---------------------------------------------------------------------------------------------------

---------------------------------------------------------------------------------------------------
Mostrar mensagens com a etiqueta T(extos) E(ntre) S(onhos). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta T(extos) E(ntre) S(onhos). Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Como num filme Disney

Deixar ir. Sempre me disseram que deixar ir era mau costume e à força de tanta asneira finalmente aprendi. À falta de melhor recordação lembro-me sempre que prometi que acontecesse o que acontecesse iria sempre sorrir. Só Deus sabe o que me tem custado cumprir essa promessa.

Às vezes há mensagens erradas, em horas erradas. Acredito que a fortuna nos dá sinais ( entenda-se fortuna no sentido de destino, como se me lessem as palmas das mãos, as circunstâncias) . Vai valer a pena foi uma delas. Gelo outra vez. Os olhos baços de querer sorrir. A promessa por cumprir, o rio imenso da vida para atravessar e a frase que me preenche o vazio que se apodera do espaço que tantas vezes apenas ocupo: " Se estás a atravessar um deserto, por favor continua" . É a minha auto-motivação. Não conheço mais nada que funcione. Auto é a palavra que melhor me define e a única que aprendi que funciona. O resto é por vezes demasiado ruído. Talvez por isso seja tão apegada à harmonia, talvez por isso a música seja sempre a minha companhia. Deixar ir quem não quer ficar.  E a esperança do meu final feliz. Um dia...

domingo, 8 de maio de 2016

Cerejeira em flor

Escrever é uma das coisas que gosto bastante. Contos ou mini-contos são dos textos que gosto mais de criar. Tenho alguns escritos por aí, outros guardados em livros só meus, outros vou escrevendo conforme me dá a vontade de juntar letras e significandos a significâncias que mais não são do que sonhos e/ou criatividade pura. Uma "sentimentalona" com ideias muito próprias e vincadas em crenças e utopias, ou simplesmente uma sonhadora. Sob as etiquetas TES e T(extos) E(ntre) S(onhos) deixo-vos um pouco da minha poesia, prosa poética ou escrita criativa conforme preferirem classificar ...  



Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração
A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .
O caminho, marcado a traços contínuos impede - me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Depois dos 30 ainda tenho tudo para fazer

Podia ter escrito sobre o dia da mulher, optei por não o fazer. Em primeiro lugar porque, mais do que escrever sobre o assunto, o meu dia a dia reveste-se de tantas tarefas que para escrever implicaria que houvesse tempo, que me sobrasse o dito para reflectir sobre o que escrever. Esse tempo é-me precioso e curto. Depois porque tanta coisa é e foi escrita que sinceramente pouco me sobra mais que acrescentar. Sinto, tal como sentia há 20 anos atrás que, para ter efectivamente os mesmos direitos tenho que trabalhar e esforçar-me em dobro. Sinto que, por mais que defenda, grite ou argumente ainda há quem acredite que, de facto, existem tarefas que devem ser exclusivamente para mulheres e existem outras que devem ser realizadas por homens. Sobretudo sinto-me presa à geração da eterna juventude em que a aparência, as aptidões de venda ( da imagem, das ideias, do ser e sobretudo do corpo)  são condições essenciais para se ser notada e reconhecida como alguém de sucesso . Não era, não foi nunca este o meu sonho de vida. Aguento-me forte nas circunstâncias da vida, tentando manter a minha saúde acima de todas as pressões que possam exercer sobre a minha forma de estar, de pensar e de enfrentar os dias mais difíceis. Sobretudo gosto de ouvir, ler e reflectir sobre o que diz quem sabe e quem tem experiência.
 
Não tendo particularmente qualquer alusão à condição da mulher, adorei este post porque reconheci nele uma reflexão soberba que a pouco e pouco quero saber atingir. Até porque, a melhor forma de se formar uma qualquer opinião é estudar, conhecer, ter experiência sobre o assunto sobre o qual se pretende argumentar, nem que seja experiência de vida.
 
Há uns anos ( 4 ou 5) escrevi esta tentativa de prosa poética:
 
 
A rosa do deserto
 
Sou uma rosa no deserto. Nascida da mais improvável aridez, a água que me alimenta não é mais do que lágrimas que brotam dos meus próprios olhos. Sonhando com dias quentes e noites estreladas, transformei a paisagem que me envolve na mais monótona de todas as paragens... O vento levanta o pó de areia e nada sobra...mudando as acumulações de lugar, subindo e descendo como uma verdadeira ondulação: á volta tudo fica igual...A rosa cresceu acreditando na cor vermelha e descobre que não passa de uma amarela pálida. Perene como todas as rosas, a força da natureza vai acabar por me dobrar. E assim se redescobre alguém, e se vê que não se é o que se pensava ser... Em hibernação sonhei sonhos desses de voar, de percorrer o mundo... desperta do meu sonho, descubro a secura que se instalou ao meu redor , que as mudanças da luz alteraram a minha própria cor e que nada já é o que parecia poder ser.

Podia dizer tanta coisa, mas palavras sussurradas atravessam o espaço e podem servir de palavras mágicas para abrir a gruta do medo... e assim não digo nada quando não sei quem me ouve...


talvez possa percorrer o meu deserto em caravana com o vento e um dia, guiada pelos desejos que só as estrelas ouviram, numa noite já distante, o mar me venha de novo banhar e acariciar os pés, dando por terminada a minha travessia do deserto.

