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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Zona Jovem de outros tempos



Ontem voltei a um lugar que é também uma parte de mim. Há 14 anos que não ia à praia a Melides. Tenho lá ido, claro, vi as transformações, mas fazer praia, nunca mais fiz desde que o meu mais velho nasceu. Ainda recordo as ondas enormes, as loucuras dentro e fora da praia. Nem sei bem porquê, lembrei-me desta música . Aquela era a nossa danger zone. Éramos autênticos aviões a experimentar os nossos limites. Uma dog fight contra nós próprios à descoberta da nossa identidade. Tempos irrepetíveis e que nos ensinaram muito, a base do que tivemos, cada um, que aprender depois. 
Dói-me, como deve doer a todos, o que nos fizeram à praia. Não falo das barracas que hoje seriam um atentado à natureza e à paisagem, mas enquanto as praias da zona prosperaram a olhos vistos, Melides parou no tempo e na nostalgia. Parece que já nem as ondas querem ser um grito de liberdade, a rebeldia que caracterizava o lugar e que aprofundou muitos laços de amizade que duram até aos dias de hoje, como se tivesse sido ontem a última noitada. O que foi, não volta a ser, mas Melides merece investimento e recuperação, merece ser colocada no futuro, para que os nossos filhos possam saber que gerações de Grandolenses se fizeram ao mundo, por ali e que muito mais do que a fama que lhe ficou, de lugar de escaramuças, o que realmente sobrou daquele tempo foram as amizades e as recordações conjuntas, as gargalhadas e o que passámos, juntos. Na vida é isso o que mais importa,  o que fica, o que nos sobra por cima de tudo o resto, por isso, continuo a achar que Melides merece mais! 

sábado, 30 de julho de 2016

Sintonizada comigo!



O festival já tem 17 anos mas, na verdade, nunca tinha lá ido. Talvez porque o seu começo foi já depois de ter iniciado a minha vida activa, como enfermeira ( a respeito disso, parabéns a todos os do Grande XI curso da ESEBB porque fazemos hoje 18 anos de curso! ) e estava longe. Quando regressei ao Alentejo, comecei a perceber que as noites de FMM eram sempre demasiado"animadas" para o gosto de quem trabalha num serviço de urgência. Apesar de algumas colegas me dizerem: vai! vais adorar. Tem mesmo a tua cara - nunca me decidi a lá ir, achava que talvez já fosse "demais" para mim. Há certas festas que já não aguento ! Decidi-me a ir ontem, a convite de uma amiga com um ritmo de vida muito semelhante ao meu. Fui e adorei! E não é que aquilo tem mesmo a minha cara?!!! Há coisas para as quais algumas palavras não chegam. Deixo-vos um video de publicidade do ano passado, que me parece capta muito mais a essência da coisa do que os spot`s publicitários deste ano. É ver e ficar com água na boca para lá voltar, todos os anos!










sábado, 25 de junho de 2016

Fenómenos do " desenrascamento"

É um fenómeno engraçado mas está mais do que provado e comprovado. Quando queremos muito que algo num dia específico aconteça parece que os dias demoram anos a passar. Quando estamos felizes num dia específico ele passa a correr. Depois há aqueles fenómenos estranhos como o que me aconteceu nos últimos dias, em que acontece tanta coisa ao mesmo tempo que em 3 dias parece que passou uma semana.

Já fomos ao veterinário com os novos membros da família e correu às mil maravilhas. Toda a gente continua a achar que não sou pura por ser dona de gatos pela primeira vez e ainda assim ter ficado com 3 :  Ahh! Valente!
Tudo normal, o que não seria comum era se entrasse numa nova aventura da forma prevista.

Aniversário, combinações de última hora: dá para petisco, jantar, café, conversa, passeio, praia, tudo o que normalmente demoraria dias a combinar. Saiu melhor que a encomenda e foi um dia muito feliz, obrigada ! 

Finalmente os planos estão a tomar forma. Ir ao Ikea é uma das minhas visitas ao shoping favoritas. Ando, imagino, decoro, renovo, invento, consigo utilizar coisas da forma mais imprevista e ainda tiro ideias para procurar soluções ainda mais baratas. Aquilo é um verdadeiro lego gigante, em que podemos inventar milhentas combinações e, pasme-se, se tivermos mesmo muitas saudades , ainda podemos montar como quando éramos crianças. Eu passo por todas as etapas, incluindo aquela do derrape do orçamento 😞 . Gasto sempre mais do que o que pensei, à partida, gastar e depois tenho que andar a fazer ajustes nas contas para poder fazer face a tudo o que estava previsto. Adoro o mês do subsídio de férias!

