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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Zona Jovem de outros tempos



Ontem voltei a um lugar que é também uma parte de mim. Há 14 anos que não ia à praia a Melides. Tenho lá ido, claro, vi as transformações, mas fazer praia, nunca mais fiz desde que o meu mais velho nasceu. Ainda recordo as ondas enormes, as loucuras dentro e fora da praia. Nem sei bem porquê, lembrei-me desta música . Aquela era a nossa danger zone. Éramos autênticos aviões a experimentar os nossos limites. Uma dog fight contra nós próprios à descoberta da nossa identidade. Tempos irrepetíveis e que nos ensinaram muito, a base do que tivemos, cada um, que aprender depois. 
Dói-me, como deve doer a todos, o que nos fizeram à praia. Não falo das barracas que hoje seriam um atentado à natureza e à paisagem, mas enquanto as praias da zona prosperaram a olhos vistos, Melides parou no tempo e na nostalgia. Parece que já nem as ondas querem ser um grito de liberdade, a rebeldia que caracterizava o lugar e que aprofundou muitos laços de amizade que duram até aos dias de hoje, como se tivesse sido ontem a última noitada. O que foi, não volta a ser, mas Melides merece investimento e recuperação, merece ser colocada no futuro, para que os nossos filhos possam saber que gerações de Grandolenses se fizeram ao mundo, por ali e que muito mais do que a fama que lhe ficou, de lugar de escaramuças, o que realmente sobrou daquele tempo foram as amizades e as recordações conjuntas, as gargalhadas e o que passámos, juntos. Na vida é isso o que mais importa,  o que fica, o que nos sobra por cima de tudo o resto, por isso, continuo a achar que Melides merece mais! 

domingo, 8 de maio de 2016

Cerejeira em flor

Escrever é uma das coisas que gosto bastante. Contos ou mini-contos são dos textos que gosto mais de criar. Tenho alguns escritos por aí, outros guardados em livros só meus, outros vou escrevendo conforme me dá a vontade de juntar letras e significandos a significâncias que mais não são do que sonhos e/ou criatividade pura. Uma "sentimentalona" com ideias muito próprias e vincadas em crenças e utopias, ou simplesmente uma sonhadora. Sob as etiquetas TES e T(extos) E(ntre) S(onhos) deixo-vos um pouco da minha poesia, prosa poética ou escrita criativa conforme preferirem classificar ...  



Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração
A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
O caminho, marcado a traços contínuos impede - me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tempo de desejar

Aqui há uns anos se me dissessem que iria ter anos assim, nem acreditaria. Mas tive e passaram. Se me dissessem que me sentiria assim, feliz, por estar em casa, num dia de  festa, ficaria incrédula, mas aconteceu. Às vezes é necessário conhecer bem o sabor da perda para reconhecer o melhor dos paladares.

É neste sentido, não esquecendo o que perdi, mas reconhecendo por isso o que posso vir ainda a ganhar, que vão os meus desejos/planos/ projectos para o ano que agora chega.

O meu ano chegou em paz, a fazer uma das coisas que melhor me faz ao corpo e à alma, neste momento, descansar.

Começa ( 2016) com algumas perdas que me lembram como é necessária força para acreditar que tudo tem um propósito e que podemos aproveitar os maus momentos para nos fortalecer. Das perdas se constroem os ganhos, saibamos nós dissecar as aprendizagens que nos são oferecidas quando as situações não vão ao encontro dos nossos desejos.

Espero acabar o que comecei à alguns anos e já deveria ter acabado. Está - me a provocar gastos e frustração desnecessária - a especialidade.

Desejo mais tempo para mim, para a minha família, para os que me são queridos e me fortalecem com a sua presença. Só esses valem a pena. Só aqueles que são capazes de ficar, nos bons e nos maus momentos, merecem o melhor de nós.

Poupar, para não voltar a deixar apanhar-me no despesismo alheio.

Exercitar a minha memória e a minha atenção, focar-me no essencial e reaprender a programar e planear com sentido - demasiados anos de serviço de urgência, burnout e excesso de trabalho destroem a nossa capacidade de pensamento estruturado, simples e eficaz.