 
Alguém, mais esperto do que eu tomou-a como sua, aparentemente sem grande sucesso. Às vezes reflicto sobre o que escrevi e vejo que, de uma maneira ou de outra muita coisa do que escrevo vai embater, quase sempre, nas minhas raízes ou no que já vivi. São os erros que nos ensinam, muito mais do que aquilo em que acertamos. Confesso que não acredito que as mulheres da minha geração se vejam livres de muitos dos seus problemas. No entanto continuo a acreditar que mesmo tendo deixado muitos dos meus sonhos para trás, ao fazer determinadas escolhas, eu própria me encarregarei de descobrir qual o caminho certo para mim, já que até agora me parece que ainda não fui capaz.  


sábado, 19 de dezembro de 2015

Enigma


Passei. 
Talvez um quarto da minha vida à espera. 
A pergunta certa nunca chegou. 
Na metade final percebo que não existem perguntas certas. 
Nem respostas erradas. 
Existimos apenas e nesse lapso complicam-se memórias
 com factos presentes,
 enganam-se os olhos com a imaginação. 
A simplicidade de um momento bom 
 rasgada por uma palavra errada 
Um enigma desnecessário

E se a pergunta for despropositada?

Simplifico, então (!?)
Os dias correm com a mesma velocidade
somos nós que os vemos diferentes
perspectivamos passos que não damos
momentos que não chegam 

No fundo
é tão fácil
refazer
num jogo simples de dar e receber
começas tu desta vez

Um dia ainda conto

como as histórias nos podem desencantar





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A vela

A vela estava acesa e tremelicava a luz escassa que se derramava pela sala. Diria que lhe dava um ar medieval, à sala e à sensação que vestia por estar assim. A lareira ocupava a parede e ela sentada lá dentro segurava entre as mãos tremulas uma malga a transbordar de café quentinho. Não estava sozinha embora assim lhe parecesse. Afinal não era só a vela que iluminava a sala era também aquele enorme lume de chão e a  voz dos outros. Falava-se de quê? Não conseguia compreender mas nem tentava. Desistira à muito que tentar mostrar interesse por coisas que a enfastiavam. Eles falavam, todos, muito, em demasia lhe parecia. Ela entrara à muito dentro do fogo quente. Os olhos fixos teriam sido o seu ponto de entrada e não era ela que se aproximara do lume, foi o lume que entrou, dentro. Conversavam sobre a vida, o futuro, numa linguagem muda, que os outros trocando palavras comuns nunca chegariam a entender. Desconfio que nem deram por a vida que lhe ia por dentro enquanto se mantinha imóvel. Tantas vezes o mundo se passa mesmo ao nosso lado e não conseguimos nem pressenti-lo. Soube do passado e do futuro, dos planos e das ideias, soube coisas que se encaixam em contas prolongadas por muitos anos, sob subtracções de linhas terrestres e de mapas astrais. Foi o som do brinde que a despertou, brindavam a quê? Ah! sim á vida. Que vida? A vela apagou-se mas ninguém deu por isso porque a labareda na lareira continuava a iluminar e aquecer. Ela ficou só mais consciente, o resto seriam conversas que não interessariam a ninguém e de resto pouca gente entende as linhas com que se escreve a história do universo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A última morada

O fundo do quintal dava para aquela que era a última morada de toda a gente. No quintal crescia um pouco de tudo, quase ao Deus dará. Não poderia dizer-se que o tamanho era a maior qualidade do que crescia, mas era bom e na sua pequenez tinha também alguma graça e doçura, se fosse essa a qualidade que deveria existir na produção. Olhava muitas vezes para o quintal, enquanto pensava que, fossem as coisas como fossem, daria, sempre que pudesse, o melhor que conseguisse. Conseguir em pleno não era, por assim dizer, a melhor das suas qualidades.
A casa era silenciosa e acolhedora o quanto baste para se sentir confortável. Apesar das frinchas, que completavam o seu complicado mecanismo de ar condicionado, o sitio era quente. Tinha uma paixão pela sua amostra de lareira e ainda assim isso não era suficiente para a acender todos os dias. O cansaço vence demasiadas vezes o amor que temos por qualquer coisa, seja lá isso o que for. Era o silêncio a grande porta de entrada para o seu lugar predilecto. O monitor da TV poderia estar ligado ou desligado, isso dependeria de quem estivesse por companhia e ainda assim conseguiria entrar. Entre o futuro e o passado há uma brecha que só percorre quem sabe o caminho. É nessa brecha que ela habita nos seus melhores momentos.  São as emoções, as recordações e aquilo que se sabe daquilo que se vê, que formam a grande massa com que construímos os sonhos e os sonhos, esses, são diferentes para todos nós. Nunca sonhara um quintal assim, mas achava-lhe piada à perfeição da pequenez. Tudo o que é pequeno tem graça, ouvia dizer vezes sem conta. Agora isso havia sido trazido da sua brecha de sonho. Gostava de lá morar muito mais vezes do que realmente acontece, mas a vida é um caminho que se faz quase em contínuo, com diminuição da visibilidade, como se fosse um conduzir no meio do nevoeiro: e mesmo assim ainda esperamos a chegada do D. Sebastião perdido.  
É nos dias em que não habita a brecha, os dias em que mais sofre. Talvez seja a saudade ou apenas a falta que sente daquilo que é para ela uma necessidade. Tanto quanto viver. Tanto quanto sonhar. Tanto quanto acreditar. O sitio não tem nome de rua mas o quintal dá para aquela que é a última morada de toda a gente.