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quarta-feira, 3 de agosto de 2016
É para o menino e para a menina ...
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Ainda a lutar contra a falta de energia
Para primeira vez nem ficou nada mal. O coitado ficou com aspecto de quem já tinha sido comido antes de sair do forno o que significa que para a próxima terei que aumentar as doses. Estava gostoso ( ou não o teria colocado aqui) e com mel ficou uma delícia. Agora, finalmente, posso alternar os meus pequenos almoços e lanches sem ficar com a consciência pesada de que estou a consumir hidratos de carbono a mais. Resta saber se os miúdos vão aprovar estas novas invenções da mãe. Para quem gosta e tem mãos e paciência para a cozinha, é de experimentar estes pães do artigo, que devem ser uma delicia.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Ideias felizes
Muito se fala em Portugal e nos países europeus da quebra na taxa da natalidade. Existem muitos motivos para isso é já na altura do meu curso abordamos esse problema. A verdade é que as mulheres têm hoje perspectivas de vida muito diferentes das que tinham à algumas gerações atrás. Para além disso, os recursos sociais são cada vez menos e mais dispendiosos o que leva a que depois do primeiro filho qualquer casal pense muito bem antes de ter outro filho. Vai muito da perspectiva de vida de cada um, dos planos que formulou para o futuro e até dos sonhos que tem. Criar filhos, educa-los, dar-lhes a atenção e carinho necessários é difícil para qualquer mulher que concomitantemente queira ter uma carreira. Imaginem então para uma mulher solteira ( divorciada/viúva) que tem planos e projectos para sua vida. Não só é difícil como é quase uma tarefa hercúlea...sendo que são precisos muitos mais do que os 12 trabalhos de Hércules e alguma sorte. Em Portugal significa trabalhar/ gerir/ programar quase 24 horas por dia com direito a sensação de cansaço quase contínuo que a bem ou a mal somos obrigadas a ter que aprender a saber lidar com tudo isso.
O que mais me chateia no meio de tudo são os pressupostos de que temos que aguentar. Aguentar e, se possível, fazer pouco barulho. Acredito ser esse o motivo que leva muitas mulheres a manterem casamentos e uniões que não as faz felizes. Acredito também que é esse o motivo porque muitos homens se sentem presos nos seus casamentos.
Uma questão de sobrevivência, portanto. Partindo deste princípio, que pode estar errado, admito que alguns problemas sociais se resolveriam com um maior apoio à maternidade/paternidade, admitindo também que nem sempre são as mães os melhores cuidadores. Parto do genérico para chegar ao particular. Das boas opções de apoio é sem dúvida a do nosso município que tomou a resolução de apoiar todos os meninos do 1° ciclo com a compra dos livros escolares. Para mim é uma ajuda fantástica e extremamente útil, muito mais útil do que a isenção de dos meninos no serviço nacional de saúde, sabendo nós que o serviço não tem capacidade de resposta para doença aguda, apenas para o seguimento regular. Muitas vezes se se pensassem nas medidas que se tomam - benefícios versus custos - muito do show off eleitoral seria dispensável e estaríamos de facto a aumentar a qualidade de vida de todos nós. Porque produtividade, lá está, pressupõe algum tipo de qualidade para não voltarmos ao tempo da escravatura.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
A mais bela sintonia
Hoje foi um dia extraordinariamente feliz. Não só porque estive rodeada de 5 crianças ( perdão, 4 crianças e 1 adolescente) em fases de desenvolvimento completamente diferentes que interagem de uma forma absolutamente incrível, mas também porque finalmente, hoje, consegui dar por terminada a árdua tarefa de me desenvencilhar do resultado da má gestão do que foi o pior negócio da minha vida. Está feito! Já ninguém pode telefonar-me a dizer: paga o que deves! Está pago, caramba!!!!
Há pouco, antes de vir para aqui escrever, estive lá fora a ouvir as ondas. O pinheiro junto à casa está enorme. Fomos nós que o plantámos e é incrível a forma como cresceu nos últimos anos. Sinto-me aqui como peixe dentro de água. O mar a rugir lá ao fundo e o vento a passear-se por entre os cabelos do pinheiro criam a mais bela sinfonia que eu conheço e aquela que melhor define o que senti quando me sentei no banco da soleira - felicidade.
