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terça-feira, 14 de junho de 2016

Errare Humanum est

Às vezes acho que a vida me dá uma folga apenas para que possa de novo aguentar os embates. Como se fosse um balão de ar em atmosfera adversa. Como se estivesse constantemente em apneia e me dessem oportunidade de vir a cima de água apenas para respirar, ganhar fôlego e mergulhar outra vez.

Depois de um fim de semana grande, de que não me lembrava já a última vez em que tive um, estou de volta ao activo.

Sempre fui à feira do livro, comprar o livro do Armando e pedir um autógrafo. Aproveitei para levar os miúdos a passear e perceberem onde estive à alguns anos e o que estive a fazer. Percebi, por uma curta conversa com o Armando que a decisão que tomei à algum tempo de esquecer a escrita de livros foi a mais correcta. A minha vida não me permite demasiadas liberdades orçamentais. Tentei não olhar para outros livros, para não cair na tentação de gastar mais dinheiro. O orçamento continua a ser o meu maior desafio mensal.

O torneio em Portimão levou-me ao   Algarve de onde trouxemos uma vitória expressiva e uma intoxicação alimentar ( o arroz de pato, está provado, não combina com o HCPG)  para além de momentos bem passados, conversa boa e de finalmente me ter cheirado a Verão.

Estou de volta à rotina e comigo a dúvida constante sobre se os caminhos que escolho serão os mais corretos porque isto de gerir afectos/razão, quando toca ao nosso sangue, é doloroso e difícil. Nem sempre as opções são as melhores. Como me disseram hoje e ainda estou a pensar nisso de tão acertado que achei: mais vale uma decisão do que não tomar nenhuma.

É isto que me faz continuar. Ainda consigo decidir e mesmo que decida mal, amanhã acordo de manhã ( fresca e fofa como um pão da bimbo) e posso sempre voltar a decidir, mudar caminhos, ver alternativas, arranjar soluções: "Errare Humanum est" ou como se diz em bom português, errar é humano. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma família d'artistas - oh! que artistas

Fui entusiasta desta ideia desde o início, desde o dia em que os responsáveis da Escola de Artes ( então de Sines) agora do Alentejo Litoral vieram apresentar aos pais o seu projecto que pretendiam ser em conjunto com a Escola Básica 2+3 de Grândola ( D. Jorge de Lencastre, para quem não sabe, o sr que nos deu o foral). Não porque quisesse especialmente que o meu filho fosse músico mas porque acho a música muito importante na nossa formação e porque este projecto equivalia ou dará a equivalência ao curso básico de música. É importante saber para poder avaliar e a música ou a qualidade de alguma música que se ouve é tão, como direi, fraquinha que achei uma oportunidade óptima para proporcionar ao meu filho novas experiências.

É verdade que nem sempre correu bem. Não primam pela organização e problemas com financiamento levaram algumas crianças a estarem muito tempo sem professores, ou sem aulas. Eu não tenho que me queixar. Tive a sorte de encontrar a Neusa, que esteve nos testes de recrutamento e que, pensei eu sinceramente, iria "chumbar" o meu filho. Entrou. Não é propriamente um entusiasta da música mas a excelente professora tem sabido cativá-lo e lá vai fazendo ao seu ritmo, sempre com as aulas em falta repostas, basta para isso haver alguma boa vontade de ambas as partes.

É verdade que nunca sonhei que escolhesse a percussão, eu que adoro violino, piano, cordas e saxofone. Mas foi o que ele escolheu e para mim isso chega.

Ouvi dizer que não vão continuar a fazer novas turmas e tenho muita pena. Gostaria de poder proporcionar ao Afonso a mesma experiência ainda mais que sempre foi mais " cantador" e dançarino que o irmão. Pelos vistos não vai ser possível e as aulas na escola, sem o projecto com a Escola pública, são a um preço impossível de pensar sequer.

Quando ao fim de 4 anos se vê este resultado dá para reflectir: será que apesar das dificuldades e algumas diferenças de opinião, não é este um óptimo resultado? Aquele que estávamos à espera? Será que não teremos orgulho para o ano de poder dizer que os nossos filhos terão no currículo um diploma de estudo integrado ( artístico) em música?

