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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Como num filme Disney

Deixar ir. Sempre me disseram que deixar ir era mau costume e à força de tanta asneira finalmente aprendi. À falta de melhor recordação lembro-me sempre que prometi que acontecesse o que acontecesse iria sempre sorrir. Só Deus sabe o que me tem custado cumprir essa promessa.

Às vezes há mensagens erradas, em horas erradas. Acredito que a fortuna nos dá sinais ( entenda-se fortuna no sentido de destino, como se me lessem as palmas das mãos, as circunstâncias) . Vai valer a pena foi uma delas. Gelo outra vez. Os olhos baços de querer sorrir. A promessa por cumprir, o rio imenso da vida para atravessar e a frase que me preenche o vazio que se apodera do espaço que tantas vezes apenas ocupo: " Se estás a atravessar um deserto, por favor continua" . É a minha auto-motivação. Não conheço mais nada que funcione. Auto é a palavra que melhor me define e a única que aprendi que funciona. O resto é por vezes demasiado ruído. Talvez por isso seja tão apegada à harmonia, talvez por isso a música seja sempre a minha companhia. Deixar ir quem não quer ficar.  E a esperança do meu final feliz. Um dia...

domingo, 8 de maio de 2016

Cerejeira em flor

Escrever é uma das coisas que gosto bastante. Contos ou mini-contos são dos textos que gosto mais de criar. Tenho alguns escritos por aí, outros guardados em livros só meus, outros vou escrevendo conforme me dá a vontade de juntar letras e significandos a significâncias que mais não são do que sonhos e/ou criatividade pura. Uma "sentimentalona" com ideias muito próprias e vincadas em crenças e utopias, ou simplesmente uma sonhadora. Sob as etiquetas TES e T(extos) E(ntre) S(onhos) deixo-vos um pouco da minha poesia, prosa poética ou escrita criativa conforme preferirem classificar ...  



Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração
A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
O caminho, marcado a traços contínuos impede - me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.  


sábado, 19 de dezembro de 2015

Enigma


Passei. 
Talvez um quarto da minha vida à espera. 
A pergunta certa nunca chegou. 
Na metade final percebo que não existem perguntas certas. 
Nem respostas erradas. 
Existimos apenas e nesse lapso complicam-se memórias
 com factos presentes,
 enganam-se os olhos com a imaginação. 
A simplicidade de um momento bom 
 rasgada por uma palavra errada 
Um enigma desnecessário

E se a pergunta for despropositada?

Simplifico, então (!?)
Os dias correm com a mesma velocidade
somos nós que os vemos diferentes
perspectivamos passos que não damos
momentos que não chegam 

No fundo
é tão fácil
refazer
num jogo simples de dar e receber
começas tu desta vez

Um dia ainda conto

como as histórias nos podem desencantar





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A vela

A vela estava acesa e tremelicava a luz escassa que se derramava pela sala. Diria que lhe dava um ar medieval, à sala e à sensação que vestia por estar assim. A lareira ocupava a parede e ela sentada lá dentro segurava entre as mãos tremulas uma malga a transbordar de café quentinho. Não estava sozinha embora assim lhe parecesse. Afinal não era só a vela que iluminava a sala era também aquele enorme lume de chão e a  voz dos outros. Falava-se de quê? Não conseguia compreender mas nem tentava. Desistira à muito que tentar mostrar interesse por coisas que a enfastiavam. Eles falavam, todos, muito, em demasia lhe parecia. Ela entrara à muito dentro do fogo quente. Os olhos fixos teriam sido o seu ponto de entrada e não era ela que se aproximara do lume, foi o lume que entrou, dentro. Conversavam sobre a vida, o futuro, numa linguagem muda, que os outros trocando palavras comuns nunca chegariam a entender. Desconfio que nem deram por a vida que lhe ia por dentro enquanto se mantinha imóvel. Tantas vezes o mundo se passa mesmo ao nosso lado e não conseguimos nem pressenti-lo. Soube do passado e do futuro, dos planos e das ideias, soube coisas que se encaixam em contas prolongadas por muitos anos, sob subtracções de linhas terrestres e de mapas astrais. Foi o som do brinde que a despertou, brindavam a quê? Ah! sim á vida. Que vida? A vela apagou-se mas ninguém deu por isso porque a labareda na lareira continuava a iluminar e aquecer. Ela ficou só mais consciente, o resto seriam conversas que não interessariam a ninguém e de resto pouca gente entende as linhas com que se escreve a história do universo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A última morada

