terça-feira, 31 de maio de 2016

É a vida !

Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.

Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.

Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.

Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto...

Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .

Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.

A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.

Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um.  É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.

Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook,  reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou "deles"? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.

E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

The sound of silence

Hoje é isto

Ouvi-os, pela primeira vez na rádio comercial e foi amor à primeira nota. Já gostava da versão original mas esta é toda ela, eu. A voz deste homem entra-me directamente no coração e lembra-me o que fui, que fez de mim o que sou hoje. Como os meus gostos podem passar de um extremo ao outro num abrir e fechar de olhos e isso não significar inconstância mas sim mente aberta a tudo o que é novo ou diferente.

Nunca julguei ninguém pelas aparências e não me assusto facilmente com o aspecto físico. Detesto rótulos ou grupos estereotipados e navego bem em qualquer onda. Gosto de descobrir pontos comuns e sobretudo gosto de saber o que é que, e como pensam as pessoas para me conseguir colocar no lugar delas. Dou por mim sem querer a catalogar grupos não pelo aspecto mas pela forma como pensam o que no limite poderá ser também uma forma de estereotipar 

De todas as vezes que me cruzei com personagens só me lembro de me ter assustado uma vez: festival sudoeste, um dos primeiros ( só fui aos 3 primeiros mas acho que foi mesmo o primeiro) . Concerto dos blur, que ainda hoje adoro, mas uma noite demasiado pesada. A meio do concerto tudo turvo. Nestas alturas lembrava-me sempre dos conselhos da minha avó e das atitudes do meu pai em situações idênticas ( se não sabes o que fazer a seguir, finge que vais c....r e vai-te embora) quando se dá pela falta dele já ele lá não está. Disse a 2 pessoas para que soubessem onde estava e desapareci. Deitada fora da tenda, a olhar as estrelas, a tentar ouvir o concerto, à espera que o globo terrestre diminuísse as voltas que tinha decidido dar sobre si mesmo nessa noite, comecei a ouvir passos. Era enorme ou pelo menos assim me pareceu. Tatuagens e piercings eram mais do que estrelas no céu. Tive medo, pela primeira e senão a última não me lembro de outro susto assim. Sozinha, se gritasse ninguém me ouviria naquele lugar e com o som do palco. Enfrentei. Deixei-me estar, como se nada fosse. Aproximou-se e a voz desconstruiu por completo a figura: boa noite. Apontou o garrafão de água à porta da tenda e perguntou, dás -me água? Dou, mas tens que beber num copo que aí ninguém mete o gargalo. Riu-se, dei-lhe o copo e a água, repetiu, agradeceu e foi-se embora. Não voltei a ver a figura no dias restantes mas serviu-me de ensinamento. Por muito que seja corajosa há procedimentos de segurança que nunca se devem ignorar, um deles é nunca ficar sozinha num descampado onde ninguém te possa ajudar em caso de necessidade ( isto foi no tempo em que não haviam telemóveis, bem entendido) . Também serviu para a certeza de que o aspecto vale zero na consideração a qualquer pessoa.

Fora das histórias, esta voz mexe comigo, especialmente na parte final da música que demonstra a potência e claridez que também pode ter uma voz forte. Isso e o arranjo. Extraordinário!

sábado, 28 de maio de 2016

Da vontade ( que não tenho tantas vezes) de cozinhar

A moda do brunch é uma moda de que gosto bastante. Embora nunca tenha tomado ( é assim que se diz?) um brunch nesses lugares da moda ( só se fosse doida é que me "desabalava" daqui até Lisboa para tomar um brunch - que seria ou uma barrigada de fome ou quanto muito um jantar) o que é facto é que o brunch serve para mim por dois motivos: primeiro porque me faz lembrar os lanches ajantarados que por aqui se fazem e que são óptimos na casa dos meus pais e em segundo porque em dias que saio de vela ( ou seja em que saio depois de fazer uma noite) apesar de tomar o pequeno almoço antes de me deitar, é certo que não vou acordar para almoçar e quando acordo apetece-me tudo menos fazer almoço de faca e garfo.

