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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Zona Jovem de outros tempos



Ontem voltei a um lugar que é também uma parte de mim. Há 14 anos que não ia à praia a Melides. Tenho lá ido, claro, vi as transformações, mas fazer praia, nunca mais fiz desde que o meu mais velho nasceu. Ainda recordo as ondas enormes, as loucuras dentro e fora da praia. Nem sei bem porquê, lembrei-me desta música . Aquela era a nossa danger zone. Éramos autênticos aviões a experimentar os nossos limites. Uma dog fight contra nós próprios à descoberta da nossa identidade. Tempos irrepetíveis e que nos ensinaram muito, a base do que tivemos, cada um, que aprender depois. 
Dói-me, como deve doer a todos, o que nos fizeram à praia. Não falo das barracas que hoje seriam um atentado à natureza e à paisagem, mas enquanto as praias da zona prosperaram a olhos vistos, Melides parou no tempo e na nostalgia. Parece que já nem as ondas querem ser um grito de liberdade, a rebeldia que caracterizava o lugar e que aprofundou muitos laços de amizade que duram até aos dias de hoje, como se tivesse sido ontem a última noitada. O que foi, não volta a ser, mas Melides merece investimento e recuperação, merece ser colocada no futuro, para que os nossos filhos possam saber que gerações de Grandolenses se fizeram ao mundo, por ali e que muito mais do que a fama que lhe ficou, de lugar de escaramuças, o que realmente sobrou daquele tempo foram as amizades e as recordações conjuntas, as gargalhadas e o que passámos, juntos. Na vida é isso o que mais importa,  o que fica, o que nos sobra por cima de tudo o resto, por isso, continuo a achar que Melides merece mais! 

sábado, 30 de julho de 2016

Sintonizada comigo!



O festival já tem 17 anos mas, na verdade, nunca tinha lá ido. Talvez porque o seu começo foi já depois de ter iniciado a minha vida activa, como enfermeira ( a respeito disso, parabéns a todos os do Grande XI curso da ESEBB porque fazemos hoje 18 anos de curso! ) e estava longe. Quando regressei ao Alentejo, comecei a perceber que as noites de FMM eram sempre demasiado"animadas" para o gosto de quem trabalha num serviço de urgência. Apesar de algumas colegas me dizerem: vai! vais adorar. Tem mesmo a tua cara - nunca me decidi a lá ir, achava que talvez já fosse "demais" para mim. Há certas festas que já não aguento ! Decidi-me a ir ontem, a convite de uma amiga com um ritmo de vida muito semelhante ao meu. Fui e adorei! E não é que aquilo tem mesmo a minha cara?!!! Há coisas para as quais algumas palavras não chegam. Deixo-vos um video de publicidade do ano passado, que me parece capta muito mais a essência da coisa do que os spot`s publicitários deste ano. É ver e ficar com água na boca para lá voltar, todos os anos!










quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ainda a lutar contra a falta de energia

...depois há aqueles dias em que a maldita ataca e eu perco a vontade a força e a coragem. Só me apetece a minha casa e as minhas coisas. Para aqui andei, aos "trambolhões", entre o sofá, o livro, a cama e a cozinha. 
Já há algum tempo que andava com vontade de ter uma máquina de pão. Fui descobrir uma, pouco utilizada, na casa da mãe, que reverteu em favor desta que por aqui "escrevinha" umas coisas. Como não podia deixar de ser, pus-me a inventar. A receita original seria esta , só que eu não tinha metade destes ingredientes, nem sabedoria e paciência para a fazer integralmente e por isso, inventei. Foi fácil: troquei a farinha espelta branca por farinha de trigo integral e a farinha de centeio por farinha de milho, as papas de aveia transformaram-se em 180g de flocos finos de aveia não coloquei o malte de cevada nem as passas que se transformaram em nozes " a olho" . O fermento, embora não vá de encontro à filosofia inicial da autora, foi mesmo fermento quimico ( 25g) que era o que havia cá em casa. Tudo para a maquina do pão e em mais ou menos 4 h o resultado foi este : 