O fundo do quintal dava para aquela que era a última morada de toda a gente. No quintal crescia um pouco de tudo, quase ao Deus dará. Não poderia dizer-se que o tamanho era a maior qualidade do que crescia, mas era bom e na sua pequenez tinha também alguma graça e doçura, se fosse essa a qualidade que deveria existir na produção. Olhava muitas vezes para o quintal, enquanto pensava que, fossem as coisas como fossem, daria, sempre que pudesse, o melhor que conseguisse. Conseguir em pleno não era, por assim dizer, a melhor das suas qualidades.
A casa era silenciosa e acolhedora o quanto baste para se sentir confortável. Apesar das frinchas, que completavam o seu complicado mecanismo de ar condicionado, o sitio era quente. Tinha uma paixão pela sua amostra de lareira e ainda assim isso não era suficiente para a acender todos os dias. O cansaço vence demasiadas vezes o amor que temos por qualquer coisa, seja lá isso o que for. Era o silêncio a grande porta de entrada para o seu lugar predilecto. O monitor da TV poderia estar ligado ou desligado, isso dependeria de quem estivesse por companhia e ainda assim conseguiria entrar. Entre o futuro e o passado há uma brecha que só percorre quem sabe o caminho. É nessa brecha que ela habita nos seus melhores momentos.  São as emoções, as recordações e aquilo que se sabe daquilo que se vê, que formam a grande massa com que construímos os sonhos e os sonhos, esses, são diferentes para todos nós. Nunca sonhara um quintal assim, mas achava-lhe piada à perfeição da pequenez. Tudo o que é pequeno tem graça, ouvia dizer vezes sem conta. Agora isso havia sido trazido da sua brecha de sonho. Gostava de lá morar muito mais vezes do que realmente acontece, mas a vida é um caminho que se faz quase em contínuo, com diminuição da visibilidade, como se fosse um conduzir no meio do nevoeiro: e mesmo assim ainda esperamos a chegada do D. Sebastião perdido.  
É nos dias em que não habita a brecha, os dias em que mais sofre. Talvez seja a saudade ou apenas a falta que sente daquilo que é para ela uma necessidade. Tanto quanto viver. Tanto quanto sonhar. Tanto quanto acreditar. O sitio não tem nome de rua mas o quintal dá para aquela que é a última morada de toda a gente.



 

sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

como se tivesses outra hipótese

Hoje foi um dia bom, um dia grande . Um dia em que voltei a sentir que sou capaz de fazer muita coisa e que realmente desembrulhei uns quantos fios do novelo que me enleia. É nestes dias que damos um pontapé na pedra que estava no caminho, a que nos dificultava a progressão e nos fez especar à espera da solução. Dói-me o pé, é verdade. Talvez ela esteja lá mais à frente outra vez, mas por agora, festejo a solução de a ter feito desaparecer, mesmo que só por um tempo. No meio dos pensamentos, lembrei-me desta canção e voei novamente nas asas da imaginação. Boa noite!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dias cinzentos

