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domingo, 17 de julho de 2016

Quando as palavras não nos bastam

Estou há algum tempo à espera que me venham as palavras certas mas não há palavras certas quando parece estar tudo errado. Sei que muitos querem falar, querem expressar, queriam provavelmente ter-te dito muitas coisas. Nisso, o tempo e a vida ensinaram-me a dizer tudo e sei que sabes tudo o que quero dizer-te. É nestas alturas, e mais uma vez, que questionamos o porquê das coisas. Decido parar, dar-me um ano inteiro para me reconstruir em mim, sei que provavelmente não irias aprovar, como tantas vezes te disse coisas que não gostaste de ouvir, mas isso fica só entre nós. Antes de tudo isto pensava mais uma vez em fuçar as minhas possibilidades todas, esgotar todos os cartuchos à procura de uma coisa que nem tenho certeza de encontrar. A pressa é inimiga da perfeição? Tenhamos calma então! Uma calma que nos é impossível manter quando tudo parece estar errado. Aprendemos cedo de mais, nesta profissão, que há coisas que não têm porquês, são o que são, são como são, mesmo que sejam injustas, ainda assim sermos humanos é isto, revoltarmo-nos por serem assim e não de outra forma e continuar a acreditar que é possível, que há vários possíveis , várias hipóteses.

Pego no cliché de que o sorriso é o melhor que podes usar e acredito que posso ver-te voltar a sorrir. Porque quando muita coisa parece perdida, a fé e a esperança é tudo o que nos resta e é necessário abraçarmos qualquer coisa para manter a vida a caminhar. A linguagem perde a importância quando sabemos que pouco mais que nada podemos dizer senão coragem, acredita , luta. Vamos cá estar, por ti  mesmo que isso implique apenas e só acreditar. A vida nas suas voltas prega-nos chapadas dolorosas. Há que saber dar-lhes a volta. Pouco mais tenho a dizer, por agora, mas como amanhã não sei se irei cá estar envio-te esta oração para que saibas que penso em ti, torço por ti, espero por ti lá mais à frente, quando como tantas outras vezes, deres a volta por cima deste obstáculo. Acreditemos que é possível dar também, uma nova volta à vida.













terça-feira, 28 de junho de 2016

Sem título



O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...




sexta-feira, 29 de abril de 2016

As tantas diferenças que existem num país de grandes cargas fiscais

Talvez seja a preocupação com o preenchimento do IRS, que me habituei a fazer sozinha há já alguns anos ( e que se simplificou bastante com esta história das facturas on -line - peço desculpa a quem não o ache mas eu, como "funcionária pública", sinto que foi um dos poucos benefícios que me calharam neste novo paradigma) ou talvez seja apenas a forma de ver de quem reside fora das grandes metrópoles deste país. Nesta história da Uber/ Taxistas não posso deixar de estar do lado dos taxistas. Primeiro porque as marchas lentas que farão, irão prejudicar zero a minha vida ( e esta é a forma mais umbilical de ver o problema) e depois porque o muito que vejo escrito sobre estes profissionais, por estes dias, tanto nos blogs, como na imprensa e até na televisão - com grandes directos como se fosse um problema grave deste país -  mais parece um daqueles sketches do taxista que a Maria Rueff fazia aqui há alguns anos. Compreendo que nas grandes cidades haja de tudo um pouco e nesse aspecto, por vezes a concorrência é um forte incentivo à melhoria dos serviços. O que eu não consigo compreender é a concorrência desleal. Passo a explicar: Os taxistas que conheço não são pessoas com mau aspecto nem com viaturas que mais parecem saídas de um filme histórico. O táxi, por aqui, serve para fazer viagens de longa distância ou transportes de pessoas idosas com mercadorias e/ou crianças, substituindo a insuficiente oferta de transportes públicos. São os taxistas que muitas vezes transportam as crianças que vivem nas aldeias mais pequenas que, para virem à escola, são transportadas por estes profissionais, pagos pelas câmaras municipais. Para isso têm que ter ( e pagar) licenças especiais. São eles que tantas vezes transportam as pessoas mais idosas quando vêm às compras, ao hospital, aos serviços públicos, nomeadamente aos correios para receberem a mísera reforma. Enquanto enfermeira num hospital periférico assisti tantas vezes a pessoas com a profissão de taxistas que são as únicas formas de transporte ( cada vez mais difícil de obter) desde os montes mais remotos até ao hospital, ficando horas a fio à espera dos seus clientes, tantas e tantas vezes de taxímetro desligado porque não existe mais ninguém que os transporte. Sabem-lhe as doenças, a história clinica, a história de vida e ainda funcionam como o familiar que não existe. É caro o serviço? é sem dúvida, mas por aqui não existem grandes centrais de táxis, são trabalhadores por conta própria que trabalham tal como eu domingos e feriados pagando do próprio bolso a manutenção da viatura, as licenças, os impostos, e tudo o que por agora se inventa para servir de taxa. Não me admiro que se revoltem, sobretudo porque a concorrência que agora lhes aparece não necessita de licenças especiais, esquiva-se ao pagamento dos impostos e ainda é vista como um serviço moderno e inovador. Nestas condições de concorrência qualquer um é moderno e inovador. Reparem que não estou contra a Uber, que só consegui perceber o que era depois de um taxista me explicar, já que não percebia o porquê de tanta raiva. Depois foi fácil perceber: é quase a mesma coisa que ser funcionária pública, licenciada, ganhar abaixo do preço tabelado para um licenciado do estado, ser mãe solteira com dois filhos a cargo e virem-me dizer que não tenho direito a abono de família, enquanto outros trabalhadores por conta própria declaram o ordenado mínimo, tem receitas muito superiores ao que declaram e ainda conseguem benefícios socias. É a pirâmide da lógica, virada do avesso. É a grande diferença entre o país real e as duas grandes metrópoles do país. É ter que ouvir todos os dias de manhã na rádio o trânsito  na ponte da Arrábida e pensar que na Arrábida o que fazia sentido era uma ponte sobre o rio Sado, que diminuiria em muito a distância daqui até à cidade grande mais próxima e o preço da viagem, desde que a travessia fluvial do Sado se transformou num transporte de luxo, ou então, é só uma forma menos centralizadora de olhar para o país que temos...
 
Concorrência sim, mas com igualdade de circunstâncias e de carga fiscal! Taxistas, estou convosco!
 
