sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Confiança!



O céu esta manhã apresentava-se com umas excelentes combinações de roxo. Mas que raio de cor para se definir um céu da manhã??!! Eu explico. Gosto das combinações da cor vermelha com o azul ( aliás gosto de combinações de cores, especialmente se estas estiverem muito próximas das cores primárias) e o azul do céu ou das nuvens, quando o sol nasce ou se põe, adquire aquela tonalidade forte que o sol tem a essa hora, misturando primeiro os tons mais fortes, que vão aclarando até que o astro rei se levante, e vá ficando cada vez mais claro e luminoso. Essa mistura inicia-se num roxo que vai passando a rosa depois a alaranjado e finalmente com as cores que definimos como as "normais". É por isso que o nascer e o por do sol são para mim as mais bonitas horas do dia e é por isso que, embora me custe a abandonar o ninho, fazê-lo a tempo e horas acaba por ser uma óptima forma de começar o dia: porque tenho tempo e disponibilidade para me encantar com estas pequenas coisas que tornam o meu dia mais bonito logo de inicio.

Gosto de chegar com tempo, embora nem sempre me seja fácil, gosto de preparar as possibilidades, gosto de saber ao que vou antes de começar. Deve ser por isso que as minhas malas, carteiras ou o que lhes quiserem chamar andam sempre a abarrotar de coisas que aparentemente não servem para coisa nenhuma. Mas são essas "coisas" que me dão a segurança de ter o que preciso numa situação de "aperto". É por isso que agora, ao ultimar as mudanças, me deparo com uma "colecção" de objectos enorme e que vou ter que , de alguma forma, seleccionar, arrumar, algumas dispensar e outras reutilizar. Mas é bom reencontrar-me com muita coisa que não encontrava à tanto tempo. Transmite-me a noção de reconhecimento, de segurança e sobretudo de pertença. Tal como é bom, de manhã, reencontrar num céu as cores que tanto gosto. Porque mesmo repetindo todas as manhãs o mesmo caminho, vendo todas as manhãs o nascer do sol, não há vez nenhuma que não lhe encontre um pormenor diferente, uma nova tonalidade aqui e ali, uma nova forma de olhar para o que me é familiar, mas ao mesmo sempre novo e tão querido com a confiança que o dia também me sorrirá!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dias cinzentos

Os dias cinzentos são sempre os piores e raramente têm muito que ver com os sol. São os dias em que se descobre que os sonhos ficaram todos para trás, que não se faz nada do que se esperava fazer por esta altura e que por muita volta que se dê ao pensamento não se encontra grandes saídas ( viáveis) para se transformar a forma como se ficou. O trabalho não nos leva a lado nenhum e é feito com esforço de escravatura, o tempo não chega para se estar com os filhos como se devia, já para não falar das contas constantes que se fazem para arranjar e rearranjar orçamentos. É nesta altura que me questiono qual foi a curva que fiz para a direcção errada. Por mais voltas que dê ao pensamento não consigo identificar uma ( foram tantas) que acabo por me certificar que é tempo perdido estar constantemente a voltar para trás.
 Até aqui, tudo bem.
Conforma-se e enforma-se e no fundo nem é isso que me preocupa. O que me preocupa é a falta de perspectivas, a falta de oportunidades, a falta de alternativas. Às vezes sinto que a minha vida é como a politica em Portugal: por mais que se queiram arranjar alternativas e soluções há-de vir sempre alguém ou alguma coisa estragar tudo.  Poderão dizer-me que a vida é mesmo assim , que nunca se tem aquilo que se quer, que é difícil...pois, obrigada pela informação, isso eu já sei! A alternativa pelos vistos é habituarmo-nos. Habituamo-nos a trabalhar 240 horas por mês. Habituamo-nos a despender apenas 30 minutos a uma hora por dia aos filhos, habituamo-nos com a ideia de que há muita coisa que nunca iremos ver nem ouvir. E eu habituei-me! Habituei-me que há alguns sonhos que se podem transformar nos piores pesadelos, quando te exigem sucesso.
 Estes são os meus dias cinzentos, depois tenho outros. Nos outros dias, agradeço por poder trabalhar as 240 horas que me permitem ir vivendo e levando os meus filhos onde querem, fazer-lhes alguns "mimos" que todos gostamos de fazer, mantê-los vestidos e calçados e aparentemente saudáveis e felizes. Nos outros dias, agradeço por ter resistido e aguentado 5 anos de uma depressão difícil, de ter aguentado as constantes pressões internas para não resistir ao sofrimento ( sim, uma depressão é, muito mais que se imagina, uma forma de sofrimento) de me ter transformado numa pedra, que não permite que os dias cinzentos que ainda batem à porta, tenham a mesma força e a mesma influência que já chegaram a ter. Nos dias cinzentos, lembro-me que vai passar, que tudo passa, que não preciso mostrar a ninguém que sou feliz, nem preciso ser melhor ou pior. Só preciso ser eu, e aguentar, porque no dia a seguir, se bem calhar, já verei as coisas diferentes, sem ambições, sem grandes sonhos, sem objectivos. Só com a vontade de viver." Esperar o melhor mas estar sempre preparada para o pior". Aprendi que só isto já me basta, como qualquer outro objectivo...



