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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Um dia ainda escrevo um livro

Ando nisto dos blogs há tanto tempo que se quiser precisar desde quando já não sou capaz. Primeiro em formas de " boneca" depois em forma de poeta, voltei aos personagens, escrevi livros e voltei para casa. Tive blogs em todas as plataformas que existem. Nem todos se salvaram ( ainda bem, há coisas que não gostaria que soubessem que fui eu que escrevi mas há algumas de que me orgulho) .

Ao princípio escrevia para organizar os pensamentos, depois começou a ser um escape, depois uma fuga e finalmente um resguardo das agruras da vida. Achava que escrevia para mim, mas na internet ninguém escreve só para si e com o tempo fui percebendo que afinal até gosto que me leiam independentemente das interpretações ou elações que daí possam tirar. Escrevo as minhas ideias, os meus pensamentos, os meus gostos e escrevo só pelo gosto de escrever e é daí que vem a poesia e a prosa poética de que tanto gosto. Frutos da minha imaginação, de tudo o que a vida me ensinou, do que vi ou vivi ou até de ouvir contar. Mas não foi só isso que me encantou nos blogs. Ao contrário do facebook que é uma página estática, nos blogs conseguimos programar quase tudo, com o nosso gosto e a nossa imaginação em conjunto com os programadores " oficiais" ou, se quisermos aprender e tivermos paciência, podemos nós fazer tudo.

Adoro esta casa. Foi quase um culminar do que aprendi sobre programação sendo que a plataforma do blogger é muito fácil de utilizar e foi a primeira onde trabalhei. A plataforma do sapo é um bocadinho mais estanque mas já vão existindo muitos temas bem giros para decoração e ainda estive indecisa em voltar para lá. Foi uma questão de preço, no fundo. Para registar a patente teria que gastar muito mais do que gastei. O tumblr foi o meu último grande desafio, até porque para ficar alguma coisa de jeito tem que se saber a linguagem da plataforma e programar tudo. Transpirei bem para conseguir que ficasse ao meu gosto e mesmo assim nunca chegou a estar perto da perfeição. Decidi-me por voltar ao WordPress. Porque me permite construir um site, fazer um blog e ainda registar a patente do que consegui salvar desta minha experiência pelo mundo da escrita e da internet.

Vão sempre poder acompanhar-me aqui. Retorno à minha "loja", a um nome antigo mas com um novo formato. Espero que gostem, mas se gostaram até aqui (provavelmente já não irei mudar muito o formato) irão gostar no futuro.

Obrigada a todos os que me apoiaram e ensinaram. Obrigada aos que me acompanharam em quase todas as etapas e foram alguns. Agradeço ainda à nação que acolhe os jogos Olímpicos que foi a primeira a receber-me de braços abertos, foi em plataformas brasileiras que publiquei os meus primeiros textos. Finalmente, em Portugal, ter um blog já não é só para quem se quer mostrar é sobretudo para aqueles que têm gosto em partilhar um pouco do que são e do que sabem, com os outros. 

Que sejam sempre bem vindos

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Classificação de época alta

A gota que indica frescura a escorrer pelo gargalo da garrafa e eu a pensar "que se lixe! É só uma."

Não tenho por hábito beber bebidas alcoólicas durante as minhas " semanas" de trabalho. O corpo já não responde da mesma forma às toxinas e o álcool é muito difícil de queimar. Devo ter dito umas 3 vezes : gosto mesmo disto, é que gosto mesmo! Eu sei que bebida para acompanhar um jogo de futebol devia ser uma mini, ou uma média ( super bock ou Sagres, tanto faz, que já lá vai o tempo em que era esquisita com essas coisas) mas desde que provei Cidra em Madrid, que nunca mais consegui olhar para uma cerveja da mesma forma.

A França lá nos irá acompanhar no próximo sábado e eu estarei a trabalhar.