Agora posso finalmente pensar nos próximos objetivos sem ter sempre a mesma sensação de que falta alguma coisa, a sensação horrível de estar a faltar às responsabilidades.
Tendo em conta a dificuldade que senti para orientar as contas, imagino quanto tempo teremos que esperar até este mísero país se levantar do chão, de cabeça erguida, sem precisar de pedir dinheiro emprestado a ninguém para se governar. Gestão apertada e inteligente, sem desvarios nem manias de grandeza e sobretudo fazendo contas a médio e longo prazo e não a pensar só nos próximos meses. Não parece muito possível dada a conjuntura nacional. Por mim, estou safa!
Gosto de pensar que muitas vezes me comporto como hoje, no jogo de matraquilhos. 3 equipas a jogar ao bota fora. Olham para mim com aquele ar de " eu é que não quero ficar na equipa da cota" . Muito a custo lá arranjei um voluntário para ficar comigo, que o fez mais por respeito do que por vontade. " Tens noção que vamos perder? " . " Se calhar não..." Disse-lhe. Foram 4 jogos seguidos sem arradarmos pé do jogo e aquela cara de espanto " como é que tu fazes isso
? "
Se imaginassem as horas de prática e as noites e madrugadas a fio... O melhor de todos os saberes é sem dúvida a prática aliada à teoria da coisa! E eu tenho muita experiência disso.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
À beira mar
Têm sido uns dias calmos, tão calmos que sinceramente já nem estava habituada a isto. Numa tarde acabei de ler o livro que andava há meses a tentar ler.
Todos os alentejanos do litoral deviam ler este livro. Foi um livro que me transportou para uma memória que, acredito, seja comum a todos nós, nascidos nestas terras. Sines, aqui chamada de São Torpes, a Esplanada Alentejana nos seus tempos áureos, uma praia que a evolução destruiu e uma terra que mudou e se transformou tanto nos últimos 40 anos. Para além do romance, que vale a pena, este é um tratado histórico sobre uma das estâncias de Verão Alentejanas, sobre a nossa vida, sobre o que mudou por fora mas se arrastou por gerações e ainda chega aos nossos dias. Esta memória colectiva que põe a mulher independente num papel estranho perante a sociedade e a transforma ao longo dos anos, moldando-lhe o futuro, os comportamentos, fazendo-a esquecer, por vezes, os verdadeiros motivos da sua luta. Gostei bastante, tanto que fiquei com curiosidade de ver o filme e fiquei com vontade de repetir livros do mesmo autor. Para além de ser engraçado ler uma história a acontecer em lugares que conhecemos tão bem.
Passo já de seguida para o Oussia, que fui de propósito comprar à feira do livro e que vem com dedicatória para o Afonso. Já li todos os livros do Armando e gostei sempre. Ele escreve na ficção científica, imaginação, uma área pouco explorada pelos portugueses e escreve sempre bem. Diria que é algo verdadeiramente novo na nossa literatura.
Continuamos preocupados, claro! Mas o tempo e a paciência é a única formula mágica de cura que conheço para certos problemas. Não há outra forma senão esta de esperarmos o melhor e acreditar que há-de vir.
Boa noite e bons sonhos =)
domingo, 17 de julho de 2016
Quando as palavras não nos bastam
Pego no cliché de que o sorriso é o melhor que podes usar e acredito que posso ver-te voltar a sorrir. Porque quando muita coisa parece perdida, a fé e a esperança é tudo o que nos resta e é necessário abraçarmos qualquer coisa para manter a vida a caminhar. A linguagem perde a importância quando sabemos que pouco mais que nada podemos dizer senão coragem, acredita , luta. Vamos cá estar, por ti mesmo que isso implique apenas e só acreditar. A vida nas suas voltas prega-nos chapadas dolorosas. Há que saber dar-lhes a volta. Pouco mais tenho a dizer, por agora, mas como amanhã não sei se irei cá estar envio-te esta oração para que saibas que penso em ti, torço por ti, espero por ti lá mais à frente, quando como tantas outras vezes, deres a volta por cima deste obstáculo. Acreditemos que é possível dar também, uma nova volta à vida.
