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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
A Zona Jovem de outros tempos
domingo, 8 de maio de 2016
Cerejeira em flor
Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,nas águas profundas da minha admiração
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Tempo de desejar
Aqui há uns anos se me dissessem que iria ter anos assim, nem acreditaria. Mas tive e passaram. Se me dissessem que me sentiria assim, feliz, por estar em casa, num dia de festa, ficaria incrédula, mas aconteceu. Às vezes é necessário conhecer bem o sabor da perda para reconhecer o melhor dos paladares.
É neste sentido, não esquecendo o que perdi, mas reconhecendo por isso o que posso vir ainda a ganhar, que vão os meus desejos/planos/ projectos para o ano que agora chega.
O meu ano chegou em paz, a fazer uma das coisas que melhor me faz ao corpo e à alma, neste momento, descansar.
Começa ( 2016) com algumas perdas que me lembram como é necessária força para acreditar que tudo tem um propósito e que podemos aproveitar os maus momentos para nos fortalecer. Das perdas se constroem os ganhos, saibamos nós dissecar as aprendizagens que nos são oferecidas quando as situações não vão ao encontro dos nossos desejos.
Espero acabar o que comecei à alguns anos e já deveria ter acabado. Está - me a provocar gastos e frustração desnecessária - a especialidade.
Desejo mais tempo para mim, para a minha família, para os que me são queridos e me fortalecem com a sua presença. Só esses valem a pena. Só aqueles que são capazes de ficar, nos bons e nos maus momentos, merecem o melhor de nós.
Poupar, para não voltar a deixar apanhar-me no despesismo alheio.
Exercitar a minha memória e a minha atenção, focar-me no essencial e reaprender a programar e planear com sentido - demasiados anos de serviço de urgência, burnout e excesso de trabalho destroem a nossa capacidade de pensamento estruturado, simples e eficaz.
Voltar a redescobrir os meus gostos particulares e peculiares, de que sou eximia defensora embora existam alguns que, sei-o agora, ficarão sempre comigo, mesmo que a memória teime em querer apagar tudo.
Dar todas as ferramentas necessárias para que os meus filhos saibam decidir com clareza e percebam a importância disso no seu futuro.
Tudo isto resume o meu desejo essencial desde que sou miúda. Quando vejo um avião, uma estrela cadente ou engulo à pressa as 12 passas que trago apenas porque a tradição assim o prevê: o que eu quero mesmo é ser feliz. Eu só não sabia é que a felicidade não é um estado.é uma escolha. Agora, já sei! Vou fazer por escolher ser merecedora da minha felicidade.
Feliz 2016!
sábado, 19 de dezembro de 2015
Enigma
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
A vela
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
A última morada
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
A reviravolta da batata frita
Setembro é sempre um tempo de ajustes e mudanças e o meu Setembro é, inevitavelmente, sempre assim. Mas agora já chegou Outubro e com ele o Outono.
Mudei de casa, estou a mudar de hábitos alimentares, mudámos de estação e, claro está, mudamos as cores do blog para adaptá-lo ao Outono, sempre com a imagem do Verão à cabeça. Parece-me bem e além disso eu sou incapaz de manter seja o que for, sem me permitir ou perspectivar a possibilidade de mudanças, que não têm que ser rupturas, apenas ajustes ou, mais que não seja, mudança de visual.
Nesta coisa das mudanças acrescento a tentativa de alterar os hábitos também dos meus pequenos ( cada vez maiores, mas vá! ). A batata frita, essa amiga inseparável da alimentação dos meninos sofreu também ela uma mudança e passou, desde ontem, a chamar-se oficialmente, lá por casa, a batata rústica! Vai ao forno, juntamente com 3 colheres de azeite e uns acompanhantes a gosto ( que podem ir desde a pimenta ao alecrim, passando pelo louro e os coentros) e quando está bem tostadinha lá vem ela, muito mais saudável, acompanhar as nossas refeições ( que agora são sem televisões e sem qualquer outras interferências que não sejam as nossas próprias conversas ou os desastres culinários). Se vai ser difícil adaptarmo-nos a tantas alterações? provavelmente até vai, mas nada é impossível desde que se queira muito, de facto, alterar o que não nos faz bem...