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Papoilas saltitantes

Tivemos um fim de semana em grande. O desporto dá saúde e é de pequenino que os bons hábitos devem ser enraizados.
Assim, sempre me preocupei  que os meninos praticassem uma qualquer modalidade, em que se sentissem bem.
Com a chegada do novo ano escolar , regressam também as práticas desportivas e dividir-me entre duas modalidades e dois horários de jogos não é tarefa fácil. Com um jeitinho daqui e dali e alguma ajuda da família e dos amigos lá se vai conseguindo.
No sábado foi dia dos primeiros jogos da época, com direito a duas excelentes derrotas que são essenciais para a boa aprendizagem do desporto e sobretudo para a aprendizagem a lidar com a frustração. Costumo dizer que quem não sabe perder, dificilmente saberá ganhar ( posso estar errada, mas até agora não descobri nenhum motivo para mudar o meu pensamento).
No Domingo foi dia de cumprir uma promessa: fui com o Afonso à nossa primeira visita ao estádio da Luz. Para quem nasceu benfiquista e descobriu mais tarde que afinal haviam outras cores com que me identificava mais, ir ao estádio da Luz era também um sonho de criança por cumprir e por isso fomos na realidade duas as crianças a realizar o sonho : eu e ele. Na verdade já conheço alguns grandes estádios. Já fui a Alvalade ( claro!) e também já fui ao Dragão. Ironicamente ao estádio da Luz nunca tinha ido.
Cumpre-se o sonho e lá estamos nós. Absorvo-lhe a admiração como se fosse a minha e o olhar de espanto enche-me o peito de gratidão por ter tomado a decisão de o levar ( culpa da madrinha Sofia, que está sempre atenta a estas oportunidades de realizar os sonhos dos miúdos) . É um estádio grande, que dá a sensação de espaço aberto, de imensidão, de ser abraçado pela tal família benfiquista que nos acolhe e nos convida a festejar com ela. Uma casa que dá a sensação de pertença e sem dar por isso, no calor da euforia do efeito, já gritava golo em plenos pulmões, na espectativa de que o miúdo nunca mais se esqueça daqueles momentos em que saltava no ar, feliz, com a sensação de pertencer a um grupo, a um movimento, a algo com que se identifica.
Foi um bom jogo, que lhe permitiu, na primeira parte, mirar tudo quanto o rodeava e na segunda, gritar a plenos pulmões a sua alegria. Saí satisfeita e com vontade de voltar. Um bom programa de Domingo! Fica-me na vontade o objectivo de os levar aos dois, na tentativa de que aprendam a respeitar as decisões um do outro, alternando entre as visitas a Alvalade e a Luz. Porque é possível gostar da festa, do espectáculo e partilha-lo em conjunto, cedendo aqui e acolá às preferências e cada um. Ontem, fomos apenas mais duas papoilas saltitantes!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Organizar as ideias...

Setembro é sempre um mês "desgraçado". Desgraçado porque a juntar aos turnos que normalmente faço para sustentar a minha vida, acresce a turbulência (boa) do novo ano escolar e dos opções a tomar, que influenciarão a vida dos meus pelo próximo ano. Este ano a juntar a esta festa que não é de vindima, mas que podia ser ( porque até ao lavar dos cestos, tudo conta) tenho ainda a "simples" tarefa de me "livrar" do último restolho da vida antiga e transformá-lo em vida nova, ou seja, estou finalmente de mudanças para a casa que verá o meu futuro...