A alimentação saudável sempre foi uma preocupação na nossa casa. A minha mãe para além de ser professora primária e passar esses ensinamentos aos alunos ( onde eu ainda me incluí, antes da lei que proíbe que isso aconteça) também os aplicava em casa. Lembro-me das inúmeras tentativas falhadas para me fazer comer espinafres, de que não gostava de maneira nenhuma e que hoje são um dos meus vegetais favoritos ( engraçado como evoluem os nossos gostos).

Também durante o curso a disciplina de nutrição foi uma das que mais gostei e a que me fez perder menos aulas ( porque o que gostei mesmo desse tempo foram as "cadeiras" nocturnas em que fui aprovada sempre com distinção, eheheheh).

O meu professor, nutricionista à altura, no hospital pediátrico de Coimbra passou-nos - pelo menos a mim - para além das noções básicas, a importância da alimentação no aumento da qualidade de vida em muitas patologias sobretudo as metabólicas.

A obesidade é a epidemia do século e a obesidade infantil é um problema que se não for diagnosticado e tratado a tempo pode ser um grave problema no nosso futuro. Para além da má alimentação que se faz hoje, principalmente devido à quantidade de alimentos processados que incluímos na nossa alimentação e ao aumento da qualidade de vida que nos fez consumir muito mais do que necessitamos,  o sedentarismo, a falta de prática desportiva, a falta de brincadeiras e corridas na rua também contribuem para o aumento da obesidade.

Os lanches ajantarados na casa dos meus pais incluem ainda hoje - ainda bem - sobretudo marisco ou grelhados de coentrada ou aproveitamento daquilo a que chamamos os restos de outras refeições ( assim de repente lembro-me das sardinhas de tomatada que são a minha perdição) mas algumas noções antigas e erradas levam a que por vezes se cometam alguns erros, nomeadamente na quantidades de batata consumida e na quantidade de carne gorda e vermelha consumida por semana. Já eu prefiro as aves exceptuando a caça ( apesar de ter um pai caçador, não sou grande fã de carne de caça)

Por aqui, hoje, deu-me para as panquecas. Depois de uma procura na internet encontrei esta receita do blog my casual brunch de que fiquei fã e já sou seguidora. Como é lógico tive que mudar tudo ( é uma coisa que "se me" está entranhada na raiz, o que é querem? ) e o nome não pode servir para as minhas panquecas, mas segui as proporções: como não tinha farinha de gérmen de trigo usei a que mais gosto, ou seja, farinha de milho e cá em casa não se usa leite magro, que me sabe a água, mas leite meio-gordo. A acompanhar as panquecas foi necessário aproveitar o que por aqui há em casa. Até porque prefiro o produto nacional às " modernices importadas". Nada contra as importações mas porque é que hei-de usar queijo quark se posso usar queijo limiano, que até já existe com menos gordura? Ou queijo fresco de que gosto tanto? Não faz o mesmo efeito cremoso? Logo descubro algo nacional que o faça. Adiante: Queijo, doce de morango e amoras produzidas mesmo aqui ao pé . Ficaram uma delícia e até o pequeno esquisito da casa aprovou. Acho que vou repetir a receita mais vezes.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Da importância da gentileza