Ao fim de 2 anos de aqui estar, a casa vai finalmente tomando forma. Ao fim de 7 anos o martírio que encontrei com o fim da vida em comum está a aproximar-se do fim. ( Srs do portal das finanças, agradeço a libertação das verbas que me são devidas porque se fosse ao contrário por esta altura já me estariam a falar em juros, sim????!!!! Temos que ser uns para os outros)

A ida ao Ikea foi longa, divertida, proveitosa mas sobretudo cansativa pelo que foi necessário encostar-me ao estaleiro depois de fazer noite. O meu aspecto hoje era tão aterrador que os miúdos nem tiveram coragem de fazer fita quando lhes disse que estava imprópria para consumo e incapaz de ir para a praia como tínhamos combinado. É bom quando nos conhecem não só pelo que dizemos mas também com o que transmitimos sem falar e essa é uma capacidade que nem todos têm. Tenho feito esforços para lhes transmitir esses ensinamentos e parece que estão a dar resultado. Hoje tive direito a jantar ( feito pelo mais velho) e a limpeza e arrumação da sala/escritório/ biblioteca/playground - o lugar de eleição dos miúdos - pelo mais novo e pelo sobrinho, tudo à conta de umas olheiras que mais pareciam a cratera do Vesúvio.

Tanta coisa se tem passado - e se vai passar tendo em conta a quantidade de " legos" que tenho para montar - que estes três dias parece que foram uma semana inteira de coisas feitas. Ainda deu para assistir à saída do Reino Unido da UE e ao que se passou em torno disso e pensar como é que alguém pensou que não era este o desfecho mais provável ( oi! People! O Reino Unido não aceitou a moeda única, certo? Eles têm a commonwealth certo? A pergunta certa - a que eu faço há já algum tempo - seria, como é que eles aguentaram tanto tempo???) A ver vamos o desfecho disto. A ver vamos as mudanças, a ver vamos os trabalhos que eu tenho que acabar até Setembro!  Adoro o tempo de férias, dá -me sempre mais energia para trabalhar😎

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Adoro sarna para me coçar

Era para ser só uma, mas vieram 3. Num momento de loucura ainda pensei trazer outro, mas depois passou-me. O gato preto ficou com a mãe.

Assim que se soube toda a gente me avisou que iria ser uma desgraça. Que saltam, que pulam, que rasgam e partem coisas, enfim, um sem número de desordens que se iriam instalar na minha casa.

De facto, são uns fofos. Brincam, dormem, comem e fazem outras necessidades. É nas necessidades que tem residido o busílis da questão.

Até ontem achei que, para além de as desgraças terem sido muito exageradas, me tinham saído na rifa os únicos gatos cagões da história da humanidade. Pelo menos um. Muito, muito cagão. De tal forma que tenho passado os dias a apanhar cocó. A minha irmã ainda sugeriu que o gato fosse cego, incrédula que ficou com o meu gato cagão. Não é, disso tenho a certeza já que ele foge quando o tento apanhar e isso não se sente com os bigodes. Dei voltas e voltas à cabeça e descobri. Ele é demasiado limpinho e quando a sílica fica demasiado cheia de porcaria é incapaz de ir ao lugar onde deve. O problema está provavelmente na sílica. Tenho que encontrar uma areia adequada ao tanto tempo que passo fora de casa. De resto, são uns amores e ainda bem que os trouxe comigo.

Os meus novos pequenos meninos-gatos

sábado, 4 de junho de 2016

No poial ao entardecer

Não é a primeira vez que falo neste blog da Ludoteca e do trabalho que fazem com as crianças do concelho. Uma mais valia para os pais que vêm os seus meninos aproveitar o tempo livre com actividades lúdicas e formativas. Os meus sempre frequentaram a ludoteca - o grande enquanto quis e o pequeno, primeiro renitente, depois rendeu-se ao teatro.

É com orgulho que se percebe o enorme trabalho destes profissionais em prol das crianças e é com satisfação que vejo reconhecido pelo público a autora/professora/encenadora das crianças durante as oficinas de teatro.

