terça-feira, 27 de outubro de 2015

A vida é bela

Há já algum tempo que não sentia o cansaço como hoje. Medito algumas vezes no que ouvi dizerem-me um outro dia - qualquer coisa como: é no tempo em que podes descansar mais, que te sentes mais cansada, porque podes sentir-te assim. Seja! Também podia dizer que a aposta em abrandar um pouco o ritmo e tentar refriar as constantes mudanças de turno, a que as 40 horas obrigam, e o duplo emprego - um part-time a que as despesas ( ou a crise , se preferirem e não dar aspecto de despesista) - obrigam, me permitiram diminuir a dose de medicação e que isso também tem consequências ( bem me queria parecer que ontem devia ter tomado o comprimidinho milagroso mas , mais uma vez, achei que ia conseguir aguentar) . Ainda assim, e embora não tenha conseguido fazer tudo o que tinha previsto para hoje, já adiantei bastante as tarefas "orgazinacionais" que tinha para completar. Desconfio que já tenho uma máquina de calcular valores aproximados na cabeça, que me permite fazer contas com tabelas de despesas, ganhos , descontos e valores a crédito e a débito a uma velocidade que até a mim me espanta. Já não estava habituada a ter a cabecinha a funcionar tão bem há muito tempo a que se soma a contemplação dos resultados com aquela sensação de dever cumprido. Ah! como é bela a vida. Revisão do carro e da coluna marcadas ou em vias de; pagamentos realizados; nova previsão para o mês com boas perspectivas entre créditos e débitos; a loucura consumista do mês também já perspectivada e daqui para a frente é gestão corrente ( espero eu) . pffff!!!Na verdade olho para trás, para o último ano e penso que talvez tenha corrido melhor do que esperava. Até já consegui, um dia, deitar-me no sofá a ver televisão e imaginem! não me sentir culpada por ter deixado alguma coisa por fazer ( porque não deixei e isso é uma coisa espantosamente nova para mim) . Hoje os planos são experimentar outra vez para ver se consigo...

E por falar em a vida é bela, como tenho saudades de ver um filme assim...


domingo, 25 de outubro de 2015

Um clássico

Quando há alguns anos insisti em chegar mais cedo a um festival porque queria ver uma banda portuguesa que iria actuar num dos palcos laterais, estava longe de imaginar que tudo o que fizessem a partir daí iria fazer parte da minha história de alguma forma. Depois disso voltei a vê-los ao vivo algumas vezes mas nenhuma vivida tão intensamente como no coliseu, onde a voz e a presença em palco me provocaram sensações que perdurarão na memória. É para isso também que servem os espectáculos, a arte , se preferirem. Podem provocar-nos sensações inesquecíveis e outras que vamos querer nunca mais recordar. Tenho facilidade em bloqueios e embora haja quem ache estranho eu agradeço à natureza por me ter dado esta capacidade. Se não fosse ela algumas memória de vida seriam muito difíceis de ultrapassar.  Com 20 anos de carreira, ouço-os desde o primeiro album e não me arrependo. É que mesmo já não sendo a jovem que fui ainda acredito que algumas músicas parece que foram feitas para mim




...e no fim da grande estrada há sempre um partir, mesmo que sinta que algo em mim aqui morreu...      Sou eu .


Ps: agradeço ao meu sporting que num dia em que muito precisava me demonstrou que mesmo num ambiente hostil, quase infernal, podemos sempre mostrar a garra de que somos feitos e no fim das contas quem sabe, até ganhar. Ganhar e perder dependem sempre do ponto de vista e da forma como olhamos o que acontece e é daí que retiramos a paz de que tanto necessitamos por estes dias.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No Reino de Aquém e Além dor

Costumo dizer que há músicas que nos definem. Há quem tenha uma música favorita, eu tenho muitas. Há, por isso, muitas músicas que me podem definir: depende do estado de espírito, do dia, do que me vai no pensamento; uma fase da vida, ...coisas... ou como diria um colega meu, cenas. Geralmente são as mais antigas, aquelas que passaram mais momentos importantes comigo, ou alguma que marca uma fase inesquecível ou que me lembra alguém. Hoje lembrei-me desta, porque foi com a Florbela que compreendi melhor o que o Alentejo nos pode fazer por dentro. Tenho para mim que ter uma planície aparentemente sem principio nem fim que desagua num oceano, como berço, nos faz acreditar que teremos sempre caminho por e para seguir, sempre, mesmo que pareça difícil o horizonte a alcançar. Deixo-vos os Trovante, para mim uma das melhores bandas portuguesas, num poema extraordinário de Florbela Espanca.



     Porque perdermo-nos por amor a alguma coisa ( pessoa, ideal, sonho, profissão)  é a única verdadeira razão de estarmos vivos

sábado, 10 de outubro de 2015

A ver se a gente se entende...

Continuo a não perceber quando as pessoas não entendem que tudo muda. Às vezes as melhores intenções levam a acções com repercurções muito maiores ou piores do que se estava à espera. Por muito que nos esforcemos por ensinar alguma coisa a alguém por vezes isso que tentamos transmitir é percebido ou sentido de forma totalmente oposta e desproporcional e só conseguimos destruir o que outros alcançaram. Às vezes um caminho errado leva-nos para trás, muito para trás.  Enfim um desabafo de quem joga noutro campeonato.