Deixo -vos o vídeo da audição de hoje, da classe conjunto do professor ....Évora ( peço desculpa, esqueci-me do seu nome 😊 ) com uma música que é da sua autoria.

Espero que gostem tanto como eu!

sábado, 4 de junho de 2016

No poial ao entardecer

Não é a primeira vez que falo neste blog da Ludoteca e do trabalho que fazem com as crianças do concelho. Uma mais valia para os pais que vêm os seus meninos aproveitar o tempo livre com actividades lúdicas e formativas. Os meus sempre frequentaram a ludoteca - o grande enquanto quis e o pequeno, primeiro renitente, depois rendeu-se ao teatro.

É com orgulho que se percebe o enorme trabalho destes profissionais em prol das crianças e é com satisfação que vejo reconhecido pelo público a autora/professora/encenadora das crianças durante as oficinas de teatro.

"No poial ao entardecer" é uma peça escrita pela Mané, a Maria Manuel Costa e apresentada pelos meninos das oficinas de teatro da Ludoteca. É uma peça que fala sobre as importantes relações entre gerações, o conhecimento que se transmite, levando os meninos e o público numa viagem através do Alentejo passado e presente. O cenário principal é um poial, esse lugar maior dos tempos da nossa infância onde, nas tardes e noites de Verão, se contavam histórias a "apanhar fresco". Os avós e os seus netos revisitam a juventude dos primeiros em cenas hilariantes em que se percebe a evolução dos " nossos" tempos.

Agora o poial está em livro e hoje esteve de volta ao palco do cine-granadeiro, onde estará nos próximos 2 dias, em apresentações às várias turmas do ensino básico, dando a conhecer esta arte magnífica que é o teatro. É com orgulho que digo que tive e tenho filhos que foram ensinados a representar pela Mané. É com orgulho que os vejo em palco. É com orgulho que percebo que apesar de estarmos longe dos grandes centros urbanos, conseguimos oferecer às nossas crianças um currículo diversificado onde não faltam oportunidades de evoluir o seu sentido artísticos. Parabéns pelo teu trabalho e pelo teu livro Mané. Obrigada pelo que fazes pelo desenvolvimento pessoal dos nossos filhos! 🎭

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Das superiores valências da família

Acordo às 17.30 a pensar que é bem mais cedo e na lenta preguiça de quem tem o relógio interno avariado deixo-me estar a alongar ( que é uma forma bonita de dizer que pareço um gato a espreguiçar - me). Olho finalmente ao relógio e descubro que estou novamente atrasada. Felizmente o pai António tem aquelas premonições fantásticas e telefona na altura certa: Quem vai buscar o menino? Podes ir tu pai? Acordei agora.

Quanto não vale um avô? Não posso dizer, que não conheci nenhum mas sei exactamente o valor de uma avó e este avô é para os meus filhos tanto ou mais do que foi para nós, as filhas. É o meu verdadeiro braço direito desde sempre.
Apesar das horas tardias incrivelmente estes dias têm tendência a render-me em trabalho, quando descanso, e foi o que se passou. Pus a carne a marinar mais cedo, em vinho tinto, limão, alho, coentros e louro, com um toque de pimenta e sal, que não tenho jeito para coisas demasiado elaboradas e fui tentar terminar o jardim. Afinal os 150 kg de pedra não chegam e vou precisar de mais. A mesa aguarda agora que a lixe e a pinte que o verão passado e a cera das velas pela noite dentro deixou marcas que têm que ser tratadas. Falta o sombreiro: o do ano passado ficou feito em fanicos nas primeiras chuvas de Outono. Falta a horta.

Pelas minhas previsões lá para o fim do Verão sou capaz de ter a esplanada pronta, eheh. O pobre do anão também está a precisar de nova pintura e assim me vou entretendo entre lavar e estender roupa. Para não variar os planos do jantar saem furados. O que era suposto virem a ser costeletas panadas torna-se numa nova invenção minha já que os ovos caseiros estavam estragados ( confio cegamente nos truques antigos e ovos que bóiam são para jogar para o lixo) . Farinha de milho, envolve-se bem e tudo para o azeite. Um puré de batata e o comum, um adorou o outro detestou: o normal! Como somos a trupe da sopa, está sempre a refeição salva em caso de desgosto. Depois disto tudo passar roupa a ferro que o mais velho vai de fim de semana grande com o pai para Lisboa. A esta hora olho para as fotos do quintal e penso que não ficou mal de todo e no que posso melhorar.