Para primeira vez nem ficou nada mal. O coitado ficou com aspecto de quem já tinha sido comido antes de sair do forno o que significa que para a próxima terei que aumentar as doses. Estava gostoso ( ou não o teria colocado aqui) e com mel ficou uma delícia. Agora, finalmente, posso alternar os meus pequenos almoços e lanches sem ficar com a consciência pesada de que estou a consumir hidratos de carbono a mais. Resta saber se os miúdos vão aprovar estas novas invenções da mãe. Para quem gosta e tem mãos e paciência para a cozinha, é de experimentar estes pães do artigo, que devem ser uma delicia.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ideias felizes

Muito se fala em Portugal e nos países europeus da quebra na taxa da natalidade. Existem muitos motivos para isso é já na altura do meu curso abordamos esse problema. A verdade é que as mulheres têm hoje perspectivas de vida muito diferentes das que tinham à algumas gerações atrás. Para além disso, os recursos sociais são cada vez menos e mais dispendiosos o que leva a que depois do primeiro filho qualquer casal pense muito bem antes de ter outro filho. Vai muito da perspectiva de vida de cada um, dos planos que formulou para o futuro e até dos sonhos que tem. Criar filhos, educa-los, dar-lhes a atenção e carinho necessários é difícil para qualquer mulher que concomitantemente queira ter uma carreira. Imaginem então para uma mulher solteira ( divorciada/viúva) que tem planos e projectos para sua vida. Não só é difícil como é quase uma tarefa hercúlea...sendo que são precisos muitos mais do que os 12 trabalhos de Hércules e alguma sorte. Em Portugal significa trabalhar/ gerir/ programar quase 24 horas por dia com direito a sensação de cansaço quase contínuo que a bem ou a mal somos obrigadas a ter que aprender a saber lidar com tudo isso.
O que mais me chateia no meio de tudo são os pressupostos de que temos que aguentar. Aguentar e, se possível, fazer pouco barulho. Acredito ser esse o motivo que leva muitas mulheres a manterem casamentos e uniões que não as faz felizes. Acredito também que é esse o motivo porque muitos homens se sentem presos nos seus casamentos.
Uma questão de sobrevivência, portanto. Partindo deste princípio, que pode estar errado, admito que alguns problemas sociais se resolveriam com um maior apoio à maternidade/paternidade, admitindo também que nem sempre são as mães os melhores cuidadores. Parto do genérico para chegar ao particular. Das boas opções de apoio é sem dúvida a do nosso município que tomou a resolução de apoiar todos os meninos do 1° ciclo com a compra dos livros escolares. Para mim é uma ajuda fantástica e extremamente útil, muito mais útil do que a isenção de dos meninos no serviço nacional de saúde, sabendo nós que o serviço não tem capacidade de resposta para doença aguda, apenas para o seguimento regular. Muitas vezes se se pensassem nas medidas que se tomam - benefícios versus custos - muito do show off eleitoral seria dispensável e estaríamos de facto a aumentar a qualidade de vida de todos nós. Porque produtividade, lá está, pressupõe algum tipo de qualidade para não voltarmos ao tempo da escravatura.

domingo, 24 de julho de 2016

Saudável acima de tudo

Durante as férias nunca sei muito bem a quantas ando ( bem na verdade eu nunca sei muito bem a quantas ando, nem mesmo quando estou a trabalhar, por causa dos turnos) . A numeração mensal não é difícil, porque para saber que turno faço, tenho que saber a quantos estamos, mas os dias da semana são sempre um enigma para mim. Hoje sei que é Domingo porque é o dia da Ultra Maratona Atlântica e os miúdos foram com a tia assistir à chegada em Tróia, pelo que tenho tido o dia inteiro só para mim. Praia ao Domingo não é o meu exercício favorito, estou mal habituada, e detesto praias a abarrotar de gente e, ou tenho boa companhia ou então prefiro nem ir. Têm estado dias muito quentes este fim de semana e cá em casa não há piscina ( essa infelizmente é amovível e ficou na casa dos netos) assim o engenho e o calor fizeram-me arranjar uma geringonça com a mangueira para tomar o duche no quintal e manter a temperatura a níveis médios ( sendo que a esta hora ainda estão uns módicos 32º dentro de casa)  Hoje prevêm-se banhos no quintal até mais ou menos às 10h da noite. Mas o calor, para além de obviamente... calor, traz também os raios Ultra violetas e eu sinceramente embora só goste de praia com calor não gosto dela às horas de maior exposição. Além disso andam por aqui uns sinais a mudar de forma e consistência o que me vai dar que fazer depois das férias: ir mostrá-los ao dermatologista. Entretanto ela, que detesta "besuntisses" é cremes e mais cremes, porque tem que ser. Entre "besuntisses" e aspecto de velha, prefiro as "besuntisses"( ainda ando a curtir o facto de me terem dado 20 e tal anos - é verdade que o sr ia ser operado aos olhos, mas isso não interessa nada!!!!) . Ainda por causa desta coisa dos sinais ( e dos meus gatos, conversa e mais conversa foi coisa que não faltou ontem) falaram-me nesta publicidade e vim à procura dela. Realmente a criatividade é uma coisa extraordinária e esta está mesmo muito boa : um alerta em jeito de mimo.





