caracóis aquilo que deu tanto trabalho a produzir.

Brevemente, espero eu, se o trabalho e as inúmeras actividades de fim de ano ( testes incluídos) deixarem, poderei inaugurar o novo fogareiro, a esplanada e a horta renovada para a próxima temporada do sozinhos numa nova casa.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

É no coração que está o problema

A verdade é que isto que aqui se lê não é novidade para mim.
Aqui à uns dias escrevi neste blog que são os objetivos que dão sentido à vida e que tinha em mente a realização de 3 até Setembro. Na verdade 2 deles estão associados e nada melhor do que Maio, o mês do coração, para começar a realizá-los.

A profissão, como se pode ler no link não ajuda e a genética ainda menos. Não é tanto o cancro do pulmão, mas o risco cardiovascular que me assusta mais, para além da DPOC que fazem ambos parte da minha carga genética.
Se vos disser que o factor económico não pesa, também estaria a mentir mas o que me preocupa mesmo é a minha saúde, que como se sabe andou pelas ruas da amargura.

Ansiedade mais controlada, é tempo agora de diminuir o número de cigarros que fumo até que deixar de fumar seja apenas uma opção.
Feito o estudo do fenómeno chego à conclusão que fumo em média 14 cigarros por dia, sendo que o objetivo é voltar aos 4/5 que fumava quando comecei a trabalhar no serviço de urgência. A par disso à que começar a praticar exercício mais regularmente, não para perder peso, mas para tornar o meu coração mais resistente aos defeitos da genética e aos efeitos da profissão que escolhi.

Nunca pensei que com 18 anos de profissão as noites continuassem a ser uma necessidade económica, mas são e portanto à que diminuir os efeitos dos turnos. Em 1 mês diminui 2 cigarros por dia o que não parece nada mas ao fim do dito mês são menos 60 cigarros ou seja menos 3 maços de tabaco.

Não sou adepta das correrias até porque os meus joelhos não iriam gostar que começasse a correr sem mais nem menos e provavelmente a minha coxo-femural mandava-me logo passear. Bem vistas as coisas foi isso que decidi fazer. Hoje fiz 5km, na companhia dos meus filhos, sem cansaço, sem dor e sem sofrimento. Talvez consiga vir a correr, mas não faz parte dos objetivos, o objetivo é mesmo fortalecer o músculo cardíaco que por minha vontade ainda terá mais 80 anos para trabalhar, como um relógio suíço. É que como toda a gente que me conhece sabe, eu quero viver até aos 120 anos .

quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.  


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mens sana in corpore sano

Sinto, senti sempre, que esta coisa de ser alentejana não tem tanto a ver com o local onde se nasceu mas com uma forma muito particular de estar na vida. Esta forma particular reveste-se de muitas características mas de todas elas a que mais gosto de destacar é a típica bonacheirice :



bo·na·chei·rão

adjectivo e substantivo masculino

[Informal] Bondoso, sem malícia e paciente. = BONACHÃO, BONACHEIRO
Feminino: bonacheirona.
Palavras relacionadas:


"bonacheirona", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/bonacheirona [consultado em 25-02-2016].

