domingo, 24 de janeiro de 2016

Portugal para Inglês ver

Votei de manhã cedo, numa esperança infrutífera de ser a primeira a votar na minha mesa. Não sendo a  primeira, fiquei num honroso 3 lugar provavelmente atrás dos constituintes das mesas. Votar cedo foi uma preocupação que me ficou do ano em que eu própria fiz parte de uma mesa, já que para o fim do dia está toda a gente já cansada e ainda há os votos para contar.

O Domingo não se resume a dia de votação, nem pode, mas gosto de relembrar que o dever cívico é também um direito, e é ele que nos dá a autoridade de reclamar se o trajecto começar a não ser o mais transparente possível. Não gosto de deixar nas mãos dos outros decisões que me cabem a mim, ainda menos que decidam sobre a minha vida sem que dê a minha opinião.

Hoje houve jogo em Estremoz e como sabem a maior parte dos pais de filhos desportistas, é de manhã cedo que começa a vida familiar, mesmo ao fim de semana. Até aqui tudo normal. Chegamos a Estremoz cedo, e mesmo que não haja fome, o lanche do meio da manhã é essencial . É incrível como numa terra tão bonita, que poderia aproveitar essa beleza para se promover, a um Domingo de manhã seja uma aventura encontrar um café aberto. Encontramos um, com nome de mercearia, nosso conhecido do google ( que já ninguém vai a lado nenhum sem saber o que o google diz sobre esse lugar) com um conceito girissimo de tudo em um, num espaço acolhedor e onde apetece estar ( bonito aos olhos e ao paladar) . O pior vem depois e reforça o meu ponto de vista ( o que este país está a crescer apenas para Inglês ver) . Um espaço acolhedor, com bom gosto, recomendado pelo tripAdviser, que pratica preços que me deu vontade de lhes restituir o que já tinha engolido. Sejamos sinceros, 9.30 euros por um pequeno almoço para 3 pessoas onde só foram pedidas 2 sandes e 2 bebidas não é um abuso, é um roubo. A qualidade é boa mas não justifica o preço e muito menos numa terra perdida no "Alentejo profundo" . E isto pode aplicar-se a muitas outras vertentes de compra e venda, oferta\ procura,  no nosso país.

Ora depois de um pequeno almoço de qualidade sobrou o suficiente, no orçamento diário,  para ir almoçar ao Mac de Évora e lá se foi o investimento no que é português...

Aproveitámos a tarde para estudar um pouco de história sabendo que é quase sempre mais uma desilusão. Rico em monumentos históricos, desde os primórdios da nação, a reconquista, o tempo da ocupação muçulmana, a história do Alentejo vai até ao neolítico, mas muito poucos parecem querer enfatizar, promover e preservar esse património. Embora já melhor sinalizado, tanto os acessos, como a promoção e as condições do próprio local para receber visitantes são quase nulas e resumem-se a placares  que podemos ler, e esperar pela boa vontade dos visitantes para que não destruam o que lá está desde há 7000 anos. Contínuo a adorar a "história ao vivo" e aborreço-me por não conseguir incentivar os miúdos a querer saber mais sobre esses povos, para que serviam aqueles espaços e o porquê das localizações . De qualquer maneira tento, na esperança de que um dia mais tarde, se lembrem que lá foram e queiram saber mais sobre a sua própria história. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

(In)felicidade

Li por aí que hoje é o dia mais triste do ano. A terceira segunda-feira de Janeiro, a blue monday, o dia em que voltamos à realidade depois da euforia e do despesismo das festas. E eu estou feliz, porque Janeiro, apesar de o ser e trazer ainda a ressaca de um estado depressivo e de esgotamento que se arrastou por vários anos, me está a correr muito bem; porque voltei ao meu "velho" horário com vontade de continuar, com vontade de trabalhar; porque me sinto novamente saudável, apesar da medicação e dos exames que me lembram que ficam sempre mazelas depois dos abusos; apesar de todos os pesares e de estar frio, sinto-me quente cá dentro e isso faz deste o melhor Janeiro dos últimos anos.