Enquanto no Reino Unido anda toda a gente com o síndrome do Pôncio Pilatos ( a querer lavar as mãos da embrulhada que arranjaram) por cá a Caixa Geral de Depósitos é mais um bom exemplo dos maus negócios que se fazem neste país, à custa do dinheiro dos contribuintes ( eu ainda sonho que um dia vamos deixar de deixar que nos atirem areia para os olhos) e a UE já sonha em aplicar - nos mais umas "sançõezitas" enquanto distribuímos o pouco dinheiro que temos pelos vários particulares que vão engordando à custa do dinheiro de todos com o aval da justiça. Enfim!

Enquanto isso eu vou aproveitando para utilizar a folga que este governo geringonça nos deu para amealhar uns tostões, enquanto posso, que desconfio que a folga deve ser por pouco tempo, com o rumo que as coisas levam ( mas vamos à final com a França, não está tudo perdido!)

O dia foi longo mas foi um dia em que experimentei coisas novas, que aprendi um pouco mais e tive a oportunidade de ver coisas que nunca tinha visto - gosto muito de aprender e ver coisas diferentes.

Uma grande parte do país  encontra-se em mais um festival onde não faço conta de ir nunca ( gosto pouco de empresas que utilizam o dinheiro que "sacam", muitas vezes de forma pouco clara e sem boa fé, aos seus clientes, para patrocinar espectáculo ) eu preferi aproveitar para descansar com os miúdos, que as pernas já se vão queixando dos anos que tenho passado em cima delas. É que embora um senhor muito simpático me tenha dado hoje 20 anos, os cabelos brancos já não enganam ninguém e são quase o dobro dos anos que carrego.

O novo ano escolar está à porta e, na verdade, o nosso futuro, cheira-me, está novamente a ser jogado como num jogo de cartas ( vamos a ver quem faz mais bluff) e eu não quero voltar a ser apanhada no meio da tempestade. Portanto, para mim, a ordem de mercado agora é poupar. Estou um pouco farta das previsões em alta que sistematicamente não conseguimos cumprir.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A Nação e a sensação de pertencer

As publicidades excelentes,  transmitem-nos emoções

Vale a pena ver. Valeu a pena vê-los. Fizeram-me lembrar os nossos lobos num campeonato que fiz questão de seguir, há alguns anos, porque o sonho de alguns pode ser a felicidade de muitos. Tenho pena que tenham ido para casa hoje. Grande parte da magia deste campeonato foi a eles que se deveu. Porque o futebol e o desporto também é isto: motivação, amor ao que é nosso, a beleza de um sonho realizado por quem se esforça por ele. Acredito que se devam sentir orgulhosos. Eu sentir-me-ia. Saber que a vontade e o esforço podem dar frutos mesmo contra quem não faz mais nada da vida a não ser isto. Parabéns terra do gelo. Um dia ainda gostava de vos ir conhecer.

Recordando o Hino mais sentido que já ouvi até hoje.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

De mim mesmo: Resistência todo o terreno

Feito. Não em modo perfeição mas a perfeição não existe. Exausta. Claro: naquela fase em que excusam de me pedir para pensar, ou para fazer, que não consigo. É nestes momentos que nos valem os amigos, os verdadeiros. É por isso que a minha política é há muito que quem sabe dar e receber merece reforço positivo, quem sabe receber só merece o reforço que dá. A sua própria moral é cada um que a faz. Quem não tem moral para dar não vale a pena pensar que vai receber de mim mais do que aquilo que merece. Tenho as minhas contas ajustadas com o Deus que me deram a conhecer de pequena. E esse era um Deus justo. A justiça pode demorar mas sempre acontece, sem se fazer mais do que esperar. Esperar pela minha vez , esperar pelo que necessito aprender, esperar pelo tempo certo que, acredito, há - de estar reservado para o que mereço. Sempre fui muito consciente daquilo de que sou capaz. No tempo certo. Pena que ainda haja quem não perceba esta minha capacidade de ter uma paciência de Chinês, bem disfarçada num corpo demasiado activo que por vezes me leva ao chão. Só que, no tempo que leva a minha vida, não houve uma única vez que não me conseguisse levantar. Mas isso só muito poucas pessoas sabem, só aquelas que merecem o melhor de mim!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sem título