"No poial ao entardecer" é uma peça escrita pela Mané, a Maria Manuel Costa e apresentada pelos meninos das oficinas de teatro da Ludoteca. É uma peça que fala sobre as importantes relações entre gerações, o conhecimento que se transmite, levando os meninos e o público numa viagem através do Alentejo passado e presente. O cenário principal é um poial, esse lugar maior dos tempos da nossa infância onde, nas tardes e noites de Verão, se contavam histórias a "apanhar fresco". Os avós e os seus netos revisitam a juventude dos primeiros em cenas hilariantes em que se percebe a evolução dos " nossos" tempos.

Agora o poial está em livro e hoje esteve de volta ao palco do cine-granadeiro, onde estará nos próximos 2 dias, em apresentações às várias turmas do ensino básico, dando a conhecer esta arte magnífica que é o teatro. É com orgulho que digo que tive e tenho filhos que foram ensinados a representar pela Mané. É com orgulho que os vejo em palco. É com orgulho que percebo que apesar de estarmos longe dos grandes centros urbanos, conseguimos oferecer às nossas crianças um currículo diversificado onde não faltam oportunidades de evoluir o seu sentido artísticos. Parabéns pelo teu trabalho e pelo teu livro Mané. Obrigada pelo que fazes pelo desenvolvimento pessoal dos nossos filhos! 🎭

terça-feira, 31 de maio de 2016

É a vida !

Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.

Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.

Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.

Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto...

Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .

Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.

A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.

Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um.  É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.

Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook,  reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou "deles"? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.

E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!

sábado, 28 de maio de 2016

Da vontade ( que não tenho tantas vezes) de cozinhar

A moda do brunch é uma moda de que gosto bastante. Embora nunca tenha tomado ( é assim que se diz?) um brunch nesses lugares da moda ( só se fosse doida é que me "desabalava" daqui até Lisboa para tomar um brunch - que seria ou uma barrigada de fome ou quanto muito um jantar) o que é facto é que o brunch serve para mim por dois motivos: primeiro porque me faz lembrar os lanches ajantarados que por aqui se fazem e que são óptimos na casa dos meus pais e em segundo porque em dias que saio de vela ( ou seja em que saio depois de fazer uma noite) apesar de tomar o pequeno almoço antes de me deitar, é certo que não vou acordar para almoçar e quando acordo apetece-me tudo menos fazer almoço de faca e garfo.

A alimentação saudável sempre foi uma preocupação na nossa casa. A minha mãe para além de ser professora primária e passar esses ensinamentos aos alunos ( onde eu ainda me incluí, antes da lei que proíbe que isso aconteça) também os aplicava em casa. Lembro-me das inúmeras tentativas falhadas para me fazer comer espinafres, de que não gostava de maneira nenhuma e que hoje são um dos meus vegetais favoritos ( engraçado como evoluem os nossos gostos).

Também durante o curso a disciplina de nutrição foi uma das que mais gostei e a que me fez perder menos aulas ( porque o que gostei mesmo desse tempo foram as "cadeiras" nocturnas em que fui aprovada sempre com distinção, eheheheh).

O meu professor, nutricionista à altura, no hospital pediátrico de Coimbra passou-nos - pelo menos a mim - para além das noções básicas, a importância da alimentação no aumento da qualidade de vida em muitas patologias sobretudo as metabólicas.

A obesidade é a epidemia do século e a obesidade infantil é um problema que se não for diagnosticado e tratado a tempo pode ser um grave problema no nosso futuro. Para além da má alimentação que se faz hoje, principalmente devido à quantidade de alimentos processados que incluímos na nossa alimentação e ao aumento da qualidade de vida que nos fez consumir muito mais do que necessitamos,  o sedentarismo, a falta de prática desportiva, a falta de brincadeiras e corridas na rua também contribuem para o aumento da obesidade.

Os lanches ajantarados na casa dos meus pais incluem ainda hoje - ainda bem - sobretudo marisco ou grelhados de coentrada ou aproveitamento daquilo a que chamamos os restos de outras refeições ( assim de repente lembro-me das sardinhas de tomatada que são a minha perdição) mas algumas noções antigas e erradas levam a que por vezes se cometam alguns erros, nomeadamente na quantidades de batata consumida e na quantidade de carne gorda e vermelha consumida por semana. Já eu prefiro as aves exceptuando a caça ( apesar de ter um pai caçador, não sou grande fã de carne de caça)