Ora, é esta bondade e também a  paciência que nos leva a saber rir de nós próprios ( sempre desconfiei que ninguém sabe tantas anedotas de alentejanos como o próprio alentejano) mas também são elas que levam, muitas vezes, a confundir-se isso com fraqueza, lentidão ou simplicidade no sentido de pouca esperteza. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. É simplesmente uma forma de se ver e se estar na vida. É mais do que claro que as migrações e as alterações do mundo, no último século, nos influenciaram também. A pureza das características é coisa do século passado. No entanto, esta paciência concorre, demasiadas vezes, contra nós. É ela que nos permite este deixa andar, esta permissividade que nos envia para a cauda do cometa. Somos os primeiros a desprezar o que nosso há de melhor, ou de bom. Os primeiros a atacar também. Falta-nos  a "idade dos porquês". Se nos dizem que algo esta mal, em vez de refutar devíamos refletir sobre o assunto. Saber o porquê, ou, pelo menos, tentar saber. Exemplifico: Um alentejano escreve um livro, sobre o Alentejo, desprezando-o. Outros alentejanos diabolizam-no. No meio de tudo isto ( e não tendo lido o livro, apenas um excerto publicado no Observador. Vi também o vídeo no YouTube, da entrevista - triste - que dá na SIC Radical para se promover) o que achei mais interessante foi a reflexão ou a visibilidade que ele dá a um problema que, por mais que tentemos fechar os olhos, persiste em forma de endemia por aqui - o suicídio, as tentativas de suicídio, a depressão. Homens, mulheres, novos e velhos, tentam, conseguem e morrem e não ouve ainda ninguém que se perguntasse o porquê desses números? A crise é uma altura feia e triste, propícia a actos difíceis de explicar - veja-se o caso da mãe que matou as duas filhas, um exemplo claro de sofrimento psicológico atroz - que se tornam tão mais violentos e aterradores quanto menor for o apoio da comunidade e das instituições/organizações sociais, que deveriam existir para os diagnosticar, apoiar e vigiar, para evitar que aconteçam. Os números elevados de depressão e de suicídio, mesmo que na forma tentada, são uma realidade no Alentejo. Convivo com essa realidade há anos no hospital. O que é que acontece a essas pessoas? qual é o seu seguimento? quem as apoia? Que estruturas de saúde mental existem para evitar que as tentativas se repitam, quais são as características da população afectada, as suas estruturas sociais? Quem é que se preocupa com isto, que cruza as relações entre a saúde mental e a saúde física, percebe o problema, sabe como agir  e tenta de alguma forma perceber qual a verdadeira dimensão do problema? De tudo o que já vi e ouvi sobre o referido livro, foram só estas as reflexões que ele me suscitou. A saúde mental é uma das vertentes mais importantes nesse estado complexo que é o ser e sentir-se saudável, não é só o desequilíbrio total que deve ser encarado como patológico, o trabalho deve começar antes, muito antes, aliás como em todos os cuidados de saúde em geral.

"Mens sana in corpore sano"


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Há coisas para as quais não tenho um nome definido

Hoje apeteceu-me ouvir esta. Só porque sei o que é andar sem destino e não chegar a lado nenhum. Mas também conheço a sensação de ter caminho e chegar ao destino traçado ( e sem GPS)

Às vezes as  coisas mais simples são as melhores. A sinceridade e a simplicidade nunca me fizeram perder nenhuma batalha. Contínuo a apostar sempre, quando encontro estas qualidades.

"We're riding down the boulevard
We're riding into the dark night,
With half the tank and empty heart
Pretending we're in love, when it's never enough
As the sirens filled the lonely air
Oh, they can hear knock knock baby
We see a storm is closing in
Pretending we're escaped
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
We're running all the red lights down
No way that we can stop, no no
A quarter tank is almost gone
Pretending we're in love, when it's never enough
I wish we could take it back in time
Before we crossed the line, no now, baby
We see a storm is closing in
I reach out for your hand
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Oh oh, hold on
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)"

Ocean Drive - Duke Drummond

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Uma outra casa

Chamou-lhe o projecto casa na árvore. Eu pensei que, se fosse eu, dar-lhe-ia o mesmo nome. É disso que me lembro, da árvore e do conforto que senti lá dentro. Tenho, das memórias de infância, a lembrança de como gostaria de ter um lugar onde me refugiar e uma casa na árvore era, naquela altura, um lugar de brincadeiras que todos gostaríamos de ter. Encontrei-o anos depois, não para brincar, mas para me refugiar da falta de talento para a brincadeira. Para quem procura o refugio perfeito para se olhar ao espelho, recomendo.