A Marilyn repousa ao meu lado ( estou a adorar o livro - curioso como os nascidos nos mesmos lugares têm memórias que poderiam chamar-se comuns: é quase como se estivesse a ouvir a minha avó a contar uma qualquer estória das do tempo dela e isso dá -me um conforto que não consigo explicar e leva-me a querer saber mais da estória que se conta, bem contada, no livro) mas não sei se a meia benzodiazepina me vai deixar ler a seguir. É que, infelizmente, embora esteja cansada, o corpo provavelmente vai querer ir trabalhar outra vez esta noite, apesar de amanhã ser realmente feriado para mim. Rotinas são óptimas e a falta delas arrasa-nos com o tempo livre. Boa noite!

domingo, 15 de maio de 2016

Escrever sobre títulos

Não houve taróloga que nos salvasse e foi uma vitória com sabor a derrota. O que vale é que cá em casa há sempre alguém contente. Gosto que tenham gostos diferentes, aliás tenho orgulho nisso. Assim é mais fácil explicar-lhes o conceito de respeito pelos  gostos e escolhas alheias - o respeito pela diferença. Foi só menos um campeonato. É só mais uma oportunidade para acreditarmos que é possível fazer melhor da próxima vez e o mais importante disso tudo é explicar-lhes que a vida se resume a isso. Acreditar que o que sonhamos pode ser possível e voltar a tentar sempre que isso não acontece.

E o mais novo de todos foi o que já festejou mais campeonatos, contra todas as probabilidades. O que resume o que lhes tento ensinar. Nem sempre o que parece lógico é um dado adquirido.

Parabéns à nação benfiquista, por favor não façam muitos estragos nos espaços públicos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Audições de Inverno

Escolhi as melhores por entre as muitas que tirei. Foi na quarta-feira aqui na terra. Tenho para mim que estou cada vez pior nisto das fotografias, mas ainda vou a tempo de melhorar ( talvez seja a falta de prática - lá vem de novo atrelada a falta de tempo livre). É a edição que me leva mais tempo e a "pitosguice" não ajuda num ecrã pequeno. De qualquer das formas conta como intenção de homenagear.

Gosto quando aposto numa qualquer decisão e ela sai proveitosa. Porque o que realmente importa, a meu ver, não é a repetição até à perfeição, mas aquilo que se consegue criar, com os instrumentos e os ensinamentos que nos dão. E as amizades que se vão plantando pelo caminho. Estiveram todos fantásticos, miúdos!






quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Care.no



 
"Roubei" este filme daqui
Todos os princípios começam na educação.
Eu tenho oportunidade de fazer a diferença porque, ao contrário do que se pensa, acho que, tal como  se diz no vídeo, é a forma como se educam os rapazes que pode vir a fazer a diferença no futuro. Tentei sempre que o ser mulher não fosse um motivo para me sentir desprotegida. Talvez isso me tenha feito independente demais, mas...
 
  "I was born a girl, and I do everything I can so that wont stay the greatest danger of all"
 

 
 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Quando o sexo tem outro valor

Às vezes penso que a nossa visão de sociedade sofreu o enviesamento tal que, de modo geral, "os pensadores" nem se apercebem das barbaridades que dizem ( e aqui se pode incluir cada um de nós, sendo que muitas vezes depois de reflectir sobre o que dizemos poderemos e deveremos chegar à conclusão de que estamos errados). Li este texto e a minha primeira reacção foi querer ler o artigo completo. A conversa da discriminação de género ( para ser politicamente correcta e não incluir a palavra sexo) é tão antiga como o séc.. XX ou mais ainda já que o grande movimento para a igualdade entre os homens e as mulheres começou no séc. XIX .
 