O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...




quarta-feira, 22 de junho de 2016

Thirty - nine

O meu amor vem de longe, traz 39 anos de caminho. Obrigada a todos os que fazem, fizeram e farão parte da minha vida. Foram e são também vocês que fazem de mim o que hoje sou, ontem fui e amanhã serei.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Entre o passar dos Anjos

Chamava-lhes rosas do Japão porque me disseram ser esse o seu nome quando estive nas Caraíbas. Ensinaram - me há pouco tempo que são hibiscos e fazem árvores lindas. A fotografia mais bonita que possuo foi tirada à sombra de uma dessas árvores há tantos anos quantos a metade da vida que já levo comigo, no Funchal, numa viagem de finalistas que, como todas, foi inesquecível.

Amanhã será o último dia do meu ano, que iniciará o último ano dos meus anos 30.
Dizem que a vida só começa aos 40. Perdoem-me mas eu comecei a viver muito antes disso.

Se pudesse descrever a minha última década numa música descreveria-a assim. Talvez desse para descrever toda a minha vida também. Não sei. Dizem que só sabemos ao certo o valor que cada coisa tem para nós depois de a perder. Há muito tempo que tento dar valor às coisas no tempo certo. Sei exactamente o sabor que têm as perdas. Desde muito cedo.  Isso fez de mim aquilo que sou. Talvez por isso me tenha sempre servido bem a capa de cuidadora. É com as coisas mais preciosas que devemos ter um maior cuidado e desconfio sempre de tudo o que é fácil demais assim como desconfio de quem não sabe o quer. Se há coisa de que não me arrependo é de ser assim. De todas as coisas o que mais prezo é a leveza da consciência e essa continua a deitar-se comigo, a cabeça na almofada, e a ser tão leve como uma pena, mesmo que o corpo teime em querer pesar. É sobretudo disto que mais me orgulho na vida. É sobretudo por isso que teimo em acreditar que o melhor ainda tem que estar por vir.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Errare Humanum est

Às vezes acho que a vida me dá uma folga apenas para que possa de novo aguentar os embates. Como se fosse um balão de ar em atmosfera adversa. Como se estivesse constantemente em apneia e me dessem oportunidade de vir a cima de água apenas para respirar, ganhar fôlego e mergulhar outra vez.

Depois de um fim de semana grande, de que não me lembrava já a última vez em que tive um, estou de volta ao activo.

Sempre fui à feira do livro, comprar o livro do Armando e pedir um autógrafo. Aproveitei para levar os miúdos a passear e perceberem onde estive à alguns anos e o que estive a fazer. Percebi, por uma curta conversa com o Armando que a decisão que tomei à algum tempo de esquecer a escrita de livros foi a mais correcta. A minha vida não me permite demasiadas liberdades orçamentais. Tentei não olhar para outros livros, para não cair na tentação de gastar mais dinheiro. O orçamento continua a ser o meu maior desafio mensal.

O torneio em Portimão levou-me ao   Algarve de onde trouxemos uma vitória expressiva e uma intoxicação alimentar ( o arroz de pato, está provado, não combina com o HCPG)  para além de momentos bem passados, conversa boa e de finalmente me ter cheirado a Verão.

Estou de volta à rotina e comigo a dúvida constante sobre se os caminhos que escolho serão os mais corretos porque isto de gerir afectos/razão, quando toca ao nosso sangue, é doloroso e difícil. Nem sempre as opções são as melhores. Como me disseram hoje e ainda estou a pensar nisso de tão acertado que achei: mais vale uma decisão do que não tomar nenhuma.