Há muitos anos disseram-me que era parecida com esta sra. Hoje ouvi na rádio uma música ( não foi esta) que pensei que fosse dela e vim procurá - la. Encontrei esta melodia ( com esta letra que me diz tanto) e lembrei-me deste espectáculo que tive a sorte e a felicidade de ir ver, só, ao coliseu. Um espectáculo fortíssimo e inesquecível. Só lá, consegui entender a parecença. Concordei. Para não variar chorei em algumas partes do espectáculo, o impacto da voz e das letras com a melodia é, tantas vezes, tão emocionante para mim que não consigo controlar o que sinto. Tenho saudades desses tempos em que podia ir assistir aos espectáculos que mais gostava ou que me suscitavam interesse, quer fosse sozinha ou com companhia. Mas o mundo gira a vida é um circo e o passado não regressa, só o presente se pode moldar ao nosso jeito. Tenho hoje outras coisas, que substituem essas, nomeadamente a possibilidade de não precisar de ir sozinha assistir a qualquer coisa, mesmo que sejam na sua maioria eventos desportivos. Talvez com o tempo regressem os espectáculos, por agora ainda não são susceptíveis de criar interesse na pequena mancha masculina cá da casa e há artistas que me recuso a ouvir. 
Gentilezas são hoje as grandes diferenças que nos separam e o amor é a única forma de as passarmos aos que nos são queridos, mesmo que por vezes seja muito difícil. O silêncio é um bom contentor de desespero e frustração e a forma mais gentil de mostrar o desagrado. A boa música a melhor forma de tratamento para as coisas do coração. É difícil, sobretudo para mim que tenho esta forma explosiva/reactiva, que nem sempre consigo controlar. Mas tento, todos os dias tento melhorar. Porque contínuo a acreditar no amor, apesar de tudo.

Das superiores valências da família

Acordo às 17.30 a pensar que é bem mais cedo e na lenta preguiça de quem tem o relógio interno avariado deixo-me estar a alongar ( que é uma forma bonita de dizer que pareço um gato a espreguiçar - me). Olho finalmente ao relógio e descubro que estou novamente atrasada. Felizmente o pai António tem aquelas premonições fantásticas e telefona na altura certa: Quem vai buscar o menino? Podes ir tu pai? Acordei agora.

Quanto não vale um avô? Não posso dizer, que não conheci nenhum mas sei exactamente o valor de uma avó e este avô é para os meus filhos tanto ou mais do que foi para nós, as filhas. É o meu verdadeiro braço direito desde sempre.
Apesar das horas tardias incrivelmente estes dias têm tendência a render-me em trabalho, quando descanso, e foi o que se passou. Pus a carne a marinar mais cedo, em vinho tinto, limão, alho, coentros e louro, com um toque de pimenta e sal, que não tenho jeito para coisas demasiado elaboradas e fui tentar terminar o jardim. Afinal os 150 kg de pedra não chegam e vou precisar de mais. A mesa aguarda agora que a lixe e a pinte que o verão passado e a cera das velas pela noite dentro deixou marcas que têm que ser tratadas. Falta o sombreiro: o do ano passado ficou feito em fanicos nas primeiras chuvas de Outono. Falta a horta.

Pelas minhas previsões lá para o fim do Verão sou capaz de ter a esplanada pronta, eheh. O pobre do anão também está a precisar de nova pintura e assim me vou entretendo entre lavar e estender roupa. Para não variar os planos do jantar saem furados. O que era suposto virem a ser costeletas panadas torna-se numa nova invenção minha já que os ovos caseiros estavam estragados ( confio cegamente nos truques antigos e ovos que bóiam são para jogar para o lixo) . Farinha de milho, envolve-se bem e tudo para o azeite. Um puré de batata e o comum, um adorou o outro detestou: o normal! Como somos a trupe da sopa, está sempre a refeição salva em caso de desgosto. Depois disto tudo passar roupa a ferro que o mais velho vai de fim de semana grande com o pai para Lisboa. A esta hora olho para as fotos do quintal e penso que não ficou mal de todo e no que posso melhorar.

A Marilyn repousa ao meu lado ( estou a adorar o livro - curioso como os nascidos nos mesmos lugares têm memórias que poderiam chamar-se comuns: é quase como se estivesse a ouvir a minha avó a contar uma qualquer estória das do tempo dela e isso dá -me um conforto que não consigo explicar e leva-me a querer saber mais da estória que se conta, bem contada, no livro) mas não sei se a meia benzodiazepina me vai deixar ler a seguir. É que, infelizmente, embora esteja cansada, o corpo provavelmente vai querer ir trabalhar outra vez esta noite, apesar de amanhã ser realmente feriado para mim. Rotinas são óptimas e a falta delas arrasa-nos com o tempo livre. Boa noite!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Coisas que me apetecem dizer