E agora vou refrescar-me na mangueira para depois ir comprar leite de soja que quero experimentar a minha iogurteira nova.Estou a apostar, em grande, na vida saudável!



sexta-feira, 22 de julho de 2016

A mais bela sintonia

Hoje foi um dia extraordinariamente feliz. Não só porque estive rodeada de 5 crianças ( perdão, 4 crianças e 1 adolescente) em fases de desenvolvimento completamente diferentes que interagem de uma forma absolutamente incrível, mas também porque finalmente, hoje, consegui dar por terminada a árdua tarefa de me desenvencilhar do resultado da má gestão do que foi o pior negócio da minha vida. Está feito! Já ninguém pode telefonar-me a dizer: paga o que deves! Está pago, caramba!!!!

Há pouco, antes de vir para aqui escrever, estive lá fora a ouvir as ondas. O pinheiro junto à casa está enorme. Fomos nós que o plantámos e é incrível a forma como cresceu nos últimos anos. Sinto-me aqui como peixe dentro de água. O mar a rugir lá ao fundo e o vento a passear-se por entre os cabelos do pinheiro criam a mais bela sinfonia que eu conheço e aquela que melhor define o que senti quando me sentei no banco da soleira - felicidade.

Agora posso finalmente pensar nos próximos objetivos sem ter sempre a mesma sensação de que falta alguma coisa, a sensação horrível de estar a faltar às responsabilidades.

Tendo em conta a dificuldade que senti para orientar as contas, imagino quanto tempo teremos que esperar até este mísero país se levantar do chão, de cabeça erguida, sem precisar de pedir dinheiro emprestado a ninguém para se governar. Gestão apertada e inteligente, sem desvarios nem manias de grandeza e sobretudo fazendo contas a médio e longo prazo e não a pensar só nos próximos meses. Não parece muito possível dada a conjuntura nacional. Por mim, estou safa!

Gosto de pensar que muitas vezes me comporto como hoje, no jogo de matraquilhos. 3 equipas a jogar ao bota fora. Olham para mim com aquele ar de " eu é que não quero ficar na equipa da cota" . Muito a custo lá arranjei um voluntário para ficar comigo, que o fez mais por respeito do que por vontade. " Tens noção que vamos perder? " . " Se calhar não..." Disse-lhe. Foram 4 jogos seguidos sem arradarmos pé do jogo e aquela cara de espanto " como é que tu fazes isso
? "

Se imaginassem as horas de prática e as noites e madrugadas a fio... O melhor de todos os saberes é sem dúvida a prática aliada à teoria da coisa! E eu tenho muita experiência disso.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

À beira mar



Têm sido uns dias calmos, tão calmos que sinceramente já nem estava habituada a isto. Numa tarde acabei de ler o livro que andava há meses a tentar ler.
Todos os alentejanos do litoral deviam ler este livro. Foi um livro que me transportou para uma memória que, acredito, seja comum a todos nós, nascidos nestas terras. Sines, aqui chamada de São Torpes, a Esplanada Alentejana nos seus tempos áureos, uma praia que a evolução destruiu e uma terra que mudou e se transformou tanto nos últimos 40 anos. Para além do romance, que vale a pena, este é um tratado histórico sobre uma das estâncias de Verão Alentejanas, sobre a nossa vida, sobre o que mudou por fora mas se arrastou por gerações e ainda chega aos nossos dias. Esta memória colectiva que põe a mulher independente num papel estranho perante a sociedade e a transforma ao longo dos anos, moldando-lhe o futuro, os comportamentos, fazendo-a esquecer, por vezes, os verdadeiros motivos da sua luta. Gostei bastante, tanto que fiquei com curiosidade de ver o filme e fiquei com vontade de repetir livros do mesmo autor. Para além de ser engraçado ler uma história a acontecer em lugares que conhecemos tão bem.

