segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Famílias como as nossas!

A 15 de Setembro falava dos refugiados longe de saber o que viria a acontecer ( é gira a noção de futuro não é? ) Já naquela altura , tal como agora pensava neles tal como penso em nós. Talvez tenha sido a profissão, talvez nasça connosco esta mania ou tendência de nos colocarmos  no lugar do outro. São famílias como as nossas, que sofrem as desgraças e as injustiças de um mundo cada vez menos solidário. Foi por isso que não estranhei nada quando soube. As amizades de longa data dão estas certezas e estes entendimentos. Era o que faria também não tivesse eu a minha própria família a meu cargo que não permite férias, nem grandes ausências. Mas há quem precise muito de ajuda e há quem queira ajudar.
O movimento famílias como as nossas nasce provavelmente desta vontade comum de querer ajudar. Nem todos podem fisicamente mas todos devemos, moralmente . A motivação e a vontade fazem milagres e quem trabalha na saúde só não vê se não quiser. Por isso achei soberba esta ideia de ir buscar famílias lá, onde precisam mais que ajudem.

Uma boa parte de mim vai na caravana de Aveiro. Porque os amigos são também parte daquilo que somos e do que acreditamos. Eu acredito, ainda, nas pessoas. E sei, como ninguém, que não podiam ter encontrado melhor co-piloto. O nosso coração está convosco. Dêem noticias do quanto vale ser português e de que não importa a nação de origem, o que conta realmente são as famílias, que independentemente da situação politica ou geografica, são famílias como as nossas.

Boa viagem! Como sabes minha amiga, tenho muito orgulho em ti    :)

domingo, 27 de setembro de 2015

Tenho dias!

Levo a minha vida como se ela fosse um projecto e é esse o método que tento utilizar para a (sobre) viver. Quando tenho um problema, quase sempre tenho determinados objectivos , faço uma revisão daquilo que já sei, do que outros sabem e das várias formas ou fórmulas utilizadas por outros e traço o meu rumo, tiro as minhas próprias conclusões. Nem sempre atinjo os objectivos mas o erro humano é uma das características que nos torna tão especiais e deve ser por isso que o defendo tanto - nos outros. Lidar com o erro dá uma carga de trabalhos - trago isso bem impresso no corpo, por estes dias. Ainda assim vou tentando como posso ou como consigo manter-me fiel a planos que tracei e a alguns objectivos enquanto vou tentando desembaraçar- me dos problemas e resolvê - los.

A humildade não nasce connosco, aprende-se, procura-se, cultiva-se tal e qual como se aprende a lidar com as falhas e os erros inerentes ao ser humano.

Todos os dias me adapto, todos os dias procuro melhorar, nem sempre consigo.

Mas em tudo isto, a melhor sensação é a de chegar ao final do dia e saber que tentei, que me esforcei, que fiz o melhor que sabia. Nem sempre é o melhor que podia, mas tentei. Conseguir é uma coisa completamente diferente e em mim não vale tudo para chegar onde quero. Hoje foi isto. E a sensação que contínuo a tentar, apesar do peso que transporto por respeitar o erro humano.
 Amanhã será sempre um novo dia!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Lutas

Depois de me deitar estafada, acordo tal e qual. O despertador toca, salvo raras excepções às 6 da manhã. Acho sempre que as mil e uma coisas que tenho na cabeça e que quero muito fazer, vou conseguir fazê-las num qualquer momento de perfeição em que vou conseguir acordar imediatamente após o despertador tocar. São raras as vezes que me lembro disso ter acontecido e se aconteceu foi porque provavelmente nem dormi. Sempre fui assim, noites sem dormir dão-me " estriquinina" que se me esvai a partir das 10 da manhã.
 Escolhi as 6 da manhã como hora de eleição porque é uma hora chave no meu círculo circadiano. Desde há muitos anos que mesmo quando faço noites as 6 da manhã são a hora de maior volume de trabalho. É o meu único ritmo certo . Invariavelmente, mesmo nos dias de folga, o olho abre a essa hora.
Hoje não foi excepção. Tento convencer-me a levantar mas o corpo desde há uns anos para cá acorda sempre muito pesado. Se não estivesse viva e a pensar diria que acordo com o corpo morto. Às vezes 15 minutos outras meia hora, hoje foram 45 minutos. Só à força de muita auto motivação, lá me consegui levantar. Ela espreguiça-se, ela acomoda-se com o soprador de ar quente, na tentativa de "soltar" os músculos e de libertar o corpo da sensação de peso morto mas nem sempre tenho grande sucesso. Acabo por me convencer a levantar pensando que, se me demoro mais não vou ter tempo para despachar os menino sem estar constantemente a pedir que se despachem e no final já a perder a paciência. Não há coisa que me leve mais a moral para baixo do que começar o dia a gritar e a perder a paciência com os meus filhos. Muitas vezes faço o caminho a chorar, de raiva de mim própria, por ter perdido a paciência. Acontece, não sou perfeita e nos últimos anos isto tem sido uma luta.