Voltar a redescobrir os meus gostos particulares e peculiares, de que sou eximia defensora embora existam alguns que, sei-o agora, ficarão sempre comigo, mesmo que a memória teime em querer apagar tudo.

Dar todas as ferramentas necessárias para que os meus filhos saibam decidir com clareza e percebam a importância disso no seu futuro.

Tudo isto resume o meu desejo essencial desde que sou miúda. Quando vejo um avião, uma estrela cadente ou engulo à pressa as 12 passas que trago apenas porque a tradição assim o prevê: o que eu quero mesmo é ser feliz. Eu só não sabia é que a felicidade não é um estado.é uma escolha. Agora, já sei! Vou fazer por escolher ser merecedora da minha felicidade.

Feliz 2016!

sábado, 19 de dezembro de 2015

Enigma


Passei. 
Talvez um quarto da minha vida à espera. 
A pergunta certa nunca chegou. 
Na metade final percebo que não existem perguntas certas. 
Nem respostas erradas. 
Existimos apenas e nesse lapso complicam-se memórias
 com factos presentes,
 enganam-se os olhos com a imaginação. 
A simplicidade de um momento bom 
 rasgada por uma palavra errada 
Um enigma desnecessário

E se a pergunta for despropositada?

Simplifico, então (!?)
Os dias correm com a mesma velocidade
somos nós que os vemos diferentes
perspectivamos passos que não damos
momentos que não chegam 

No fundo
é tão fácil
refazer
num jogo simples de dar e receber
começas tu desta vez

Um dia ainda conto

como as histórias nos podem desencantar





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A vela

A vela estava acesa e tremelicava a luz escassa que se derramava pela sala. Diria que lhe dava um ar medieval, à sala e à sensação que vestia por estar assim. A lareira ocupava a parede e ela sentada lá dentro segurava entre as mãos tremulas uma malga a transbordar de café quentinho. Não estava sozinha embora assim lhe parecesse. Afinal não era só a vela que iluminava a sala era também aquele enorme lume de chão e a  voz dos outros. Falava-se de quê? Não conseguia compreender mas nem tentava. Desistira à muito que tentar mostrar interesse por coisas que a enfastiavam. Eles falavam, todos, muito, em demasia lhe parecia. Ela entrara à muito dentro do fogo quente. Os olhos fixos teriam sido o seu ponto de entrada e não era ela que se aproximara do lume, foi o lume que entrou, dentro. Conversavam sobre a vida, o futuro, numa linguagem muda, que os outros trocando palavras comuns nunca chegariam a entender. Desconfio que nem deram por a vida que lhe ia por dentro enquanto se mantinha imóvel. Tantas vezes o mundo se passa mesmo ao nosso lado e não conseguimos nem pressenti-lo. Soube do passado e do futuro, dos planos e das ideias, soube coisas que se encaixam em contas prolongadas por muitos anos, sob subtracções de linhas terrestres e de mapas astrais. Foi o som do brinde que a despertou, brindavam a quê? Ah! sim á vida. Que vida? A vela apagou-se mas ninguém deu por isso porque a labareda na lareira continuava a iluminar e aquecer. Ela ficou só mais consciente, o resto seriam conversas que não interessariam a ninguém e de resto pouca gente entende as linhas com que se escreve a história do universo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A última morada