Por aqui, hoje, deu-me para as panquecas. Depois de uma procura na internet encontrei esta receita do blog my casual brunch de que fiquei fã e já sou seguidora. Como é lógico tive que mudar tudo ( é uma coisa que "se me" está entranhada na raiz, o que é querem? ) e o nome não pode servir para as minhas panquecas, mas segui as proporções: como não tinha farinha de gérmen de trigo usei a que mais gosto, ou seja, farinha de milho e cá em casa não se usa leite magro, que me sabe a água, mas leite meio-gordo. A acompanhar as panquecas foi necessário aproveitar o que por aqui há em casa. Até porque prefiro o produto nacional às " modernices importadas". Nada contra as importações mas porque é que hei-de usar queijo quark se posso usar queijo limiano, que até já existe com menos gordura? Ou queijo fresco de que gosto tanto? Não faz o mesmo efeito cremoso? Logo descubro algo nacional que o faça. Adiante: Queijo, doce de morango e amoras produzidas mesmo aqui ao pé . Ficaram uma delícia e até o pequeno esquisito da casa aprovou. Acho que vou repetir a receita mais vezes.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

É no coração que está o problema

A verdade é que isto que aqui se lê não é novidade para mim.
Aqui à uns dias escrevi neste blog que são os objetivos que dão sentido à vida e que tinha em mente a realização de 3 até Setembro. Na verdade 2 deles estão associados e nada melhor do que Maio, o mês do coração, para começar a realizá-los.

A profissão, como se pode ler no link não ajuda e a genética ainda menos. Não é tanto o cancro do pulmão, mas o risco cardiovascular que me assusta mais, para além da DPOC que fazem ambos parte da minha carga genética.
Se vos disser que o factor económico não pesa, também estaria a mentir mas o que me preocupa mesmo é a minha saúde, que como se sabe andou pelas ruas da amargura.

Ansiedade mais controlada, é tempo agora de diminuir o número de cigarros que fumo até que deixar de fumar seja apenas uma opção.
Feito o estudo do fenómeno chego à conclusão que fumo em média 14 cigarros por dia, sendo que o objetivo é voltar aos 4/5 que fumava quando comecei a trabalhar no serviço de urgência. A par disso à que começar a praticar exercício mais regularmente, não para perder peso, mas para tornar o meu coração mais resistente aos defeitos da genética e aos efeitos da profissão que escolhi.

Nunca pensei que com 18 anos de profissão as noites continuassem a ser uma necessidade económica, mas são e portanto à que diminuir os efeitos dos turnos. Em 1 mês diminui 2 cigarros por dia o que não parece nada mas ao fim do dito mês são menos 60 cigarros ou seja menos 3 maços de tabaco.

Não sou adepta das correrias até porque os meus joelhos não iriam gostar que começasse a correr sem mais nem menos e provavelmente a minha coxo-femural mandava-me logo passear. Bem vistas as coisas foi isso que decidi fazer. Hoje fiz 5km, na companhia dos meus filhos, sem cansaço, sem dor e sem sofrimento. Talvez consiga vir a correr, mas não faz parte dos objetivos, o objetivo é mesmo fortalecer o músculo cardíaco que por minha vontade ainda terá mais 80 anos para trabalhar, como um relógio suíço. É que como toda a gente que me conhece sabe, eu quero viver até aos 120 anos .

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 

Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 

Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa "ciência" ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 

O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode "descambar" se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 

Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos - depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 





Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha "paixão" em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte...    










foto tirada e trabalhada por mim, junto ao "novo" resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho 






domingo, 1 de maio de 2016

Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar





Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito -  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  
Beijinhos e obrigada  



E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar :D 




Para a mãe segura

Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010







terça-feira, 15 de março de 2016

Gostamos bastante de ti

Haverão várias gerações de portugueses que não te deixarão morrer, por longos anos, porque ficarás na nossa memória. São pessoas assim, sem medo de viver e de morrer (porque há de facto muito poucas coisas realmente importantes na vida) que ajudam a tornar melhor a sociedade.

Das melhores peças que vi sobre uma perda tremenda para o nosso país e para a nossa cultura. Saibam os nossos "novos artistas" chegar a este discernimento da vida. Fará falta, neste Portugal em profunda mudança.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Amanhãs

Aos poucos as coisas vão-se organizando nas novas prateleiras que a vida me trouxe. Já não me assusto tanto com as novidades como até aqui. O Baudolino olha para mim, de uma das prateleiras, como que a suplicar: Lê-me até ao fim para começares uma nova aventura. E eu, em pensamento respondo-lhe que sim , que tenho que o fazer, mas a minha pirâmide de prioridades não permite que largue outras para lhe dar prioridade, já, agora, pelo menos não conscientemente, que tenho tantas saudades de ler com vontade... Ainda assim a sensação de peso vai aos poucos ficando mais suave. Estou ainda lenta a voltar àquilo de que realmente gosto.  E amanhã é mais um dia...



quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Livros, há muitos!