sábado, 9 de julho de 2016
A Portuguesa - um hino à resistência
É esta a Alma da Lusitânia. Somos o país europeu com as mais antigas fronteiras definidas. Sobrevivemos a suevos, visigodos, celtas, romanos, muçulmanos, e aos vizinhos espanhóis, mesmo que para isso tenhamos esperado os 3 reinados necessários, sempre com as nossas fronteiras. Sobrevivemos porque em vez de conquistar preferimos sempre misturar-nos, tal como nos misturamos por essa Europa fora, sempre com histórias de sucesso para contar e com orgulho. Somos os mais europeus, os mais africanos, os mais latino-americanos, indianos e até os mais chineses dos europeus. Somos um mundo, nesta velha Europa Ocidental que está para nós como os velhos do Restelo estavam para os conquistadores. Deixai-os falar, rosnar e criticar pois só assim que se vê o esplendor de Portugal.
Que grandes criativos, trabalhadores e lutadores que somos , caramba! Orgulho! Puxai pela nação do futebol que pode ser um começo de um novo orgulho na nacionalidade!
..." Contra os canhões marchar, marchar" ...
terça-feira, 28 de junho de 2016
Sem título
O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.
Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.
Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...
sábado, 25 de junho de 2016
Fenómenos do " desenrascamento"
É um fenómeno engraçado mas está mais do que provado e comprovado. Quando queremos muito que algo num dia específico aconteça parece que os dias demoram anos a passar. Quando estamos felizes num dia específico ele passa a correr. Depois há aqueles fenómenos estranhos como o que me aconteceu nos últimos dias, em que acontece tanta coisa ao mesmo tempo que em 3 dias parece que passou uma semana.
Já fomos ao veterinário com os novos membros da família e correu às mil maravilhas. Toda a gente continua a achar que não sou pura por ser dona de gatos pela primeira vez e ainda assim ter ficado com 3 : Ahh! Valente!
Tudo normal, o que não seria comum era se entrasse numa nova aventura da forma prevista.
Aniversário, combinações de última hora: dá para petisco, jantar, café, conversa, passeio, praia, tudo o que normalmente demoraria dias a combinar. Saiu melhor que a encomenda e foi um dia muito feliz, obrigada !
Finalmente os planos estão a tomar forma. Ir ao Ikea é uma das minhas visitas ao shoping favoritas. Ando, imagino, decoro, renovo, invento, consigo utilizar coisas da forma mais imprevista e ainda tiro ideias para procurar soluções ainda mais baratas. Aquilo é um verdadeiro lego gigante, em que podemos inventar milhentas combinações e, pasme-se, se tivermos mesmo muitas saudades , ainda podemos montar como quando éramos crianças. Eu passo por todas as etapas, incluindo aquela do derrape do orçamento 😞 . Gasto sempre mais do que o que pensei, à partida, gastar e depois tenho que andar a fazer ajustes nas contas para poder fazer face a tudo o que estava previsto. Adoro o mês do subsídio de férias!
Ao fim de 2 anos de aqui estar, a casa vai finalmente tomando forma. Ao fim de 7 anos o martírio que encontrei com o fim da vida em comum está a aproximar-se do fim. ( Srs do portal das finanças, agradeço a libertação das verbas que me são devidas porque se fosse ao contrário por esta altura já me estariam a falar em juros, sim????!!!! Temos que ser uns para os outros)
A ida ao Ikea foi longa, divertida, proveitosa mas sobretudo cansativa pelo que foi necessário encostar-me ao estaleiro depois de fazer noite. O meu aspecto hoje era tão aterrador que os miúdos nem tiveram coragem de fazer fita quando lhes disse que estava imprópria para consumo e incapaz de ir para a praia como tínhamos combinado. É bom quando nos conhecem não só pelo que dizemos mas também com o que transmitimos sem falar e essa é uma capacidade que nem todos têm. Tenho feito esforços para lhes transmitir esses ensinamentos e parece que estão a dar resultado. Hoje tive direito a jantar ( feito pelo mais velho) e a limpeza e arrumação da sala/escritório/ biblioteca/playground - o lugar de eleição dos miúdos - pelo mais novo e pelo sobrinho, tudo à conta de umas olheiras que mais pareciam a cratera do Vesúvio.