Passo já de seguida para o Oussia, que fui de propósito comprar à feira do livro e que vem com dedicatória para o Afonso. Já li todos os livros do Armando e gostei sempre. Ele escreve na ficção científica, imaginação, uma área pouco explorada pelos portugueses e escreve sempre bem. Diria que é algo verdadeiramente novo na nossa literatura.


Continuamos preocupados, claro! Mas o tempo e a paciência é a única formula mágica de cura que conheço para certos problemas. Não há outra forma senão esta de esperarmos o melhor e acreditar que há-de vir.

Boa noite e bons sonhos =)

domingo, 17 de julho de 2016

Quando as palavras não nos bastam

Estou há algum tempo à espera que me venham as palavras certas mas não há palavras certas quando parece estar tudo errado. Sei que muitos querem falar, querem expressar, queriam provavelmente ter-te dito muitas coisas. Nisso, o tempo e a vida ensinaram-me a dizer tudo e sei que sabes tudo o que quero dizer-te. É nestas alturas, e mais uma vez, que questionamos o porquê das coisas. Decido parar, dar-me um ano inteiro para me reconstruir em mim, sei que provavelmente não irias aprovar, como tantas vezes te disse coisas que não gostaste de ouvir, mas isso fica só entre nós. Antes de tudo isto pensava mais uma vez em fuçar as minhas possibilidades todas, esgotar todos os cartuchos à procura de uma coisa que nem tenho certeza de encontrar. A pressa é inimiga da perfeição? Tenhamos calma então! Uma calma que nos é impossível manter quando tudo parece estar errado. Aprendemos cedo de mais, nesta profissão, que há coisas que não têm porquês, são o que são, são como são, mesmo que sejam injustas, ainda assim sermos humanos é isto, revoltarmo-nos por serem assim e não de outra forma e continuar a acreditar que é possível, que há vários possíveis , várias hipóteses.

Pego no cliché de que o sorriso é o melhor que podes usar e acredito que posso ver-te voltar a sorrir. Porque quando muita coisa parece perdida, a fé e a esperança é tudo o que nos resta e é necessário abraçarmos qualquer coisa para manter a vida a caminhar. A linguagem perde a importância quando sabemos que pouco mais que nada podemos dizer senão coragem, acredita , luta. Vamos cá estar, por ti  mesmo que isso implique apenas e só acreditar. A vida nas suas voltas prega-nos chapadas dolorosas. Há que saber dar-lhes a volta. Pouco mais tenho a dizer, por agora, mas como amanhã não sei se irei cá estar envio-te esta oração para que saibas que penso em ti, torço por ti, espero por ti lá mais à frente, quando como tantas outras vezes, deres a volta por cima deste obstáculo. Acreditemos que é possível dar também, uma nova volta à vida.













segunda-feira, 11 de julho de 2016

No rescaldo das lesões

Chego a casa 12 horas depois de ter saído. Cansada. Ainda com a euforia de termos sido campeões, que se sente nos sorrisos, nas conversas, por todo o lado. Foi um jogo emocionante em que pela primeira vez, desde há muito tempo, acreditei, do princípio ao fim.

É bom perceber nas pessoas um rasgo de positivismo depois destes anos desgastantes para tantos.

Aguardo pacientemente os poucos dias que faltam para as minhas férias. Desde 2007 que não tenho 15 dias de férias sem ter que trabalhar em lugar nenhum. Há 9 anos que as férias se resumem a 3 ou 4 dias em que consigo por vezes sair daqui ou que vou alternando com outros tantos de um biscate qualquer que me dá fôlego monetário para as despesas extra. Este ano decidi parar. Não sem antes fazer uma pequena maratona para ter a certeza de que nada me faltará. Habituamo-nos a tudo e este ano vou ter que me habituar a não fazer mais nada do que voltar a estar sossegada durante 15 dias. Primeiro porque para ter os 15 dias significa que não vou poder mexer-me muito e depois porque quando nos habituamos a andar num corropio constante até parar é difícil. Eu desejo muito parar. Voltar aos meus livros, à minha praia, a tudo o que me faz ainda mais feliz. Houve um tempo em que julguei que fazer coisas que me pudessem acrescentar era a única maneira de poder ser feliz. Hoje sei que a melhor forma de ser feliz é poder dar-se ao luxo de parar. Mesmo que não se faça mais nada, simplesmente parar.