Os dias cinzentos são sempre os piores e raramente têm muito que ver com os sol. São os dias em que se descobre que os sonhos ficaram todos para trás, que não se faz nada do que se esperava fazer por esta altura e que por muita volta que se dê ao pensamento não se encontra grandes saídas ( viáveis) para se transformar a forma como se ficou. O trabalho não nos leva a lado nenhum e é feito com esforço de escravatura, o tempo não chega para se estar com os filhos como se devia, já para não falar das contas constantes que se fazem para arranjar e rearranjar orçamentos. É nesta altura que me questiono qual foi a curva que fiz para a direcção errada. Por mais voltas que dê ao pensamento não consigo identificar uma ( foram tantas) que acabo por me certificar que é tempo perdido estar constantemente a voltar para trás.
 Até aqui, tudo bem.
Conforma-se e enforma-se e no fundo nem é isso que me preocupa. O que me preocupa é a falta de perspectivas, a falta de oportunidades, a falta de alternativas. Às vezes sinto que a minha vida é como a politica em Portugal: por mais que se queiram arranjar alternativas e soluções há-de vir sempre alguém ou alguma coisa estragar tudo.  Poderão dizer-me que a vida é mesmo assim , que nunca se tem aquilo que se quer, que é difícil...pois, obrigada pela informação, isso eu já sei! A alternativa pelos vistos é habituarmo-nos. Habituamo-nos a trabalhar 240 horas por mês. Habituamo-nos a despender apenas 30 minutos a uma hora por dia aos filhos, habituamo-nos com a ideia de que há muita coisa que nunca iremos ver nem ouvir. E eu habituei-me! Habituei-me que há alguns sonhos que se podem transformar nos piores pesadelos, quando te exigem sucesso.
 Estes são os meus dias cinzentos, depois tenho outros. Nos outros dias, agradeço por poder trabalhar as 240 horas que me permitem ir vivendo e levando os meus filhos onde querem, fazer-lhes alguns "mimos" que todos gostamos de fazer, mantê-los vestidos e calçados e aparentemente saudáveis e felizes. Nos outros dias, agradeço por ter resistido e aguentado 5 anos de uma depressão difícil, de ter aguentado as constantes pressões internas para não resistir ao sofrimento ( sim, uma depressão é, muito mais que se imagina, uma forma de sofrimento) de me ter transformado numa pedra, que não permite que os dias cinzentos que ainda batem à porta, tenham a mesma força e a mesma influência que já chegaram a ter. Nos dias cinzentos, lembro-me que vai passar, que tudo passa, que não preciso mostrar a ninguém que sou feliz, nem preciso ser melhor ou pior. Só preciso ser eu, e aguentar, porque no dia a seguir, se bem calhar, já verei as coisas diferentes, sem ambições, sem grandes sonhos, sem objectivos. Só com a vontade de viver." Esperar o melhor mas estar sempre preparada para o pior". Aprendi que só isto já me basta, como qualquer outro objectivo...



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Na mão certa




Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.

Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Voltando à pneumática...

Passaram 3 meses desde que me decidi a voltar. Com algumas ideias daqui, dali ou de acolá, lá me vou conseguindo aguentar. Perdi 5 kg entretanto mas, para mim, continuam sem haver grandes diferenças. O que juntando ao horário do mês dá...birra, mau feitio e a p=)//&$/%$"$#&" da depressão a bater à porta. E pronto é isto...

 
São só mais 20 dias e entra outro horário. Entretanto já devo ter novidades em relação ao que fazer com a morada ( se me aguento ou não me aguento com a mudança) e como gerir o novo ano escolar. Misturando tudo com o problema dos pneus, dá provavelmente resto zero. Como sempre!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Brincar com coisas sérias