É isto que me faz continuar. Ainda consigo decidir e mesmo que decida mal, amanhã acordo de manhã ( fresca e fofa como um pão da bimbo) e posso sempre voltar a decidir, mudar caminhos, ver alternativas, arranjar soluções: "Errare Humanum est" ou como se diz em bom português, errar é humano. 

domingo, 12 de junho de 2016

Sabe bem o que é bom

Já aqui disse que não sou grande fã do Algarve, que não sou. Mas os lugares são as pessoas que os fazem, neste caso as companhias. Garanto. Estava mesmo a precisar de uma pausa, de boa conversa que atravessa a tarde e entra pela noite dentro ao som das brincadeiras dos miúdos. Partilha. De sol e de água, mergulhos, nadar. Um mergulho, uma competição suave de nadadores e o coração a querer sair do peito após a vitória. Estou mesmo a precisar de aumentar o tempo de exercício e para isso nada melhor que o Verão. Obrigado por teres chegado na forma de fim de semana grande. É este, de facto, o tempo de que mais gosto. Já tinha saudades deste sabor a felicidade!

sábado, 11 de junho de 2016

Era uma vez : os livros!

Hoje foi um dia assim . Não que tenha sido nostálgico, pelo contrário, foi um dia bom, onde sinto que sarei algumas feridas e encontrei o chão por baixo dos meus pés. Hoje foi o dia em que tive a certeza que este é o caminho certo por onde quero seguir.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

No dia em que escrevi um livro

Para ser sincera, não me lembro bem em que ano foi mas talvez tenha sido em 2011. Foi o ano em que levei o meu livro à feira do livro de Lisboa, no pavilhão do sítio do livro. Foi a primeira vez que fui à feira e não voltei a ir . Foram uns anos difíceis e difusos de que a minha memória guarda apenas flashes. Sei agora que se deve ao burnout e à depressão que entretanto foi tomando conta dos meus dias e que decidi encarar de frente este ano. Já chega de fazer de conta que não vejo que não sou eu quem tem vivido os últimos anos, tem sido uma sombra de mim. Mas não é disso que quero falar hoje.

Desse dia de experiências novas, guardo poucas boas lembranças por motivos que não vêm agora ao caso, mas das boas lembranças que guardo, para além do momento em que começou a minha hora, foi do momento antes, em que se aproxima de mim um rapaz ( das minhas idades , bem se vê) descontraído e perfeitamente à vontade como se fosse um passeio no parque ( ao contrário de mim que estava uma pilha de nervos sem saber muito bem o que esperar daquilo, naquele meu típico: mas porque raio é que te metes nestes enredos, meu Deus???!!!!😭 ) . Esse rapaz era o Armando e desde então tenho lido todos os seus livros. Gosto genuinamente do que escreve e como escreve. Sou fã de ficção científica e os livros dele misturam o romance com a tecnologia e o futurismo numa receita que a mim, me agrada bastante.

Quando soube que o Armando iria voltar à feira com o seu novo livro pensei de imediato em lá ir nesse dia. Fiquei encantada com a dimensão da feira, com os preços, com as novidades e as antiguidades maravilhosas que por lá se podem encontrar. Para além disso é difícil para os pequenos autores chegarem a ter alguém interessado, ou até mesmo curioso com aquilo que escrevemos e achei que seria giro ir lá dar-lhe o meu apoio. Infelizmente a hora dele vai calhar num dia em que já tenho planos para a minha vida. Não quis, no entanto, deixar em branco o lançamento do seu novo livro. Porque sou de facto fã da sua escrita e porque lhe desejo muito sucesso.

Espero que venhas a ter muito sucesso no teu futuro!

terça-feira, 31 de maio de 2016

É a vida !

Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.

Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.

Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.

Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto...

Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .

Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.

A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.

Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um.  É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.

Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook,  reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou "deles"? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.

E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Como num filme Disney

Deixar ir. Sempre me disseram que deixar ir era mau costume e à força de tanta asneira finalmente aprendi. À falta de melhor recordação lembro-me sempre que prometi que acontecesse o que acontecesse iria sempre sorrir. Só Deus sabe o que me tem custado cumprir essa promessa.