Fico contente de finalmente ter conseguido chegar aqui, poder parar. À custa de muita luta, muita conta de cabeça, algum (muito) sacrifício e sobretudo à custa deste corpo que já vai outra vez conseguindo dar, sem me pedir constantemente para parar.

Doem-me as pernas mas sei que amanhã estarei melhor. Sinto-me ligeiramente oca por dentro mas sei que se quiser consigo ir ler um livro ou ver uma série já a seguir. Já vou tendo espaços à minha volta que me permitem sentir-me orgulhosa do que consegui atingir. Faltam 5 dias e vou de férias e sinceramente houve um tempo em que achei que este momento não iria chegar.

Houve necessidade de ajustar alguns objetivos para conseguir isto. Espaça-los no tempo, mudar planos, perceber que agora tudo levará mais tempo a atingir. Mas se houve coisa que a vitória de ontem me trouxe foi a capacidade de voltar a acreditar que se quiser muito atingir algo que só dependa de mim, eu vou conseguir atingi-la, demore o tempo que demorar. É que às vezes, aquilo que parece um mal, até vem para nosso bem.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

De mim mesmo: Resistência todo o terreno

Feito. Não em modo perfeição mas a perfeição não existe. Exausta. Claro: naquela fase em que excusam de me pedir para pensar, ou para fazer, que não consigo. É nestes momentos que nos valem os amigos, os verdadeiros. É por isso que a minha política é há muito que quem sabe dar e receber merece reforço positivo, quem sabe receber só merece o reforço que dá. A sua própria moral é cada um que a faz. Quem não tem moral para dar não vale a pena pensar que vai receber de mim mais do que aquilo que merece. Tenho as minhas contas ajustadas com o Deus que me deram a conhecer de pequena. E esse era um Deus justo. A justiça pode demorar mas sempre acontece, sem se fazer mais do que esperar. Esperar pela minha vez , esperar pelo que necessito aprender, esperar pelo tempo certo que, acredito, há - de estar reservado para o que mereço. Sempre fui muito consciente daquilo de que sou capaz. No tempo certo. Pena que ainda haja quem não perceba esta minha capacidade de ter uma paciência de Chinês, bem disfarçada num corpo demasiado activo que por vezes me leva ao chão. Só que, no tempo que leva a minha vida, não houve uma única vez que não me conseguisse levantar. Mas isso só muito poucas pessoas sabem, só aquelas que merecem o melhor de mim!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sem título



O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus "comos" e "porquês". Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco - 86 bat.min - perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora...




sábado, 25 de junho de 2016

Fenómenos do " desenrascamento"

É um fenómeno engraçado mas está mais do que provado e comprovado. Quando queremos muito que algo num dia específico aconteça parece que os dias demoram anos a passar. Quando estamos felizes num dia específico ele passa a correr. Depois há aqueles fenómenos estranhos como o que me aconteceu nos últimos dias, em que acontece tanta coisa ao mesmo tempo que em 3 dias parece que passou uma semana.

Já fomos ao veterinário com os novos membros da família e correu às mil maravilhas. Toda a gente continua a achar que não sou pura por ser dona de gatos pela primeira vez e ainda assim ter ficado com 3 :  Ahh! Valente!
Tudo normal, o que não seria comum era se entrasse numa nova aventura da forma prevista.

Aniversário, combinações de última hora: dá para petisco, jantar, café, conversa, passeio, praia, tudo o que normalmente demoraria dias a combinar. Saiu melhor que a encomenda e foi um dia muito feliz, obrigada ! 