Tanta coisa se tem passado - e se vai passar tendo em conta a quantidade de " legos" que tenho para montar - que estes três dias parece que foram uma semana inteira de coisas feitas. Ainda deu para assistir à saída do Reino Unido da UE e ao que se passou em torno disso e pensar como é que alguém pensou que não era este o desfecho mais provável ( oi! People! O Reino Unido não aceitou a moeda única, certo? Eles têm a commonwealth certo? A pergunta certa - a que eu faço há já algum tempo - seria, como é que eles aguentaram tanto tempo???) A ver vamos o desfecho disto. A ver vamos as mudanças, a ver vamos os trabalhos que eu tenho que acabar até Setembro! Adoro o tempo de férias, dá -me sempre mais energia para trabalhar😎
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Entre o passar dos Anjos
Chamava-lhes rosas do Japão porque me disseram ser esse o seu nome quando estive nas Caraíbas. Ensinaram - me há pouco tempo que são hibiscos e fazem árvores lindas. A fotografia mais bonita que possuo foi tirada à sombra de uma dessas árvores há tantos anos quantos a metade da vida que já levo comigo, no Funchal, numa viagem de finalistas que, como todas, foi inesquecível.
Amanhã será o último dia do meu ano, que iniciará o último ano dos meus anos 30.
Dizem que a vida só começa aos 40. Perdoem-me mas eu comecei a viver muito antes disso.
Se pudesse descrever a minha última década numa música descreveria-a assim. Talvez desse para descrever toda a minha vida também. Não sei. Dizem que só sabemos ao certo o valor que cada coisa tem para nós depois de a perder. Há muito tempo que tento dar valor às coisas no tempo certo. Sei exactamente o sabor que têm as perdas. Desde muito cedo. Isso fez de mim aquilo que sou. Talvez por isso me tenha sempre servido bem a capa de cuidadora. É com as coisas mais preciosas que devemos ter um maior cuidado e desconfio sempre de tudo o que é fácil demais assim como desconfio de quem não sabe o quer. Se há coisa de que não me arrependo é de ser assim. De todas as coisas o que mais prezo é a leveza da consciência e essa continua a deitar-se comigo, a cabeça na almofada, e a ser tão leve como uma pena, mesmo que o corpo teime em querer pesar. É sobretudo disto que mais me orgulho na vida. É sobretudo por isso que teimo em acreditar que o melhor ainda tem que estar por vir.
sábado, 18 de junho de 2016
A tentar despertar consciências
terça-feira, 14 de junho de 2016
Errare Humanum est
Às vezes acho que a vida me dá uma folga apenas para que possa de novo aguentar os embates. Como se fosse um balão de ar em atmosfera adversa. Como se estivesse constantemente em apneia e me dessem oportunidade de vir a cima de água apenas para respirar, ganhar fôlego e mergulhar outra vez.
Depois de um fim de semana grande, de que não me lembrava já a última vez em que tive um, estou de volta ao activo.
Sempre fui à feira do livro, comprar o livro do Armando e pedir um autógrafo. Aproveitei para levar os miúdos a passear e perceberem onde estive à alguns anos e o que estive a fazer. Percebi, por uma curta conversa com o Armando que a decisão que tomei à algum tempo de esquecer a escrita de livros foi a mais correcta. A minha vida não me permite demasiadas liberdades orçamentais. Tentei não olhar para outros livros, para não cair na tentação de gastar mais dinheiro. O orçamento continua a ser o meu maior desafio mensal.
O torneio em Portimão levou-me ao Algarve de onde trouxemos uma vitória expressiva e uma intoxicação alimentar ( o arroz de pato, está provado, não combina com o HCPG) para além de momentos bem passados, conversa boa e de finalmente me ter cheirado a Verão.
Estou de volta à rotina e comigo a dúvida constante sobre se os caminhos que escolho serão os mais corretos porque isto de gerir afectos/razão, quando toca ao nosso sangue, é doloroso e difícil. Nem sempre as opções são as melhores. Como me disseram hoje e ainda estou a pensar nisso de tão acertado que achei: mais vale uma decisão do que não tomar nenhuma.