Chegada a casa depois de mais uma noite, gosto de, antes de descansar ( ritual imprescindível - já lá vai o tempo em que depois das noites conseguia fazer um dia normal - aliás não sei se alguma vez vivi esse tempo, eheheh) ler as notícias do dia. Quase como se ao pequeno almoço lesse os jornais diários como antigamente se fazia, só que agora leio as notícias na internet. Um dos meus blogs favoritos para este efeito é o delito de opinião . Gosto particularmente dos diferentes pontos de vista que cada um tem ao abordar um mesmo assunto e sobretudo da forma democrática como permitem uns aos outros os seus ideais. Um exemplo de democracia, portanto.

Há já algum tempo que esta história do patrocínio estatal a algumas instituições de ensino privadas me anda a causar comichões . Sendo que, para falar do assunto  necessito fazer uma auto-avaliação, que me permite falar sobre o assunto com alguma propriedade. O meu filho mais velho frequenta o ensino estatal. Aliás frequentam os dois porque por aqui não existe oferta privada e se a houvesse provavelmente não teria hipótese sequer de poder pensar em ser uma hipótese para nós. No entanto o mais velho frequenta aquilo que se chama o ensino integrado onde com o apoio do estado uma escola particular de música ensina a várias turmas, as que o escolheram, o nível básico do ensino de música integrado no ensino regular. O meu filho tem uma carga horária superior em relação às turmas do ensino regular e a escola de artes de Sines presta um serviço público diferenciado patrocinado pelo estado. Nada a ver com o estado patrocinar aquilo que consegue oferecer.

Sou absolutamente a favor do descrito no artigo que selecionei no link. Indigna-me que ainda exista quem pense que é pensamento de esquerda saber definir muito bem as obrigações do estado. A educação, a justiça, a saúde e a segurança social são obrigações do estado. Senão para que serviria essa instituição anónima a que chamamos estado e que tem como função proteger os que necessitam com o apoio de todos nós, para além de ser responsável por gerir o dinheiro que lhe confiamos, para que torne a nossa vida mais fácil e mais segura. De outra forma não tem sentido a noção de estado. Tal como não tem sentido o patrocínio de instituições que oferecem serviços que não estão disponíveis para todos com o dinheiro de todos.

A escolha entre o público e o privado é uma decisão dos pais e só devem ser patrocinadas as instituições que se substituem ao estado quando este não pode suprir as necessidades. Tudo o mais é desperdício que poderia ser utilizado para melhorar as condições das escolas públicas, a qualidade do ensino e a equidade da oferta. 

O que me leva à triste conclusão que tirei há alguns anos a esta parte. A maior parte das Jotas estão infestadas de "jovens" privilegiados, que não fazem ideia de como é o país real, de quanto custa a uma família de classe média ou baixa educar os seus filhos. Gente que, nos corredores desses lugares de onde nunca saíram para ver o mundo real, continua a pensar que Portugal é Lisboa, Porto e Coimbra e que o resto é paisagem. Comparar qualquer coisa que se passe neste momento em Portugal com o Stalinismo é no mínimo revelador de um profundo desconhecimento da história do século passado e ofensivo para os milhares que morreram no exílio às mãos desse ditador. Se este o é, o outro o que foi?

Não há dinheiro para diminuir a carga horária de trabalhadores como eu, que sofrem na pele a consequência do excesso de horas de trabalho por turnos, mas há dinheiro para pagar a alguns meninos aulas de equitação e piscinas olímpicas? Façam -me o favor de crescerem e aparecer, não sejam ridículos e não gozem com quem paga impostos....Pelo amor de Deus!

" A Deus o que é de Deus a César o que é de Cesar"  disse o Senhor perante uma moeda cunhada com a cara do dito. Tenho dito!

domingo, 22 de maio de 2016

Para ser bonito dá sempre muito trabalho

" Caracol, caracol, põe os corninhos ao sol" . Por esta altura do ano, ou talvez antes, lembro-me de cantar muitas vezes esta canção, na esperança de que esse animal ( conhecido pela sua estrondosa velocidade) se retirasse da sua casca e se mostrasse no seu lento ritual de deslocação.