 
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Como salvar uma vida

Tinha preparado um post todo lindinho sobre a  festa de Natal da Ludoteca mas depois a vida tem destas coisas e decidi falar sobre uma coisa que me tem afligido nos últimos dias ( e as festas da Ludoteca - ainda bem - não são coisa rara e posso sempre falar sobre elas depois. Sobre isto talvez se perca o timing perfeito da reflexão) . 

Morreu um jovem em S. José. A morte é uma coisa não rara para quem trabalha em meio hospitalar. O que é mais doloroso é a morte que poderia ter sido evitada. É aqui que começa o " jogo perigoso". À partida, muitas mortes podem hoje ser evitadas. Mas só à partida. São tantos os factores que se cruzam neste jogo entre a vida e a morte que toda e qualquer decisão pode ter consequências fatais. Todos nós, que fazemos da saúde dos outros a nossa forma de "ganhar a vida" carregamos esse peso decisório nos ombros, todos. Temos consciência e temos responsabilidade. Temos até várias consequências na nossa vida pessoal, por demasiadas vezes pormos a vida dos outros à frente da nossa vida.  Esta e tantas outras mortes, talvez menos mediatizadas porque não num hospital de grande envergadura e na capital, foram consequência, não tanto de mau profissionalismo, mas sobretudo de uma má gestão dos poucos recursos que dispomos ( como país, sim, habituem-se, apesar do SNS ser um pequeno diamante, é um diamante que se alimenta de um fraco filão). Os profissionais de saúde não são voluntários, embora se disponibilizem tantas vezes a fazer mais horas do que a jornada prevê. Os profissionais de saúde não são desprovidos de sentimentos, temos é demasiadas tragédias em mãos e sabemos de antemão que a nossa capacidade humana é limitada e por muito que queiramos, não fazemos milagres. Morreu um jovem em São José, porque não havia uma equipa de neurocirurgia para operar. 
Imaginem um neurocirurgião. Alguém que estudou muitos anos, que tem que ter uma capacidade técnica, para além da teórica, muitissímo afinada. Afinal, ele corta num local que nos é vital. Sem cérebro, não somos nada, é o nosso disco rígido, o nosso arquivo, é aquele que comanda tudo o resto, cortar um milimetro a mais ou um milimetro a menos pode ser fatal. Agora imaginem a pressão que alguém sente quando sabe que um erro seu custa uma vida. A mão não pode tremer. Isto implica não poder tomar café, provavelmente não fazer umas boas noitadas com amigos... Muitas restrições para poder ter as suas capacidades no auge. Quanto vale a vida pessoal de alguém? ninguém sabe, mas as sucessivas tutelas dizem-nos que valemos pouco, nós os profissionais que abdicamos da nossa vida, pela melhor vida dos outros. Alguns jornalistas ajudam, porque é muito mais fácil, sempre, imputar a culpa em alguém que não está, mas deveria estar num determinado posto, do que tirar as ilações devidas. Deveria estar sim, mas é também um dever de quem sabe que ele lá deveria estar, saber dar-lhe o valor que ele tem por conseguir salvar vidas. De quem é a tal culpa então? 

Quando se exige algo, deve exigir-se a quem de direito. Não se pode exigir a profissionais que andam cansados, desmotivados e tantas vezes mal valorizados que abdiquem da sua vida pessoal, por um ordenado que não paga o investimento pessoal e monetário que fazem na sua formação, para poder saber ainda mais, ou seja, para salvar mais vidas. 

Tenho vários episódios partilháveis, mas este penso que ilustra bem o que aconteceu ao nosso SNS ( o bem mais precioso que a liberdade nos deu). Deve ter sido por alturas do Verão que é das alturas que  nossa população aumenta mais devido à proximidade da praia. Um casal com 2 filhos de férias perto de Odemira. Chegaram-me à triagem pediátrica exaustos e sem paciência. Um sorriso meu ( sempre, é preciso estar muito cansada e garanto-vos, nos últimos anos tenho estado muito) o melhor desbloqueador de "mau feitio" . Conversamos. Finalmente a pergunta: 2 horas sra enfermeira, demorámos 2 horas a chegar aqui. Fomos ao centro de saúde, como nos indicaram na linha da saúde 24 e de lá disseram-nos que teríamos que vir para aqui porque só aqui há pediatra. Foi difícil chegar aqui, tem pouca sinalização e não conhecemos os caminhos. Mas como é que as pessoas deste lugar fazem para ir ao pediatra? Lá lhes expliquei que ter acesso a um pediatra àquela hora só ali, de resto só consultórios privados em dias específicos e horas determinadas. Ironizei, como sempre: as crianças daqui não ficam doentes, ou se ficarem têm que ter dias específicos para isso. Não estamos habituados sra enfermeira, em Lisboa se quisermos temos uma série de hipóteses hospitalares e ainda os privados. 

Pois! 

E o jogo de vida e de morte, como será? 
Digam-me, é isto culpa dos profissionais? Será? Ter que fazer contas à vida dos outros, constantemente, decidir sob pressão quem é que se consegue salvar, é culpa dos profissionais? Coitados dos muitos que têm que carregar às costas, as culpas de não conseguir ser super-herói para fazer mais e melhor. Esta é que é a grande verdade: se os profissionais de saúde não estiverem capacitados para decidir com condições de segurança,  se o valor da sua dedicação não for reconhecido, quem é que vai abdicar da sua própria vida, da sua própria saúde, para salvar a vida de alguém? É que pessoas a morrer num hospital há todos os dias, todos os dias, e quase todos são família de alguém. Enquanto isso alguém decide como gastar o dinheiro, algures sentado num qualquer cadeirão almofadado. E é aqui que a sociedade tem que ser muito mais interventiva, na escolha de quem decide como gastar o dinheiro, e porque decide assim e não nos profissionais, que se "matam", para poder salvar a vida de alguém.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Quando o sexo tem outro valor

Às vezes penso que a nossa visão de sociedade sofreu o enviesamento tal que, de modo geral, "os pensadores" nem se apercebem das barbaridades que dizem ( e aqui se pode incluir cada um de nós, sendo que muitas vezes depois de reflectir sobre o que dizemos poderemos e deveremos chegar à conclusão de que estamos errados). Li este texto e a minha primeira reacção foi querer ler o artigo completo. A conversa da discriminação de género ( para ser politicamente correcta e não incluir a palavra sexo) é tão antiga como o séc.. XX ou mais ainda já que o grande movimento para a igualdade entre os homens e as mulheres começou no séc. XIX .
 