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Confiança!
O céu esta manhã apresentava-se com umas excelentes combinações de roxo. Mas que raio de cor para se definir um céu da manhã??!! Eu explico. Gosto das combinações da cor vermelha com o azul ( aliás gosto de combinações de cores, especialmente se estas estiverem muito próximas das cores primárias) e o azul do céu ou das nuvens, quando o sol nasce ou se põe, adquire aquela tonalidade forte que o sol tem a essa hora, misturando primeiro os tons mais fortes, que vão aclarando até que o astro rei se levante, e vá ficando cada vez mais claro e luminoso. Essa mistura inicia-se num roxo que vai passando a rosa depois a alaranjado e finalmente com as cores que definimos como as "normais". É por isso que o nascer e o por do sol são para mim as mais bonitas horas do dia e é por isso que, embora me custe a abandonar o ninho, fazê-lo a tempo e horas acaba por ser uma óptima forma de começar o dia: porque tenho tempo e disponibilidade para me encantar com estas pequenas coisas que tornam o meu dia mais bonito logo de inicio.
Gosto de chegar com tempo, embora nem sempre me seja fácil, gosto de preparar as possibilidades, gosto de saber ao que vou antes de começar. Deve ser por isso que as minhas malas, carteiras ou o que lhes quiserem chamar andam sempre a abarrotar de coisas que aparentemente não servem para coisa nenhuma. Mas são essas "coisas" que me dão a segurança de ter o que preciso numa situação de "aperto". É por isso que agora, ao ultimar as mudanças, me deparo com uma "colecção" de objectos enorme e que vou ter que , de alguma forma, seleccionar, arrumar, algumas dispensar e outras reutilizar. Mas é bom reencontrar-me com muita coisa que não encontrava à tanto tempo. Transmite-me a noção de reconhecimento, de segurança e sobretudo de pertença. Tal como é bom, de manhã, reencontrar num céu as cores que tanto gosto. Porque mesmo repetindo todas as manhãs o mesmo caminho, vendo todas as manhãs o nascer do sol, não há vez nenhuma que não lhe encontre um pormenor diferente, uma nova tonalidade aqui e ali, uma nova forma de olhar para o que me é familiar, mas ao mesmo sempre novo e tão querido com a confiança que o dia também me sorrirá!
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Organizar as ideias...
Com tanta coisa para gerir e organizar, tanta tralha que não sei onde se gerou ( poderia jurar que a tralha aparece por geração espontânea) por mais que tente é-me quase impossível não ter os cabelos praticamente todos em pé, por estes dias... na verdade tem-me valido o espaço, que já vou conseguindo novamente dar, a coisas de que gosto mesmo muito. Dêem-me concertos, museus, espectáculos e actividades que mantenham viva a minha necessidade de conhecimento e eu serei feliz!
Já conhecia a Byfurcação não sei bem de onde ( provavelmente do facebook ou de algum comentário de alguma amiga) e já tinha prometido a mim mesma que não me escapariam estes espectáculos. A ideia de peças de teatro em espaços históricos e culturais ( que temos tantos e tão bonitos e às vezes mal aproveitados) é daquelas que eu poderia dizer " esta ideia podia ter sido minha", mas não foi e ainda bem porque se fosse provavelmente não passava de uma ideia! Pois foram os vouchers do SAPO que me deram essa oportunidade e eu não desperdicei! Duas semanas seguidas, dois espectáculos pela Byfurcação: A volta ao mundo em 80 dias - para os miúdos - e Pedro e Inês - para mim.