Na vida há coisas de que gostamos outras que nem por isso. Isto aplica-se a todas as vertentes da "coisa".
Não gosto de picar crianças, mas às vezes tem mesmo que ser. Começo quase sempre com um ar sério e comprometido, especialmente quando a birra começou antes de eu chegar ( exceptuam-se os bebés, que requerem outras estratégias).
São os pais, em muitos dos casos, que transportam as suas ansiedades e não lidam bem com a ansiedade dos meninos ( quem gosta de ver os seus sofrer que atire a primeira pedra aos que também lhes apetece fazer birra quando sabem que os meninos vão ser picados. Mas tudo tem os seus limites!) .
Frases como "não dói nada" e "um homem não chora" tiram-me literalmente do sério e fazem-me respirar fundo 3456 vezes ou mais... dói! e um homem/mulher chora, tem que chorar, deve chorar! As tentativas de "branquear" a situação e não permitir sentir, são muitas vezes agravantes e fazem com que a colaboração se demore mais a conseguir, porque implica faltar à verdade, e as crianças sabem isso, sentem-no.
Começo com um ar sério e comprometido e digo logo o que se pode e não se pode fazer: pode-se chorar e gritar, à vontade, o que não se pode é mexer o local que vai ser picado.
Ainda assim as birras continuam "não quero", "tenho medo". Chegamos ao local desejado: "tens medo de quê? " e é muitas vezes, não o quê mas o porquê, que me diz mais sobre o que vem a seguir.  Os porquês das coisas permitem diminuir os medos.
Chegada a esta fase na maioria das situações os pais são já uma figura apenas presente, a conversa decorre no mundo da imaginação da criança que está à minha frente e tenta combinar comigo a melhor forma que tenho para lhe fazer mal ( sim, vou picá-la e vou magoá-la, mas tenho que ter o seu consentimento, sou uma estranha). Comparamos desconfortos. Costumo utilizar o teste da picada do mosquito para testar o limite da dor ( as agulhas são borboletas e ficamos na realidade dos insectos) se a picada do mosquito for normalmente motivo de dor a picada que vou dar vai doer de qualquer das formas, se não for, estamos ambos "safos .
Cada criança é um mundo e esta linha já me deu milhares de situações diferentes para lidar. Há aqueles com quem é impossível negociar, muitas vezes porque são os próprios pais que não permitem, não entendem a necessidade e acabamos por terminar em "agarramentos" e contenções excessivas que eu detesto ( gritarias, forças desmedidas, cansaço e sensação de objectivo não cumprido) e há os diferentes resultados da diplomacia. No outro dia mais uma situação caricata... " não quero, dói, tenho medo" medo de quê? " não sei" Ok, então medo porquê? " porque vou ficar com um buraco! ( risos, muitos risos, ele fica perplexo - eu aqui cheio de medo do buraco e tu ris-te?) quantas pessoas já viste sair do hospital? levam buracos? o teu irmão ficou com algum buraco quando fez análises? ( olhar perplexo novamente, mas diferente, como quem diz " mas por que é que eu não me lembrei que este medo não tem lógica nenhuma???") E então conta-me lá, dói-te quando te picam os mosquitos? não! ( olhar de incrédulo," `tas totó? desde quando é que isso dói?" ) Ok estamos safos!
Geralmente o acto da picadela em si tem que ser no meio da conversa, entre os nãos e os só mais um bocadinho...desta vez foi diferente porque por entre os é agora,não, depois, agora, não, piquei ( olhar incrédulo...é só isto???) doeu? não !!!!???? O teste do mosquito não falha!

É o medo. O medo é que nos faz não querer enfrentar certas situações. Geralmente porque sabemos que não vão ser momentos bons. Mas a vida não é só feita de momentos bons, e tal como se deve ensinar o que é felicidade, é necessário ensinar como lidar com a dor, a ansiedade e os momentos maus, que , invariavelmente vamos ter que enfrentar. A protecção é boa até determinado limite, deixa de ser quando fazemos crer aos nossos filhos, que nada de mal lhes pode acontecer porque vamos estar sempre lá para os defender. Vamos estar, queremos estar, vamos apoiá-los como podemos e como sabemos, mas uma coisa é o que temos mais certo: não vai correr sempre tudo bem, e eles também têm que aprender a lidar com isso... digo eu... até agora a taxa de sucesso destas estratégias tem sido maior do que a de insucesso. Quando deixar de funcionar, muda-se porque a experiência é mesmo isso, aprender para melhorar e se necessário: mudar...