Finalmente os planos estão a tomar forma. Ir ao Ikea é uma das minhas visitas ao shoping favoritas. Ando, imagino, decoro, renovo, invento, consigo utilizar coisas da forma mais imprevista e ainda tiro ideias para procurar soluções ainda mais baratas. Aquilo é um verdadeiro lego gigante, em que podemos inventar milhentas combinações e, pasme-se, se tivermos mesmo muitas saudades , ainda podemos montar como quando éramos crianças. Eu passo por todas as etapas, incluindo aquela do derrape do orçamento 😞 . Gasto sempre mais do que o que pensei, à partida, gastar e depois tenho que andar a fazer ajustes nas contas para poder fazer face a tudo o que estava previsto. Adoro o mês do subsídio de férias!

Ao fim de 2 anos de aqui estar, a casa vai finalmente tomando forma. Ao fim de 7 anos o martírio que encontrei com o fim da vida em comum está a aproximar-se do fim. ( Srs do portal das finanças, agradeço a libertação das verbas que me são devidas porque se fosse ao contrário por esta altura já me estariam a falar em juros, sim????!!!! Temos que ser uns para os outros)

A ida ao Ikea foi longa, divertida, proveitosa mas sobretudo cansativa pelo que foi necessário encostar-me ao estaleiro depois de fazer noite. O meu aspecto hoje era tão aterrador que os miúdos nem tiveram coragem de fazer fita quando lhes disse que estava imprópria para consumo e incapaz de ir para a praia como tínhamos combinado. É bom quando nos conhecem não só pelo que dizemos mas também com o que transmitimos sem falar e essa é uma capacidade que nem todos têm. Tenho feito esforços para lhes transmitir esses ensinamentos e parece que estão a dar resultado. Hoje tive direito a jantar ( feito pelo mais velho) e a limpeza e arrumação da sala/escritório/ biblioteca/playground - o lugar de eleição dos miúdos - pelo mais novo e pelo sobrinho, tudo à conta de umas olheiras que mais pareciam a cratera do Vesúvio.

Tanta coisa se tem passado - e se vai passar tendo em conta a quantidade de " legos" que tenho para montar - que estes três dias parece que foram uma semana inteira de coisas feitas. Ainda deu para assistir à saída do Reino Unido da UE e ao que se passou em torno disso e pensar como é que alguém pensou que não era este o desfecho mais provável ( oi! People! O Reino Unido não aceitou a moeda única, certo? Eles têm a commonwealth certo? A pergunta certa - a que eu faço há já algum tempo - seria, como é que eles aguentaram tanto tempo???) A ver vamos o desfecho disto. A ver vamos as mudanças, a ver vamos os trabalhos que eu tenho que acabar até Setembro!  Adoro o tempo de férias, dá -me sempre mais energia para trabalhar😎

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Heróis do mar, nobre povo, nação valente, imortal - aqui começa a trapaça

Poderia dizer que entrámos mal, mas direi antes que entrámos como sempre, porque realmente é essa a minha opinião. Fiz uma pausa na tristeza para nos ver jogar e éramos nós que ali estávamos, campeões de bastidores, porque nem de bancada fomos. Uma seleção medíocre com 2 ou 3 grandes jogadores que, à sombra da fama, não fazem pela seleção aquilo que fazem pelos seus clubes, nunca percebi muito bem porquê. Falta-nos o sentido da nacionalidade. Somos sempre campeões antes de começar, depois vem a parte da realidade e voltamos à mediocridade que nos caracteriza ( "abençoada" a padeira que ficou com os louros de um dos maiores estrategas portugueses e ilustra bem o que pretendo dizer)

É uma selecção representativa daquilo que realmente somos. Medianos em altura e corpulência, com alguns, poucos, acima da média, numa miscelânea de cores e de tons universalisantes, que vestidos de qualquer uma das cores do sul passaria  por nação. Será provavelmente o fruto dos descobrimentos ou se preferirem de uma nação que há muitos anos se abriu ao mundo não por um objectivo concreto mas como forma de ultrapassar o marasmo, pensando que sonhando novos mundos eles nos compensariam. Puro engano, que a mediocridade nos serve apenas para abrir caminhos que outros virão atrás explorar.