 Em pleno séc. XXI economistas modernos continuam a discutir o problema da produtividade das mulheres. Mas discutem-no de uma forma simplista e a meu ver na única perspectiva que lhes interessa, a do lucro, o que leva a uma visão demasiado simplista da "coisa". Não discordo que uma mãe seja menos produtiva para uma empresa. O que eu discordo é da noção de produtividade.
 
Tenho para mim que a demasiada especialidade numa determinada área diminui a visão global e leva a conclusões demasiado simplistas que depois, na realidade, não são funcionais porque não prevêem outros factores importantes. Eu explico: é sabido, por estudos demográficos que (como é lógico) influenciam o equilíbrio económico dos países, que a "velha Europa" está a ficar isso mesmo, velha. Tem a ver com o aumento da esperança média de vida, com os melhores cuidados de saúde mas também com um outro problema, a baixa taxa de natalidade, ou seja, nascem hoje muito menos bebés do que antes. Isto deve-se para além de outros factores, sobretudo, à inserção das mulheres no mercado de trabalho, onde como se diz no artigo enquanto jovens as mulheres são tão produtivas como qualquer homem. São e gostam de o ser, porque a sensação de realização pessoal é muito importante na vida de qualquer pessoa.  
 
Isso leva a que prolonguem cada vez mais o seu dito "tempo de produtividade em que se sentem iguais" . Ora as sociedades evoluem mas a biologia demora muito mais tempo e pese embora a qualidade  dos cuidados de saúde ter aumentado muito, a verdade é que ser mãe aos 34 ou aos 44 é completamente diferente, traz riscos acrescidos para as crianças e sobretudo para as mães  com o consequente aumento do custo de uma gravidez para a sociedade ( primeiro problema na perspectiva económica).
 
Achei de um mau gosto extremo a afirmação " a baixa produtividade das mulheres com filhos contamina os salários das mulheres que não têm filhos" que me parece levar a que qualquer dia estejam as mulheres sem filhos a lutar pela desqualificação das mulheres com filhos ( ... será que não existe já? pergunta de retórica...) levando a uma competição muito pouco saudável e a médio, longo prazo, desprestigiante para as organizações porque leva no limite a regras de deslealdade e um péssimo trabalho de equipa.
 
Voltando à perspectiva geral, o incentivo à natalidade é, e deve ser, uma politica de futuro para as sociedades europeias com o risco de se não as tomar a própria Europa perder a batalha da competitividade: o futuro são sempre as pessoas.
 
Ora, atacar o motivo da baixa produtividade das mães é um assunto sério. Mas não visto da forma como se vê neste artigo. É que, na realidade, a baixa produtividade das mães com filhos, não existe, é um mito! O que acontece é que uma mãe com filhos tem o dobro das horas de trabalho do que uma mãe sem filhos, e isto é uma realidade não porque as mães tenham " um indisfarçável sentimento de propriedade em relação aos bebés" mas porque a biologia assim o obriga - e aqui volto novamente às justificações económicas para que se perceba melhor : Um bebé , numa situação ideal, deveria ser amamentado a peito ( vulgo mama, que penso ainda não haver evolução suficiente para que sejam os pais a fazê-lo) durante pelo menos um ano. É sabido que isso nem sempre é possível mas seria o ideal, tem menos custos para a saúde e no limite para a sociedade, uma vez que a alimentação a leite materno exclusivo é muito mais saudável permitindo que a mãe transmita ao filho muita da sua resistência imunológica sendo que crianças alimentadas a leite materno têm menos probabilidade de desenvolver problemas como obesidade e outros futuros problemas metabólicos ( uma vacina natural, portanto). Em termos psicológicos a amamentação também é muito importante porque aumenta o vínculo e a segurança do bebé já que a presença e o contacto são muito importantes no desenvolvimento psico-motor da criança ( não que este vínculo não possa ser feito com o pai, o que acontece é que nem todos os pais têm a mesma disponibilidade mental para a percepção desta importância).
 
Sou a favor da igualdade da licença parental em relação à maternal, aliás sou a favor a que os pais possam decidir , em conjunto, qual dos dois deve ficar com a criança e os tempos que cada um deve ficar. O que não posso nunca é ser a favor da diminuição do tempo disponível para as crianças ou até que estas fiquem "abandonadas" porque os pais necessitam de trabalhar para viver. Uma sociedade como a Portuguesa, onde há tão poucos apoios ou suportes, onde as empresas não facilitam a maternidade, onde não se criam estruturas sociais para que os seus trabalhadores possam assumir a sua opção de ter filhos, é uma sociedade injusta, que caminha para a desigualdade e para a instabilidade social.
 
Quando os lucros de uma empresa se sobrepõem ao bem-estar de todos, essa empresa está num futuro talvez próximo, condenada ao insucesso por promoção de comportamentos desleais e desmotivação. É a escravização das pessoas pelo sucesso dos números, é aquilo que temos. O resultado está mais que à vista, basta olhar bem para o presente, para a actualidade da nossa Europa: instabilidade, recessão, insegurança, desmotivação. Os lucros em detrimento das pessoas e a produtividade vista na mera perspectiva laboral.
 
Os cidadãos não participam, porque no limite não têm disponibilidade mental nem viabilidade económica para o fazer, porque não vêm das entidades patronais uma real preocupação com o seu bem-estar e isto já para não falar no problema das mães solteiras, que "daria muito mais pano para mangas"!
 