O fundo do quintal dava para aquela que era a última morada de toda a gente. No quintal crescia um pouco de tudo, quase ao Deus dará. Não poderia dizer-se que o tamanho era a maior qualidade do que crescia, mas era bom e na sua pequenez tinha também alguma graça e doçura, se fosse essa a qualidade que deveria existir na produção. Olhava muitas vezes para o quintal, enquanto pensava que, fossem as coisas como fossem, daria, sempre que pudesse, o melhor que conseguisse. Conseguir em pleno não era, por assim dizer, a melhor das suas qualidades.
A casa era silenciosa e acolhedora o quanto baste para se sentir confortável. Apesar das frinchas, que completavam o seu complicado mecanismo de ar condicionado, o sitio era quente. Tinha uma paixão pela sua amostra de lareira e ainda assim isso não era suficiente para a acender todos os dias. O cansaço vence demasiadas vezes o amor que temos por qualquer coisa, seja lá isso o que for. Era o silêncio a grande porta de entrada para o seu lugar predilecto. O monitor da TV poderia estar ligado ou desligado, isso dependeria de quem estivesse por companhia e ainda assim conseguiria entrar. Entre o futuro e o passado há uma brecha que só percorre quem sabe o caminho. É nessa brecha que ela habita nos seus melhores momentos.  São as emoções, as recordações e aquilo que se sabe daquilo que se vê, que formam a grande massa com que construímos os sonhos e os sonhos, esses, são diferentes para todos nós. Nunca sonhara um quintal assim, mas achava-lhe piada à perfeição da pequenez. Tudo o que é pequeno tem graça, ouvia dizer vezes sem conta. Agora isso havia sido trazido da sua brecha de sonho. Gostava de lá morar muito mais vezes do que realmente acontece, mas a vida é um caminho que se faz quase em contínuo, com diminuição da visibilidade, como se fosse um conduzir no meio do nevoeiro: e mesmo assim ainda esperamos a chegada do D. Sebastião perdido.  
É nos dias em que não habita a brecha, os dias em que mais sofre. Talvez seja a saudade ou apenas a falta que sente daquilo que é para ela uma necessidade. Tanto quanto viver. Tanto quanto sonhar. Tanto quanto acreditar. O sitio não tem nome de rua mas o quintal dá para aquela que é a última morada de toda a gente.



 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A reviravolta da batata frita

Confessem, já estavam a estranhar eu me manter quieta por aqui, há tanto tempo, sem haver mudanças.
Setembro é sempre um tempo de ajustes e mudanças e o meu Setembro é, inevitavelmente, sempre assim. Mas agora já chegou Outubro e com ele o Outono.
Mudei de casa, estou a mudar de hábitos alimentares, mudámos de estação e, claro está, mudamos as cores do blog para adaptá-lo ao Outono, sempre com a imagem do Verão à cabeça. Parece-me bem e além disso eu sou incapaz de manter seja o que for, sem me permitir ou perspectivar a possibilidade de mudanças, que não têm que ser rupturas, apenas ajustes ou, mais que não seja,  mudança de visual.

Nesta coisa das mudanças acrescento a tentativa de alterar os hábitos também dos meus pequenos ( cada vez maiores, mas vá! ). A batata frita, essa amiga inseparável da alimentação dos meninos sofreu também ela uma mudança e passou, desde ontem, a chamar-se oficialmente, lá por casa, a batata rústica! Vai ao forno, juntamente com 3 colheres de azeite e uns acompanhantes a gosto ( que podem ir desde a pimenta ao alecrim, passando pelo louro e os coentros) e quando está bem tostadinha lá vem ela, muito mais saudável, acompanhar as nossas refeições ( que agora são sem televisões e sem qualquer outras interferências que não sejam as nossas próprias conversas ou os desastres culinários). Se vai ser difícil adaptarmo-nos a tantas alterações? provavelmente até vai, mas nada é impossível desde que se queira muito, de facto, alterar o que não nos faz bem...



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Confiança!



O céu esta manhã apresentava-se com umas excelentes combinações de roxo. Mas que raio de cor para se definir um céu da manhã??!! Eu explico. Gosto das combinações da cor vermelha com o azul ( aliás gosto de combinações de cores, especialmente se estas estiverem muito próximas das cores primárias) e o azul do céu ou das nuvens, quando o sol nasce ou se põe, adquire aquela tonalidade forte que o sol tem a essa hora, misturando primeiro os tons mais fortes, que vão aclarando até que o astro rei se levante, e vá ficando cada vez mais claro e luminoso. Essa mistura inicia-se num roxo que vai passando a rosa depois a alaranjado e finalmente com as cores que definimos como as "normais". É por isso que o nascer e o por do sol são para mim as mais bonitas horas do dia e é por isso que, embora me custe a abandonar o ninho, fazê-lo a tempo e horas acaba por ser uma óptima forma de começar o dia: porque tenho tempo e disponibilidade para me encantar com estas pequenas coisas que tornam o meu dia mais bonito logo de inicio.