Confesso que estava com um pouco de medo da peça dos miúdos: Já que o meu Afonso não é rapaz de estar quieto muito tempo, sem uma sala propriamente dita, o medo de que fugisse " atrás de uma borboleta" em vez de assistir à peça era muito. Mas até nisso o espectáculo está bem montado ( encenado que se diz??!!) e eles andam às voltas, nunca quietos, num jardim, atrás dos actores que captam muito sábia e facilmente o interesse do público. Adoraram, todos, e eu também. Melhor ainda foi ter ficado com mais um livro para ler nas noites de Inverno e com muita coisa nova para visitar, já que estar no espaço do Museu Nacional de História Natural e Ciência ( a casa do "tio Rex") nos aguçou a curiosidade!
Mas bom, mesmo muito, muito bom, foi assistir ao Pedro e Inês, na Quinta da Regaleira. Os jardins, a iluminação do espectáculo, o espectáculo em si, o ambiente que se cria, com os cenários improvisados e naturais e claro! a história da "nossa" Inês de Castro, a rainha de Portugal, coroada depois de morta!
Talvez ser uma apaixonada pelas histórias por trás da história me tenha ajudado a conhecer melhor esta "lenda" e talvez a minha paixão por terras de Coimbra também tenha ajudado, não sei... Mas uma vez que me pediram, aqui vai um resumo do que supostamente aconteceu a este casal de namorados em 1300 e troca o passo...:
D. Pedro, filho de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, como todos os futuros reis, casar-se -ia com a filha de nobre de sangue real que mais favorecesse o Reino de Portugal. Casou-se primeiro com Branca de Castela, que viria a repudiar por incapacidade física e mental. Depois seria escolhida D. Constança, também de Castela e com ela, no séquito das aias apresentou-se D. Inês de Castro. Como o coração não conhece razões de estado, Pedro e Inês apaixonaram-se e nem as manobras da princesa D. Constança, nem os filhos D. Luís que viria a falecer uma semana depois do parto e D. Fernando, nem tão pouco as preocupações de D. Afonso IV em relação a esta paixão os conseguiram separar.
D. Afonso manda exiliar D. Inês para Trás-os-Montes mas "não separou os apaixonados que comunicavam entre si por cartas levadas e trazidas secretamente. Quem fazia o serviço de correio, eram os almocreves que transportavam mercadorias de cidade para cidade, atravessando coutos e concelhos, segundo ordem dos burgueses seus patrões. Os almocreves levavam consigo as cartas de D. Pedro para Inês. Foi assim que o amor de Pedro e Inês, longe de perturbar-se ou amortecer, se tornou mais sólido e capaz de superar quaisquer obstáculos e adversidades. "
D. Pedro acabou por conseguir trazer D. Inês para Coimbra e viveram felizes em Santa Clara, depois da morte de parto de D. Constança. Tiveram 4 filhos, Pedro e Inês, e D. Afonso IV, com receio de possíveis guerras de sucessão entre seus netos e de influências futuras de Castela no reino, aproveitando uma caçada de D. Pedro, que o fez ausentar-se de Coimbra, cede às pressões dos conselheiros e manda matar Inês, em 1355, decapitando-a.
D. Pedro cega de raiva e com o apoio das gentes do norte inicia uma guerra civil a que põe termo logo de inicio por intervenção de D. Beatriz, sua mãe. Mas não esquece e depois da morte de D. Afonso IV, é coroado rei (em 1357) e dá caça aos assassinos da sua Inês, mantando-os em público e organizando um banquete em honra da matança.
D. Inês foi transladada para o mosteiro de Alcobaça, depois, para um dos dois túmulos que D. Pedro mandara construir ( um para si outro para Inês) . Diz-se que o cortejo foi enorme, sempre com o povo a chorar e a aclamar a rainha e que ao chegar a Alcobaça , Pedro que supostamente teria casado com ela em 1354, declarou-a rainha, obrigando os nobres à cerimónia do beija mão ( blheccc)...
