sábado, 5 de setembro de 2015

Da minha visão do mundo



Afinal sempre consegui ir à feira! Estive um dia de "molho" e no dia a seguir estava pronta para a festa. Na verdade não sou grande adepta de feiras, mas a "minha" é outra coisa. É como uma mostra gigante daquilo que se faz e que se consegue publicitar, reunindo a essência do que é viver neste canto do Alentejo: o turismo, a agricultura o artesanato e a festa, sempre muita festa - música, música, música!!!! Geralmente aproveitava esta altura para me abastecer de tudo o que são marroquinarias a preço de chuva. Digo geralmente, porque desde que os miúdos aprenderam o caminho para as diversões, pouco mais consigo fazer do que caminhar para os carrosséis e para as barracas de comida. O que não é de todo mau! Este ano a grande atracção foi a roda gigante e caramba! como fica bem numa feira uma roda gigante! ( a meu ver devíamos pagar àqueles senhores para virem todos os anos "botar" figura). Prometi a mim mesma que não acabaria a feira sem ir andar, mas como muitas outras promessas que fiz a mim mesma, também esta não a consegui cumprir. Aquilo era mesmo alto! tenho medo de alturas, sempre tive. Enquanto a vontade conseguiu falar mais alto que o medo sempre fui conseguido ultrapassar esse problema. Não sei se é a idade que nos trás mais juízo ou se somos nós que gostamos menos de arriscar, o que sei é que cada vez tenho mais dificuldade em sair da minha zona de conforto ( talvez seja por ter andando tanto tempo desconfortável, que agora tenha menos vontade de me desafiar) . Cheguei a comprar bilhete, a obrigar-me a ir, mas mesmo à boca da entrada cometi o enorme erro de olhar para cima e uma onde de sentimentos e dúvidas tomou conta de mim: e se me sentir mal lá em cima? e se não conseguir manter a calma? e se entrar em pânico ali fechada só com os miúdos sem conseguir sair? Sou eu que tenho a obrigação de manter a calma, de manter o ambiente deles confortável, de ser o pilar onde podem descarregar os seus receios e nunca o contrário. Inverter estes papéis é transmitir-lhes os meus receios e isso só em situações em que consiga explicar todos os porquês, para diminuir o tamanho dos bichos papões. Não estava a ver que lá em cima lhes conseguisse transmitir que estava em pânico essencialmente porque estava a ser irracional e não me conseguia controlar. Acontece muitas vezes, mas limitar essa visão parece-me mais saudável, para eles, que o contrário. Bom , lá tive que ouvir que sou uma medricas, e realmente por vezes até sou, engolir em seco e anunciar o mais convincente que fui capaz: olha não vou, não consigo ir, não sou capaz e ouvir o mais que natural és uma medricas. Pois sou! às vezes até sou e tenho mesmo que viver com isso. Ainda assim ficou cá na cabeça que para o ano tenho que lá ir.



E por falar em limitar a visão...e passando de banalidades a essências: andei que tempo a tentar não ver o menino sem vida na praia, mas não consegui evitar. Assim como não consigo evitar o choque. Gostava que não me entrassem pelos olhos dentro este tipo de imagens. Não porque não queira saber, não porque ache que se deva censurar, mas porque gostaria que não fosse necessário que imagens destas corressem mundo para que se começasse, apenas agora, a pensar que talvez seja melhor fazer alguma coisa. Talvez já tenha passado 6 meses desde de que fiz os meus filhos assistir a uma reportagem sobre "toda aquela gente que paga para se meter em barcos que os levam ao desconhecido e muitas vezes ao naufrágio" ( eu a tentar explicar) para os fazer reflectir sobre como viverão aquelas pessoas para terem coragem para se aventurar assim. Fazê-los perceber que o mundo não se limita às coisas boas que têm e que tantas vezes acham pouco. Refilaram ( que desenhos animados é muito melhor e a meu ver bem mais saudável que telejornais - aconteceu por acaso ligar a televisão naquela altura) mas acabaram por ver, a parte que achei mais interessante e enquanto prestaram atenção. Como se explica, como lhes explico, se me perguntarem ( que não perguntam, pelo menos não ainda que ainda estão em modo férias) porque é que ainda ninguém fez nada se já se sabia que eles vinham aí? Como é que se explica que tantos anos e tantas desgraças depois, a humanidade ainda e sempre, prefere virar a cara para o lado e fingir que não vê? A crise ( a Europa)  tornou-nos melhores e mais solidários? Será? ou fez de nós ainda mais egoístas? Is there anybody out there?