terça-feira, 1 de julho de 2014

Pouco mais que isto

Ao fazer a leitura diária de hoje, deparei-me com isto. Ora aí está um assunto sobre o qual vale a pena reflectir. Sou orgulhosamente mãe, como se sabe, mas é um facto que concordo totalmente com o que se escreve naquele post. Teoricamente concordo. O pior é, de facto, o mais difícil. Isto é: sim, não nos podemos anular enquanto pessoas, nem enquanto mulheres ou homens ou pais ou "whatever" mas o que é facto é que as crianças necessitam de mimo, de atenção, de uma parafernália de coisas como alimentação, saúde e educação e para isso é necessário ( imaginem...) dinheiro! e para ganhar dinheiro é necessário ( o que será, o que será?) trabalhar e para trabalhar é necessário ( hummm...) cada vez mais tempo...e o que sobra pouco basta para matar saudades e educar e transmitir valores e ideias e dar bases para a vida futura. O que sobra depois de tudo isto? Uma vida que gira, inevitavelmente, em redor dos filhos que escolhemos ter, por opção de vida. Não me choca quem toma a opção de não ter filhos. Choca-me muito mais quem os tem e depois se desresponsabiliza do seu futuro.
É certo que transmitir aos filhos a importância da mãe como ser individual e com identidade própria deve ser muito importante, mas garanto-vos que é muito difícil quando à nossa volta rodam uma série de super-heróis que ainda acham que a obrigação da mãe é anular-se em prol dos filhos. Nesta fase da vida e da conjuntura ( adoro esta palavra para descrever isto que nos está a acontecer, de sermos praticamente explorados para conseguirmos pagar os erros que muitas das vezes nem nossos são) é-me impossível gerir a vida sozinha e recorro a quem sempre me abriu a porta: os avós. Um avô babado, que já foi um pai babado e que agora, protege os meninos de tudo e mais alguma coisa, esquecendo-se que, se não aprenderem a cair, não aprendem a levantar-se. Os avós são as figuras mais importantes para que saibamos respeitar a sabedoria da idade, mas o papel das mulheres no mundo mudou e com ele a necessidade de espaço e de tempo para encontrarmos de novo o nosso lugar. Voltar para a casa dos pais foi um duro golpe na liberdade e independência mas sobretudo foi o golpe de misericórdia na mulher, que passou a ser exclusivamente mãe e profissional. Posto isto, é natural que sejam eles e os feitos deles os que mais me orgulham. É que pouco tempo há para muito mais que isso...

E se alguém de repente te oferecer flores? bom, primeiro vou ter que perceber muito bem o que é que eu ainda consigo fazer com isso...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Home Again

E este livro vai finalmente voltar a casa, ao fim de muitos anos, finalmente encontramos o caminho certo

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O que é o amor?

Eu sei que é Inverno, que é tempo de chá, pão com doce ou café quente mas a esta hora apetece-me sempre o teu gelado com sabor a morango. Sei que está frio e que estaríamos melhor à lareira a ver a madeira a estalar ao calor, mas adoro ver-te sorrir enquanto me vês devorar uma goluseima com vontade.
Dizem que o frio está na nossa cabeça, eu digo que o frio só se sente quando o vazio de não ter outras coisas para pensar nos faz lembrar dele. De não ter nada teu a que me agarrar.
A roupa para passar e arrumar, a cozinha vazia, sem ter o que cozinhar porque tu não estás para limpar os pratos e a vontade, essa vontade que teima em não se saciar, a vontade de comer o teu gelado de morango