É isto que me faz continuar. Ainda consigo decidir e mesmo que decida mal, amanhã acordo de manhã ( fresca e fofa como um pão da bimbo) e posso sempre voltar a decidir, mudar caminhos, ver alternativas, arranjar soluções: "Errare Humanum est" ou como se diz em bom português, errar é humano.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
O problema das contas mal feitas!
Hoje foi mais uma volta, mais uma corrida no carrocel da vida. Lá fui eu, de " charola" até à capital, acompanhar um doente a um exame complementar de diagnóstico, uma coisa comum, por estes lados . Sinceramente estou desejando que cheguem as minhas tão esperadas 35 horas semanais, de trabalho.
Já aqui disse o que acho sobre esta mania de se colocarem todos os funcionários públicos num mesmo pacote. Infelizmente há quem continue a fazê-lo. E fazem-se contas, confabulando contra os funcionários públicos às vezes sem se perceber muito das contas que se estão a fazer. Volto a um blog de que gosto para exemplificar as más contas. Não vou falar apenas de nós ( enfermeiros) mas de todos aqueles funcionários públicos que, tal como eu, asseguram a sua profissão durante as 24h do dia. Neste grupo posso incluir as forças de segurança ( PSP, GNR, guardas prisionais, etc) e a grande maioria dos profissionais de saúde. Se asseguramos as 24 h apesar das 40h o dia não deixou de as ter, logo o nosso horário diário de horas trabalhadas ficou igual o que significou que, para trabalharmos mais horas, tiveram que nos diminuir as horas de folgas semanais. Por cada mês, um funcionário público a trabalhar por turnos perdeu 3 folgas.
É mais ou menos a mesma coisa que o vosso patrão vos dissesse que a partir de determinada altura, porque o resto do país considera que a culpa das más contas é toda vossa, perderiam o direito a um fim de semana e a metade de outro, todos os meses, continuando a ganhar o mesmo. Para além disso teriam de aguentar a pressão contínua de todo o país, que se juntaria contra vós, tentando proteger esse país, ainda assim, o melhor que soubessem e pudessem. Mas melhor do que eu, a sra bastonária da ordem dos enfermeiros consegue explicar o que pretendo dizer-vos.
terça-feira, 31 de maio de 2016
É a vida !
Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.
Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.
Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.
Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto...
Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .
Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.
A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.
Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um. É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.
Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook, reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou "deles"? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.
E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Coisas que me apetecem dizer
Chegada a casa depois de mais uma noite, gosto de, antes de descansar ( ritual imprescindível - já lá vai o tempo em que depois das noites conseguia fazer um dia normal - aliás não sei se alguma vez vivi esse tempo, eheheh) ler as notícias do dia. Quase como se ao pequeno almoço lesse os jornais diários como antigamente se fazia, só que agora leio as notícias na internet. Um dos meus blogs favoritos para este efeito é o delito de opinião . Gosto particularmente dos diferentes pontos de vista que cada um tem ao abordar um mesmo assunto e sobretudo da forma democrática como permitem uns aos outros os seus ideais. Um exemplo de democracia, portanto.
Há já algum tempo que esta história do patrocínio estatal a algumas instituições de ensino privadas me anda a causar comichões . Sendo que, para falar do assunto necessito fazer uma auto-avaliação, que me permite falar sobre o assunto com alguma propriedade. O meu filho mais velho frequenta o ensino estatal. Aliás frequentam os dois porque por aqui não existe oferta privada e se a houvesse provavelmente não teria hipótese sequer de poder pensar em ser uma hipótese para nós. No entanto o mais velho frequenta aquilo que se chama o ensino integrado onde com o apoio do estado uma escola particular de música ensina a várias turmas, as que o escolheram, o nível básico do ensino de música integrado no ensino regular. O meu filho tem uma carga horária superior em relação às turmas do ensino regular e a escola de artes de Sines presta um serviço público diferenciado patrocinado pelo estado. Nada a ver com o estado patrocinar aquilo que consegue oferecer.