Para quem, como eu, tem que planear os dias ao minuto ( se quero fazer metade do que necessito) e o orçamento ao cêntimo ( se o quero  mais ou menos estável ) o mais comum é chegar a esta hora com a sensação que me passou um camião por cima. Desde que deixei de conseguir disfarçar ou ignorar a dor, tornou-se tudo ainda mais complicado. Os analgésicos,meus  aliados,  têm que me acompanhar para todo o lado, nas fases piores, porque se começo a sentir dor lá vai o planeamento para as urtigas! Isto requer uma capacidade de resistir à frustração muito acima daquilo a que estava habituada e levou-me a perceber que a minha vida não tinha folga que permitisse muitos desvios ao estabelecido. Para hoje estava planeada uma formação. Um pequeno engano no horário e a incapacidade de ( mais uma vez) controlar eficazmente a dor levou a que tenha andado um dia inteiro para trás e para a frente sem ter chegado a assistir à formação Salvou-me o fim do dia em que consegui cumprir o que estava previsto sem sair da linha que tracei para os próximos dias - deixar de fazer o SOS .  Estes dias "normais" são os mais comuns e é com estes que preencho grande parte da minha vida. Às vezes, a esta hora, cansada e já a pensar no planeamento de amanhã sinto saudades do tempo em que conseguia manter-me ao corrente do que se passa no mundo. Quero muito fazer parte, mas sem tempo livre e sem disponibilidade de orçamento para actualizar a tecnologia, é à casa e aos miúdos ( às prioridades) que dispenso a atenção. Sobra pouco depois. Ou muito ( cansaço) dependendo do ponto de vista para que se olha para as coisas. Do pouco que me tem sido dado a perceber à parte de uma campanha eleitoral que nos promete mais do mesmo, continuam a ser as contas o nosso grande problema e a nossa maior preocupação. E das pessoas e das suas dificuldades reais para além do propagandismo das eleições, alguém tem falado? É que é com esses que realmente me preocupo, sempre!

E agora, vou dormir, que até agora tem sido a única coisa que me tem, de facto, recuperado.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mudança de estação !

                                         Bem vindo Outono, já tinha saudades tuas! 






terça-feira, 22 de setembro de 2015

Aprender, sempre

Deve estar a fazer mais um menos um ano que me mudei de novo. Deve estar a fazer mais ou menos um ano que tentei de novo conseguir viver de forma autónoma. Muita coisa mudou neste último ano, muita coisa mudou desde a última tentativa falhada.  Muita coisa em mim se ressentiu do esforço dos últimos anos, principalmente o corpo. Na tentativa de me reconhecer de novo, lido agora com um novo corpo que carrega muita mazela, mazelas antigas que carregava noutros lugares e que não tinham antes lugar físico para morar.
A casa foi evoluindo ao meu jeito, à velocidade que vou conseguindo mas está longe ainda de ser o que eu gostaria. Vou tentando, a pouco e pouco, ir cumprindo objectivos e realizando pequenos sonhos que se vão tornando nos meus novos sonhos, diferentes ( muito diferentes) dos originais. Acho que, como todos, gostaria de voltar a um ponto onde estava antes do início da crise, mas volvidos 8 anos, a vida acabou por me transformar. Agora, são outros os motivos que me levam a continuar a tentar. Diferentes, muito diferentes e com outros objectivos.