Foi um caminho tão longo, tão transpirado, que me sabe a felicidade pura sentir que posso pensar novamente em fazer aquilo que realmente gosto. E tenho planos, o que é de tudo o melhor.

O mundo nunca acaba quando pensamos que perdemos tudo. Ainda bem que este é o dia mais triste do ano.

Let it all go

domingo, 17 de janeiro de 2016

À procura dos sentidos

Sou como as 24 horas deste planeta. Uma parte de mim é dia, outra é noite. O Janeiro desperta-me o lado lunar. Às vezes não é bonito de se ver. Garanto-vos, pior é de se sentir. Por estes dias busco em mim tudo o que aprendi sobre sobrevivência, só para me manter fora do eclipse. Por vezes consigo, noutras o esforço tem que ser maior. Ainda assim estou muito satisfeita comigo. Depois de uma semana que foi uma verdadeira prova de resistência, a terminar num sprint, consegui cumprir com o prometido aos miúdos. Só isso é o bastante. Um a um, os objectivos para o primeiro trimestre estão a ser atingidos. E eu satisfaço-me por conseguir distinguir o essencial do acessório. Às vezes ainda me perco, mas em pouco tempo regresso sã e salva e agradecida, porque tantas vezes perdida é a melhor forma de encontrar o que sempre se procurou.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Acredita, mas não confies

Nos últimos dias têm me vindo à memória pormenores que julgava perdidos para sempre. A memória tem destas coisas e provavelmente a minha não deve ser diferente da de  muitas  outras pessoas.

Lembrei-me do molotov enorme que me fez vomitar quando era criança e ficar anos sem comer do dito, por achar que não gostava. Lembrei-me da pequena girafa que acompanhava o meu mais velho para todo lado e que depois da primeira mudança nunca mais vi, lembrei-me da última vez que apliquei esta frase, que me orientou os dias durante muitos anos e que por desespero me marcou o futuro. Acredita, mas não confies.

Pergunto-me se será um bom conselho. Questiono-me tantas vezes sobre os princípios que me regem que acredito já que não há fórmulas secretas. Há decisões e consequências.

Há, de certeza ainda em quem se possa confiar, a questão é que só vais sabe-lo na hora em necessitas que to demonstrem e nessas alturas nem sempre as decisões tomadas são as esperadas. E isso não significa que não sejam as melhores , mas só vais saber depois, às vezes muito depois.

É na memória que nos baseamos para tomar decisões. Quando ela falha é lógico que o sentimento de insegurança tome conta de nós. A insegurança paralisa, a vida fica em standby ( e ainda assim gasta energia como acontece em qualquer aparelho eléctrico) mas continua.

Isto tudo porque estou em fase de reflexão.  Li em algum lado que Janeiro é a segunda feira do ano. Para mim talvez seja o Domingo. Tempo de reflexão para o trabalho que aí vem. A celebração da palavra em toda a sua dimensão. Objectivos traçados, metas a alcançar, sonhos delineados. Acredita, mas não confies. Faz por merecer.

E hoje sei que são muito poucas as pessoas que se dão ao trabalho de querer merecer a nossa confiança. Isso não nos mata, apenas nos torna mais fortes e gratas por aqueles que demonstraram que são dignos da pouca capacidade que temos em confiar, continuarem a querer acreditar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Há coisas para as quais não tenho um nome definido

Hoje apeteceu-me ouvir esta. Só porque sei o que é andar sem destino e não chegar a lado nenhum. Mas também conheço a sensação de ter caminho e chegar ao destino traçado ( e sem GPS)

Às vezes as  coisas mais simples são as melhores. A sinceridade e a simplicidade nunca me fizeram perder nenhuma batalha. Contínuo a apostar sempre, quando encontro estas qualidades.