Às vezes há mensagens erradas, em horas erradas. Acredito que a fortuna nos dá sinais ( entenda-se fortuna no sentido de destino, como se me lessem as palmas das mãos, as circunstâncias) . Vai valer a pena foi uma delas. Gelo outra vez. Os olhos baços de querer sorrir. A promessa por cumprir, o rio imenso da vida para atravessar e a frase que me preenche o vazio que se apodera do espaço que tantas vezes apenas ocupo: " Se estás a atravessar um deserto, por favor continua" . É a minha auto-motivação. Não conheço mais nada que funcione. Auto é a palavra que melhor me define e a única que aprendi que funciona. O resto é por vezes demasiado ruído. Talvez por isso seja tão apegada à harmonia, talvez por isso a música seja sempre a minha companhia. Deixar ir quem não quer ficar.  E a esperança do meu final feliz. Um dia...

domingo, 8 de maio de 2016

Cerejeira em flor

Escrever é uma das coisas que gosto bastante. Contos ou mini-contos são dos textos que gosto mais de criar. Tenho alguns escritos por aí, outros guardados em livros só meus, outros vou escrevendo conforme me dá a vontade de juntar letras e significandos a significâncias que mais não são do que sonhos e/ou criatividade pura. Uma "sentimentalona" com ideias muito próprias e vincadas em crenças e utopias, ou simplesmente uma sonhadora. Sob as etiquetas TES e T(extos) E(ntre) S(onhos) deixo-vos um pouco da minha poesia, prosa poética ou escrita criativa conforme preferirem classificar ...  



Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração
A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
O caminho, marcado a traços contínuos impede - me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 

Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 

Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa "ciência" ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 

O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode "descambar" se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 

Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos - depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 





Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha "paixão" em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte...    










foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho 






domingo, 1 de maio de 2016

Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar





Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito -  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  
Beijinhos e obrigada  



E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar :D 




Para a mãe segura

Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010







quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.  


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mens sana in corpore sano

Sinto, senti sempre, que esta coisa de ser alentejana não tem tanto a ver com o local onde se nasceu mas com uma forma muito particular de estar na vida. Esta forma particular reveste-se de muitas características mas de todas elas a que mais gosto de destacar é a típica bonacheirice :



bo·na·chei·rão

adjectivo e substantivo masculino

[Informal] Bondoso, sem malícia e paciente. = BONACHÃO, BONACHEIRO
Feminino: bonacheirona.
Palavras relacionadas:


"bonacheirona", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/bonacheirona [consultado em 25-02-2016].

Ora, é esta bondade e também a  paciência que nos leva a saber rir de nós próprios ( sempre desconfiei que ninguém sabe tantas anedotas de alentejanos como o próprio alentejano) mas também são elas que levam, muitas vezes, a confundir-se isso com fraqueza, lentidão ou simplicidade no sentido de pouca esperteza. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. É simplesmente uma forma de se ver e se estar na vida. É mais do que claro que as migrações e as alterações do mundo, no último século, nos influenciaram também. A pureza das características é coisa do século passado. No entanto, esta paciência concorre, demasiadas vezes, contra nós. É ela que nos permite este deixa andar, esta permissividade que nos envia para a cauda do cometa. Somos os primeiros a desprezar o que nosso há de melhor, ou de bom. Os primeiros a atacar também. Falta-nos  a "idade dos porquês". Se nos dizem que algo esta mal, em vez de refutar devíamos refletir sobre o assunto. Saber o porquê, ou, pelo menos, tentar saber. Exemplifico: Um alentejano escreve um livro, sobre o Alentejo, desprezando-o. Outros alentejanos diabolizam-no. No meio de tudo isto ( e não tendo lido o livro, apenas um excerto publicado no Observador. Vi também o vídeo no YouTube, da entrevista - triste - que dá na SIC Radical para se promover) o que achei mais interessante foi a reflexão ou a visibilidade que ele dá a um problema que, por mais que tentemos fechar os olhos, persiste em forma de endemia por aqui - o suicídio, as tentativas de suicídio, a depressão. Homens, mulheres, novos e velhos, tentam, conseguem e morrem e não ouve ainda ninguém que se perguntasse o porquê desses números? A crise é uma altura feia e triste, propícia a actos difíceis de explicar - veja-se o caso da mãe que matou as duas filhas, um exemplo claro de sofrimento psicológico atroz - que se tornam tão mais violentos e aterradores quanto menor for o apoio da comunidade e das instituições/organizações sociais, que deveriam existir para os diagnosticar, apoiar e vigiar, para evitar que aconteçam. Os números elevados de depressão e de suicídio, mesmo que na forma tentada, são uma realidade no Alentejo. Convivo com essa realidade há anos no hospital. O que é que acontece a essas pessoas? qual é o seu seguimento? quem as apoia? Que estruturas de saúde mental existem para evitar que as tentativas se repitam, quais são as características da população afectada, as suas estruturas sociais? Quem é que se preocupa com isto, que cruza as relações entre a saúde mental e a saúde física, percebe o problema, sabe como agir  e tenta de alguma forma perceber qual a verdadeira dimensão do problema? De tudo o que já vi e ouvi sobre o referido livro, foram só estas as reflexões que ele me suscitou. A saúde mental é uma das vertentes mais importantes nesse estado complexo que é o ser e sentir-se saudável, não é só o desequilíbrio total que deve ser encarado como patológico, o trabalho deve começar antes, muito antes, aliás como em todos os cuidados de saúde em geral.