No fundo, no fundo é Isto

sábado, 28 de novembro de 2015

Porque não são só coisas más

Das coisas que mais me aborrecem nesta coisa de ser enfermeira são os horários ( mas só às vezes, para outras coisas estes horários até dão jeito) e o facto de naquelas épocas especiais ou em dias em que a maioria está de descanso e folga  ( vulgo fins-de- semana) nós estamos a trabalhar. Supostamente teríamos direito a 1 fim-de-semana por mês, mas devido à falta de pessoal crónica que ninguém quer assumir ser verdadeira, ficamos com alguns direitos consagrados guardados nas prateleiras à espera que "ninguém desconfie". Assim, geralmente, o meu fim de semana é recortado entre turnos onde vou ajeitando a minha vida pessoal - já estive muito pior, queixo-me agora de barriga mais cheia, que em questão de horários isto já foi um descalabro total. Tanta conversa só para dizer que vão acontecer muitas coisas giras na minha vila, por estes dias, e eu, infelizmente, não vou poder assistir a muitas. Dia 5 vai haver uma aula solidária de Zumba e outra "daquelas modalidades de letras que eu nem desconfio o que será" ( mas deve ser bom e fazer-me pessimamente às costas e optimamente ao humor) eu não vou poder estar presente por que vou estar a trabalhar. Não sou adepta de Zumba ( só porque tenho a mania que gosto de coisas diferentes da  maioria ) mas tendo em conta que os donativos irão reverter em prol da Missão Coragem Associação, que tem como objectivo ajudar todas as mulheres com cancro de Mama, até ia. Sei que vai ser divertido porque é a minha professora de Kombat que dará o Zumba (  e que já não vejo à umas boas semanas porque os horários não estão a ajudar) . Porque a causa é nobre e porque gosto bastante da equipe de monitores ( são monitores ou professores? ) de ambas as modalidades tenho muita pena de não poder ir. Malditos horários!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dêm-me uma arma e eu exploderei o vosso mundo

Como mudar o mundo em 18 dias ( em que estive ausente deste blog? ) ? explode-se com a vida de inocentes. Esta é, infelizmente, uma forma que se começa a tornar comum de chamar a atenção. Paro para pensar e apercebo-me que há tanta coisa que não está bem, que se calhar, se pensarmos um pouco, explica-se o porquê. Explicações não são justificações. Nada justifica a violência gratuita e a violência , infelizmente, está enraizada no nosso dia a dia. Na forma como respondemos ao próximo ou como o ignoramos, na forma como não dizemos mas o nosso corpo transborda desprezo pela opinião alheia, no menosprezo que damos ao que nos fala, à forma peculiar como adoramos hoje "deitar abaixo" o que não entendemos ou não nos é semelhante. Não são só eles, somos nós. Somos todos assim, hoje em dia, "eles" são apenas um reflexo do mau, do péssimo, do pior processamento possível, da informação que se retira do mundo que nos rodeia. Basta olharem à vossa volta. Ódio gera ódio numa espiral descontrolada. Não nos podemos esquecer, nem sequer fingir que não entendemos, que estamos em guerra, uma nova forma de guerra, mas estamos sobretudo numa altura em que devemos reflectir muita bem nos valores que passamos aos nossos filhos, porque são esses valores que os poderão vir a salvar do tal ódio com que as guerras se iniciam...




domingo, 1 de novembro de 2015

Dos demónios em vida

Parece que foi há uma eternidade que me sentei para escrever qualquer coisita neste meu modo peculiar de organizar as ideias  no entanto só passou uma semana. No último dia esperava poder sentar-me em frente à TV e "desmaiar/ sonhar"  um pouco mas não consegui. Ainda assim, não tendo sido naquele dia, consegui-o por 1 vez nos dias a seguir e aos poucos vou-me reconciliando com os meus hábitos mais antigos dos quais, confesso, tinha muitas saudades. Assim, descobri por estes dias uma série que vou tentar seguir . Tem tudo para fazer as minhas delicias e completar a sua função na perfeição : fazer-me parar da correria que caracterizam os meus dias para que possa sonhar e nesse intervalo ir-me maravilhando com o que a capacidade imaginativa do Homem pode fazer com o nosso mundo.

São importantes para mim os espaços de reflexão, mesmo aqueles que se escondem por trás dos denominados sensos comuns até porque, como se sabe, muitas das vezes a forma como olhamos para uma mesma coisa pode ir evoluindo com as tendências que nos vão mostrando percursos. No fundo a moda é um pouco isso. Por agora preocupamo-nos com um alerta supostamente novo da OMS que nos diz que ingerimos demasiada carne e ainda assim isso não é nada de novo. Somos a geração de portugueses que mais comeu e isso não implica que sejamos a geração que melhor comeu. O senso comum a jogar a nosso favor: Quantidade não significa qualidade! Basta racionalizarmos um pouco as nossas escolhas e o alerta passa de uma provável causa de histeria para uma simples recomendação. Cabe-nos a nós pensar o que queremos oferecer aos nosso filhos, sim! porque a qualidade que escolhemos como "combustível" mesmo que implique algumas "birras" por parte deles, é formativa. Depois vão querer replicar os bons exemplos e só assim, a meu ver, se conseguem alterar comportamentos. O tempo voa, a tecnologia e as inovações avançam a um ritmo alucinante, mas as mentalidades, essas, evoluem quase com a mesma velocidade que a biologia, que leva milhões de anos a aperfeiçoar-se e a realizar a sua selecção natural. No fundo, no fundo são as noções básicas que queremos preservar e comprovar e que se multiplicam por gerações e gerações se nos obrigarmos a reflectir sobre elas.




terça-feira, 27 de outubro de 2015

A vida é bela

Há já algum tempo que não sentia o cansaço como hoje. Medito algumas vezes no que ouvi dizerem-me um outro dia - qualquer coisa como: é no tempo em que podes descansar mais, que te sentes mais cansada, porque podes sentir-te assim. Seja! Também podia dizer que a aposta em abrandar um pouco o ritmo e tentar refriar as constantes mudanças de turno, a que as 40 horas obrigam, e o duplo emprego - um part-time a que as despesas ( ou a crise , se preferirem e não dar aspecto de despesista) - obrigam, me permitiram diminuir a dose de medicação e que isso também tem consequências ( bem me queria parecer que ontem devia ter tomado o comprimidinho milagroso mas , mais uma vez, achei que ia conseguir aguentar) . Ainda assim, e embora não tenha conseguido fazer tudo o que tinha previsto para hoje, já adiantei bastante as tarefas "orgazinacionais" que tinha para completar. Desconfio que já tenho uma máquina de calcular valores aproximados na cabeça, que me permite fazer contas com tabelas de despesas, ganhos , descontos e valores a crédito e a débito a uma velocidade que até a mim me espanta. Já não estava habituada a ter a cabecinha a funcionar tão bem há muito tempo a que se soma a contemplação dos resultados com aquela sensação de dever cumprido. Ah! como é bela a vida. Revisão do carro e da coluna marcadas ou em vias de; pagamentos realizados; nova previsão para o mês com boas perspectivas entre créditos e débitos; a loucura consumista do mês também já perspectivada e daqui para a frente é gestão corrente ( espero eu) . pffff!!!Na verdade olho para trás, para o último ano e penso que talvez tenha corrido melhor do que esperava. Até já consegui, um dia, deitar-me no sofá a ver televisão e imaginem! não me sentir culpada por ter deixado alguma coisa por fazer ( porque não deixei e isso é uma coisa espantosamente nova para mim) . Hoje os planos são experimentar outra vez para ver se consigo...