 Em pleno séc. XXI economistas modernos continuam a discutir o problema da produtividade das mulheres. Mas discutem-no de uma forma simplista e a meu ver na única perspectiva que lhes interessa, a do lucro, o que leva a uma visão demasiado simplista da "coisa". Não discordo que uma mãe seja menos produtiva para uma empresa. O que eu discordo é da noção de produtividade.
 
Tenho para mim que a demasiada especialidade numa determinada área diminui a visão global e leva a conclusões demasiado simplistas que depois, na realidade, não são funcionais porque não prevêem outros factores importantes. Eu explico: é sabido, por estudos demográficos que (como é lógico) influenciam o equilíbrio económico dos países, que a "velha Europa" está a ficar isso mesmo, velha. Tem a ver com o aumento da esperança média de vida, com os melhores cuidados de saúde mas também com um outro problema, a baixa taxa de natalidade, ou seja, nascem hoje muito menos bebés do que antes. Isto deve-se para além de outros factores, sobretudo, à inserção das mulheres no mercado de trabalho, onde como se diz no artigo enquanto jovens as mulheres são tão produtivas como qualquer homem. São e gostam de o ser, porque a sensação de realização pessoal é muito importante na vida de qualquer pessoa.  
 
Isso leva a que prolonguem cada vez mais o seu dito "tempo de produtividade em que se sentem iguais" . Ora as sociedades evoluem mas a biologia demora muito mais tempo e pese embora a qualidade  dos cuidados de saúde ter aumentado muito, a verdade é que ser mãe aos 34 ou aos 44 é completamente diferente, traz riscos acrescidos para as crianças e sobretudo para as mães  com o consequente aumento do custo de uma gravidez para a sociedade ( primeiro problema na perspectiva económica).
 
Achei de um mau gosto extremo a afirmação " a baixa produtividade das mulheres com filhos contamina os salários das mulheres que não têm filhos" que me parece levar a que qualquer dia estejam as mulheres sem filhos a lutar pela desqualificação das mulheres com filhos ( ... será que não existe já? pergunta de retórica...) levando a uma competição muito pouco saudável e a médio, longo prazo, desprestigiante para as organizações porque leva no limite a regras de deslealdade e um péssimo trabalho de equipa.
 
Voltando à perspectiva geral, o incentivo à natalidade é, e deve ser, uma politica de futuro para as sociedades europeias com o risco de se não as tomar a própria Europa perder a batalha da competitividade: o futuro são sempre as pessoas.
 
Ora, atacar o motivo da baixa produtividade das mães é um assunto sério. Mas não visto da forma como se vê neste artigo. É que, na realidade, a baixa produtividade das mães com filhos, não existe, é um mito! O que acontece é que uma mãe com filhos tem o dobro das horas de trabalho do que uma mãe sem filhos, e isto é uma realidade não porque as mães tenham " um indisfarçável sentimento de propriedade em relação aos bebés" mas porque a biologia assim o obriga - e aqui volto novamente às justificações económicas para que se perceba melhor : Um bebé , numa situação ideal, deveria ser amamentado a peito ( vulgo mama, que penso ainda não haver evolução suficiente para que sejam os pais a fazê-lo) durante pelo menos um ano. É sabido que isso nem sempre é possível mas seria o ideal, tem menos custos para a saúde e no limite para a sociedade, uma vez que a alimentação a leite materno exclusivo é muito mais saudável permitindo que a mãe transmita ao filho muita da sua resistência imunológica sendo que crianças alimentadas a leite materno têm menos probabilidade de desenvolver problemas como obesidade e outros futuros problemas metabólicos ( uma vacina natural, portanto). Em termos psicológicos a amamentação também é muito importante porque aumenta o vínculo e a segurança do bebé já que a presença e o contacto são muito importantes no desenvolvimento psico-motor da criança ( não que este vínculo não possa ser feito com o pai, o que acontece é que nem todos os pais têm a mesma disponibilidade mental para a percepção desta importância).
 