Gosto de chegar com tempo, embora nem sempre me seja fácil, gosto de preparar as possibilidades, gosto de saber ao que vou antes de começar. Deve ser por isso que as minhas malas, carteiras ou o que lhes quiserem chamar andam sempre a abarrotar de coisas que aparentemente não servem para coisa nenhuma. Mas são essas "coisas" que me dão a segurança de ter o que preciso numa situação de "aperto". É por isso que agora, ao ultimar as mudanças, me deparo com uma "colecção" de objectos enorme e que vou ter que , de alguma forma, seleccionar, arrumar, algumas dispensar e outras reutilizar. Mas é bom reencontrar-me com muita coisa que não encontrava à tanto tempo. Transmite-me a noção de reconhecimento, de segurança e sobretudo de pertença. Tal como é bom, de manhã, reencontrar num céu as cores que tanto gosto. Porque mesmo repetindo todas as manhãs o mesmo caminho, vendo todas as manhãs o nascer do sol, não há vez nenhuma que não lhe encontre um pormenor diferente, uma nova tonalidade aqui e ali, uma nova forma de olhar para o que me é familiar, mas ao mesmo sempre novo e tão querido com a confiança que o dia também me sorrirá!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Organizar as ideias...

Setembro é sempre um mês "desgraçado". Desgraçado porque a juntar aos turnos que normalmente faço para sustentar a minha vida, acresce a turbulência (boa) do novo ano escolar e dos opções a tomar, que influenciarão a vida dos meus pelo próximo ano. Este ano a juntar a esta festa que não é de vindima, mas que podia ser ( porque até ao lavar dos cestos, tudo conta) tenho ainda a "simples" tarefa de me "livrar" do último restolho da vida antiga e transformá-lo em vida nova, ou seja, estou finalmente de mudanças para a casa que verá o meu futuro...

Com tanta coisa para gerir e organizar, tanta tralha que não sei onde se gerou ( poderia jurar que a tralha aparece por geração espontânea) por mais que tente é-me quase impossível não ter os cabelos praticamente todos em pé, por estes dias... na verdade tem-me valido o espaço, que já vou conseguindo novamente dar, a coisas de que gosto mesmo muito. Dêem-me concertos, museus, espectáculos e actividades que mantenham viva a minha necessidade de conhecimento e eu serei feliz! 

Já conhecia a Byfurcação não sei bem de onde ( provavelmente do facebook ou de algum comentário de alguma amiga) e já tinha prometido a mim mesma que não me escapariam estes espectáculos. A ideia de peças de teatro em espaços históricos e culturais ( que temos tantos e tão bonitos e às vezes mal aproveitados) é daquelas que eu poderia dizer " esta ideia podia ter sido minha", mas não foi e ainda bem porque se fosse provavelmente não passava de uma ideia! Pois foram os vouchers do SAPO que me deram essa oportunidade e eu não desperdicei! Duas semanas seguidas, dois espectáculos pela Byfurcação: A volta ao mundo em 80 dias - para os miúdos - e Pedro e Inês - para mim.

Confesso que estava com um pouco de medo da peça dos miúdos: Já que o meu Afonso não é rapaz de estar quieto muito tempo, sem uma sala propriamente dita, o medo de que fugisse " atrás de uma borboleta" em vez de assistir à peça era muito. Mas até nisso o espectáculo está bem montado ( encenado que se diz??!!) e eles andam às voltas, nunca quietos, num jardim, atrás dos actores que captam muito sábia e facilmente o interesse do público. Adoraram, todos, e eu também. Melhor ainda foi ter ficado com mais um livro para ler nas noites de Inverno e com muita coisa nova para visitar, já que estar no espaço do Museu Nacional de História Natural e Ciência ( a casa do "tio Rex") nos aguçou a curiosidade!