E por falar em a vida é bela, como tenho saudades de ver um filme assim...


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Eu tenho um sonho!

Ainda pensei em não vir para aqui falar de politica, mas isso nem ia parecer meu. Sempre me considerei democratica e durante muito tempo achei que isso era simplesmente natural. Depois percebi que, infelizmente, neste país, não é assim tanto. Somos todos muito democraticos, desde que todos os outros pensem exactamente como nós. Se assim não for, obrigatoriamente nós estaremos certos e os que pensam diferente, errados - ora isto será muita coisa, mas não democrático, certo? Basta pensar um pouco.
O país escolheu exactamente o hemiciclo como o pensei no tempo que me foi dado para reflectir. Infelizmente as primeiras horas pós eleitorais demonstraram que provavelmente iremos ter mais do mesmo e que como democracia somos ainda como as crianças: ou é como eu quero ou então não brinco contigo! Triste será que para conseguir governar os que ganharam em votos efectivos terem que fazer acordos que permitam à partida  condições para governar. Têm que as ter, caramba, foram eleitos! ( calma, eu explico melhor se conseguir) .
Não devem haver muitas dúvidas de que sou simpatizante da social democracia ( e se as há, podem desfazê-las a partir de agora) no entanto isso nunca me impediu de ver as coisas como penso que devem ser .  Fui durante muito tempo filiada a um sindicato de esquerda ( e não me arrependo) . Se é para defender trabalhadores não há melhor que um sindicato de esquerda, até certa medida, porque se há coisa de que gosto bastante é de pensar com a minha propria cabeça - sou por isso absolutamente contra a disciplina de voto, seja em que medida for.
A mensagem que os portugueses enviaram aos seus politicos foi para mim bastante clara, resta saber se os governantes e politicos, conseguem ser suficientemente capazes ( talvez seja ainda cedo demais e estejamos rodeados, por enquanto, de politicos demasiado imaturos). Meus caros, a mensagem é clara e passo a traduzir em português corrente: nós não queremos voltar a um cenário de iminente bancarrota, nem tão pouco a viver  acima daquilo que nos é possível. Queremos o essencial e não o superfulo, a necessidade em detrimento da vaidade. Façamos então sacrificios para pagar o que devemos, e acertar as nossas contas, mas por favor, ao fazê-lo, não se esqueçam das pessoas, principalmente das mais vulneraveis e das que não conseguem sobreviver sem a ajuda de outros. Pensem em todos e não só nos que "gostam" mais, respeitem as diferenças e as minorias e tornem este local num melhor sitio para viver e sobretudo dêm vocês o exemplo, entendam-se e façam- se entender. No fundo, no fundo, acho que deve ser qualquer coisa como isto. Pelo menos foi assim que o sonhei. A ver vamos, como dizia o cego! 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Don`t panic ( agora já não vale a pena)

Das muitas coisas que gosto, uma das que mais gosto é chegar ao fim de qualquer objectivo ou tarefa com a sensação : eu fui capaz! Nem sempre acontece e nem sempre tem a ver com a motivação externa. É de dentro que me vem a motivação e sobretudo a aprovação. Sou sempre eu. E podem cá vir dizer ah! e tal, que está bom, e lá, lá ,lá. Se eu não vir a coisa assim, nada me fará convencer. Hoje terminada que está mais uma grande etapa que julguei nunca mais vir a fazer ( nunca digas nunca!) sigo direitinha para o vale dos meus lençóis com uma certeza: eu ainda sou capaz de muita coisa!

sábado, 5 de setembro de 2015

Da minha visão do mundo



Afinal sempre consegui ir à feira! Estive um dia de "molho" e no dia a seguir estava pronta para a festa. Na verdade não sou grande adepta de feiras, mas a "minha" é outra coisa. É como uma mostra gigante daquilo que se faz e que se consegue publicitar, reunindo a essência do que é viver neste canto do Alentejo: o turismo, a agricultura o artesanato e a festa, sempre muita festa - música, música, música!!!! Geralmente aproveitava esta altura para me abastecer de tudo o que são marroquinarias a preço de chuva. Digo geralmente, porque desde que os miúdos aprenderam o caminho para as diversões, pouco mais consigo fazer do que caminhar para os carrosséis e para as barracas de comida. O que não é de todo mau! Este ano a grande atracção foi a roda gigante e caramba! como fica bem numa feira uma roda gigante! ( a meu ver devíamos pagar àqueles senhores para virem todos os anos "botar" figura). Prometi a mim mesma que não acabaria a feira sem ir andar, mas como muitas outras promessas que fiz a mim mesma, também esta não a consegui cumprir. Aquilo era mesmo alto! tenho medo de alturas, sempre tive. Enquanto a vontade conseguiu falar mais alto que o medo sempre fui conseguido ultrapassar esse problema. Não sei se é a idade que nos trás mais juízo ou se somos nós que gostamos menos de arriscar, o que sei é que cada vez tenho mais dificuldade em sair da minha zona de conforto ( talvez seja por ter andando tanto tempo desconfortável, que agora tenha menos vontade de me desafiar) . Cheguei a comprar bilhete, a obrigar-me a ir, mas mesmo à boca da entrada cometi o enorme erro de olhar para cima e uma onde de sentimentos e dúvidas tomou conta de mim: e se me sentir mal lá em cima? e se não conseguir manter a calma? e se entrar em pânico ali fechada só com os miúdos sem conseguir sair? Sou eu que tenho a obrigação de manter a calma, de manter o ambiente deles confortável, de ser o pilar onde podem descarregar os seus receios e nunca o contrário. Inverter estes papéis é transmitir-lhes os meus receios e isso só em situações em que consiga explicar todos os porquês, para diminuir o tamanho dos bichos papões. Não estava a ver que lá em cima lhes conseguisse transmitir que estava em pânico essencialmente porque estava a ser irracional e não me conseguia controlar. Acontece muitas vezes, mas limitar essa visão parece-me mais saudável, para eles, que o contrário. Bom , lá tive que ouvir que sou uma medricas, e realmente por vezes até sou, engolir em seco e anunciar o mais convincente que fui capaz: olha não vou, não consigo ir, não sou capaz e ouvir o mais que natural és uma medricas. Pois sou! às vezes até sou e tenho mesmo que viver com isso. Ainda assim ficou cá na cabeça que para o ano tenho que lá ir.