Reza a história que Pedro foi um bom rei, justo, que gostava de dar de comer a quem tinha fome. Fernão Lopes define D. Pedro como um rei " justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. A sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer». "
Curioso e irónico, no meio de tudo isto é que D. Fernando, o neto que D. Afonso IV queria proteger, ter querido ser herdeiro do trono de Castela o que nos custou guerras e quase a perda de independência. D. Fernando foi o ultimo da sua dinastia, mas a que se seguiu, a Dinastia de Avis, levou ainda o cunho de D. Pedro, sendo que D. João I era o único filho que restou, ilegítimo, sem ser do sangue de D. Inês, filho de uma tal Teresa Lourenço, da qual pouco ou nada se sabe ... giro, não??!!!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Na mão certa
Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.
Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Coisas lindas
Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"
Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...
Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!
Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Um dia ainda escrevo um livro...
O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada, e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.
O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios! Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas...
Ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos os originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos).
Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou-me sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro, para o bem de todos, é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Smille!!
Já me vou parecendo comigo :) ( smille!)
Para isso muito têm contribuído as receitas com muita fruta e alguns vegetais, que aprendo com os blogs que vou lendo ( ao lado, no blog) . Ainda bem que existe a internet, que nos permite aceder a tanta informação, quando mais precisamos dela !!!
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Passito a passito
Sei quais serão as cores de todas as paredes, as janelas a aumentar para deixar entrar a luz ( uma casa sem luz natural é um refugio e não uma verdadeira morada) e os pequenos pormenores de decoração, que me deixam verdadeiramente entusiasmada ( são os pequenos pormenores que fazem a diferença - sempre - são eles que dão o toque de personalização e fazem daquela a nossa morada, nos caracterizam e nos dão a sensação de pertença, de reconhecimento, de paz ) .
Escrevia eu há uns anos num livro que não chegou a ver a luz ( ou pelo menos, não nos moldes mais comuns) :
" As coisas simples revestem-se de mantos de luz que iluminam os dias cinzentos. Segredos são partes de nós, como a própria carne que nos mantém vivos. Sonhos são janelas abertas para outras dimensões que também elas fazem parte da vida. Essa magia que invade o corpo e o transforma em muito mais do que biologia. São a outra parte de um eu que só em sonho é livre..." ( d`O livro da Feiticeira)
está na altura de começar a dar corpo aos sonhos, a trazê-los para o outro lado da dimensão viver, da dimensão sentir. E é passo a passo que vou tomando conta do meu lugar, da minha vida, do que sonhei ser e sentir num lugar construído a pensar na família, no meu lugar... Já só falta o jardim, mais difícil de prever e planear porque a natureza terá que dar o seu contributo para que esta aprendiz de jardineira faça brotar da terra todas as sementes que plantar. Organizar espaços, belezas, flores , arvores de fruto, ervas aromáticas e outras coisas que farão a diferença, a minha diferença. Não vejo a altura de poder começar, pondo finalmente fim à fase do planear.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Um dia a seguir ao outro
Ainda faltam alguns pormenores, algumas chatices, mas no geral senti-me bem com o que vi. Há espaço para todos e ainda sobram alguns pormenores especiais, onde posso por a minha criatividade ao serviço da personalização do espaço. Estou feliz, genericamente feliz! Não fossem as dificuldades que sempre se agarram à sola dos sapatos como pastilha elástica sem utilidade, mudava-me já amanhã. Assim sendo, não vai dar, mas tenho ainda um mês inteiro para sonhar alternativas sendo que, neste momento me sinto com a cabeça à roda de tanta coisa para resolver e tantas prioridades que são necessárias projectar e definir. Um calendário cheiro e um bolso vazio e tanta , mas tanta coisa para decidir. Mas prefiro-me assim, em actividade mental e funcional do que parada a sonhar com o futuro. Sendo assim, é certo e sabido que as minhas escritas, sejam elas reais ou fantásticas, estarão sempre de qualquer forma ligadas com esta nova fase da vida.