Com tanta coisa para gerir e organizar, tanta tralha que não sei onde se gerou ( poderia jurar que a tralha aparece por geração espontânea) por mais que tente é-me quase impossível não ter os cabelos praticamente todos em pé, por estes dias... na verdade tem-me valido o espaço, que já vou conseguindo novamente dar, a coisas de que gosto mesmo muito. Dêem-me concertos, museus, espectáculos e actividades que mantenham viva a minha necessidade de conhecimento e eu serei feliz! 

Já conhecia a Byfurcação não sei bem de onde ( provavelmente do facebook ou de algum comentário de alguma amiga) e já tinha prometido a mim mesma que não me escapariam estes espectáculos. A ideia de peças de teatro em espaços históricos e culturais ( que temos tantos e tão bonitos e às vezes mal aproveitados) é daquelas que eu poderia dizer " esta ideia podia ter sido minha", mas não foi e ainda bem porque se fosse provavelmente não passava de uma ideia! Pois foram os vouchers do SAPO que me deram essa oportunidade e eu não desperdicei! Duas semanas seguidas, dois espectáculos pela Byfurcação: A volta ao mundo em 80 dias - para os miúdos - e Pedro e Inês - para mim.

Confesso que estava com um pouco de medo da peça dos miúdos: Já que o meu Afonso não é rapaz de estar quieto muito tempo, sem uma sala propriamente dita, o medo de que fugisse " atrás de uma borboleta" em vez de assistir à peça era muito. Mas até nisso o espectáculo está bem montado ( encenado que se diz??!!) e eles andam às voltas, nunca quietos, num jardim, atrás dos actores que captam muito sábia e facilmente o interesse do público. Adoraram, todos, e eu também. Melhor ainda foi ter ficado com mais um livro para ler nas noites de Inverno e com muita coisa nova para visitar, já que estar no espaço do Museu Nacional de História Natural e Ciência ( a casa do "tio Rex") nos aguçou a curiosidade!

Mas bom, mesmo muito, muito bom, foi assistir ao Pedro e Inês, na Quinta da Regaleira. Os jardins, a iluminação do espectáculo, o espectáculo em si, o ambiente que se cria, com os cenários improvisados e naturais e claro! a história da "nossa" Inês de Castro, a rainha de Portugal, coroada depois de morta!

Talvez ser uma apaixonada pelas histórias por trás da história me tenha ajudado a conhecer melhor esta "lenda" e talvez a minha paixão por terras de Coimbra também tenha ajudado, não sei... Mas uma vez que me pediram, aqui vai um resumo do que supostamente aconteceu a este casal de namorados em 1300 e troca o passo...:

D. Pedro, filho de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, como todos os futuros reis, casar-se -ia com a filha de nobre de sangue real que mais favorecesse o Reino de Portugal. Casou-se primeiro com Branca de Castela, que viria a repudiar por incapacidade física e mental. Depois seria escolhida D. Constança, também de Castela e com ela, no séquito das aias apresentou-se D. Inês de Castro. Como o coração não conhece razões de estado, Pedro e Inês apaixonaram-se e nem as  manobras da princesa D. Constança, nem os filhos D. Luís que viria a falecer uma semana depois do parto e D. Fernando, nem tão pouco as preocupações de D. Afonso IV em relação a esta paixão os conseguiram separar.

 D. Afonso manda exiliar D. Inês para Trás-os-Montes mas  "não separou os apaixonados que comunicavam entre si por cartas levadas e trazidas secretamente. Quem fazia o serviço de correio,  eram os almocreves que transportavam mercadorias de cidade para cidade, atravessando coutos e concelhos, segundo ordem dos burgueses seus patrões. Os almocreves levavam consigo as cartas de D. Pedro para Inês. Foi assim que o amor de Pedro e Inês, longe de perturbar-se ou amortecer, se tornou mais sólido e capaz de superar quaisquer obstáculos e adversidades. "

D. Pedro acabou por conseguir trazer D. Inês para Coimbra e viveram felizes em Santa Clara, depois da morte de parto de D. Constança. Tiveram 4 filhos, Pedro e Inês,   e D. Afonso IV, com receio de possíveis guerras de sucessão entre seus netos e de influências futuras de Castela no reino, aproveitando uma caçada de D. Pedro, que o fez ausentar-se de Coimbra, cede às pressões dos conselheiros e manda matar Inês, em 1355, decapitando-a.