E por falar em limitar a visão...e passando de banalidades a essências: andei que tempo a tentar não ver o menino sem vida na praia, mas não consegui evitar. Assim como não consigo evitar o choque. Gostava que não me entrassem pelos olhos dentro este tipo de imagens. Não porque não queira saber, não porque ache que se deva censurar, mas porque gostaria que não fosse necessário que imagens destas corressem mundo para que se começasse, apenas agora, a pensar que talvez seja melhor fazer alguma coisa. Talvez já tenha passado 6 meses desde de que fiz os meus filhos assistir a uma reportagem sobre "toda aquela gente que paga para se meter em barcos que os levam ao desconhecido e muitas vezes ao naufrágio" ( eu a tentar explicar) para os fazer reflectir sobre como viverão aquelas pessoas para terem coragem para se aventurar assim. Fazê-los perceber que o mundo não se limita às coisas boas que têm e que tantas vezes acham pouco. Refilaram ( que desenhos animados é muito melhor e a meu ver bem mais saudável que telejornais - aconteceu por acaso ligar a televisão naquela altura) mas acabaram por ver, a parte que achei mais interessante e enquanto prestaram atenção. Como se explica, como lhes explico, se me perguntarem ( que não perguntam, pelo menos não ainda que ainda estão em modo férias) porque é que ainda ninguém fez nada se já se sabia que eles vinham aí? Como é que se explica que tantos anos e tantas desgraças depois, a humanidade ainda e sempre, prefere virar a cara para o lado e fingir que não vê? A crise ( a Europa)  tornou-nos melhores e mais solidários? Será? ou fez de nós ainda mais egoístas? Is there anybody out there?   

sábado, 29 de agosto de 2015

Em modo automático

Ainda me estou a tentar entender com tudo isto, apesar de parecer que já me oriento bem com ela. Não consegui ainda compreender os mecanismos que despoletam a crise embora já reconheça os primeiros sintomas de que vai haver desgraça próxima. De cada vez que tenho uma crise descubro um novo pormenor. Na verdade, cada vez a compreendo melhor mas ainda não chega para me sentir controlada, embora pareça que de cada nova crise me demore menos tempo a recuperar. Desta vez percebi que antes de ter uma nova crise passo os dias anteriores sem sonhar. Eu que sonhava muito, passei um longo período (o da depressão) sem sonhar. Quando me recuperei recomecei a sonhar e noites sonhadas significam dias em que me sinto recomposta. Há pelo menos 3 dias que não sonhava. A sensação que tenho é que alguém vai desligando os botões até ficar com o quadro geral totalmente em off. Começo por sentir o cansaço normal que sentia antes. Depois, lentamente deixo de conseguir prestar atenção ao que me dizem, a capacidade de memorizar coisas simples também vai desvanecendo e finalmente fico completamente alienada. Faço o que me mandam fazer sem reflexões ou pensamentos, completamente em modo automático. As crises começam sempre enquanto trabalho. A condução necessária  para chegar a casa faz-se perto do limite de velocidade mínimo, sem ultrapassagens, impedida de distracções, sem grandes conversas se vier acompanhada, que qualquer distracção pode ser a "morte do artista". Completamente em modo automático. Conduzir é um pouco como andar de bicicleta, não nos esquecemos como se faz mas quando entro neste limbo semi-consciente a sensação que tenho é que só os processos automáticos se conseguem realizar. O meu único pensamento foca-se na minha cama, tenho desesperadamente que chegar à minha cama, ao silêncio e ao escuro para poder desligar completamente. Só depois é que vêm as dores e o peso. Parece incrível, mas muitas vezes só quando chego a casa é que me permito sentir a dor e então sim, doí que se farta. Dói tudo, umas vezes num sítio, outras noutro, umas vezes mais ósseo outras mais muscular. Ontem as carrascas foram as pernas. A dor, depois a sensação de peso, essa que defino como se trouxesse o atlas atracado aos meus ombros. Tomo a medicação e nada mais posso fazer do que esperar, esperar que passe. Não consigo ler os meus livros, a televisão imite demasiada luz e ruído, vou passando os olhos pelo facebook e pela internet na esperança de um alivio até adormecer. Não sonho nos dias que doi. Os comprimidos são retard e portanto não tenho garantias que acorde bem. Muitas vezes não acordo bem, outras não consigo dormir e então tomo medicação para dormir: a dormir não tenho dores e antes de ter medicação que fizesse efeito na dor era sempre essa a solução, tentar tudo o que conseguisse para me fazer dormir. Depois da dor vêm as parestesias: a dormência nas mãos ou nos pés. Hoje acordei dormente da cintura para baixo, com dor. Enquanto escrevo estas palavras apercebo-me que já estou a melhorar. A caminho de regresso é feito pela mesma ordem. Senti o cansaço normal, que sentia antes, começo lentamente a conseguir prestar atenção ao que me dizem, a capacidade de memorizar regressa e parece que então sim, desperto. A dor é sempre a última a ir embora. A cabeça começa a querer fazer tudo outra vez mas o corpo não deixa. Tenho que andar bem medicada nos próximos dias para evitar sentir muita dor e não voltar a despoletar o processo de "aparvalhação", que é esse que me custa mais. A necessidade vital de conforto e sossego distancia-me das coisas que gosto de fazer e faz-me perder momentos onde queria muito ter estado presente. Foi um grande passo para mim conseguir dar-lhe um nome. Chama-se fibromialgia e vive comigo há muito mais anos do que eu desejaria ( pelo menos 10, pelo que me lembro). Lutei muito contra ela até que me venceu. Agora luto com ela. Sei que só ficarei melhor no dia que a compreender plenamente, no dia em que souber claramente o que me deixa e não deixa fazer.  No dia em que souber que se fizer isto as consequências vão ser estas e então aí, decidir o que vale ou não a pena sofrer para poder ter. O fim de Agosto, princípios de Setembro é sempre uma altura complicada, difícil de gerir, cheia de incertezas, contas a ser pagas, coisas por fazer e um ano inteiro a decidir. Gerir o que se pode e o que se quer fazer é muito mais complicado do que parece à primeira vista. Horários, tarefas, exercícios que agora são essenciais, escola, exames médicos, desejos e sonhos enchem o saco que terei que carregar, desembrulhar e perceber o que pode ou não ser possível. E no meio de tudo isto saber que ela está à espreita pronta para me jogar ao chão e quando isso acontecer é deixar fluir, sabendo que por um ou dois dias vou andar num limbo a que chamo não vida, nem morte, estou "práqui", a esperar que passe para poder ir à feira conforme tinha programado. 