Sou absolutamente a favor do descrito no artigo que selecionei no link. Indigna-me que ainda exista quem pense que é pensamento de esquerda saber definir muito bem as obrigações do estado. A educação, a justiça, a saúde e a segurança social são obrigações do estado. Senão para que serviria essa instituição anónima a que chamamos estado e que tem como função proteger os que necessitam com o apoio de todos nós, para além de ser responsável por gerir o dinheiro que lhe confiamos, para que torne a nossa vida mais fácil e mais segura. De outra forma não tem sentido a noção de estado. Tal como não tem sentido o patrocínio de instituições que oferecem serviços que não estão disponíveis para todos com o dinheiro de todos.
A escolha entre o público e o privado é uma decisão dos pais e só devem ser patrocinadas as instituições que se substituem ao estado quando este não pode suprir as necessidades. Tudo o mais é desperdício que poderia ser utilizado para melhorar as condições das escolas públicas, a qualidade do ensino e a equidade da oferta.
O que me leva à triste conclusão que tirei há alguns anos a esta parte. A maior parte das Jotas estão infestadas de "jovens" privilegiados, que não fazem ideia de como é o país real, de quanto custa a uma família de classe média ou baixa educar os seus filhos. Gente que, nos corredores desses lugares de onde nunca saíram para ver o mundo real, continua a pensar que Portugal é Lisboa, Porto e Coimbra e que o resto é paisagem. Comparar qualquer coisa que se passe neste momento em Portugal com o Stalinismo é no mínimo revelador de um profundo desconhecimento da história do século passado e ofensivo para os milhares que morreram no exílio às mãos desse ditador. Se este o é, o outro o que foi?
Não há dinheiro para diminuir a carga horária de trabalhadores como eu, que sofrem na pele a consequência do excesso de horas de trabalho por turnos, mas há dinheiro para pagar a alguns meninos aulas de equitação e piscinas olímpicas? Façam -me o favor de crescerem e aparecer, não sejam ridículos e não gozem com quem paga impostos....Pelo amor de Deus!
" A Deus o que é de Deus a César o que é de Cesar" disse o Senhor perante uma moeda cunhada com a cara do dito. Tenho dito!
domingo, 22 de maio de 2016
Para ser bonito dá sempre muito trabalho
" Caracol, caracol, põe os corninhos ao sol" . Por esta altura do ano, ou talvez antes, lembro-me de cantar muitas vezes esta canção, na esperança de que esse animal ( conhecido pela sua estrondosa velocidade) se retirasse da sua casca e se mostrasse no seu lento ritual de deslocação.
No início do tempo de calor, por aqui, dá-me vontade de começarmos a sair da casca de Inverno, para aproveitar o bom tempo, e esse petisco maravilhoso que é uma bela de uma caracolada com uma imperial. A mim apetecem-me sempre esplanadas com o sol.
A chuva intensa deste ano transformou o meu quintal numa pequena selva, onde os cardos ficaram quase da minha altura ( dava para alimentar um burro a pão de ló ). Foi o suficiente para tomar a decisão de que para o ano não pode ser qualquer chuvada a destruir-me o jardim. Até a horta está uma verdadeira miséria e prevejo muito trabalhinho pela frente .
O que vale é que por aqui há muitos e bons exemplos de como construir um jardim. Se não os houvesse, o que não faltam são imagens na net de como fazer quase tudo.
Projectado na minha cabeça, foi fazer orçamento, comprar o material necessário e mãos à obra.
Havia já alguns meses que não me lembrava do que era ter dores, embora continue à volta com as sequelas do burnout da profissão, mas carregar 150 quilos de pedra fez voltar à memória e ao corpo a lentidão, a rigidez e a dor.Disse tantas vezes a quantidade de quilos de pedra que às tantas me perguntaram se tinha sido tudo de uma vez ao que respondi que 150 quilos de uma vez, só humanos e geralmente é peso repartido por pelo menos mais uma pessoa. É por isso que com quase 39 anos às vezes me sinto tão crocante como se tivesse 79.
Mazelas à parte, hoje já me senti melhor e continuei o trabalho. Ainda há mato por desbravar, mas está a ficar bonito. Não tão bonito quanto imaginei: geralmente é assim, poucas vezes me satisfaço plenamente com o resultado do meu trabalho ( e este é talvez o meu maior inimigo interno) .