Por estes dias, de cada vez que passo pela praça da República ( a nossa praça das palmeiras) e vejo o pobre Jacinto Nunes apontando friamente a sua obra ( lá para os lados do fim do mundo) sinto um certo desconsolo. Ele, engalanado desde há tanto na praça, com as suas palmeiras, parece-me agora demasiado a descoberto. Se é certo que as palmeiras criaram bicho e era melhor cortá-las antes que a doença alastrasse ( dúvida existencial - há alguma palmeira sem doença nesta terra? ) fica-me agora a questão: o que chamaremos agora à praça se já não tem as palmeiras? A árvore, plantada para o Natal, por agora, reconforta-me os ânimos e lembra-me que também eu tenho que montar a minha. Mais uma entre as tantas tarefas. Entretanto limito-me a tentar cumprir todas as minhas obrigações ( que são algumas e estão naquela fase de perda de prazo de validade e isso não pode ser!) e a tentar lutar contra a inaninação por perda de massa encefálica reutilizável. Preciso de ler, ler muito. Aguarda-me a feira do livro, na nossa biblioteca municipal. Tenho que lá ir, mas com a cabeça bem implantada acima do pescoço porque senão lá se vai o orçamento. É que por mim, como sempre, trazia os livros quase todos!
 
 
 
 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A vida é bela

Há já algum tempo que não sentia o cansaço como hoje. Medito algumas vezes no que ouvi dizerem-me um outro dia - qualquer coisa como: é no tempo em que podes descansar mais, que te sentes mais cansada, porque podes sentir-te assim. Seja! Também podia dizer que a aposta em abrandar um pouco o ritmo e tentar refriar as constantes mudanças de turno, a que as 40 horas obrigam, e o duplo emprego - um part-time a que as despesas ( ou a crise , se preferirem e não dar aspecto de despesista) - obrigam, me permitiram diminuir a dose de medicação e que isso também tem consequências ( bem me queria parecer que ontem devia ter tomado o comprimidinho milagroso mas , mais uma vez, achei que ia conseguir aguentar) . Ainda assim, e embora não tenha conseguido fazer tudo o que tinha previsto para hoje, já adiantei bastante as tarefas "orgazinacionais" que tinha para completar. Desconfio que já tenho uma máquina de calcular valores aproximados na cabeça, que me permite fazer contas com tabelas de despesas, ganhos , descontos e valores a crédito e a débito a uma velocidade que até a mim me espanta. Já não estava habituada a ter a cabecinha a funcionar tão bem há muito tempo a que se soma a contemplação dos resultados com aquela sensação de dever cumprido. Ah! como é bela a vida. Revisão do carro e da coluna marcadas ou em vias de; pagamentos realizados; nova previsão para o mês com boas perspectivas entre créditos e débitos; a loucura consumista do mês também já perspectivada e daqui para a frente é gestão corrente ( espero eu) . pffff!!!Na verdade olho para trás, para o último ano e penso que talvez tenha corrido melhor do que esperava. Até já consegui, um dia, deitar-me no sofá a ver televisão e imaginem! não me sentir culpada por ter deixado alguma coisa por fazer ( porque não deixei e isso é uma coisa espantosamente nova para mim) . Hoje os planos são experimentar outra vez para ver se consigo...

E por falar em a vida é bela, como tenho saudades de ver um filme assim...


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Don`t panic ( agora já não vale a pena)

Das muitas coisas que gosto, uma das que mais gosto é chegar ao fim de qualquer objectivo ou tarefa com a sensação : eu fui capaz! Nem sempre acontece e nem sempre tem a ver com a motivação externa. É de dentro que me vem a motivação e sobretudo a aprovação. Sou sempre eu. E podem cá vir dizer ah! e tal, que está bom, e lá, lá ,lá. Se eu não vir a coisa assim, nada me fará convencer. Hoje terminada que está mais uma grande etapa que julguei nunca mais vir a fazer ( nunca digas nunca!) sigo direitinha para o vale dos meus lençóis com uma certeza: eu ainda sou capaz de muita coisa!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Por do Sol


Repete-se todos os dias, mas um nunca será igual a outro e alguns são inesquecíveis. Quero ver muitos ainda!

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Dúvidas


O mais fácil já está. Resta saber como se faz para transformar uma abóbora em carruagem da Cinderela...