Serviu para ficar ainda mais fã das terras do gelo. Dos que da grandeza que lhes tiraria velocidade, fizeram do bloqueio a sua melhor arma. Dos que, sendo ainda menos do que nós somos, se fizeram ouvir num grito de guerra e incentivo calando uma nação que se quer fazer grande, mas se rende ao pessimismo à primeira dificuldade. Falta-nos a moral. Preferimos a morte lenta e agonizante, a fome de tudo, à guerra. Continuamos a nação dos orgulhosamente sós, cada um a pensar no seu umbigo. Talvez não seja a saudade o que nos caracteriza mas o fado, o destino, que aceitamos, sem discutir ou questionar, porque se nos diferenciarmos alguém virá dizer que é apenas protagonismo e não mérito, alguém virá exigir que nos excedamos uma e outra vez. A mediocridade é confortável. Ficaremos contentes com um 3° ou 4° lugares e será bom. Desfilaremos o rol de dificuldades que nos fizeram abrandar e seremos orgulhosos dos nossos feitos que mais ninguém saberá muito bem quais foram. Deixaremos que joguem melhor que nós e no fim protestaremos que fomos roubados em vez de termos lutado na altura certa.

Já me convenci que faço parte de uma nação com estas características e tenho aprendido a viver dentro dela. Não me espantou o resultado, espanta-me é que ainda se espantem com ele. Não, não sou pessimista, sou apenas pragmática e já nem acredito que em tudo haja uma parte boa, o que pode haver, ou não, é vontade de aceitar o que se é ou passar a vida a sonhar que se vai ser o que nunca se foi e chamar-lhe psicologia positiva. Acho muito perigosa a ideia de que se lutares podes ser o quiseres. Criará provavelmente uma geração de seres frustrados que poderão ser perigosos. Prefiro acreditar que devemos estudar melhor as nossas características e a dos adversários tentando moldar-nos o melhor possível no sentido de obtermos resultados. É que ser apenas virtualmente campeão  é uma vitória que só interessa a quem não tem objectivos definidos, a quem lhe é indiferente as características únicas das peças que formam uma equipa. Uma perda/empate é sempre uma derrota, demos as desculpas que quisermos dar .

segunda-feira, 30 de maio de 2016

The sound of silence

Hoje é isto

Ouvi-os, pela primeira vez na rádio comercial e foi amor à primeira nota. Já gostava da versão original mas esta é toda ela, eu. A voz deste homem entra-me directamente no coração e lembra-me o que fui, que fez de mim o que sou hoje. Como os meus gostos podem passar de um extremo ao outro num abrir e fechar de olhos e isso não significar inconstância mas sim mente aberta a tudo o que é novo ou diferente.

Nunca julguei ninguém pelas aparências e não me assusto facilmente com o aspecto físico. Detesto rótulos ou grupos estereotipados e navego bem em qualquer onda. Gosto de descobrir pontos comuns e sobretudo gosto de saber o que é que, e como pensam as pessoas para me conseguir colocar no lugar delas. Dou por mim sem querer a catalogar grupos não pelo aspecto mas pela forma como pensam o que no limite poderá ser também uma forma de estereotipar 

De todas as vezes que me cruzei com personagens só me lembro de me ter assustado uma vez: festival sudoeste, um dos primeiros ( só fui aos 3 primeiros mas acho que foi mesmo o primeiro) . Concerto dos blur, que ainda hoje adoro, mas uma noite demasiado pesada. A meio do concerto tudo turvo. Nestas alturas lembrava-me sempre dos conselhos da minha avó e das atitudes do meu pai em situações idênticas ( se não sabes o que fazer a seguir, finge que vais c....r e vai-te embora) quando se dá pela falta dele já ele lá não está. Disse a 2 pessoas para que soubessem onde estava e desapareci. Deitada fora da tenda, a olhar as estrelas, a tentar ouvir o concerto, à espera que o globo terrestre diminuísse as voltas que tinha decidido dar sobre si mesmo nessa noite, comecei a ouvir passos. Era enorme ou pelo menos assim me pareceu. Tatuagens e piercings eram mais do que estrelas no céu. Tive medo, pela primeira e senão a última não me lembro de outro susto assim. Sozinha, se gritasse ninguém me ouviria naquele lugar e com o som do palco. Enfrentei. Deixei-me estar, como se nada fosse. Aproximou-se e a voz desconstruiu por completo a figura: boa noite. Apontou o garrafão de água à porta da tenda e perguntou, dás -me água? Dou, mas tens que beber num copo que aí ninguém mete o gargalo. Riu-se, dei-lhe o copo e a água, repetiu, agradeceu e foi-se embora. Não voltei a ver a figura no dias restantes mas serviu-me de ensinamento. Por muito que seja corajosa há procedimentos de segurança que nunca se devem ignorar, um deles é nunca ficar sozinha num descampado onde ninguém te possa ajudar em caso de necessidade ( isto foi no tempo em que não haviam telemóveis, bem entendido) . Também serviu para a certeza de que o aspecto vale zero na consideração a qualquer pessoa.