Mas bom, mesmo muito, muito bom, foi assistir ao Pedro e Inês, na Quinta da Regaleira. Os jardins, a iluminação do espectáculo, o espectáculo em si, o ambiente que se cria, com os cenários improvisados e naturais e claro! a história da "nossa" Inês de Castro, a rainha de Portugal, coroada depois de morta!

Talvez ser uma apaixonada pelas histórias por trás da história me tenha ajudado a conhecer melhor esta "lenda" e talvez a minha paixão por terras de Coimbra também tenha ajudado, não sei... Mas uma vez que me pediram, aqui vai um resumo do que supostamente aconteceu a este casal de namorados em 1300 e troca o passo...:

D. Pedro, filho de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, como todos os futuros reis, casar-se -ia com a filha de nobre de sangue real que mais favorecesse o Reino de Portugal. Casou-se primeiro com Branca de Castela, que viria a repudiar por incapacidade física e mental. Depois seria escolhida D. Constança, também de Castela e com ela, no séquito das aias apresentou-se D. Inês de Castro. Como o coração não conhece razões de estado, Pedro e Inês apaixonaram-se e nem as  manobras da princesa D. Constança, nem os filhos D. Luís que viria a falecer uma semana depois do parto e D. Fernando, nem tão pouco as preocupações de D. Afonso IV em relação a esta paixão os conseguiram separar.

 D. Afonso manda exiliar D. Inês para Trás-os-Montes mas  "não separou os apaixonados que comunicavam entre si por cartas levadas e trazidas secretamente. Quem fazia o serviço de correio,  eram os almocreves que transportavam mercadorias de cidade para cidade, atravessando coutos e concelhos, segundo ordem dos burgueses seus patrões. Os almocreves levavam consigo as cartas de D. Pedro para Inês. Foi assim que o amor de Pedro e Inês, longe de perturbar-se ou amortecer, se tornou mais sólido e capaz de superar quaisquer obstáculos e adversidades. "

D. Pedro acabou por conseguir trazer D. Inês para Coimbra e viveram felizes em Santa Clara, depois da morte de parto de D. Constança. Tiveram 4 filhos, Pedro e Inês,   e D. Afonso IV, com receio de possíveis guerras de sucessão entre seus netos e de influências futuras de Castela no reino, aproveitando uma caçada de D. Pedro, que o fez ausentar-se de Coimbra, cede às pressões dos conselheiros e manda matar Inês, em 1355, decapitando-a.

D. Pedro cega de raiva e com o apoio das gentes do norte inicia uma guerra civil a que  põe termo logo de inicio por intervenção de D. Beatriz, sua mãe. Mas não esquece e depois da morte de D. Afonso IV, é coroado rei (em 1357) e  dá caça aos assassinos da sua Inês, mantando-os em público e organizando um banquete em honra da matança.

D. Inês foi transladada para  o mosteiro de Alcobaça, depois, para  um dos dois túmulos que D. Pedro mandara construir ( um para si outro para Inês) . Diz-se que o cortejo foi enorme, sempre com o povo a chorar e a aclamar a rainha e que ao chegar a Alcobaça , Pedro que supostamente teria casado com ela em 1354, declarou-a rainha, obrigando os nobres à cerimónia do beija mão ( blheccc)...

Reza a história que Pedro foi um bom rei, justo, que gostava de dar de comer a quem tinha fome. Fernão Lopes define D. Pedro como um rei " justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. A sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer». "

Curioso e irónico, no meio de tudo isto é que D. Fernando, o neto que D. Afonso IV queria proteger, ter querido ser herdeiro do trono de Castela o que nos custou guerras e quase a perda de independência. D. Fernando foi o ultimo da sua dinastia, mas a que se seguiu, a Dinastia de Avis, levou ainda o cunho de D. Pedro, sendo que D. João I era o único filho que restou, ilegítimo, sem ser do sangue de D. Inês, filho de uma tal Teresa Lourenço, da qual pouco ou nada se sabe ... giro, não??!!!