sábado, 28 de novembro de 2015

Porque não são só coisas más

Das coisas que mais me aborrecem nesta coisa de ser enfermeira são os horários ( mas só às vezes, para outras coisas estes horários até dão jeito) e o facto de naquelas épocas especiais ou em dias em que a maioria está de descanso e folga  ( vulgo fins-de- semana) nós estamos a trabalhar. Supostamente teríamos direito a 1 fim-de-semana por mês, mas devido à falta de pessoal crónica que ninguém quer assumir ser verdadeira, ficamos com alguns direitos consagrados guardados nas prateleiras à espera que "ninguém desconfie". Assim, geralmente, o meu fim de semana é recortado entre turnos onde vou ajeitando a minha vida pessoal - já estive muito pior, queixo-me agora de barriga mais cheia, que em questão de horários isto já foi um descalabro total. Tanta conversa só para dizer que vão acontecer muitas coisas giras na minha vila, por estes dias, e eu, infelizmente, não vou poder assistir a muitas. Dia 5 vai haver uma aula solidária de Zumba e outra "daquelas modalidades de letras que eu nem desconfio o que será" ( mas deve ser bom e fazer-me pessimamente às costas e optimamente ao humor) eu não vou poder estar presente por que vou estar a trabalhar. Não sou adepta de Zumba ( só porque tenho a mania que gosto de coisas diferentes da  maioria ) mas tendo em conta que os donativos irão reverter em prol da Missão Coragem Associação, que tem como objectivo ajudar todas as mulheres com cancro de Mama, até ia. Sei que vai ser divertido porque é a minha professora de Kombat que dará o Zumba (  e que já não vejo à umas boas semanas porque os horários não estão a ajudar) . Porque a causa é nobre e porque gosto bastante da equipe de monitores ( são monitores ou professores? ) de ambas as modalidades tenho muita pena de não poder ir. Malditos horários!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dêm-me uma arma e eu exploderei o vosso mundo

Como mudar o mundo em 18 dias ( em que estive ausente deste blog? ) ? explode-se com a vida de inocentes. Esta é, infelizmente, uma forma que se começa a tornar comum de chamar a atenção. Paro para pensar e apercebo-me que há tanta coisa que não está bem, que se calhar, se pensarmos um pouco, explica-se o porquê. Explicações não são justificações. Nada justifica a violência gratuita e a violência , infelizmente, está enraizada no nosso dia a dia. Na forma como respondemos ao próximo ou como o ignoramos, na forma como não dizemos mas o nosso corpo transborda desprezo pela opinião alheia, no menosprezo que damos ao que nos fala, à forma peculiar como adoramos hoje "deitar abaixo" o que não entendemos ou não nos é semelhante. Não são só eles, somos nós. Somos todos assim, hoje em dia, "eles" são apenas um reflexo do mau, do péssimo, do pior processamento possível, da informação que se retira do mundo que nos rodeia. Basta olharem à vossa volta. Ódio gera ódio numa espiral descontrolada. Não nos podemos esquecer, nem sequer fingir que não entendemos, que estamos em guerra, uma nova forma de guerra, mas estamos sobretudo numa altura em que devemos reflectir muita bem nos valores que passamos aos nossos filhos, porque são esses valores que os poderão vir a salvar do tal ódio com que as guerras se iniciam...




terça-feira, 27 de outubro de 2015

A vida é bela

Há já algum tempo que não sentia o cansaço como hoje. Medito algumas vezes no que ouvi dizerem-me um outro dia - qualquer coisa como: é no tempo em que podes descansar mais, que te sentes mais cansada, porque podes sentir-te assim. Seja! Também podia dizer que a aposta em abrandar um pouco o ritmo e tentar refriar as constantes mudanças de turno, a que as 40 horas obrigam, e o duplo emprego - um part-time a que as despesas ( ou a crise , se preferirem e não dar aspecto de despesista) - obrigam, me permitiram diminuir a dose de medicação e que isso também tem consequências ( bem me queria parecer que ontem devia ter tomado o comprimidinho milagroso mas , mais uma vez, achei que ia conseguir aguentar) . Ainda assim, e embora não tenha conseguido fazer tudo o que tinha previsto para hoje, já adiantei bastante as tarefas "orgazinacionais" que tinha para completar. Desconfio que já tenho uma máquina de calcular valores aproximados na cabeça, que me permite fazer contas com tabelas de despesas, ganhos , descontos e valores a crédito e a débito a uma velocidade que até a mim me espanta. Já não estava habituada a ter a cabecinha a funcionar tão bem há muito tempo a que se soma a contemplação dos resultados com aquela sensação de dever cumprido. Ah! como é bela a vida. Revisão do carro e da coluna marcadas ou em vias de; pagamentos realizados; nova previsão para o mês com boas perspectivas entre créditos e débitos; a loucura consumista do mês também já perspectivada e daqui para a frente é gestão corrente ( espero eu) . pffff!!!Na verdade olho para trás, para o último ano e penso que talvez tenha corrido melhor do que esperava. Até já consegui, um dia, deitar-me no sofá a ver televisão e imaginem! não me sentir culpada por ter deixado alguma coisa por fazer ( porque não deixei e isso é uma coisa espantosamente nova para mim) . Hoje os planos são experimentar outra vez para ver se consigo...