Dá para montar a esplanada, para os jantares em dias de calor ou para o café pela noite dentro. Dá para me rodear de flores como tanto gosto e dá para ter por perto os temperos autóctones que adoro vir apanhar ao quintal enquanto cozinho, já para não falar das alfaces, das couves, dos tomates, das abóboras, dos brócolos, dos chuchus e até das batatas ( que ficam com o tamanho ideal para levar ao forno) tão biológicas que se me descuido ainda tenho que competir com as lagartas e os caracóis aquilo que deu tanto trabalho a produzir.
Brevemente, espero eu, se o trabalho e as inúmeras actividades de fim de ano ( testes incluídos) deixarem, poderei inaugurar o novo fogareiro, a esplanada e a horta renovada para a próxima temporada do sozinhos numa nova casa.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
É no coração que está o problema
A verdade é que isto que aqui se lê não é novidade para mim.
Aqui à uns dias escrevi neste blog que são os objetivos que dão sentido à vida e que tinha em mente a realização de 3 até Setembro. Na verdade 2 deles estão associados e nada melhor do que Maio, o mês do coração, para começar a realizá-los.
A profissão, como se pode ler no link não ajuda e a genética ainda menos. Não é tanto o cancro do pulmão, mas o risco cardiovascular que me assusta mais, para além da DPOC que fazem ambos parte da minha carga genética.
Se vos disser que o factor económico não pesa, também estaria a mentir mas o que me preocupa mesmo é a minha saúde, que como se sabe andou pelas ruas da amargura.
Ansiedade mais controlada, é tempo agora de diminuir o número de cigarros que fumo até que deixar de fumar seja apenas uma opção.
Feito o estudo do fenómeno chego à conclusão que fumo em média 14 cigarros por dia, sendo que o objetivo é voltar aos 4/5 que fumava quando comecei a trabalhar no serviço de urgência. A par disso à que começar a praticar exercício mais regularmente, não para perder peso, mas para tornar o meu coração mais resistente aos defeitos da genética e aos efeitos da profissão que escolhi.
Nunca pensei que com 18 anos de profissão as noites continuassem a ser uma necessidade económica, mas são e portanto à que diminuir os efeitos dos turnos. Em 1 mês diminui 2 cigarros por dia o que não parece nada mas ao fim do dito mês são menos 60 cigarros ou seja menos 3 maços de tabaco.
Não sou adepta das correrias até porque os meus joelhos não iriam gostar que começasse a correr sem mais nem menos e provavelmente a minha coxo-femural mandava-me logo passear. Bem vistas as coisas foi isso que decidi fazer. Hoje fiz 5km, na companhia dos meus filhos, sem cansaço, sem dor e sem sofrimento. Talvez consiga vir a correr, mas não faz parte dos objetivos, o objetivo é mesmo fortalecer o músculo cardíaco que por minha vontade ainda terá mais 80 anos para trabalhar, como um relógio suíço. É que como toda a gente que me conhece sabe, eu quero viver até aos 120 anos .
domingo, 15 de maio de 2016
Escrever sobre títulos
Não houve taróloga que nos salvasse e foi uma vitória com sabor a derrota. O que vale é que cá em casa há sempre alguém contente. Gosto que tenham gostos diferentes, aliás tenho orgulho nisso. Assim é mais fácil explicar-lhes o conceito de respeito pelos gostos e escolhas alheias - o respeito pela diferença. Foi só menos um campeonato. É só mais uma oportunidade para acreditarmos que é possível fazer melhor da próxima vez e o mais importante disso tudo é explicar-lhes que a vida se resume a isso. Acreditar que o que sonhamos pode ser possível e voltar a tentar sempre que isso não acontece.
E o mais novo de todos foi o que já festejou mais campeonatos, contra todas as probabilidades. O que resume o que lhes tento ensinar. Nem sempre o que parece lógico é um dado adquirido.
Parabéns à nação benfiquista, por favor não façam muitos estragos nos espaços públicos.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Quando apetece viver de novo
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| foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf na herdade do Pinheirinho |
domingo, 1 de maio de 2016
Carta, com música, para a minha mãe
Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar