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Na mão certa




Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.

Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.





terça-feira, 19 de agosto de 2014

Coisas lindas

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um dia ainda escrevo um livro...

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tubo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada, e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas...

Ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos os originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos).

Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou-me sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro, para o bem de todos, é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...





terça-feira, 12 de agosto de 2014

Smille!!

Hoje é um dia feliz! Apesar de andar literalmente submersa devido ao trabalho, tenho conseguido, com algumas regras, dedicação, planeamento e alguma disciplina ( não pode ser muita senão sinto-me presa), seguir a dieta à risca. Hoje ultrapassei uma barreira que já pensava intransponível - finalmente desci a barreira dos 70 e quedo-me, por agora nos 69,4!!

Já me vou parecendo comigo :) ( smille!)

Para isso muito têm contribuído as receitas com muita fruta e alguns vegetais, que aprendo com os blogs que vou lendo ( ao lado, no blog) . Ainda bem que existe a internet, que nos permite aceder a tanta informação, quando mais precisamos dela !!!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Passito a passito

A cada dia que passa vou dando pequenos passinhos ... já dizia o Neil Armstrong quando pôs os pés na lua : " É um pequeno passo para o homem mas o grande passo para a Humanidade ( ou qualquer coisa assim muito parecida...) .

 Sei quais serão  as cores de todas as paredes, as janelas a aumentar para deixar entrar a luz ( uma casa sem luz natural é um refugio e não uma verdadeira morada) e os pequenos pormenores de decoração, que me deixam verdadeiramente entusiasmada ( são os pequenos pormenores que fazem a diferença - sempre - são eles que dão o toque de personalização e fazem daquela a nossa morada, nos caracterizam e nos dão a sensação de pertença, de reconhecimento, de paz ) .

Escrevia eu há uns anos num livro que não chegou a ver a luz ( ou pelo menos, não nos moldes mais comuns) :

"   As coisas simples revestem-se de mantos de luz que iluminam os dias cinzentos. Segredos são partes de nós, como a própria carne que nos mantém vivos. Sonhos são janelas abertas para outras dimensões que também elas fazem parte da vida. Essa magia que invade o corpo e o transforma em muito mais do que biologia. São a outra parte de um eu que só em sonho é livre..." ( d`O livro da Feiticeira)


está na altura de começar a dar corpo aos sonhos, a trazê-los para o outro lado da dimensão viver, da dimensão sentir. E é passo a passo que vou tomando conta do meu lugar, da minha vida, do que sonhei ser e sentir  num lugar construído a pensar na família, no meu lugar... Já só falta o jardim, mais difícil de prever e planear porque a natureza terá que dar o seu contributo para que esta aprendiz de jardineira faça brotar da terra todas as sementes que plantar. Organizar espaços, belezas, flores , arvores de fruto, ervas aromáticas e outras coisas que farão a diferença, a minha diferença. Não vejo a altura de poder começar, pondo finalmente fim à fase do planear.
Displaying o livro.doc.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Um dia a seguir ao outro

Ontem fui vê-la. A minha nova casa. Nada é fácil nesta vida, mas às vezes parece que as complicações nos batem à porta como gotas de chuva em dias de tempestade.
Ainda faltam alguns pormenores, algumas chatices, mas no geral senti-me bem com o que vi. Há espaço para todos e ainda sobram alguns pormenores especiais, onde posso por a minha criatividade ao serviço da personalização do espaço. Estou feliz, genericamente feliz! Não fossem as dificuldades que sempre se agarram à sola dos sapatos como pastilha elástica sem utilidade, mudava-me já amanhã. Assim sendo, não vai dar, mas tenho ainda um mês inteiro para sonhar alternativas sendo que, neste momento me sinto com a cabeça à roda de tanta coisa para resolver e tantas prioridades que são necessárias projectar e definir. Um calendário cheiro e um bolso vazio e tanta , mas tanta coisa para decidir. Mas prefiro-me assim, em actividade mental e funcional do que parada a sonhar com o futuro. Sendo assim, é certo e sabido que as minhas escritas, sejam elas reais ou fantásticas, estarão sempre de qualquer forma ligadas com esta nova fase da vida.

Neste momento preocupam-me as cores, as mobílias "antigas" que vão ter que se fazer caber nos novos espaços e o inventário de tudo aquilo que está guardado há anos e que provavelmente já nem me lembro de me pertencer. Um dia de cada vez...

terça-feira, 29 de julho de 2014

Das quedas...

Lá por casa a segurança sempre foi uma obsessão. Coisas alucinadas do género de nunca viajarmos todos no mesmo avião ( porque se caísse não morreríamos todos de uma vez), fechar todas as portas, as luzes, desligar todas as tomadas eléctricas, a torneira de segurança da água e do gás sempre que nos ausentamos por mais de 3 dias, para evitar acidentes na nossa ausência e outra parafernália de pormenores que, de tantos, faço questão de me esquecer de alguns para não ficar ainda mais paranóica. É engraçado perceber que noutras famílias também existiam alguns cuidados. Sou sabedora dos segredos dos cofres, das partes que me cabem aqui e ali, dos lugares nos confins da terra onde existe alguma coisa que possa vir a ser necessária e as minhas contas pessoais eram todas em conjunto com os meus pais.
Quando a empresa da minha vida faliu, valeu-me a educação que tive e o hábito arreigado ( embora despreocupado) de poupar. Lembrei-me de esconder o que sobrava dos consumidores inatos e gastei o que restou a tentar tapar os buracos que ficaram. Foram os novos buracos, aos quais era absolutamente alheia, provavelmente por demasiada inocência da minha parte, que me "jogaram ao chão". Foi necessário aprender uma nova ordem, aprender a sobreviver do nada, voltar atrás como se voltasse a ter 15 anos. A diferença é que já não tinha! Voltar às rotinas das casas dos pais não é fácil, principalmente quando já se tem filhos. Mas a grande luta foi de facto com o sistema de alarmes, essa modernice, que quando de lá saí não existia. Os meus horários sempre foram um problema, e mexeram de tal forma com os hábitos daquela família que a solução acabou por ser desliga-lo ou então passava a vida a falar com a menina da central de alarmes ( é que me deu para não conseguir decorar o segredo do alarme, vá-se lá saber porquê!) entrar a horas em que é suposto estar tudo a dormir e sair a horas em que ainda toda a gente dorme não é uma forma de vida fácil de impor a um casal que fez toda a sua vida num horário de gente "normal" e com rotinas extremas, controladas ao minuto. Cheguei a ter que falar com a menina dos alarmes às 4 da manhã, porque tive a péssima ideia de fazer um assalto à minha própria cozinha a essa hora, e não me conseguia lembrar da porcaria do segredo para desactivar aquela "balhana". A isto é que se deve chamar estar presa na própria casa. Felizmente o pai A. lá se lembrou que desligar aquilo enquanto a casa está habitada era capaz de ser a melhor solução. Hoje já não faço assaltos à cozinha, já não como de noite, controlo a minha alimentação com o rigor e cuidado necessários de quem quer perder 10kg. E mais do que me habituar aos meus pais, já foram eles que tiveram que se reabituar a mim: aos dias em que entro muda e saio calada, porque a falta de segurança em que caiu a minha vida é um assunto sério, tão sério quanto a preocupação de não estarmos todos no mesmo avião, à mesma hora, se ele se decidir a cair...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A minha tribo

Fomos sempre chamadas de índias e nem sempre fomos uma tribo pacífica... mas esse era o tempo em que a casa ainda não era a dos netos... mais pequena, o nosso quarto era minúsculo mas os beliches permitiam a  nossa presença e a de mais 2 num espaço que visto de agora me faz pensar em como seria que lá conseguíamos caber. Os azulejos da casa de banho eram um de cada nação, de um mau gosto impar, mas que ainda hoje, habitam nas minhas recordações quase todos os padrões misturados à balda. Mesmo depois de a minha mãe ter exigido a pintura das paredes de cores normais, para se poder habitar a casa, por baixo dos interruptores (antigos de grandes barrigas e com a mania de descolar das paredes) conseguiam distinguir-se o azul eléctrico dos quartos e o laranja choque da cozinha. Era assim a casa antes da família aumentar. Eram assim os Verões pautados por dias de praia e fins de tarde a ver o sol a esconder-se para lá da linha traçada no horizonte pelo mar. Era assim uma liberdade, não comum nos dias de escola, que nos permitia correr e gritar à vontade, o que nos valeu a alcunha de "índias" pelos pais.

Nunca gostei muito de estar quieta, quando não podia manter-me em movimento, a cabeça tratava de fazer esse movimento pelo corpo e devorava livros e histórias e tudo o que me fizesse manter-me a "carborar". A minha irmã sempre foi mais da "pica do negócio", sou capaz de me lembrar de uns quantos e outros tantos, desde os tempos mais remotos. Invariavelmente com algum sucesso.

É engraçado regressar agora, em mais uma das suas ideias, a reanimar a ideia das tribos. Estou curiosa para ver como ficou tudo, depois de pronto, porque é bom podermos dar aos miúdos espaços para correr, para gritar e para terem contacto com a natureza ( a sua e a nossa) já que o dia a dia dos nossos dias já não nos permite que os miúdos sejam índios como deviam ser




terça-feira, 8 de julho de 2014

Hoje, como quase todos os dias fomos tentar ver o pôr do sol, mas ainda não foi desta. Tenho um verdadeiro fascínio por a hora em que a enorme bola de fogo atravessa a linha do horizonte e não consigo descrever a paz que me chega quando o consigo fazer neste ambiente que me devolve ao meu eu. Com os miúdos é sempre difícil. Porque lhes falta o fascínio que eu sinto, porque talvez ainda não se revejam nas práticas de encontrar paz interior, porque simplesmente não são capazes de estar quietos. Eu não desisto de lá conseguir chegar ainda a tempo. Com eles, mesmo que isso me custe o dobro do esforço e muitas tentativas falhadas.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Planear as férias

Comecei a receber, a conselho da Ritinha, à alguns meses a newsletter da Mum`s the boss ( achou que era a minha cara e acertou, gosto muito dos conselhos que leio ali) .
Este post fez -me lembrar os tempos em que eles eram mais pequenos e que cada vez que saía de casa levava atrás uma quantidade imensurável de coisas. 

Sempre detestei que me faltasse alguma coisa quando precisava dela e acho que é desses tempos que trago a mania de andar com a mala do sport billy às costas. Carrego sempre pesos excessivos, para garantir que, nas longas horas que estou fora de casa, nunca me falte nada.

Se é certo que naquela altura nunca havia grande ajuda a carregar o material necessário, também é certo que hoje já não necessito nem de metade das coisas e os miudos já vão ajudando e carregando aquilo de que acham que vão necessitar. 

É da brincadeira que sinto mais falta, que nunca me achei demasiado complicada nesta coisa de seguir o planeamento - dá para se fazer faz-se, não dá paciência, embora também saiba que isso transmite uma certa insegurança aos miúdos ( mas vamos mesmo fazer, mãe?) - não que já não goste de brincar com eles, mas a vontade de saltar e correr para a água e depois vir e encrocar-me de areia, já não é propriamente a mesma. E depois há o futebol: esta é uma brincadeira que eles adoram  (não fossem os genes também pesar alguma coisa) e da qual eles sabem que me recuso a participar. Andar aos pontapés com uma bola não está nas minhas definições de diversão, embora não me recuse a ver um bom jogo. 

Brincar com eles vai ser um aspecto a melhorar este Verão. Os jogos fazem parte da nossa rotina: o uno, jogos de tabuleiro; mas talvez ande a utilizar demasiado do meu tempo a alinhar os chackras em vez de o aproveitar na brincadeira, momentos para viver e recordar... e praia e piscina e muita água para ajudar, que dessa brincadeira só o frio me faz fartar. A ver vamos, como correm as férias.