Este fim de semana consegui (com algum esforço) regressar a um lugar onde sou feliz. Uma casa que me recebe sempre bem e onde consigo satisfazer um dos meus agora grandes prazeres (comer fora da minha casa alguma coisa não cozinhada por mim) . Talvez não seja assim tão difícil perceber a grande mudança que os anos operaram em mim e recebi de oferta do Simões uma das coisas que considero mais importantes  - um livro. Embora não tenha ainda conseguido acabar o Baudolino, prometi a mim mesma que iria experimentar as  indicações deste livro : Aprender a ser feliz. Já fui, tenho a certeza que sim, mas a memória encarregou-se de me fazer esquecer de muitos desses tempos. Estamos sempre a aprender ou reaprender.




terça-feira, 15 de setembro de 2015

Problemas Gigantes

A ansiedade é, desde sempre, a minha pior inimiga. Por ter percebido cedo o quanto me limitava, aprendi ( mais ou menos) a controlá-la e a perceber os seus ( meus ) mecanismos internos para a combater e desvalorizar. Nem sempre saio vencedora desta luta que travo diariamente. Ainda assim é e será provavelmente a minha maior inimiga e é com ela que gasto a grande maioria da minha energia e os meus recursos internos. Uma canseira! Tenho aprendido muito sobre mim e sobre os outros para arranjar recursos que me possibilitem vencer esta guerra. Sei, melhor do que ninguém que o meu sofrimento físico hoje é o resultado das minhas batalhas diárias em que a ansiedade me tem conseguido vencer, pelo menos nestes últimos anos: fruto da conjuntura e de algum desequilíbrio que tem sido muito difícil combater. As estratégias têm-se alterado ao sabor das circunstâncias e das possibilidades mas dou hoje uma valor ainda maior do que antes ao controlo da ansiedade, já que agora, descontrolo hoje significa dor física amanhã. Não é fácil adaptarmo-nos a novas realidades sejam elas externas ou internas e pese embora as mudanças externas não terem sido muitas ultimamente, as internas foram em catadupa e ando ainda a posicionar-me neste meu "novo" corpo. Se me dissessem há alguns anos que iria ser uma ferrenha adepta das rotinas diria que estavam todos doidos. Hoje sou-o por necessidade. Se a rotina estabilizar é-me muito mais fácil organizar e gerir tudo e assim ando menos ansiosa. Pode não parecer mas a ansiedade é um problema "gigante" para mim. Exercício físico, ar livre, leitura, ambientes calmos e diversão são as principais variáveis, alimentação saudável a constante da minha equação de bem-estar. Sei que, muito mais do que o corpo, é a mente que tem que estar saudável para conseguir viver bem e tal como as crianças, se estiver bem metade das intolerâncias desaparece. Quem nos disse que ser adulto é conseguir uma determinada imagem de nós próprios enganou-nos, para mim ser adulto é saber conciliar em nós a criança que nunca cresce com as responsabilidades que a vida acarreta para podermos ser livres. Filosofias, quem sabe?, mas comigo funcionam.
 
 
Refugiados, refugiados, refugiados. É sobre o que se tem ouvido nos últimos dias. A solução encontrada pela Alemanha torna-se irónica de tão previsível e para mim é só mais uma demonstração de como aquela vê a União Europeia. Ao ouvir a noticia na rádio não resisti aos meus desabafos em jeito de quem fala sozinha: Lá se vai a Europa pelo cano, lol! O meu mais velho, que já começa a conhecer-me melhor do que ninguém remata: O que é o espaço Schengen mãe? lá lhe expliquei mais ou menos, como consegui. Ficou-me na cabeça uma pergunta : o que é/ como é uma fronteira mãe? é engraçado perceber que uma barreira física, quando não é concebida na nossa cabeça é tão difícil explicar. Diz-se da minha geração que somos "filhos da madrugada", os meus, são já filhos de uma europa sem fronteiras. A visão que temos do mundo tem muito a ver com o que fomos habituados a conceber. Não seremos nós, por cá, também um pouco refugiados das circunstâncias?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Don`t panic ( agora já não vale a pena)

Das muitas coisas que gosto, uma das que mais gosto é chegar ao fim de qualquer objectivo ou tarefa com a sensação : eu fui capaz! Nem sempre acontece e nem sempre tem a ver com a motivação externa. É de dentro que me vem a motivação e sobretudo a aprovação. Sou sempre eu. E podem cá vir dizer ah! e tal, que está bom, e lá, lá ,lá. Se eu não vir a coisa assim, nada me fará convencer. Hoje terminada que está mais uma grande etapa que julguei nunca mais vir a fazer ( nunca digas nunca!) sigo direitinha para o vale dos meus lençóis com uma certeza: eu ainda sou capaz de muita coisa!