"We're riding down the boulevard
We're riding into the dark night,
With half the tank and empty heart
Pretending we're in love, when it's never enough
As the sirens filled the lonely air
Oh, they can hear knock knock baby
We see a storm is closing in
Pretending we're escaped
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
We're running all the red lights down
No way that we can stop, no no
A quarter tank is almost gone
Pretending we're in love, when it's never enough
I wish we could take it back in time
Before we crossed the line, no now, baby
We see a storm is closing in
I reach out for your hand
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Oh oh, hold on
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)
Don't say a word while we danced with the devil
You brought the fire to a world so cold
We're out of time on the highway to never
Hold on (hold on), hold on (hold on)"

Ocean Drive - Duke Drummond

domingo, 3 de janeiro de 2016

Estabilidade lógica

Hoje foi dia de Sporting. Enquanto regressávamos, ensonados, olhos pregados na estrada ( que é muito bom lá ir, um dos melhores anti-stress  que conheço, mas custa um bom  bocado voltar de noite, com o corpo cansado da estafa e a voz rouca da cantoria e da gritaria) ouvimos esta música na rádio.

Adoro-a. Não sei porquê foi como se me abrisse no peito um corredor de memórias. Estou a voltar de novo ao lugar de onde parti para me encontrar. Isso, a meu ver é muito bom.

PS:  É este ano que vou ser  campeã outra vez,  caramba!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tempo de desejar

Aqui há uns anos se me dissessem que iria ter anos assim, nem acreditaria. Mas tive e passaram. Se me dissessem que me sentiria assim, feliz, por estar em casa, num dia de  festa, ficaria incrédula, mas aconteceu. Às vezes é necessário conhecer bem o sabor da perda para reconhecer o melhor dos paladares.

É neste sentido, não esquecendo o que perdi, mas reconhecendo por isso o que posso vir ainda a ganhar, que vão os meus desejos/planos/ projectos para o ano que agora chega.

O meu ano chegou em paz, a fazer uma das coisas que melhor me faz ao corpo e à alma, neste momento, descansar.

Começa ( 2016) com algumas perdas que me lembram como é necessária força para acreditar que tudo tem um propósito e que podemos aproveitar os maus momentos para nos fortalecer. Das perdas se constroem os ganhos, saibamos nós dissecar as aprendizagens que nos são oferecidas quando as situações não vão ao encontro dos nossos desejos.

Espero acabar o que comecei à alguns anos e já deveria ter acabado. Está - me a provocar gastos e frustração desnecessária - a especialidade.

Desejo mais tempo para mim, para a minha família, para os que me são queridos e me fortalecem com a sua presença. Só esses valem a pena. Só aqueles que são capazes de ficar, nos bons e nos maus momentos, merecem o melhor de nós.

Poupar, para não voltar a deixar apanhar-me no despesismo alheio.

Exercitar a minha memória e a minha atenção, focar-me no essencial e reaprender a programar e planear com sentido - demasiados anos de serviço de urgência, burnout e excesso de trabalho destroem a nossa capacidade de pensamento estruturado, simples e eficaz.

Voltar a redescobrir os meus gostos particulares e peculiares, de que sou eximia defensora embora existam alguns que, sei-o agora, ficarão sempre comigo, mesmo que a memória teime em querer apagar tudo.

Dar todas as ferramentas necessárias para que os meus filhos saibam decidir com clareza e percebam a importância disso no seu futuro.

Tudo isto resume o meu desejo essencial desde que sou miúda. Quando vejo um avião, uma estrela cadente ou engulo à pressa as 12 passas que trago apenas porque a tradição assim o prevê: o que eu quero mesmo é ser feliz. Eu só não sabia é que a felicidade não é um estado.é uma escolha. Agora, já sei! Vou fazer por escolher ser merecedora da minha felicidade.

Feliz 2016!