D. Pedro cega de raiva e com o apoio das gentes do norte inicia uma guerra civil a que  põe termo logo de inicio por intervenção de D. Beatriz, sua mãe. Mas não esquece e depois da morte de D. Afonso IV, é coroado rei (em 1357) e  dá caça aos assassinos da sua Inês, mantando-os em público e organizando um banquete em honra da matança.

D. Inês foi transladada para  o mosteiro de Alcobaça, depois, para  um dos dois túmulos que D. Pedro mandara construir ( um para si outro para Inês) . Diz-se que o cortejo foi enorme, sempre com o povo a chorar e a aclamar a rainha e que ao chegar a Alcobaça , Pedro que supostamente teria casado com ela em 1354, declarou-a rainha, obrigando os nobres à cerimónia do beija mão ( blheccc)...

Reza a história que Pedro foi um bom rei, justo, que gostava de dar de comer a quem tinha fome. Fernão Lopes define D. Pedro como um rei " justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. A sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer». "

Curioso e irónico, no meio de tudo isto é que D. Fernando, o neto que D. Afonso IV queria proteger, ter querido ser herdeiro do trono de Castela o que nos custou guerras e quase a perda de independência. D. Fernando foi o ultimo da sua dinastia, mas a que se seguiu, a Dinastia de Avis, levou ainda o cunho de D. Pedro, sendo que D. João I era o único filho que restou, ilegítimo, sem ser do sangue de D. Inês, filho de uma tal Teresa Lourenço, da qual pouco ou nada se sabe ... giro, não??!!!



sábado, 6 de setembro de 2014

Hoje "esbardalhei-me" .  Num olhar superficial e técnico entendi de imediato que não era coisa de monta, sem necessidade de grandes cuidados ou desinfecção.  Uma vulgar escoriação que não merecia mais do que uma limpeza e o mar estava ali tão perto. Levantei-me num ápice,  com o olhar focado no ângulo que estava a ver e que queria captar com a minha máquina, não sem antes comunicar num inglês "macarronico" com uns franceses que passavam, assistiram à cena e se preocuparam, aconselhando-me a fazer o resto da descida a pique sem as sandálias que me levaram ao chão.  Tirei a fotografia,  descansei a preocupação dos meninos e lembrei-me : há mais ou menos 2 semanas o Rodrigo fez uma ferida praticamente igual e o tratamento foi exactamente o mesmo, esperar que sare. Tecnicamente correcto mas desprovido de um sentir para a dor, que essa é diferente em cada um de nós e não se vê,  é necessário aprender a desvendá-la. Nada como a experiência traumática para nos lembrar como dói o quê... ainda assim, quando é para aprender a dor é bom que seja a fazer algo que se gosta, tendo alguém nosso a quem dar a mão ou tal como eu, com uma paisagem magnífica. 

Percorremos o litoral alentejano, hoje, desde a sua ponta mais Algarvia, em Odeceixe, até Troia, sempre com o sentido em grandes amizades que nos esperavam, quer num lado, quer no outro. Gosto de percorrer caminhos que nos devolvam origens, reconhecimentos mas também novidades ou o naturalmente desconhecido. As estradas estão melhores, talvez apenas as melhoras possíveis,  mas é bom reconhecer as cores e os cheiros do Alentejo em  paisagens que ainda desconhecia.

Foi um dia bom, cansativo,mas bom, que deu para matar as saudades e mostrar aos miúdos este nosso Alentejano,  para que lhes fique marcado, tal como ficou a mim para que lhe possam replicar as  maravilhas quando partirem para formar o seu próprio mundo no lugar que escolherem para ser o seu.

Por enquanto apenas lhes diz "passeio" mas são as sementes que lhes plantamos que vão dar origem, no futuro, a um significado para a vida.

A mim também me marcou, este passeio, como marca sempre a natureza, mais que não fosse pelas fotos dentro da máquina e pelo joelho, a querer fazer lembrar uma menina de 5 anos...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Na mão certa




Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.

Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.