Fora das histórias, esta voz mexe comigo, especialmente na parte final da música que demonstra a potência e claridez que também pode ter uma voz forte. Isso e o arranjo. Extraordinário!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Da importância da gentileza

Há muitos anos disseram-me que era parecida com esta sra. Hoje ouvi na rádio uma música ( não foi esta) que pensei que fosse dela e vim procurá - la. Encontrei esta melodia ( com esta letra que me diz tanto) e lembrei-me deste espectáculo que tive a sorte e a felicidade de ir ver, só, ao coliseu. Um espectáculo fortíssimo e inesquecível. Só lá, consegui entender a parecença. Concordei. Para não variar chorei em algumas partes do espectáculo, o impacto da voz e das letras com a melodia é, tantas vezes, tão emocionante para mim que não consigo controlar o que sinto. Tenho saudades desses tempos em que podia ir assistir aos espectáculos que mais gostava ou que me suscitavam interesse, quer fosse sozinha ou com companhia. Mas o mundo gira a vida é um circo e o passado não regressa, só o presente se pode moldar ao nosso jeito. Tenho hoje outras coisas, que substituem essas, nomeadamente a possibilidade de não precisar de ir sozinha assistir a qualquer coisa, mesmo que sejam na sua maioria eventos desportivos. Talvez com o tempo regressem os espectáculos, por agora ainda não são susceptíveis de criar interesse na pequena mancha masculina cá da casa e há artistas que me recuso a ouvir. 
Gentilezas são hoje as grandes diferenças que nos separam e o amor é a única forma de as passarmos aos que nos são queridos, mesmo que por vezes seja muito difícil. O silêncio é um bom contentor de desespero e frustração e a forma mais gentil de mostrar o desagrado. A boa música a melhor forma de tratamento para as coisas do coração. É difícil, sobretudo para mim que tenho esta forma explosiva/reactiva, que nem sempre consigo controlar. Mas tento, todos os dias tento melhorar. Porque contínuo a acreditar no amor, apesar de tudo.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 

Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 

Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa "ciência" ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 

O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode "descambar" se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 

Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos - depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 





Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha "paixão" em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte...    










foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho 






domingo, 1 de maio de 2016

Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar





Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito -  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  
Beijinhos e obrigada  



E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar :D 




Para a mãe segura

Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010







sexta-feira, 1 de abril de 2016

Memórias do futuro

Já acabei de o ler. Um livro suficientemente pequeno para se ler num ápice e suficientemente grande para nos fazer reflectir. A vida de um homem, de uma família, numa perspectiva temporal e emocional. Fez-me reflectir - gosto disso num livro - que memórias terei eu guardado, daqui a uns anos? e os meus, que memórias guardarão de mim? Como sentirei eu o percurso que criei ao longo dos anos ?
 
 
 

segunda-feira, 28 de março de 2016

Brindes de Páscoa

5 dias que souberam a pouco. Um livro finalmente acabado ( acho que nunca tinha demorado tanto tempo para acabar de ler um livro e não foi por não gostar de o ler) outro começado. Arrumações em casa, torneios desportivos com os miúdos, festa de família , cantorias, doces e boa comida. Um novo começo com a sensação que não descansei o suficiente e com vontade de ficar mais uns dias. Uma horta a renascer. É a Primavera no seu âmago. Entretanto as bombas vão rebentando pela Europa e nós, para tristeza minha, vamos mostrando medo. A vida não pode e não deve deixar de se viver só porque uns quantos loucos não concordam com o modo como a vivemos. Ainda assim agradeço todos os dias o jardim onde nasci e não me ter decidido a ir embora quando o podia ter feito. Talvez estivesse melhor, sim, mas a qualidade do que ofereço aos meus filhos, bem pesadas as coisas, continua a ser bem melhor por aqui. É que o dinheiro tem menos valor do que se pensa, na vida!
 
  

quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.