E por falar em a vida é bela, como tenho saudades de ver um filme assim...


sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.

sábado, 29 de agosto de 2015

Em modo automático

Ainda me estou a tentar entender com tudo isto, apesar de parecer que já me oriento bem com ela. Não consegui ainda compreender os mecanismos que despoletam a crise embora já reconheça os primeiros sintomas de que vai haver desgraça próxima. De cada vez que tenho uma crise descubro um novo pormenor. Na verdade, cada vez a compreendo melhor mas ainda não chega para me sentir controlada, embora pareça que de cada nova crise me demore menos tempo a recuperar. Desta vez percebi que antes de ter uma nova crise passo os dias anteriores sem sonhar. Eu que sonhava muito, passei um longo período (o da depressão) sem sonhar. Quando me recuperei recomecei a sonhar e noites sonhadas significam dias em que me sinto recomposta. Há pelo menos 3 dias que não sonhava. A sensação que tenho é que alguém vai desligando os botões até ficar com o quadro geral totalmente em off. Começo por sentir o cansaço normal que sentia antes. Depois, lentamente deixo de conseguir prestar atenção ao que me dizem, a capacidade de memorizar coisas simples também vai desvanecendo e finalmente fico completamente alienada. Faço o que me mandam fazer sem reflexões ou pensamentos, completamente em modo automático. As crises começam sempre enquanto trabalho. A condução necessária  para chegar a casa faz-se perto do limite de velocidade mínimo, sem ultrapassagens, impedida de distracções, sem grandes conversas se vier acompanhada, que qualquer distracção pode ser a "morte do artista". Completamente em modo automático. Conduzir é um pouco como andar de bicicleta, não nos esquecemos como se faz mas quando entro neste limbo semi-consciente a sensação que tenho é que só os processos automáticos se conseguem realizar. O meu único pensamento foca-se na minha cama, tenho desesperadamente que chegar à minha cama, ao silêncio e ao escuro para poder desligar completamente. Só depois é que vêm as dores e o peso. Parece incrível, mas muitas vezes só quando chego a casa é que me permito sentir a dor e então sim, doí que se farta. Dói tudo, umas vezes num sítio, outras noutro, umas vezes mais ósseo outras mais muscular. Ontem as carrascas foram as pernas. A dor, depois a sensação de peso, essa que defino como se trouxesse o atlas atracado aos meus ombros. Tomo a medicação e nada mais posso fazer do que esperar, esperar que passe. Não consigo ler os meus livros, a televisão imite demasiada luz e ruído, vou passando os olhos pelo facebook e pela internet na esperança de um alivio até adormecer. Não sonho nos dias que doi. Os comprimidos são retard e portanto não tenho garantias que acorde bem. Muitas vezes não acordo bem, outras não consigo dormir e então tomo medicação para dormir: a dormir não tenho dores e antes de ter medicação que fizesse efeito na dor era sempre essa a solução, tentar tudo o que conseguisse para me fazer dormir. Depois da dor vêm as parestesias: a dormência nas mãos ou nos pés. Hoje acordei dormente da cintura para baixo, com dor. Enquanto escrevo estas palavras apercebo-me que já estou a melhorar. A caminho de regresso é feito pela mesma ordem. Senti o cansaço normal, que sentia antes, começo lentamente a conseguir prestar atenção ao que me dizem, a capacidade de memorizar regressa e parece que então sim, desperto. A dor é sempre a última a ir embora. A cabeça começa a querer fazer tudo outra vez mas o corpo não deixa. Tenho que andar bem medicada nos próximos dias para evitar sentir muita dor e não voltar a despoletar o processo de "aparvalhação", que é esse que me custa mais. A necessidade vital de conforto e sossego distancia-me das coisas que gosto de fazer e faz-me perder momentos onde queria muito ter estado presente. Foi um grande passo para mim conseguir dar-lhe um nome. Chama-se fibromialgia e vive comigo há muito mais anos do que eu desejaria ( pelo menos 10, pelo que me lembro). Lutei muito contra ela até que me venceu. Agora luto com ela. Sei que só ficarei melhor no dia que a compreender plenamente, no dia em que souber claramente o que me deixa e não deixa fazer.  No dia em que souber que se fizer isto as consequências vão ser estas e então aí, decidir o que vale ou não a pena sofrer para poder ter. O fim de Agosto, princípios de Setembro é sempre uma altura complicada, difícil de gerir, cheia de incertezas, contas a ser pagas, coisas por fazer e um ano inteiro a decidir. Gerir o que se pode e o que se quer fazer é muito mais complicado do que parece à primeira vista. Horários, tarefas, exercícios que agora são essenciais, escola, exames médicos, desejos e sonhos enchem o saco que terei que carregar, desembrulhar e perceber o que pode ou não ser possível. E no meio de tudo isto saber que ela está à espreita pronta para me jogar ao chão e quando isso acontecer é deixar fluir, sabendo que por um ou dois dias vou andar num limbo a que chamo não vida, nem morte, estou "práqui", a esperar que passe para poder ir à feira conforme tinha programado. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Perder