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Talvez seja cansaço , sim, tens razão. Talvez a culpa seja do cansaço, da inércia ( posso por aqui a tristeza ou isso também é assunto tabu? OK! Não falamos na tristeza! ) então... ficámos na inercia, sabes que mais? Não concordo com essa prespectiva negativa que me colocas nos labios como se fosse minha. Não é. Digamos que sou prudente, prevenida, que de partidas do destino às vezes sem hora de chegada, me fui fartando ao longo dos tempos. E eu ainda continuo à espera que chegue. Porque para mim ainda la está tudo. Longe, quase sem notícias, distante o suficiente para me manter diariamente com o coração nas mãos. Dir-me-ias que tenho coração de mãe? Qual é a forma do teu coração? Achas que cabo lá dentro? E não os heróis não parecem maiores ao longe, pelo contrário, eles parecem ainda mais reais de perto e por isso muito melhores. Mas não me alongo mais que a noite é longa e eu, como sabes, gosto bastante de dormir. Renova-me
        .

sábado, 14 de dezembro de 2013

Mergulho



...Engraçado. Tinha a certeza que quando aqui chegasse iria ter uma sensação completamente diferente. Espreito outra vez. Na vertical a altura perde o sentido. É distância apenas. Distância entre o sitio onde estou ( os meus dedos agarram a ponta da prancha como se se quisessem colar à plataforma rígida) e aquele que supostamente será o objectivo. Lá em baixo a distância parecia menor, agora que aqui estou, está longe o que pretendo alcançar. Não é medo! não. É a resistência à mudança, de certeza! A resistência entre abandonar a certeza de uma base sólida pelo mergulho na distância desconhecida e na incerteza da queda. Levanto os dedos, sem olhar em frente, fixo-os como se fossem a minha ultima ligação à segurança. Atiro-me. Sinto a deslocação do ar na minha face, o leve e rápido soprar nos meus ouvidos. Tempo para um último pensamento...já está, já saltei, consegui.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ruídos




Subiam a rua demoradamente, lado a lado, em silêncio. A mão dada bastava-lhes assim como a paisagem de fim de tarde de outono que pintava as árvores em cor de fogo a extinguir-se com a passagem do tempo. O ruído veio do fundo primeiro como um leve grito agudo depois a distinguirem-se os tons metálicos dos travões na mistura da borracha em sofrimento ao arranhar o alcatrão. Foi tudo num segundo, ou talvez menos, ou pelo menos assim lhe parecera.
 Aqueles apitos repetitivos cansam-na: tortura,  como o peso daquela imobilidade aparentemente constante. Há vários dias que tentava falar. Sempre que o fazia eram apenas os ecos dos apitos e um estranho perder da memória, o que conseguia.

domingo, 17 de novembro de 2013

Recomeços...



Os recomeços eram o seu calcanhar de Aquiles. Como se coxeasse de cada vez que a vida lhe propunha um novo recomeço. Cansava-a a novidade constante, a superficialidade da conquista. Há vários meses que continuava sozinha, cada vez mais convencida que, de certa forma, seria difícil encontrar alguém que a entendesse.Os por de sol e as tardes de calor, a lareira em noites de vento frio, é um tipo de linguagem que parece ter entrado em desuso em prol dos concursos de televisão e das longas horas de redes sociais. Do longe se faz perto, hoje, mas de qualquer das maneiras parecia-lhe que a sua companhia ( aquela por quem esperara até aí) estava cada vez mais longe. Ou então era só ela que se habituara de tal forma à sua conversa que as dos outros a feria, não conseguindo penetrar nas intenções sociais dos que a envolviam.
Nessa noite decidira sair. Não saía há uns 3 meses. Olhou-se ao espelho, dúzias de vezes ( que lhe pareceram sempre poucas e nunca suficientemente satisfatórias, as respostas do espelho) até desistir e sair mesmo porta fora. Fora a primeira vez que ele a convidara para sair e estava um pouco excitada (entusiasmada até) com a proposta. Ficara de esperar por ele no bar. Era perto, podia muito bem caminhar até lá e além disso, o frio da noite acalmar-lhe -ia os ânimos. Já se sabia bem demais, optou por esta hipótese para que se tremesse pudesse culpar o frio...