No início do tempo de calor, por aqui, dá-me vontade de começarmos a sair da casca de Inverno, para aproveitar o bom tempo, e esse petisco maravilhoso que é uma bela de uma caracolada com uma imperial. A mim apetecem-me sempre esplanadas com o sol.

A chuva intensa deste ano transformou o meu quintal numa pequena selva, onde os cardos ficaram quase da minha altura ( dava para alimentar um burro a pão de ló ). Foi o suficiente para tomar a decisão de que para o ano não pode ser qualquer chuvada a destruir-me o jardim. Até a horta está uma verdadeira miséria e prevejo muito trabalhinho pela frente . 

O que vale é que por aqui há muitos e bons exemplos de como construir um jardim. Se não os houvesse, o que não faltam são imagens na net de como fazer quase tudo.

Projectado na minha cabeça, foi fazer orçamento, comprar o material necessário e mãos à obra.

Havia já alguns meses que não me lembrava do que era ter dores, embora continue à volta com as sequelas do burnout da profissão, mas carregar 150 quilos de pedra fez voltar à memória e ao corpo a lentidão, a rigidez e a dor.Disse tantas vezes a quantidade de quilos de pedra que às tantas me perguntaram se tinha sido tudo de uma vez ao que respondi que 150 quilos de uma vez, só humanos e geralmente é peso repartido por pelo menos mais uma pessoa. É por isso que com quase 39 anos às vezes me sinto tão crocante como se tivesse 79.

Mazelas à parte, hoje já me senti melhor e continuei o trabalho. Ainda há mato por desbravar, mas está a ficar bonito. Não tão bonito quanto imaginei: geralmente é assim, poucas vezes me satisfaço plenamente com o resultado do meu trabalho ( e este é talvez o meu maior inimigo interno) .

Dá para montar a esplanada, para os jantares em dias de calor ou para o café pela noite dentro. Dá para me rodear de flores como tanto gosto e dá para ter por perto os temperos autóctones que adoro vir apanhar ao quintal enquanto cozinho, já para não falar das alfaces, das couves, dos tomates, das abóboras, dos brócolos, dos chuchus e até das batatas ( que ficam com o tamanho ideal para levar ao forno) tão biológicas que se me descuido ainda tenho que competir com as lagartas e os caracóis aquilo que deu tanto trabalho a produzir.

Brevemente, espero eu, se o trabalho e as inúmeras actividades de fim de ano ( testes incluídos) deixarem, poderei inaugurar o novo fogareiro, a esplanada e a horta renovada para a próxima temporada do sozinhos numa nova casa.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Como num filme Disney

Deixar ir. Sempre me disseram que deixar ir era mau costume e à força de tanta asneira finalmente aprendi. À falta de melhor recordação lembro-me sempre que prometi que acontecesse o que acontecesse iria sempre sorrir. Só Deus sabe o que me tem custado cumprir essa promessa.

Às vezes há mensagens erradas, em horas erradas. Acredito que a fortuna nos dá sinais ( entenda-se fortuna no sentido de destino, como se me lessem as palmas das mãos, as circunstâncias) . Vai valer a pena foi uma delas. Gelo outra vez. Os olhos baços de querer sorrir. A promessa por cumprir, o rio imenso da vida para atravessar e a frase que me preenche o vazio que se apodera do espaço que tantas vezes apenas ocupo: " Se estás a atravessar um deserto, por favor continua" . É a minha auto-motivação. Não conheço mais nada que funcione. Auto é a palavra que melhor me define e a única que aprendi que funciona. O resto é por vezes demasiado ruído. Talvez por isso seja tão apegada à harmonia, talvez por isso a música seja sempre a minha companhia. Deixar ir quem não quer ficar.  E a esperança do meu final feliz. Um dia...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

É no coração que está o problema

A verdade é que isto que aqui se lê não é novidade para mim.
Aqui à uns dias escrevi neste blog que são os objetivos que dão sentido à vida e que tinha em mente a realização de 3 até Setembro. Na verdade 2 deles estão associados e nada melhor do que Maio, o mês do coração, para começar a realizá-los.