sábado, 15 de agosto de 2015

Contas

Já passaram 2 semanas após o fim das férias e ainda resisto, uns dias melhores, outros piores é certo, mas ainda de pé. O ritmo diminuiu bastante, ou ainda não recomecei a sério. Tenho saudades dos meus filhos, quando depois de um dia de trabalho chego a casa e não os ouço, mas penso nisso como um campo de férias e obrigo-me a não andar sempre para trás e para a frente ao sabor da saudade. Eles também estão bem e a praia e o tempo livre de verão faz tanto bem à saúde! Sei que eles também sentem a minha falta e talvez não compreendam, mas também sei que é importante não me esgotar no inicio da viagem, que tem que durar um ano, inteiro!

Agora, para aqui estendida, com as pernas a pesarem 20Kg cada uma e a controlar a dor e a respiração, um exercício que reaprendo todos os dias, convenço-me que é só mais esta tarde e a manhã de amanhã será um reencontro com eles e com algum tempo livre. Nestas duas semanas tenho feito muita coisa e escrever não tem sido uma delas. por vezes é necessário parar e refazer, renascer. Sou moça de inúmeros renascimentos internos, entre a luz e a sombra e só assim consigo andar em frente. Sem tempo para reflectir, para reajustar, para estar continuamente a avaliar o que me passa ou não, sinto-me como se fosse uma android, programada para manter uma casa de pé.

Entretanto, se repararam na barra lateral, já li a madame Bovary (que detestei) e vou quase a meio do Baudolino. Abençoado livro, de principio pareceu-me uma seca e agora largo grandes gargalhadas a lê-lo. Não me lembro de quando um livro me fez rir assim, mas a verdade é que neste acontece. Lê-se bem, tem história à mistura e talvez descreva muito do que se fazia e de como se pensava por aqueles tempos. A sorte do destino é uma incógnita que vamos desvendando com muita imaginação à mistura. Vive-se muito do que se vê mas mais de metade (muito mais de metade, para mim) é o que se sente e o que se imagina. Vou seguindo a vida de Baudolino, rindo e reflectindo com o que diz e o que lhe acontece, como o faço com as pessoas de quem gosto. Há personagens que fazem parte da nossa vida quase tanto, ou mais, que muitas pessoas de carne e osso.

É assim que vou mantendo o meu voo, baixinho. Não quero deitar tudo a perder, de novo, no principio. Porque há erros que se pagam caros e caminhos que, por pouco, não têm saída. Sou mulher de saídas de emergência se necessárias e gosto de saber sempre para onde vou, mesmo que vá enganada. A intuição é uma coisa que nos protege de muita coisa mas por vezes também nos faz esbarrar de frente com os nossos maiores receios. E estes nem sempre são fáceis de enfrentar.  Mas destes encontros, garanto, saímos sempre mais fortes.(p[r]onto!)


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Bulling? Oléeeee

Vi ontem no facebook um vídeo de bulling que me atormentou. Vi eu e viu muita gente , com certeza. Acabei por fazer aquilo que toda a gente faz, hoje em dia: uns comentários. O que é facto é que aquilo tem viajado comigo. Não o reproduzo aqui por que acho que há coisas que basta ver uma vez, para ter a certeza que não se quer continuar a repetir a tortura. Invariavelmente as coisas que me incomodam levam-me a pensar o que faria eu se estivesse naquele lugar a ver aquilo. Mais ainda, o que faria eu se me transportasse para aquela idade de novo e vivesse aquela experiência. Bulling sempre houve. Qualquer um de nós tem uma ou várias histórias que nos marcaram por termos sofrido na pele as consequências da maldade ou mesquinhez de um outro ser humano, quer tenha sido acto contínuo ou fruto de um qualquer devaneio momentâneo. Provavelmente já o fizemos a alguém, com ou sem sentido no que estávamos a fazer. A primeira vez que bati em alguém tinha 10 anos. Curiosamente foi num rapaz. Foi mais uma escaramuça, que deu pontapé e batatada para o dois lados. Chorei muito dessa vez, não só por ter sido agredida mas também por ter agredido e ter perdido o controlo ( detesto perder o controlo daquilo que faço) mas chorei também porque pela primeira vez percebi que a consequência dos actos nem sempre é proporcional ao acto em si, e na verdade ele é que estava a dar cambalhotas no ferro eu só lá fui porque também queria dar umas cambalhotas. No final ele levou uma grandessissima tareia dos pais e eu senti que aquilo tinha sido demasiadamente desproporcional e injusto ( ah e tal, não se bate numa menina; Bolas!e se a menina tiver sido uma grande melga? que foi o caso). Duma outra vez enfiei um estalo a preceito num engraçadinho que quis mexer em mais do que lhe tinha calhado em direito. Dessa vez não tive resposta (nem tinha que ter, era o que mais faltava).
Tudo isto foram casos pontuais, espaçados em vários anos e tirei destas experiências as lições que acho que deveria tirar. Tenho outras histórias de violência, que não vêm ao caso e que de certa forma me demonstraram que tenho que ter muito controlo sobre a minha agressividade se não, quando dou por ela já estou a "varrer" tudo. Não são os casos pontuais que me assustam, somos humanos e temos muitas vezes reacções despropositadas àquilo que sentimos como agressão. O que me preocupam são os casos continuados, que se multiplicam e se reproduzem perante a passividade de quem assiste e que servem de triunfo ou troféu como mostra de estatuto ou sabe-se lá o quê. Há alguma coisa que andamos a fazer muito mal. Hoje chateei-me com o meu mais novo porque numa disputa de bola foi um pouco mais agressivo e deixou o coleguinha caído no chão a chorar. Talvez tenha sido despropositada a minha reacção, também, mas exijo-lhes que olhem à volta e se preocupem com o que se passa ao seu redor, que se preocupem com os sentimentos e a dor dos outros, que se preocupem. Podem-me até dizer que é só uma criança ( eu sei) mas é de pequeno que se incutem princípios e por principio eu quero que se preocupem, nem que para isso tenha que ser inflexível. Não é uma questão de culpa é uma questão de saber pedir desculpa. E são os princípios que nos levam aos fins.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Montagens e desmontagens de maus feitios