Depois de fazer aquilo que é a minha última acção dos dias que correm ( tomar a minha dose de comprimidos diários, que me permitem viver mais ou menos bem) , finalmente consigo ter um bocadinho para mim, roubo-o ao tempo de descanso, mas entre uma coisa ou outra é necessário um tempo para sentir, só sentir, sem ser a dor física, entender-me.
Continuo a chegar ao fim do dia, com muita coisa por fazer, cansada. Por aqui quase nada está como gostaria que estivesse mas até a isso a gente se habitua ( os cabelos por pintar, as unhas ruidas e as calças do tempo da outra senhora nem me ficam assim tão mal) já desisti de deixar tempo para mim, não vale a pena. A agenda agora preenche-se com todos os compromissos sociais das crianças e nem para isso já tenho tempo. De todas as teorias modernas das que mais gosto é a de sair da zona de conforto e a dos objectivos. Sair, gostava e também me dava jeito um bocadinho mais de conforto. Quanto aos objectivos tenho muitos sendo que o mais premente está mau de ver. Perdidos que foram os óculos , há uns meses atrás, aguardo a disponibilidade para uns novos. Isso e uma corrente de distribuição para não começar a ir a pé, silveiras acima. É uma questão de prioridades e essas eu aprendi bem o que eram e as suas consequências quando mal equacionadas.
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado mas também não vale a pena ficar à espera de uma coisa que já não existe. Há quem tenha a oportunidade da sua vida mas prefira enchovalhar a raspadinha e jogá-la no lixo. Quuando vai buscá-la já está estragada. Não serve de nada.  Capisce?

O bom de tudo isto? Saber que tenho uma dupla oportunidade de ensinar 2 pequenas pessoas o que é realmente importante na vida. E esse é o meu grande objectivo, para que não passem o que passei. O resto, para mim, são balelas. De boas intenções, está o inferno cheio.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

como se tivesses outra hipótese

Hoje foi um dia bom, um dia grande . Um dia em que voltei a sentir que sou capaz de fazer muita coisa e que realmente desembrulhei uns quantos fios do novelo que me enleia. É nestes dias que damos um pontapé na pedra que estava no caminho, a que nos dificultava a progressão e nos fez especar à espera da solução. Dói-me o pé, é verdade. Talvez ela esteja lá mais à frente outra vez, mas por agora, festejo a solução de a ter feito desaparecer, mesmo que só por um tempo. No meio dos pensamentos, lembrei-me desta canção e voei novamente nas asas da imaginação. Boa noite!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Eu tenho um sonho!

Ainda pensei em não vir para aqui falar de politica, mas isso nem ia parecer meu. Sempre me considerei democratica e durante muito tempo achei que isso era simplesmente natural. Depois percebi que, infelizmente, neste país, não é assim tanto. Somos todos muito democraticos, desde que todos os outros pensem exactamente como nós. Se assim não for, obrigatoriamente nós estaremos certos e os que pensam diferente, errados - ora isto será muita coisa, mas não democrático, certo? Basta pensar um pouco.
O país escolheu exactamente o hemiciclo como o pensei no tempo que me foi dado para reflectir. Infelizmente as primeiras horas pós eleitorais demonstraram que provavelmente iremos ter mais do mesmo e que como democracia somos ainda como as crianças: ou é como eu quero ou então não brinco contigo! Triste será que para conseguir governar os que ganharam em votos efectivos terem que fazer acordos que permitam à partida  condições para governar. Têm que as ter, caramba, foram eleitos! ( calma, eu explico melhor se conseguir) .
Não devem haver muitas dúvidas de que sou simpatizante da social democracia ( e se as há, podem desfazê-las a partir de agora) no entanto isso nunca me impediu de ver as coisas como penso que devem ser .  Fui durante muito tempo filiada a um sindicato de esquerda ( e não me arrependo) . Se é para defender trabalhadores não há melhor que um sindicato de esquerda, até certa medida, porque se há coisa de que gosto bastante é de pensar com a minha propria cabeça - sou por isso absolutamente contra a disciplina de voto, seja em que medida for.
A mensagem que os portugueses enviaram aos seus politicos foi para mim bastante clara, resta saber se os governantes e politicos, conseguem ser suficientemente capazes ( talvez seja ainda cedo demais e estejamos rodeados, por enquanto, de politicos demasiado imaturos). Meus caros, a mensagem é clara e passo a traduzir em português corrente: nós não queremos voltar a um cenário de iminente bancarrota, nem tão pouco a viver  acima daquilo que nos é possível. Queremos o essencial e não o superfulo, a necessidade em detrimento da vaidade. Façamos então sacrificios para pagar o que devemos, e acertar as nossas contas, mas por favor, ao fazê-lo, não se esqueçam das pessoas, principalmente das mais vulneraveis e das que não conseguem sobreviver sem a ajuda de outros. Pensem em todos e não só nos que "gostam" mais, respeitem as diferenças e as minorias e tornem este local num melhor sitio para viver e sobretudo dêm vocês o exemplo, entendam-se e façam- se entender. No fundo, no fundo, acho que deve ser qualquer coisa como isto. Pelo menos foi assim que o sonhei. A ver vamos, como dizia o cego! 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Voto nisso

A caravana ainda não chegou mas deve estar quase e pelos vistos conseguiu cumprir a sua missão! Estes movimentos são muito importantes não só porque nos dão esperança na humanidade como nos levam a querer também participar, fazer alguma coisa. Como li num texto da pagina do facebook ( qualquer coisa nesta base) : Não importa quem se ajuda, se os lá longe, se os cá perto, o que importa é ajudar e querer ser participativo no que se passa à nossa volta. O que me leva direitinha às eleições. Pela primeira vez nestes anos em que participo como cidadã ( e tenho participado sempre) não tenho ainda a certeza do que irei fazer. Sempre gostei de decidir em silêncio, longe de barafundas e opiniões alheias, embora me fundamente sempre no melhor que vejo e ouço. Amanhã tomarei uma decisão. Só de uma coisa tenho a certeza, se nada me acontecer até lá ( lagarto, lagarto, lagarto)  no domingo irei votar !