sábado, 5 de setembro de 2015

Da minha visão do mundo



Afinal sempre consegui ir à feira! Estive um dia de "molho" e no dia a seguir estava pronta para a festa. Na verdade não sou grande adepta de feiras, mas a "minha" é outra coisa. É como uma mostra gigante daquilo que se faz e que se consegue publicitar, reunindo a essência do que é viver neste canto do Alentejo: o turismo, a agricultura o artesanato e a festa, sempre muita festa - música, música, música!!!! Geralmente aproveitava esta altura para me abastecer de tudo o que são marroquinarias a preço de chuva. Digo geralmente, porque desde que os miúdos aprenderam o caminho para as diversões, pouco mais consigo fazer do que caminhar para os carrosséis e para as barracas de comida. O que não é de todo mau! Este ano a grande atracção foi a roda gigante e caramba! como fica bem numa feira uma roda gigante! ( a meu ver devíamos pagar àqueles senhores para virem todos os anos "botar" figura). Prometi a mim mesma que não acabaria a feira sem ir andar, mas como muitas outras promessas que fiz a mim mesma, também esta não a consegui cumprir. Aquilo era mesmo alto! tenho medo de alturas, sempre tive. Enquanto a vontade conseguiu falar mais alto que o medo sempre fui conseguido ultrapassar esse problema. Não sei se é a idade que nos trás mais juízo ou se somos nós que gostamos menos de arriscar, o que sei é que cada vez tenho mais dificuldade em sair da minha zona de conforto ( talvez seja por ter andando tanto tempo desconfortável, que agora tenha menos vontade de me desafiar) . Cheguei a comprar bilhete, a obrigar-me a ir, mas mesmo à boca da entrada cometi o enorme erro de olhar para cima e uma onde de sentimentos e dúvidas tomou conta de mim: e se me sentir mal lá em cima? e se não conseguir manter a calma? e se entrar em pânico ali fechada só com os miúdos sem conseguir sair? Sou eu que tenho a obrigação de manter a calma, de manter o ambiente deles confortável, de ser o pilar onde podem descarregar os seus receios e nunca o contrário. Inverter estes papéis é transmitir-lhes os meus receios e isso só em situações em que consiga explicar todos os porquês, para diminuir o tamanho dos bichos papões. Não estava a ver que lá em cima lhes conseguisse transmitir que estava em pânico essencialmente porque estava a ser irracional e não me conseguia controlar. Acontece muitas vezes, mas limitar essa visão parece-me mais saudável, para eles, que o contrário. Bom , lá tive que ouvir que sou uma medricas, e realmente por vezes até sou, engolir em seco e anunciar o mais convincente que fui capaz: olha não vou, não consigo ir, não sou capaz e ouvir o mais que natural és uma medricas. Pois sou! às vezes até sou e tenho mesmo que viver com isso. Ainda assim ficou cá na cabeça que para o ano tenho que lá ir.



E por falar em limitar a visão...e passando de banalidades a essências: andei que tempo a tentar não ver o menino sem vida na praia, mas não consegui evitar. Assim como não consigo evitar o choque. Gostava que não me entrassem pelos olhos dentro este tipo de imagens. Não porque não queira saber, não porque ache que se deva censurar, mas porque gostaria que não fosse necessário que imagens destas corressem mundo para que se começasse, apenas agora, a pensar que talvez seja melhor fazer alguma coisa. Talvez já tenha passado 6 meses desde de que fiz os meus filhos assistir a uma reportagem sobre "toda aquela gente que paga para se meter em barcos que os levam ao desconhecido e muitas vezes ao naufrágio" ( eu a tentar explicar) para os fazer reflectir sobre como viverão aquelas pessoas para terem coragem para se aventurar assim. Fazê-los perceber que o mundo não se limita às coisas boas que têm e que tantas vezes acham pouco. Refilaram ( que desenhos animados é muito melhor e a meu ver bem mais saudável que telejornais - aconteceu por acaso ligar a televisão naquela altura) mas acabaram por ver, a parte que achei mais interessante e enquanto prestaram atenção. Como se explica, como lhes explico, se me perguntarem ( que não perguntam, pelo menos não ainda que ainda estão em modo férias) porque é que ainda ninguém fez nada se já se sabia que eles vinham aí? Como é que se explica que tantos anos e tantas desgraças depois, a humanidade ainda e sempre, prefere virar a cara para o lado e fingir que não vê? A crise ( a Europa)  tornou-nos melhores e mais solidários? Será? ou fez de nós ainda mais egoístas? Is there anybody out there?