Neste momento preocupam-me as cores, as mobílias "antigas" que vão ter que se fazer caber nos novos espaços e o inventário de tudo aquilo que está guardado há anos e que provavelmente já nem me lembro de me pertencer. Um dia de cada vez...
terça-feira, 29 de julho de 2014
Das quedas...
Quando a empresa da minha vida faliu, valeu-me a educação que tive e o hábito arreigado ( embora despreocupado) de poupar. Lembrei-me de esconder o que sobrava dos consumidores inatos e gastei o que restou a tentar tapar os buracos que ficaram. Foram os novos buracos, aos quais era absolutamente alheia, provavelmente por demasiada inocência da minha parte, que me "jogaram ao chão". Foi necessário aprender uma nova ordem, aprender a sobreviver do nada, voltar atrás como se voltasse a ter 15 anos. A diferença é que já não tinha! Voltar às rotinas das casas dos pais não é fácil, principalmente quando já se tem filhos. Mas a grande luta foi de facto com o sistema de alarmes, essa modernice, que quando de lá saí não existia. Os meus horários sempre foram um problema, e mexeram de tal forma com os hábitos daquela família que a solução acabou por ser desliga-lo ou então passava a vida a falar com a menina da central de alarmes ( é que me deu para não conseguir decorar o segredo do alarme, vá-se lá saber porquê!) entrar a horas em que é suposto estar tudo a dormir e sair a horas em que ainda toda a gente dorme não é uma forma de vida fácil de impor a um casal que fez toda a sua vida num horário de gente "normal" e com rotinas extremas, controladas ao minuto. Cheguei a ter que falar com a menina dos alarmes às 4 da manhã, porque tive a péssima ideia de fazer um assalto à minha própria cozinha a essa hora, e não me conseguia lembrar da porcaria do segredo para desactivar aquela "balhana". A isto é que se deve chamar estar presa na própria casa. Felizmente o pai A. lá se lembrou que desligar aquilo enquanto a casa está habitada era capaz de ser a melhor solução. Hoje já não faço assaltos à cozinha, já não como de noite, controlo a minha alimentação com o rigor e cuidado necessários de quem quer perder 10kg. E mais do que me habituar aos meus pais, já foram eles que tiveram que se reabituar a mim: aos dias em que entro muda e saio calada, porque a falta de segurança em que caiu a minha vida é um assunto sério, tão sério quanto a preocupação de não estarmos todos no mesmo avião, à mesma hora, se ele se decidir a cair...
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A minha tribo
Nunca gostei muito de estar quieta, quando não podia manter-me em movimento, a cabeça tratava de fazer esse movimento pelo corpo e devorava livros e histórias e tudo o que me fizesse manter-me a "carborar". A minha irmã sempre foi mais da "pica do negócio", sou capaz de me lembrar de uns quantos e outros tantos, desde os tempos mais remotos. Invariavelmente com algum sucesso.
É engraçado regressar agora, em mais uma das suas ideias, a reanimar a ideia das tribos. Estou curiosa para ver como ficou tudo, depois de pronto, porque é bom podermos dar aos miúdos espaços para correr, para gritar e para terem contacto com a natureza ( a sua e a nossa) já que o dia a dia dos nossos dias já não nos permite que os miúdos sejam índios como deviam ser
terça-feira, 8 de julho de 2014
Hoje, como quase todos os dias fomos tentar ver o pôr do sol, mas ainda não foi desta. Tenho um verdadeiro fascínio por a hora em que a enorme bola de fogo atravessa a linha do horizonte e não consigo descrever a paz que me chega quando o consigo fazer neste ambiente que me devolve ao meu eu. Com os miúdos é sempre difícil. Porque lhes falta o fascínio que eu sinto, porque talvez ainda não se revejam nas práticas de encontrar paz interior, porque simplesmente não são capazes de estar quietos. Eu não desisto de lá conseguir chegar ainda a tempo. Com eles, mesmo que isso me custe o dobro do esforço e muitas tentativas falhadas.