A profissão, como se pode ler no link não ajuda e a genética ainda menos. Não é tanto o cancro do pulmão, mas o risco cardiovascular que me assusta mais, para além da DPOC que fazem ambos parte da minha carga genética.
Se vos disser que o factor económico não pesa, também estaria a mentir mas o que me preocupa mesmo é a minha saúde, que como se sabe andou pelas ruas da amargura.

Ansiedade mais controlada, é tempo agora de diminuir o número de cigarros que fumo até que deixar de fumar seja apenas uma opção.
Feito o estudo do fenómeno chego à conclusão que fumo em média 14 cigarros por dia, sendo que o objetivo é voltar aos 4/5 que fumava quando comecei a trabalhar no serviço de urgência. A par disso à que começar a praticar exercício mais regularmente, não para perder peso, mas para tornar o meu coração mais resistente aos defeitos da genética e aos efeitos da profissão que escolhi.

Nunca pensei que com 18 anos de profissão as noites continuassem a ser uma necessidade económica, mas são e portanto à que diminuir os efeitos dos turnos. Em 1 mês diminui 2 cigarros por dia o que não parece nada mas ao fim do dito mês são menos 60 cigarros ou seja menos 3 maços de tabaco.

Não sou adepta das correrias até porque os meus joelhos não iriam gostar que começasse a correr sem mais nem menos e provavelmente a minha coxo-femural mandava-me logo passear. Bem vistas as coisas foi isso que decidi fazer. Hoje fiz 5km, na companhia dos meus filhos, sem cansaço, sem dor e sem sofrimento. Talvez consiga vir a correr, mas não faz parte dos objetivos, o objetivo é mesmo fortalecer o músculo cardíaco que por minha vontade ainda terá mais 80 anos para trabalhar, como um relógio suíço. É que como toda a gente que me conhece sabe, eu quero viver até aos 120 anos .

domingo, 15 de maio de 2016

Escrever sobre títulos

Não houve taróloga que nos salvasse e foi uma vitória com sabor a derrota. O que vale é que cá em casa há sempre alguém contente. Gosto que tenham gostos diferentes, aliás tenho orgulho nisso. Assim é mais fácil explicar-lhes o conceito de respeito pelos  gostos e escolhas alheias - o respeito pela diferença. Foi só menos um campeonato. É só mais uma oportunidade para acreditarmos que é possível fazer melhor da próxima vez e o mais importante disso tudo é explicar-lhes que a vida se resume a isso. Acreditar que o que sonhamos pode ser possível e voltar a tentar sempre que isso não acontece.

E o mais novo de todos foi o que já festejou mais campeonatos, contra todas as probabilidades. O que resume o que lhes tento ensinar. Nem sempre o que parece lógico é um dado adquirido.

Parabéns à nação benfiquista, por favor não façam muitos estragos nos espaços públicos.

sábado, 14 de maio de 2016

Música é meio caminho para a cura

Hoje, vá-se lá perceber porquê foi um dia em que me ri bastante . Já não me divertia assim no trabalho há algum tempo, apesar do dia ter iniciado mal, por falta de planeamento do que seria  o meu dia de hoje, no dia anterior.  Estou bastante mais focada, embora ainda me invadam ondas de cansaço que permitem lacunas ao nível do planeamento. Fico sempre desiludida comigo quando acontece, mas parece que já vou conseguindo ultrapassar a frustração de forma mais leve. Daí ter começado a rir a meio do dia e ter levado a boa disposição comigo até esta hora a que me deito.