Fazemos tudo à vez, até o mau feitio.
Nestes tempos em que nos andamos a tentar  ajustar às novas rotinas ( e a que o mocho Abel muito tem ajudado) as horas de sono têm sofrido um pequeno rombo, assim como os hábitos e costumes. A alvorada passou a ser às 6.30 já que às 7.30 temos que estar no mocho Abel (se quero estar a horas no local de trabalho). Todas as previsões de necessidades têm que ser feitas de véspera e estamos a tentar ser mais responsáveis com as " nossas coisas"  tendo em conta que temos idades diferentes, necessidades diferentes e responsabilidades diferentes. Temos sobretudo que deixar de contar com as "bengalas" que os avós nos davam em todas as ocasiões e lembrarmo-nos que apesar de meninos não podemos contar com que tudo nos caia no colo, sem esforço. É difícil? É sim senhor! especialmente se tiver 7 anos e achar que dormir é um desperdício de tempo ou se tiver 11 e achar que todo o esforço que tiver que fazer a mais pode sempre ser responsabilidade dos outros...estamos portanto, de novo, em fase de formação cívica e familiar, que é uma coisa boa e me dá um certo prazer ( até ao ponto em que perco a paciência e saco do bolso a velha máxima: VAMOS A PARAR DE REFILAR e começar a pensar com a cabeça, ok? ). Na primeira noite a falta de sono do pequeno resultou numa birra e refilisse durante o dia de ontem, que se acalmou com a montagem de um bionicle (que esteve anos dentro da caixa à espera de ser montado) e ir para a cama às horas devidas,  no grande a descoberta de que quando estou um dia inteiro fora de casa ( e quando digo um dia inteiro são exactamente 24h ou mais...)  ele vai ter que fazer o "esforço" de pensar nos livros que lhe farão falta durante dois dias e organizar sozinho o enchimento e vazamento de mochilas se não quiser andar com todos os livros para trás e para a frente entre a casa dos avós e do pai ( o que implica ter uma chave de casa e abrir a porta sozinho): coisas muito difíceis portanto... Ah! como é difícil a vida de criança!!! Já vou avisando: amanhã é o meu dia de estar com mau feitio, combinado?

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Coisas lindas

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

domingo, 10 de agosto de 2014

A sul mas a oeste

Gostava de ter ido ao Sudoeste. Não que ainda me fascinem aqueles ambientes de pó e confusão,  mas porque estive lá,  no seu nascimento e nos primeiros anos e sou uma saudosista. Em 18 anos muita coisa muda. Eu sei o que mudou na minha vida e gosto de ver as mudanças que vão ocorrendo,  nas coisas e nas pessoas, enquanto a vida se vai fazendo.  O ser humano fascina-me! E é nos aglomerados de pessoas que se pode observar o melhor e também o pior. Assim também se aprende, mais que não seja aprende-se pela observação aquilo que se quer ou não , para a nossa vida.

A música leva-me a qualquer lado ( já se sabe) e sou capaz dos maiores sacrifícios só para ouvir alguém que goste.

Não fui porque neste momento as minhas prioridades são outras e para atingir o objectivo a que me propus tenho que trabalhar e poupar,muito. Estou a falar da minha nova casa, claro! De me desfazer do peso velho, abrir as portas a uma nova oportunidade e construir os meus sonhos.  O fogão já está no lugar, prontinho a debitar receitas o mais naturais e naturistas possíveis. Neste momento mudei o meu foco para a cama dos meninos.  Reaproveitar é a palavra de ordem. Conseguir fazer o que quero com aquilo que já cá tenho. Agora vai ser vê-la a aprender a pintar madeira. A cama preta vai dar lugar a uma cama branca e azul,  assim eu consiga ,com as minhas mãos, transformar o sonho em realidade ( nunca fui boa em trabalhos de mãos ).  Talvez tire umas fotos do antes, do durante e do depois,  para sempre que me der na cabeça  - que não consigo fazer qualquer coisa - me possa lembrar que com paciência e vontade, tudo se faz, mesmo que para isso seja necessário algum sacrifício.  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Há fumo, mas não há fogão

Nunca na vida pensei que comprar um fogão desse tanta dor de cabeça ( bem, na verdade a dor de cabeça vem do café que ainda não consegui beber hoje, já que este posto de trabalho não tem nem lugar, nem maneira de me fazer chegar café que me acabe com este peso) . Não consigo decidir se é melhor investir num novo ou esperar que a sorte me traga em mãos uma oportunidade em segunda mão ( isso implica esperar, e não tenho muito tempo para...). Independentemente da escolha que fizer, chego à conclusão que quando chegamos ao limite de deixar que um fogão nos dite as possibilidades futuras no imediato, percebo que provavelmente estarei no limiar das coisas bizarras.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

As ironias dos pneus

Diz-se que "ando muito". Se é verdade ou não, não sei, o que sei é que ainda ontem era novo e já vai lançadinho para os 90 mil Km. Abençoado! E ainda só tem as mossas que a "mãe" lhe fez ( a bem dizer, nem sei bem como, mas estão lá a comprovar que a maior parte das vezes conduzo com a cabeça sabe Deus onde... é a tal estória do piloto automático. Às vezes falha) .
Todos os anos leva ( ou devia levar) uns sapatos novos. Este ano furei e fui obrigada a comprar um fora de tempo o que me desconcertou as contas. Nunca mais me lembrei que, lá por ter comprado um, os outros necessitam, na mesma, de ser trocados.
Pfff!! abençoados amigos que têm olhos para ver essas coisas que me escapam.
Pfff!! A vida é irónica. Anda aqui uma mulher a tentar livrar-se dos pneus que tem a mais, e não sabe como se ver livre deles,  para depois lhe virem lembrar, que afinal ainda tem que gastar uns "cobres valentes" nuns pneus novos. É que seja onde for que vá, andando muito ou pouco, gosto bastante de chegar sem mossas...