hoje foi dia de nova consulta e por isso nova viagem à capital. Disto o bom foi ter cumprido uma promessa. Gosto de cumprir o que prometo mesmo que isso me exija esforço ou sacrifício. Não foi o caso hoje, quem prometeu esforçar-se e cumpriu merece uma promessa cumprida e viajar de comboio até é uma coisa que faço com gosto. O pior foi o que demorou menos e desmoronou o pouco que parecia ter construído nestes meses. Dizem-me que estou melhor mas não me sinto assim. Talvez transpareça o esforço, o enorme esforço que faço para não me perder, mas já me perdi há muito tempo e não há maneira de me reencontrar. Sofro agora o que não sofri quando era mais nova porque deixei de acreditar em muita coisa, demasiada talvez. não me lembro quando aconteceu, mas pelos vistos aconteceu. Coisas simples que parecem banais deixaram de me fazer sentido e na verdade já pouco me importam as reflexões que provavelmente faria sobre vários assuntos há alguns anos atrás. Mas esforço-me todos os dias para não transmitir a minha descrença, que quem se esforça sempre alcançará alguma coisa boa e acredito que isso acontecerá aos outros, não a mim. Estamos neste ponto então. Na linha isoeléctrica de quem tem muita coisa por resolver, que inventa continuamente diversões construtivas e educativas para crianças que necessitam de reforço positivo sempre. Perco-me de mim porque não tenho rumo certo. As responsabilidades mantém-me activa e pouco mais. Tal como numa campanha eleitoral tipicamente portuguesa não há alternativas viáveis, fico-me pelo mau ou pelo menos mau e como uma boa alentejana que sou vou andando. Falta-me perspectiva, falta-me encantamento, falta-me entusiasmo, de resto tenho tudo e não desejo mais nada. Talvez esteja aqui o verdadeiro problema. Deixar de desejar talvez seja o principio do fim, mas eu só desejo a paz que procuro e não consigo encontrar. E a falta de entusiasmo que foi coisa que sempre tive para dar e vender é um problema, o meu verdadeiro problema. deixar de acreditar é um vácuo que te suga a vida e foi esse o resultado do caminho que segui nos últimos anos. Mas não vejo outro, nem sequer um atalho viável e estou perdida na floresta já há demasiado tempo sem saber para onde ir a seguir e o que fazer para me reencontrar. Se doi? Não, já nem me doí nada, só o corpo, do cansaço de tudo isto.