Vou dormir com uma música no pensamento, uma que sempre que a ouço me traz um sorriso aos lábios e vontade de dançar. Aposto que nem adivinham qual é   

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ontem foi um dos meus dias

O meu dia internacional do enfermeiro começou a rir e explico já porquê. Há 21 anos quando entrei no curso de enfermagem éramos acérrimos lutadores contra o estereótipo da enfermeira " boazona" de seringa na mão. Aliás éramos um curso muito interessante de acérrimos defensores de todo o tipo de estereótipos da enfermagem. Quando terminei o curso o carro alegórico onde nos passeamos pelas ruas de Coimbra adivinhem o que levava no topo? Essa mesma, a enfermeira de seringa na mão.

Hoje de manhã não pude deixar de me rir quando anunciaram o dia internacional da enfermeira ( colegas tenho muita pena mas o dia internacional é só do género feminino - e isto daria linhas e linhas para as meninas do bloco poderem defender uma nova causa fracturante) .  De qualquer das formas fui brindada ao longo do dia com inúmeros mimos com a enfermeira de seringa na mão a comemorar o nosso dia.

É engraçado como ao longo do tempo a nossa perspectiva das coisas vai mudando. O estereótipo mantém-se mas hoje já não me incomoda nada e aprendi a lidar muito bem com algumas situações constrangedoras. Que o digam os engraçadinhos que por algum motivo tiveram o azar de pisar o risco para lá dos limites do aceitável... Adiante ... Muitas vezes até me fazem rir às escondidas, o ser humano é impressionantemente lento no desenvolvimento sociológico das mentalidades.

Hoje são muitos outros os problemas da enfermagem que me preocupam e que me retiram a vontade de rir. Este vídeo descreve bem o que vos quero transmitir e o que a bastonária hoje quis demonstrar nas várias entrevistas na televisão. A saúde de todos só está salvaguardada se a saúde dos profissionais também o estiver e o número reduzido de profissionais é um risco para todos.

( e agora lembrei-me do secretário de estado que dizia que comia enfermeiros  ao pequeno almoço - quando nos referimos que o aumento do número de horas para 40 horas semanais era injusto um risco e lesivo  e que o nosso salário não corresponde à responsabilidade das nossas funções e pergunto-me se ele estaria a pensar no estereótipo ou nos meus caros colegas de quem a rádio comercial se esqueceu hoje - eheheheh just jocking)

Obrigada a todos os que se lembraram de mim. É que apesar de tudo contínuo a adorar esta maldita profissão :D

terça-feira, 10 de maio de 2016

Para lá do fim do mundo

Hoje o sentimento é muito este. Invadem-me demasiadas vezes os sentimentos, principalmente a  nostalgia, nos últimos tempos. Não sei se veio para ficar para sempre ou se será só uma fase como tantas as que vamos tendo na vida.

Gosto deste encontro de vozes. Ao inconfundível tom alentejano, mesmo com sotaque brasileiro que é impossível retirar destas versões, acrescenta-se outra voz terna e tornam uma melodia de sempre numa boa companhia dos dias cinzentos da vida.

domingo, 8 de maio de 2016

Cerejeira em flor

Escrever é uma das coisas que gosto bastante. Contos ou mini-contos são dos textos que gosto mais de criar. Tenho alguns escritos por aí, outros guardados em livros só meus, outros vou escrevendo conforme me dá a vontade de juntar letras e significandos a significâncias que mais não são do que sonhos e/ou criatividade pura. Uma "sentimentalona" com ideias muito próprias e vincadas em crenças e utopias, ou simplesmente uma sonhadora. Sob as etiquetas TES e T(extos) E(ntre) S(onhos) deixo-vos um pouco da minha poesia, prosa poética ou escrita criativa conforme preferirem classificar ...  



Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração
A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
O caminho, marcado a traços contínuos impede - me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 

Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 

Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa "ciência" ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 

O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode "descambar" se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 

Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos - depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 





Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha "paixão" em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte...    










foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho 






domingo, 1 de maio de 2016

Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar





Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito -  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  
Beijinhos e obrigada  



E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar :D 




Para a mãe segura

Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010