Sou a favor da igualdade da licença parental em relação à maternal, aliás sou a favor a que os pais possam decidir , em conjunto, qual dos dois deve ficar com a criança e os tempos que cada um deve ficar. O que não posso nunca é ser a favor da diminuição do tempo disponível para as crianças ou até que estas fiquem "abandonadas" porque os pais necessitam de trabalhar para viver. Uma sociedade como a Portuguesa, onde há tão poucos apoios ou suportes, onde as empresas não facilitam a maternidade, onde não se criam estruturas sociais para que os seus trabalhadores possam assumir a sua opção de ter filhos, é uma sociedade injusta, que caminha para a desigualdade e para a instabilidade social.
 
Quando os lucros de uma empresa se sobrepõem ao bem-estar de todos, essa empresa está num futuro talvez próximo, condenada ao insucesso por promoção de comportamentos desleais e desmotivação. É a escravização das pessoas pelo sucesso dos números, é aquilo que temos. O resultado está mais que à vista, basta olhar bem para o presente, para a actualidade da nossa Europa: instabilidade, recessão, insegurança, desmotivação. Os lucros em detrimento das pessoas e a produtividade vista na mera perspectiva laboral.
 
Os cidadãos não participam, porque no limite não têm disponibilidade mental nem viabilidade económica para o fazer, porque não vêm das entidades patronais uma real preocupação com o seu bem-estar e isto já para não falar no problema das mães solteiras, que "daria muito mais pano para mangas"!
 
No fundo, no fundo é Isto

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No Reino de Aquém e Além dor

Costumo dizer que há músicas que nos definem. Há quem tenha uma música favorita, eu tenho muitas. Há, por isso, muitas músicas que me podem definir: depende do estado de espírito, do dia, do que me vai no pensamento; uma fase da vida, ...coisas... ou como diria um colega meu, cenas. Geralmente são as mais antigas, aquelas que passaram mais momentos importantes comigo, ou alguma que marca uma fase inesquecível ou que me lembra alguém. Hoje lembrei-me desta, porque foi com a Florbela que compreendi melhor o que o Alentejo nos pode fazer por dentro. Tenho para mim que ter uma planície aparentemente sem principio nem fim que desagua num oceano, como berço, nos faz acreditar que teremos sempre caminho por e para seguir, sempre, mesmo que pareça difícil o horizonte a alcançar. Deixo-vos os Trovante, para mim uma das melhores bandas portuguesas, num poema extraordinário de Florbela Espanca.



     Porque perdermo-nos por amor a alguma coisa ( pessoa, ideal, sonho, profissão)  é a única verdadeira razão de estarmos vivos

sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Devolver-me


As grandes cruzadas dos tempos modernos são mesmo aquelas que se travam dentro de nós. E o meu Santo Graal ainda continua à minha espera.  Mas já estive muito mais longe do doce sabor que se sente quando finalmente atingimos o objectivo porque esperamos muito, sofrendo ainda muito mais. O meu era muito simples e ainda assim tremendamente difícil de atingir. 
"Põe os teus olhos no alto, rapariga, é no céu que se encontram a luz e as estrelas".

Uma cabeça erguida é o melhor de que te podes orgulhar!





sábado, 6 de junho de 2015

Testes e equilíbrio

A época de testes está a chegar ao fim e já se avistam no horizonte o tempo das férias! Mil e uma voltas e reviravoltas e a vida fica mais leve. Não sem antes passarmos pelo Alegria e Movimento. É nestes dias que sinto que nos queixamos demais. Tantas modalidades, tantos miúdos a praticar desporto, desde o Xadrez até às artes marciais. Tenho orgulho de ter os meus filhos incluídos nesta festa. Cada um com a sua modalidade, já tendo experimentado várias delas. É um orgulho ver que a formação dos miúdos já não passa só pela vertente académica e gostei bastante de ver, também, o desporto escolar tão bem representado. Devemos orgulhar-nos disso. Devemos sempre orgulhar-nos quando desempenhamos o melhor que sabemos e podemos, o nosso papel. Mesmo que não seja perfeito, mesmo que não seja o melhor que existe, ou o que pensamos que queríamos que fosse . Quando fazemos o melhor que conseguimos dentro das circunstâncias, devemos sempre orgulhar-nos disso. Porque perder faz parte da vida, mas é a perder que se aprende o sabor do que realmente vale a pena e do que nos faz bem. A alegria e o movimento que vêm de dentro, são umas das mais importantes conquistas, na nossa vida!