"Mens sana in corpore sano"


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Amanhãs

Aos poucos as coisas vão-se organizando nas novas prateleiras que a vida me trouxe. Já não me assusto tanto com as novidades como até aqui. O Baudolino olha para mim, de uma das prateleiras, como que a suplicar: Lê-me até ao fim para começares uma nova aventura. E eu, em pensamento respondo-lhe que sim , que tenho que o fazer, mas a minha pirâmide de prioridades não permite que largue outras para lhe dar prioridade, já, agora, pelo menos não conscientemente, que tenho tantas saudades de ler com vontade... Ainda assim a sensação de peso vai aos poucos ficando mais suave. Estou ainda lenta a voltar àquilo de que realmente gosto.  E amanhã é mais um dia...



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Acredita, mas não confies

Nos últimos dias têm me vindo à memória pormenores que julgava perdidos para sempre. A memória tem destas coisas e provavelmente a minha não deve ser diferente da de  muitas  outras pessoas.

Lembrei-me do molotov enorme que me fez vomitar quando era criança e ficar anos sem comer do dito, por achar que não gostava. Lembrei-me da pequena girafa que acompanhava o meu mais velho para todo lado e que depois da primeira mudança nunca mais vi, lembrei-me da última vez que apliquei esta frase, que me orientou os dias durante muitos anos e que por desespero me marcou o futuro. Acredita, mas não confies.

Pergunto-me se será um bom conselho. Questiono-me tantas vezes sobre os princípios que me regem que acredito já que não há fórmulas secretas. Há decisões e consequências.

Há, de certeza ainda em quem se possa confiar, a questão é que só vais sabe-lo na hora em necessitas que to demonstrem e nessas alturas nem sempre as decisões tomadas são as esperadas. E isso não significa que não sejam as melhores , mas só vais saber depois, às vezes muito depois.

É na memória que nos baseamos para tomar decisões. Quando ela falha é lógico que o sentimento de insegurança tome conta de nós. A insegurança paralisa, a vida fica em standby ( e ainda assim gasta energia como acontece em qualquer aparelho eléctrico) mas continua.

Isto tudo porque estou em fase de reflexão.  Li em algum lado que Janeiro é a segunda feira do ano. Para mim talvez seja o Domingo. Tempo de reflexão para o trabalho que aí vem. A celebração da palavra em toda a sua dimensão. Objectivos traçados, metas a alcançar, sonhos delineados. Acredita, mas não confies. Faz por merecer.

E hoje sei que são muito poucas as pessoas que se dão ao trabalho de querer merecer a nossa confiança. Isso não nos mata, apenas nos torna mais fortes e gratas por aqueles que demonstraram que são dignos da pouca capacidade que temos em confiar, continuarem a querer acreditar.